<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7322191688736794078</id><updated>2012-01-29T03:50:21.800-08:00</updated><title type='text'>Viajantes do Tempo - Voyagers!</title><subtitle type='html'>Guardo em mim, antes mesmo de nascida,
um épico da Metro, cheio de guerreiros,
rabis e profetas</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://sheilasacks.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sheilasacks.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Sheila Sacks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16806038529181436948</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/Se47EqDHGzI/AAAAAAAAACE/PTl8wAnMnv4/S220/sheila+4.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>71</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7322191688736794078.post-4742178131777964289</id><published>2012-01-26T11:06:00.000-08:00</published><updated>2012-01-26T11:27:34.864-08:00</updated><title type='text'>Em Portugal, cidade medieval terá museu judaico</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Lnj92e21tao/TyGoC8QERxI/AAAAAAAABNc/CApSwg1qxK8/s1600/Trancoso%2B-Portas%2BDel%2BRei%2B1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 201px; FLOAT: left; HEIGHT: 170px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5702023371714479890" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-Lnj92e21tao/TyGoC8QERxI/AAAAAAAABNc/CApSwg1qxK8/s320/Trancoso%2B-Portas%2BDel%2BRei%2B1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;Sinais hebraicos na região datam de mais de 5 séculos&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#006600;"&gt;por Sheila Sacks&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#006600;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Catalogada como uma das doze “aldeias históricas” de Portugal, a cidade de Trancoso, no centro-norte de Portugal, surpreende os visitantes pela imponência de suas muralhas e pela beleza de seus monumentos, igrejas e castelos medievais. Foi nessas paragens que, em 1282, Isabel de Aragão, então com 12 anos (canonizada 400 anos depois como Santa Isabel), entra na Igreja de São Bartolomeu para se casar com D.Dinis, rei de Portugal, que lhe dá o povoado como dote.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situado a uma mesma distância de Lisboa e de Madri (em torno de 350 quilômetros dessas capitais), o município de Trancoso, no distrito da Guarda, subregião da Beira Interior, abriga 11 mil moradores e um patrimônio histórico e arquitetônico que engloba um antigo bairro judeu, provavelmente estabelecido no século 15 por judeus fugitivos da Espanha, após o édito de expulsão assinado em 1492 pelos reis católicos Fernando de Aragão e Isabel de Castela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse centro histórico rodeado por altas muralhas e um majestoso portão medieval – a antiga Porta d’El Rei em homenagem ao rei D.Dinis – está sendo construído pela municipalidade um museu judaico. Denominado “Centro de Interpretação Judaica Isaac Cardoso”, em memória ao médico e filósofo judeu nascido em Trancoso, em 1603, o prédio terá uma sala de exposições, espaço museológico dedicado ao passado da presença judaica na região, sala de documentação bibliográfica e um pequeno templo de orações para visitantes judeus (Beth Mayim Haim – Casa das Águas Vivas). De acordo com o presidente da Câmara Municipal de Trancoso, Julio Sarmento, está sendo investido 1,2 milhão de euros na construção do museu, com uma coparticipação comunitária de 85%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Rabinos visitam Trancoso&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em dezembro de 2011 estiveram em Trancoso os rabinos Shlomo Riskin, presidente do “Centro para o Entendimento e Cooperação Judaico-Cristão de Israel” (Center for Jewish- Christian Understanding and Cooperation - CJCUC), e Elisha Salas, da organização “Shavei Israel” (que faz a conversão dos chamados “judeus perdidos”, aqueles descendentes dos judeus forçados a abandonar a religião), que atua em Portugal. Em visita ao local onde será implantado o museu, os religiosos mostraram-se entusiasmados com a solidariedade e o apoio do município de Trancoso e agradeceram à população, seus técnicos e os autores do projeto, arquitetos Gonçalo Byrne e José Laranjeira. “Este centro judaico dedicado a Issac Cardoso, uma destacada figura judaica portuguesa, e a sinagoga que vai comportar são uma expressão fantástica de que a memória dos perseguidos pela Inquisição e seus descendentes está viva, mais de 500 anos após a conversão forçada, a expulsão e a resistência, mesmo que em segredo, que preservou a cultura e a fé”, disse o rabino Riskin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-YzCLFazXFjE/TyGnxyC6dVI/AAAAAAAABNQ/fj_AZO3QLJo/s1600/Trancoso%2B-%2Bmuralha%2B1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 174px; FLOAT: left; HEIGHT: 