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quinta-feira, 11 de junho de 2026

Série americana que exporta um Brasil mafioso é sucesso mundial

 / Sheila Sacks /

(atenção: contém spoiler)

Top 1 no ranking global de seriados da Netflix, Homem em Chamas (Man on Fire), lançado em 30 de abril, apresenta um Brasil violento e cheio de truques, com chefões do crime organizado, facções armadas, atentado terrorista e até a presença de autoridades públicas valendo-se de métodos mafiosos em ano eleitoral.

Diante do inequívoco sucesso registrado principalmente pela mídia internacional especializada em entretenimento, por aqui a grande imprensa preferiu não se pronunciar e compreensivelmente honrou seus compromissos com a publicidade oficial erguendo um visível muro de silêncio em torno da série. A exceção foi a plataforma de notícias UOL que repercutiu o fato e entrevistou alguns atores que participaram da filmagem. Outras notas e postagens ficaram por conta das redes sociais.

 Bandidos e política

Ao longo de sete episódios é contada a história do ex- agente das Forças Especiais da CIA, Christian Creasy ( interpretado por Yahya Abdul-Mateen II), que chega a cidade do Rio para atuar na firma de um amigo envolvido em um serviço sigiloso para o presidente da República e seu ministro de Segurança.Pouco dias depois, um ato terrorista mata o amigo e sua família, salvando-se a filha adolescente que fica sob a sua guarda.

A partir daí, a procura dos assassinos faz o ex-agente enfrentar o submundo do crime, as armadilhas, chantagens e ameaças dos barões da contravenção que têm suas residências luxuosas nos bairros abastados da zona Sul da cidade. Ele não escapa nem de uma tentativa malandra de assalto logo no primeiro episódio e também de uma audaciosa investida de sequestro contra a jovem sobrevivente.    

Por sua vez, na cidadela da Rocinha, a maior favela do país, bandos armados a serviço do tráfico transitam pelas ruelas eliminando os desafetos, impondo regras, sitiando moradores e restringindo a entrada de estranhos. Toda a violência regada a cerveja, pó e funk, comemorada nas lajes a céu aberto, sob a visão privilegiada das praias e do mar aberto.

Como de praxe em filmes de ação, a velocidade dos acontecimentos pega o espectador de roldão que acompanha arrebatado a trajetória de vingança do ex-agente, agora em companhia de um coleguinha especialista made USA e de seus novos amigos fora da lei (mas, todos gente boa).

Com a ajuda do grupo ele invade uma prisão de segurança máxima e interroga o chefão de um poderoso grupo do crime organizado. Então, descobre uma trama em andamento encabeçada pelo principal mandatário do país e seu ministro cúmplice. Por trás, agindo na clandestinidade, um mau caráter da CIA.

Mais invasões se sucedem, desta vez em um grande hospital onde o ex-agente enfrenta a perseguição do tal ministro da Segurança que, de arma em punho, faz de tudo para matá-lo. No fim, a verdade vem à tona, o presidente mafioso cai e o Brasil é salvo. A série apresenta  o  retrato de uma republiqueta dos trópicos movida à bala que não coincide com a oratória pátria de nossos políticos.  No mais, uma produção estruturada em ritmo acelerado, bons atores, efeitos especiais de última geração e a conhecida paisagem do Rio, sempre uma coadjuvantes que soma pontos.

Em junho, entre as 10 mais

Com locações adicionais no México, Homem em Chamas já na primeira semana de exibição atingiu mais de 23 milhões de visualizações tornando-se a série mais vista do streaming em 58 países. Sua trajetória de sucesso continua e depois de um mês desde a sua estreia permanece no ranking dos dez seriados mais acessados do planeta.

A produção é a mais nova versão do livro do autor inglês A. J. Quinnell, publicado em 1980, e que teve duas adaptações anteriores levadas aos cinemas. Em 1987, com Scott Gleen protagonizando Christian Creasy e ambientado na Itália, e em 2004, estrelado por Denzel Washington e filmado no México.