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quarta-feira, 3 de junho de 2026

Cientista britânico afirma que leis da física podem tornar vida extraterrestre similar à da Terra

/ Sheila Sacks /

Para o astrobiólogo britânico Charles Cockell (59), professor  da Escola de Física e Astronomia da Universidade de Edimburgo e codiretor do Centro de Astrobiologia do Reino Unido (UK Centre for Astrobiology), se existir vida extraterrestre ela poderá parecer “estranhamente similar à da terra” porque a física restringe a forma.

 Em seu livro “As Equações da Vida” (The Equations of Life: How Physics Shapes Evolution) Cockell propõe uma biologia universal. Ele afirma que as leis da física canalizam a vida para formas restritas e delimitam o escopo da evolução. Assim, a maior parte dos seres vivos, de acordo com a sua teoria, é talhada por regras que podem ser “chocantemente” estreitas. 

 “As leis da física são as mesmas em todos os lugares”, diz Cockell, que completou doutorado em Biofísica Molecular na Universidade de Oxford. “A gravidade, por exemplo, é onipresente, não exclusiva do nosso Sistema Solar. Portanto, as mesmas restrições estão em todo lugar. Moléculas orgânicas, na Terra ou em outro ambiente, ainda se desintegram em altas temperaturas e se desativam nas baixas.”

 Ele explica que certos ingredientes são indispensáveis para a vida em quase todo lugar. O carbono é o elemento ideal para montar a vida florescente e a água é o melhor solvente para transportá-lo. “Ao estudar a vida na Terra obtemos ideias sobre onde procurar vida no espaço para responder àquela antiga questão: a vida na Terra é o único exemplo de vida, ou existe vida em outros planetas? São essas questões-chave da astrobiologia que vão determinar quais condições tornam um ambiente habitável”, reforça.

 Elementos básicos

 Segundo o cientista, também autor de “Astrobiology: Understanding Life in the Universe”, livro que investiga a habitabilidade de outros planetas, “os critérios básicos incluem a presença de água líquida, pois ela fornece o meio para as reações químicas essenciais à vida. Igualmente importante é a disponibilidade de certos elementos — carbono, nitrogênio, fósforo e oxigênio — juntamente com uma fonte de energia, seja a luz solar para a fotossíntese ou compostos químicos capazes de sustentar os processos biológicos”. Ele ressalta que as condições não devem ser extremas porque temperaturas de centenas de graus são incompatíveis com a vida como a conhecemos.

 “Ainda assim”, enfatiza Cockell, “é importante lembrarque esses requisitos se baseiam na vida como a entendemos hoje, e devemos sempre manter a mente aberta para a possibilidade de descobrirmos vida com requisitos completamente diferentes”.

 “Nosso próprio planeta é um exemplo, continua. “No oceano, criaturas com corpos finos e adaptáveis predominam no sentido de se moverem rápido pela água. Na terra, a maioria dos animais tem membros ou apêndices para se movimentar, e no céu os pássaros são governados pelas leis de aerodinâmica.”

 Cockell avalia que os alienígenas talvez não tenham braços e pernas, mas sim tentáculos para agarrar objetos. E que provavelmente possam ter olhos, ouvidos e uma boca, mas não da maneira que conhecemos. Dessa forma, adaptações alienígenas semelhantes à vida terrestre – de humanoides a beija-flores – podem ter surgido em bilhões de mundos.

 Novas descobertas

 Entre as descobertas mais surpreendentes das duas últimas décadas apontadas por Cockell está o vasto número de lugares no universo que parecem ter água líquida, um dos requisitos básicos para a vida. “Quarenta anos atrás, as pessoas estavam interessadas apenas em procurar vida em Marte. Agora descobrimos oceanos sob as crostas geladas de luas que orbitam Saturno e Júpiter, bem distantes no Sistema Solar.”

 Outra observação de Cockell se refere ao fato de que os astrônomos também estão muito interessados ​​em procurar o gás oxigênio em planetas distantes, “gás que na Terra é produzido em altas concentrações por plantas e organismos unicelulares na fotossíntese". Ele destaca que nesse campo também existem abordagens “incomuns” denominadas “métodos agnósticos”, aqueles que não exigem conhecimento de como a própria vida é construída.

 “Por exemplo, muitas moléculas em nossos corpos, como as proteínas, são compostas de longas cadeias. Isso porque longas cadeias podem conter muita informação. Então, podemos especular que qualquer biologia complexa no universo seria composta de moléculas de cadeia longa”, relata. “Logo, uma maneira de procurar por vida seria buscar moléculas longas que não dependessem de nenhum conhecimento de como essa biologia foi construída. Atualmente, há pessoas trabalhando na construção de tais instrumentos”, informa.

 Ao longo da carreira, o físico britânico fez descobertas importantes relacionadas a micróbios que podem ser usados para extrair recursos do espaço e que toleram altos níveis de dessecação. Também realizou pesquisas sobre a relação entre impactos de asteroides e cometas e a criação de novos habitats para a vida.

 Com consultas ao Universe Space Tech e Forbes