124px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5702023076917179730" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-YzCLFazXFjE/TyGnxyC6dVI/AAAAAAAABNQ/fj_AZO3QLJo/s320/Trancoso%2B-%2Bmuralha%2B1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Júlio Sarmento adiantou que serão produzidos vários conteúdos multimídia e que haverá referências a judeus naturais e residentes em Trancoso que foram vítimas da Inquisição. A historiadora Carla Santos, que investiga a presença judaica na região, sustenta que os judeus já viviam em território português desde os primórdios da Idade Média e que essa vivência prolongou-se por um período de, pelo menos, mil anos, “balizados arqueológica e legalmente entre os anos de 482 e 1496”, data do édito de expulsão de Portugal da minoria religiosa. “Em consequência da expulsão dos judeus e mouros, alguns membros da comunidade judaica converteram-se ao cristianismo, ainda que, apenas, aparentemente. Naturalmente os mais abastados saíram do país constituindo parte da diáspora de origem sefardita”, explica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Herança judaica&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Outra estudiosa do tema, Antonieta Garcia, docente da Universidade da Beira Interior, afirma que é preciso aprofundar as investigações sobre as figuras judaicas que marcaram a região, mas cuja influência permanece desconhecida. “Por exemplo, onde houve uma forte presença judaica, o comércio teve um desenvolvimento espantoso. É o caso de Trancoso”, exemplifica. A historiadora aponta ainda como uma herança de prática religiosa e costumes judaicos, o forte significado da celebração da Páscoa. A proximidade com a Espanha é outro diferencial: “O que esta região tinha de diferente era a proximidade da fronteira. Desde que nasceu a Inquisição até o seu final, no século 19, circulavam muitos judeus neste local, entre Portugal e Espanha e por entre diferenças religiosas”, explica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-xej9nNF562U/TyGnftjAj0I/AAAAAAAABNE/l0TDO4-pIXs/s1600/Trancoso%2B-Menorah.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 155px; FLOAT: left; HEIGHT: 98px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5702022766471974722" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-xej9nNF562U/TyGnftjAj0I/AAAAAAAABNE/l0TDO4-pIXs/s320/Trancoso%2B-Menorah.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Atualmente várias excursões são realizadas tendo Trancoso e outras cidades do distrito da Guarda (antiga região da Beira Alta) como foco. Pesquisadores e turistas judeus de várias nacionalidades têm visitado essas localidades interessados em conhecer um passado medieval envolto em segredos e mistérios por força do poder do Santo Ofício que perdurou por três séculos em Portugal. A Rua da Alegria, no centro histórico de Trancoso, junto à muralha, seria uma das principais vias do antigo bairro judeu, cujos moradores, em 1496, antes do édito da expulsão, representavam a quinta parte de toda a população da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos lugares mais característicos do antigo bairro é a “Casa do Gato Preto” ou a “Casa do Rabino”, que muitos acreditam ter sido uma sinagoga. O imóvel de arquitetura medieval apresenta desenhos de raízes hebraicas esculpidos na fachada principal. Investigadores interpretam como sendo as portas de Jerusalém, um pelicano ou pomba, quatro semblantes e o leão de Judá. Em um outro imóvel, descobriu-se uma mezuzá no interior da parede, artefato usado até hoje pelos judeus para santificar as suas casas. Colocado na parte superior do batente direito da porta de entrada, a mezuzá (do hebraico umbral) contém um pequeno rolo de pergaminho com duas passagens bíblicas e se constitui em uma proteção divina ao lar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinais e caracteres gravados nas paredes de pedra e nos umbrais das portas da entrada das casas denominados cruciformes (cruzes de variados formatos) também revelam que aquelas habitações pertenciam aos chamados cristãos-novos, judeus que aparentemente professavam a fé cristã. Olhados com desconfiança pelos católicos tradicionais, que acreditavam que muitos desses conversos continuavam a praticar em segredo ritos judaicos, os cristãos-novos desenhavam cruzes nas portas de suas moradias com o intuito de serem poupados pela Inquisição, introduzida em Portugal em 1536.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Judeus ilustres&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-9X3eBYfeOUo/TyGnILNCnzI/AAAAAAAABM4/vPkAojrCbx0/s1600/Trancoso%2B-%2Binscri%25C3%25A7%25C3%25B5es%2Bjudaicas.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 128px; FLOAT: left; HEIGHT: 102px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5702022362116038450" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-9X3eBYfeOUo/TyGnILNCnzI/AAAAAAAABM4/vPkAojrCbx0/s320/Trancoso%2B-%2Binscri%25C3%25A7%25C3%25B5es%2Bjudaicas.