Em 24 de janeiro de 2018, a revista Forbes Internacional, conhecida por suas listas de ricos e famosos, publicou um ranking das dez organizações terroristas mais ricas do mundo. Uma informação relevante na medida em que desvenda uma face pouco conhecida da estrutura do terror. Ainda assim, a notícia não ganhou grande espaço na mídia e a repercussão por aqui ficou perto de zero, apesar da Forbes Brasil publicar no dia seguinte uma nota resumida sobre a notícia em sua edição digital.
O preocupante é que três desses grupos terroristas
VIPs estão nas portas do estado de Israel: a organização xiita libanesa
Hezbollah, que encabeça a lista, com arrecadação anual de 1,1 bilhão de dólares; o Hamas, grupo
palestino que comanda a Faixa de Gaza, com rendimento anual de US$ 700 milhões;
e a Jihad Islâmica na Palestina, também em Gaza, com recursos anuais de US$ 100
milhões. Seus líderes têm mansões luxuosas na Europa e se locomovem em jatinhos
particulares.
Terrorista é produto final
Sem dúvida causa estranheza que a mídia mundial tenha passado ao largo da informação, se
mostrando avarenta em seus espaços em relação à notícia que foi pontualmente
divulgada por alguns sites.
É fato que o terrorismo vai muito além da figura individual de quem pratica o ataque. Esta é apenas o produto final de um mecanismo diabólico que promove o ódio, a vingança e o desrespeito à vida humana. Existe toda uma engrenagem, por trás do sujeito que mata, envolvendo logística, propaganda e, principalmente, a captação de recursos, ponto fundamental que requer atenção permanente dos governos democráticos para uma eficaz oposição a esse tormento contemporâneo.
A ligação de grupos extremistas muçulmanos, em particular o Hezbollah, com organizações criminosas atuantes na América do Sul já foi denunciada pela agência americana antidrogas DEA (na sigla em inglês), em 2008, através do Project Cassandra, que revelou as fontes de financiamento da organização.
A aproximação se iniciou na década de 1980, principalmente nos países da Tríplice Fronteira (Argentina, Brasil e Paraguai), que abriga uma numerosa diáspora xiita libanesa, e se expandiu por conta da colaboração com os cartéis de narcotráfico sul-americanos. De acordo com a DEA, com a entrada de organizações criminosas e terroristas do Norte da África foi criada uma rede global de narcotráfico que arrecada bilhões de dólares anualmente.
Contudo, a realidade percebível é diferente. Caprichos ideológicos populistas e de mercado interferem continuadamente no combate a esses grupos por parte das diferentes nações que, mesmo padecendo com atentados violentos, esbarram na falta de vontade política de seus governantes no sentido de apontar publicamente os países implicados com o terrorismo e assumir sanções diplomáticas.
Também coopera para esse ambiente recorrente de ações
violentas que ferem e matam principalmente civis, a espantosa proliferação de
instituições formalmente constituídas, de natureza e objetivos diversos,
financeiramente acolhidas por recursos difusos e imprecisos que apoiam e
propagam narrativas distorcidas da realidade.
São organizações não governamentais (ONGs), pseudossociais e assistenciais que recebem verbas milionárias e que, centradas em dados partidários e sem o devido contraditório, se dispensam do consciente cuidado na averiguação e na veracidade dos fatos, por uma inqualificável lealdade aos seus financiadores.
Um prato cheio para a mídia apressada e parcial que, além de veicular esses falsos enredos, tecem irresponsáveis opiniões sociopolíticas acusatórias. Assim sendo, com a informação real subjugada a uma ficção de insinuações, provocações e meias-verdades, fomenta-se o clima de revolta e raiva, propício a atentados pretensamente justificáveis em suas origens.
Ainda que no momento do ato terrorista o espanto das
sociedades e a mobilização policial aconteçam sob os holofotes da mídia, em
pouco tempo essa agitação recua a níveis toleráveis, abrindo espaço, mais uma
vez, para o retorno das simulações e do envenenamento diário e acumulativo das
informações desvirtuadas, lamentavelmente apropriadas por grande parte da mídia
mundial.
Uma tática perversa de desinformação que tem se revelado producente nos quatro cantos do mundo, continuadamente empregada por grupos políticos armados, assentados no Oriente Médio, que lançam mão de narrativas enganosas para atingir o seu intento. Para isso se valem de suas próprias populações que são usadas como escudos humanos. Educadas na doutrina do ódio e do confronto violento, são populações manipuladas por suas lideranças político-religiosas que fomentam entre crianças e jovens o vírus da cólera e da ferocidade contra o Ocidente.
Uma situação complicada e dramática em termos de geopolítica para as nações democráticas que ficam à mercê de ardis de marketing e ilícitos de toda a ordem sustentados por fortunas sorrateiramente injetadas em milhares de organizações supostamente sociais.
A reportagem da Forbes - “Hezbollah: a mais rica
das organizações terroristas” -afirma que seis meses após o acordo nuclear do
Irã firmado com os EUA (na administração de Barack Obama), Grã-Bretanha,
França, Rússia, China e Alemanha, em 14 de julho de 2015, a Agência
Internacional de Energia Atômica (AIEA) retirou todas as sanções econômicas
impostas àquela república islâmica, beneficiando sobejamente o Hezbollah, que
começou a receber mais recursos e apoio militar de Teerã.
Dos 200 milhões de dólares recebidos anualmente, o grupo terrorista libanês pulou para um orçamento de 1,1 bilhão de dólares. Equipamentos de guerra e de inteligência e todo um sistema que inclui milhares de mísseis e foguetes fornecidos pelo governo iraniano se somam às cifras bilionárias.
Em três décadas essa milícia local se transformou em um importante braço militar de Teerã, atuando também na Síria, no Iraque e no Iêmen.
Nunca é demais lembrar que a exportação do petróleo corresponde a 80% da renda do Irã e, com o retorno de dezenas de petroleiros ao Estreito de Ormuz, o desbloqueio dos ativos e a reconexão com o sistema bancário mundial, em menos de um ano as exportações voltaram a sua capacidade anterior como as sanções jamais tivessem ocorridas.