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;A cidade de Troncoso também é conhecida como o berço natal de Gonçalo Anes, o Bandarra (1500-1556), um misterioso trovador, provavelmente de ascendência judaica, que possuidor de um bom conhecimento das Escrituras, profetizou sobre o futuro do reino de Portugal. Seus versos messiânicos tiveram grande aceitação entre os cristãos-novos e serviu de inspiração e muitos escritores como Fernando Pessoa, o maior poeta português da era contemporânea. Acusado de judaísmo pela Inquisição, Bandarra – que era sapateiro de profissão – teve as suas trovas incluídas no catálogo de livros proibidos pela Igreja e foi condenado pelo tribunal do Santo Ofício a nunca mais interpretar a Bíblia e escrever sobre assuntos de teologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre Bandarra, Fernando Pessoa escreveu: Sonhava, anônimo e disperso/ O Império por Deus mesmo visto,/Confuso como o Universo/E plebeu como Jesus Cristo./Não foi nem santo nem herói/Mas Deus sagrou com Seu sinal/ Este, cujo coração foi / Não português, mas Portugal (do livro “Mensagem” – uma coletânea de poemas sobre grandes personagens portugueses).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já Isaac Cardoso, que dará seu nome ao Centro de Interpretação Judaica, embora nascido em Trancoso, ainda criança mudou-se com a família para a Espanha. Estudou em Salamanca e lecionou filosofia e depois medicina em Valladolid. Foi médico da corte real até que, em 1648, mudou-se para Veneza, onde assumiu publicamente a sua condição de judeu e adotou o nome de Issac (o de batismo era Fernando). De 1653 até o final de seus dias, em 1683, voltou a exercer a medicina em Verona, simultaneamente escrevendo dezenas de livros, entre eles, “Del Origen Del Mundo”, “Philosophia Libera” e “Las Excelências de los hebreus” (dedicado ao judeu português Jacob de Pinto), em que cita Bandarra como “o profeta de Trancoso”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Encontro com Bento 16&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;No início de 2011, meses antes da visita a Trancoso, o rabino Shlomo Riskin se reuniu com o Papa Bento 16, no Vaticano, para falar sobre o trabalho desenvolvido pelo Centro para o Entendimento e Cooperação Judaico-Cristão (CJCUC), entidade a qual preside e que promove o diálogo teológico e de fé com os cristãos que vivem em Israel. Membro do Grão-Rabinato de Israel, o rabino Riskin disse ao Papa que tem procurado aliviar a pobreza nessa comunidade religiosa. Também está empenhado em permanecer solidário com os irmãos e irmãs cristãos em Israel e advogar por eles. “Pela primeira vez na história dos judeus, nós, como maioria, devemos tratar das minorias religiosas, e é obrigação do judaísmo aderir ao preceito bíblico que diz: Amarás o estrangeiro que vive em tua terra.” De acordo com o rabino Riskin, o Papa se mostrou satisfeito e respondeu: “Temos de trabalhar juntos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-DRkNzXPy0LE/TyGmsE66tqI/AAAAAAAABMs/s31L9IMsR9g/s1600/Trancoso%2B-%2Bantiga%2Brua%2Bjudaica.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 147px; FLOAT: left; HEIGHT: 97px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5702021879393072802" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-DRkNzXPy0LE/TyGmsE66tqI/AAAAAAAABMs/s31L9IMsR9g/s320/Trancoso%2B-%2Bantiga%2Brua%2Bjudaica.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Uma das ações propostas pelo CJCUC foi a de criar programas para instruir os rabinos de Israel e da diáspora no diálogo entre judeus e cristãos visando melhorar a compreensão e cooperação em questões religiosas e morais. “Eu tive a oportunidade de contar isso brevemente a Sua Santidade”, disse Riskin. “Falamos das atuais oportunidades de diálogo para que os cristãos que viajam a Israel possam conhecer mais as raízes judaicas de sua fé.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entusiasmado com o que viu em Trancoso, o rabino Riskin considera que o museu judaico vai se constituir em uma referência não só para Portugal, mas também e sobretudo para o mundo, valorizando a tradição e o passado da presença judaica em termos culturais, sociais, históricos e patrimoniais. “Funcionará como um centro de aglutinação para judeus e cripto-judeus que retornaram ou pretendem retornar à identidade judaica, sempre numa atitude de cultura, conhecimento, estudo e fé”, reafirmou Riskin que desde 1983 dirige a comunidade de Efrat, cidade que fica entre Belém e Hebron.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7322191688736794078-4742178131777964289?l=sheilasacks.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/4742178131777964289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/4742178131777964289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sheilasacks.blogspot.com/2012/01/em-portugal-cidade-medieval-tera-museu.html' title='Em Portugal, cidade medieval terá museu judaico'/><author><name>Sheila Sacks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16806038529181436948</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/Se47EqDHGzI/AAAAAAAAACE/PTl8wAnMnv4/S220/sheila+4.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Lnj92e21tao/TyGoC8QERxI/AAAAAAAABNc/CApSwg1qxK8/s72-c/Trancoso%2B-Portas%2BDel%2BRei%2B1.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7322191688736794078.post-5159884370634701048</id><published>2012-01-19T11:24:00.000-08:00</published><updated>2012-01-19T14:33:17.875-08:00</updated><title type='text'>O Japão não é aqui</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-b7rt31iosgE/TxiYiUpC02I/AAAAAAAABMg/EIw66ai4hhQ/s1600/Regi%25C3%25A3o%2BSerrana%2B-%2BCapa.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 164px; FLOAT: left; HEIGHT: 132px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5699473043861197666" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-b7rt31iosgE/TxiYiUpC02I/AAAAAAAABMg/EIw66ai4hhQ/s320/Regi%25C3%25A3o%2BSerrana%2B-%2BCapa.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Por Sheila Sacks&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#003300;"&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;publicado no site "Observatório da Imprensa" &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed677_o_japao_nao_e_aqui"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;http://observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed677_o_japao_nao_e_aqui&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;“Jornalismo é uma questão de ênfase”&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;span style="color:#990000;"&gt;(Paulo Francis)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quatro dias antes de se completar um ano do mais grave fenômeno climático em número de vítimas que atingiu o país, o jornal O Globo,se antecipando à data, encartou um suplemento especial sobre o tema em sua edição dominical [8/1], enfatizando o imenso esforço que a população atingida pela tragédia vem fazendo para retomar a rotina. A chuva torrencial sobre a região serrana do Rio de Janeiro, que matou 918 pessoas e deixou 215 desaparecidos, ocorrida na madrugada de 12 de janeiro de 2011 nas cidades turísticas de Petrópolis, Teresópolis, Friburgo e arredores, voltou a ter destaque na mídia por conta das chuvas que desde os primeiros dias de 2012 castigam o interior do estado, desta vez em municípios próximos da divisa com Minas Gerais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reportagem (“A vida de Brayan”, em alusão ao menino nascido em uma maternidade de Teresópolis “enquanto o mundo desabava”) focaliza ações individuais de ajuda aos desabrigados; os mutirões que têm reunido moradores e instituições empenhados na construção de novas moradias; a recuperação da lavoura e a criação de uma cooperativa; a presença do poder público nas ações iniciais de emergência e socorro às vítimas, na transferência de verbas para a reconstrução dos acessos destruídos pelas enchentes e na ativação de programas de ajuda financeira às famílias que perderam suas casas (aluguel social), sem faltar o relato das investigações em curso, a cargo da Controladoria Geral da União (GCU), sobre possíveis irregularidades na utilização desses recursos por parte de funcionários das prefeituras, donos de construtoras e firmas de serviço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Destruição e falência de empresas&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ainda que o encarte seja crítico em relação às ações governamentais (“Enxurrada de promessas só foi cumprida parcialmente”), houve espaço razoável na reportagem para que representantes do poder público falassem sobre o trabalho desenvolvido na região no decorrer de 2011. A insistência da mídia em minimizar as iniciativas levadas a efeito pelo governo (limpeza das áreas atingidas, remoção de barreiras, reconstrução de acessos, dragagem de rios, melhoria no sistema de alarme de cheias, mapeamento de áreas de risco geológico, instalação de sirenes e pluviômetros em áreas vulneráveis etc) porque sua abrangência e resultados não atenderam à totalidade da imensa demanda que tais tragédias costumam requerer, denota um tipo de ênfase tendencial, quase institucionalizada, por parte da maioria dos meios de comunicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-MF_9tcPNeGk/TxiYI-TUNlI/AAAAAAAABMU/fuvARN5JYb8/s1600/Regi%25C3%25A3o%2Bserrana%2B-%2Benxurrada.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 159px; FLOAT: left; HEIGHT: 130px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5699472608367752786" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-MF_9tcPNeGk/TxiYI-TUNlI/AAAAAAAABMU/fuvARN5JYb8/s320/Regi%25C3%25A3o%2Bserrana%2B-%2Benxurrada.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Desta vez, o enquadramento noticioso se fixou em aspectos comparativos entre o Brasil e o Japão – país assolado, em março de 2011, por uma tríplice tragédia: terremoto, tsunami e vazamento nuclear – no que concernem à grandeza do estrago e os resultados obtidos em todo o processo de socorro às vítimas, atendimento às populações e recuperação física das localidades atingidas pelas catástrofes. Editoriais, colunistas e comentaristas de notícia repercutiram e ampliaram o enfoque das críticas, ancorados na afirmação simplista e padronizada de que “ muito pouco ou nada foi feito”, permitindo-se ainda desconsiderar os obstáculos geológicos, jurídicos e burocráticos que têm atrasado os trabalhos de reconstrução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Foram quatro dias de horror, nos quais os japoneses enfrentaram um terremoto, seguido de um tsunami e finalizado com explosões na usina nuclear de Fukushima Daiichi – com um saldo de cidades inteiras destruídas, 20 mil mortos ou desaparecidos, 70 mil refugiados nucleares, 800 mil casas total ou parcialmente destruídas, 400 mil pessoas deslocadas de seus lares, além de destruição de toda a infraestrutura de uma vasta área e a falência de milhares de empresas” (coluna de Ricardo Setti – Veja online de 14/12/11). O preço da reconstrução está sendo estimado pelo governo japonês em 235,8 bilhões de dólares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;A política é acalmar a população&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Já na região serrana do Rio, segundo os parlamentares que integraram a CPI das chuvas na Assembleia Legislativa (Alerj), encerrada em setembro de 2011, a tempestade, além de provocar mais de mil vítimas, entre mortos e desaparecidos, afetou meio milhão de pessoas, deixando 35 mil desalojados, mais de 7 mil desabrigados, um prejuízo de 4 bilhões de reais, além da estimativa de recuperação das cidades em dois anos (“Um ano da tragédia na região serrana” – O Fluminense, em 11/1/12). Relatório da Comissão Especial de Medidas Preventivas e Saneadoras de Catástrofes Climáticas da Câmara dos Deputados revela que as tragédias naturais no estado do Rio de Janeiro foram agravadas pelo incremento da construção civil e a reocupação de áreas de risco. “Os deputados afirmam que, na serra fluminense, 85% das áreas atingidas por deslizamentos em 2011 foram desmatadas ou alteradas pela ação do homem” (“Mesmo com histórico de tragédias, Brasil não investe em prevenção” – O Globo, em 11/1/12). Um cenário, portanto, de causas e soluções diferentes daquelas propostas no Japão onde os moradores deverão retornar as suas moradias reconstruídas, excetuando aqueles que residiam nos arredores da usina nuclear de Fukushima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-xkLFotVpK3U/TxiXwPIr0PI/AAAAAAAABMI/Ko4gavP3HYg/s1600/Jap%25C3%25A3o-protesto%2Bnuclear.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 139px; FLOAT: left; HEIGHT: 130px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5699472183389835506" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-xkLFotVpK3U/TxiXwPIr0PI/AAAAAAAABMI/Ko4gavP3HYg/s320/Jap%25C3%25A3o-protesto%2Bnuclear.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Neste aspecto, aliás – o de realocamento de famílias –, o governo do Japão tem sido bastante questionado pelos habitantes das cidades próximas à usina por não estar adotando uma política séria de proteção à saúde. Protestos têm sido organizados em Tóquio contra a posição do governo de concentrar esforços em “aliviar” a preocupação pública prometendo reduzir a exposição radioativa em áreas afetadas ao invés de realizar remoções. Pesquisa realizada na região demonstrou que um terço dos cidadãos de Fukushima desejaria mudar, mas não o fazem pelos problemas e custos que isso acarretaria. Na manifestação antinuclear realizada em Tóquio para lembrar os seis meses do vazamento da usina, manifestantes exibiram faixas e cartazes que demonstravam a sua revolta: “A radioatividade não tem fronteiras” e “Do Japão ao mundo: Perdão!” (“Protestos antinucleares marcam 6 meses de crise em Fukushima” – agência EFE, em 11/9/11).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ativista Aileen Mioko Smith, que lidera a organização não governamental Green Action Japan, critica as medidas do governo japonês: “Nossas reuniões com funcionários para pedir mais rapidez em programas de evacuação dos grupos de alto risco são respondidas com promessas de limpeza do lixo radioativo. Isto é totalmente irresponsável.” Também a representante da ONG Mães de Fukushima contra a Radiação, Ayako Ooga, mostra-se decepcionada com a posição do governo: “Não é a recuperação que imaginávamos. A política é acalmar a população, mas o que queremos são ações honestas do governo.” Para a Green Action Japan, os novos padrões adotados pelas autoridades com relação ao nível aceito de radiação não protegem a população mais vulnerável, como crianças, mulheres grávidas e idosos (“Muitos lutam para salvar a infância em Fukushima” – Inter Press Service, em 9/11/11).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-9dmcPBfZ2gA/Txh1WjWJ6II/AAAAAAAABLk/PQyDhNUIJMs/s1600/Regi%25C3%25A3o%2BSerrana%2B-%2Bfoto%2B2.jpg"&gt;&lt;/a&gt;US$ 30 milhões destinados à indústria baleeira&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Em outra cidade, Ishinomaki, no noroeste do Japão, milhares de desabrigados passam o rigoroso inverno em casas improvisadas. Um vídeo produzido pela agência France Presse, em dezembro de 2011 (“Cidades japonesas continuam destruídas 9 meses após tsunami”), apresenta um panorama de devastação, com entulho, mato, escombros e casas arrasadas. Muitas famílias, com a chegada da neve, estão vivendo nas ruínas do que foram as suas casas. O governo admite que a reconstrução vai demorar e que ainda não há previsão de entrega de moradias permanentes. Os atingidos pela tragédia também se mostram preocupados com o fim da concessão do seguro-desemprego que termina em fevereiro de 2012. Em outra cidade, Onagawa, os desabrigados vivem em contêineres de navio, uma alternativa para os que ficaram sem teto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além das críticas à condução da política de realocamento e reparação de danos decorrentes do vazamento nuclear, o governo japonês também está sendo acusado de desviar 30 milhões de dólares dos fundos destinados à recuperação das áreas atingidas pelo terremoto e tsunami para subvencionar o programa anual de caça às baleias. A ONG Greenpeace denunciou que esses recursos estão sendo gastos para proteger a frota baleeira que já está no Ártico (“Japão promove caça de baleias com verba de pós-tsunami, diz ONG” – Folha de S.Paulo, em 7/12/11). As autoridades japonesas inicialmente justificaram o uso da verba como uma forma de ajudar na recuperação das comunidades costeiras que trabalham nesse tipo de atividade, depois recuaram e disseram que os recursos vieram dos impostos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-ns4af1Fc_dE/TxiXWhcEoNI/AAAAAAAABL8/-k78xxxhL0k/s1600/Jap%25C3%25A3o%2B-%2Bcontra%2Bca%25C3%25A7a%2Bbaleia.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 206px; FLOAT: left; HEIGHT: 120px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5699471741626392786" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-ns4af1Fc_dE/TxiXWhcEoNI/AAAAAAAABL8/-k78xxxhL0k/s320/Jap%25C3%25A3o%2B-%2Bcontra%2Bca%25C3%25A7a%2Bbaleia.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Apesar da pesca da baleia para fins comerciais ser proibida desde 1986 pela Comissão Baleeira Internacional (CBI), anualmente em torno de mil baleias são mortas pelos pesqueiros japoneses, sob protestos de países como a Austrália, Holanda e Estados Unidos e de várias organizações ambientalistas. Uma delas, a Sea Shepherd, que com seus barcos há sete anos tenta evitar as atividades da frota baleeira no oceano Antártico, lembra que a prioridade no uso de verbas é para atender os atingidos pela catástrofe. O fundador da ONG, Paul Watson, insiste nesse ponto. “De qualquer maneira, a pergunta deve ser feita: quando as pessoas estão desabrigadas por causa do desastre, por que 30 milhões de dólares são destinados à indústria baleeira para defender a sua operação de caça ilegal no Santuário Antártico das Baleias?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Ações para reduzir riscos e mortes&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Mas, voltando à região serrana, a intervenção nas áreas atingidas não ficará limitada à limpeza e desobstrução das vias, a remoção de entulhos, consertos emergenciais e a retomada dos serviços interrompidos. Isso já foi feito em grande parte das localidades. Será preciso realizar obras de razoável tecnologia de engenharia para tornar as cidades seguras do ponto de vista habitacional. O realocamento de centenas de famílias que residem em áreas de encostas e margens de rios muitas vezes esbarra na escassez de terrenos planos e seguros ofertáveis à compra pelo poder público ou mesmo passíveis de serem desapropriados para a construção de novas casas e bairros. Muitas vezes terrenos que parecem viáveis para a moradia acabam não recebendo o nada consta ambiental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O governo do estado do Rio afirma que aplicou 49 milhões de reais em 2011 em várias frentes de trabalho na Região Serrana, principalmente as emergenciais e as voltadas para restaurar a normalidade dos acessos e serviços nas localidades. Por sua vez, a reconstrução de dezenas de pontes, grande parte delas pequenas, vão ser realizadas após estudos de viabilidade. As enxurradas mudaram as margens dos rios e a quantidade de água que passava debaixo das pontes. Setores ambientais do estado tiveram que analisar os projetos. Com o mapeamento de 170 pontos de alto risco (os temporais de janeiro de 2011 provocaram 777 deslizamentos em sete municípios da serra fluminense), o cálculo dos técnicos é de que será preciso 1 bilhão de reais para tornar as encostas seguras, além dos 147 milhões de reais que já estão sendo investidos em 30 pontos considerados prioritários. Outros 265 milhões de reais serão necessários para a realização de trabalhos de dragagem, canalização, construção de barragens e implantação de um parque fluvial (“Estado diz que precisa de mais R$ 1 bi para encostas”, O Globo, em 12/1/12). A disposição do governo também é de construir cinco mil casas para atender aqueles que perderam ou tiveram as suas moradias interditadas ou condenadas pela Defesa Civil. Atualmente, 7.372 famílias recebem ajuda do governo por meio do aluguel social no valor de R$ 500 mensais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2007, quando da primeira conferência sobre redução dos riscos de catástrofes organizada pela ONU, a crescente vulnerabilidade das cidades já preocupava. “A progressiva urbanização, conjugada com as alterações climáticas, criará novas situações de stress para os povoamentos urbanos, tornando milhões de pessoas ainda mais vulneráveis a catástrofes”, alertava o então subsecretário-geral da ONU para assuntos humanitários e coordenador de ajuda de emergência, John Holmes, chamando a atenção ainda para a necessidade de se implementar ações que pudessem evitar ou reduzir os riscos e as mortes.“Um planejamento eficaz, a elaboração de orçamentos corajosos e a aplicação de políticas que impeçam a fixação de seres humanos em zonas de perigo são indispensáveis. Temos de velar para que os hospitais, as escolas, os transportes e as redes de água consigam resistir aos riscos decorrentes de catástrofes.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Avanço “em direção ao fim”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-qwdTsRYevFs/TxiWnWVN9pI/AAAAAAAABLw/tfwqV8tycaE/s1600/Rel%25C3%25B3gio%2Bapocalipse.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 155px; FLOAT: left; HEIGHT: 124px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5699470931191002770" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-qwdTsRYevFs/TxiWnWVN9pI/AAAAAAAABLw/tfwqV8tycaE/s320/Rel%25C3%25B3gio%2Bapocalipse.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Em relação à região serrana, “a ocupação de Áreas de Proteção Permanente- APPs (áreas cobertas ou não por vegetação nativa, que têm como função preservar os recursos hídricos, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo de fauna e flora e proteger o solo) maximizou os impactos dos desarranjos do clima e sua variabilidade”, explica a coordenadora do Programa de Mudanças Climáticas e Resposta a Desastres da organização não-governamental Care Brasil, Leila Soraya Menezes. Ela alerta para o fato de que áreas de extremo risco de desastre estão ocupadas por comunidades inteiras, em geral comunidades em situação de extrema vulnerabilidade social. “O que aconteceu na serra fluminense mostra como a ocupação intensa de APPs protegidas pelo nosso Código Florestal, como dunas, mangues, encostas e topos de morro, beiras de rio e matas, que cumprem papel natural de redução de riscos, podem potencializar uma tragédia.” Relatório de Inspeção do Ministério do Meio Ambiente já havia revelado que as áreas mais atingidas foram justamente as APPs, onde as pessoas habitavam irregularmente áreas à beira ou muito próximas às margens dos cursos dos rios e áreas de encostas de morros com grande declividade e que esses moradores morreram atingidos por inundações e deslizamentos de terra” (“Mudanças climáticas –Sociedade de risco”, portal Ipea).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, em ambas as catástrofes houve equívocos na condução dos trabalhos a serem realizados que resultaram em omissões e erros de avaliação. A reconstrução de qualquer área submetida à fúria de um desastre natural, além de requerer custos estratosféricos, é um desafio que exige, após os primeiros dias de reação emergencial, um planejamento gerencial conjugado envolvendo várias estruturas e mecanismos governamentais simultaneamente, com propostas e ações alternativas já prevendo os possíveis cerceamentos jurídicos e ambientais que costumam interromper e atrasar os cronogramas de obras. Consciente dessa questão, a ONU promoveu em maio de 2011, em Genebra, juntamente com o Banco Mundial, a primeira conferência sobre reconstrução (World Reconstruction Conference). Presente ao encontro, a diretora do departamento de finanças, economia e desenvolvimento urbano do banco, Zoubida Allaoua, resumiu a essência dos debates: “Queremos aprender com o passado e chegar a um acordo sobre uma nova estrutura que agilize a reconstrução após uma catástrofe, aprovar normas comuns, melhorar a qualidade e aumentar a transparência.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Metas que precisam ser implementadas com certa urgência. Neste início de ano, face aos desastres climáticos de 2011, o relógio do Juízo Final foi adiantado em um minuto, deslocando-se para 23h55m. De acordo com o Boletim dos Cientistas Atômicos, grupo que criou este mecanismo em 1947, além da disseminação das armas nucleares, o que pesou no avanço “em direção ao fim” foi a falta de empenho global no combate às mudanças climáticas que têm provocado desastres naturais de grande monta, com prejuízos bilionários e milhares de mortes, principalmente em países em desenvolvimento pouco capacitados para lidar com esses tipos de &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-1VJODxM__og/Txh0owWjqJI/AAAAAAAABLY/5oRDC4joRQ8/s1600/Regi%25C3%25A3o%2BSerrana%2B-%2BFlores%2Be%2Bmorangos.jpg"&gt;&lt;/a&gt;catástrofes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7322191688736794078-5159884370634701048?l=sheilasacks.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/5159884370634701048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/5159884370634701048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sheilasacks.blogspot.com/2012/01/o-japao-nao-e-aqui.html' title='O Japão não é aqui'/><author><name>Sheila Sacks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16806038529181436948</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/Se47EqDHGzI/AAAAAAAAACE/PTl8wAnMnv4/S220/sheila+4.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-b7rt31iosgE/TxiYiUpC02I/AAAAAAAABMg/EIw66ai4hhQ/s72-c/Regi%25C3%25A3o%2BSerrana%2B-%2BCapa.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7322191688736794078.post-3823465715886113032</id><published>2011-12-21T12:21:00.000-08:00</published><updated>2011-12-23T00:27:53.880-08:00</updated><title type='text'>O jornalismo entre o real e o aparente</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-8HtkY87iidw/TvJEW5h7d_I/AAAAAAAABLM/UfHrjMORPvo/s1600/Rocinha%2B88.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 231px; FLOAT: left; HEIGHT: 152px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5688684439513298930" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-8HtkY87iidw/TvJEW5h7d_I/AAAAAAAABLM/UfHrjMORPvo/s320/Rocinha%2B88.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc0000;"&gt;“... a vida só termina para os mortos”&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#663333;"&gt;&lt;strong&gt;(Roberto DaMatta, antropólogo)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;&lt;strong&gt;por Sheila Sacks&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;publicado no site Observatório da Imprensa&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed673_prisao_de_nem__o_jornalismo_entre_o_real_e_o_aparente"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed673_prisao_de_nem__o_jornalismo_entre_o_real_e_o_aparente&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na semana em que as forças de segurança do Rio de Janeiro anunciavam a ocupação da favela da Rocinha, na zona sul da cidade, fatos ainda pouco esclarecidos antecederam e se seguiram ao evento, ocorrido em um domingo, 13 de novembro de 2011. A megaoperação planejada há pelo menos um ano, segundo a subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança, contou com efetivos das polícias Federal e Estadual, fuzileiros navais e blindados da Marinha, equipamentos sofisticados e agentes infiltrados que se instalaram nas favelas meses antes para mapearam os principais pontos utilizados pelos traficantes de drogas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apontado pela polícia como chefe do tráfico de drogas da favela da Rocinha, Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, de 35 anos, tinha essa atribuição desde 2004 quando sucedeu o traficante Luciano Barbosa dos Santos, o “Lulu”, morto por policiais do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais). Capturado três dias antes da invasão da Rocinha, escondido no porta-malas de um carro, quando tentava escapar do cerco policial, Nem chegou a oferecer R$ 1 milhão por sua liberdade. Três homens o acompanhavam no veículo, que foi parado por policiais militares em uma das saídas da favela por estar com a suspensão baixa. Ao revistar o carro, os PMs encontraram Nem. A Delegacia de Combate às Drogas do Rio fez a estimativa de que o comércio ilegal da Rocinha é um negócio que movimenta cerca de R$ 100 milhões anuais ou quase R$ 2 milhões por semana (“Nem com R$ 1 milhão” - Correio Braziliense, em 11.11.2011).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maior favela do país, com população estimada em 120 mil moradores, a Rocinha (que agrega as favelas do Vidigal e da Chácara do Céu) também é considerada o mais importante entreposto de drogas da cidade principalmente em relação à venda de cocaína. Em entrevista ao jornalista Gil Alessi, meses antes de sua prisão, Nem revelou que tinha sob a sua responsabilidade 300 homens e que todos recebiam salário, inclusive décimo terceiro, e que em caso de prisão ou morte a família recebia pensão vitalícia. Ele também comandava a facção Amigos dos Amigos (ADA) da Rocinha, um grupo criminoso com ramificações em numerosas favelas cariocas (“Conversas com Antônio” – Carta Capital, em 04.12.2011).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Nem negociava rendição&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Levado preso para a sede da Polícia Federal do Rio, o traficante prestou depoimento e disse que negociava há cerca de dois meses a sua rendição com a ONG (Organização Não Governamental) Grupo Cultural AfroReggae que vem atuando como mediadora de conflitos sociais em favelas que envolvem traficantes, viciados e os próprios moradores (“Traficante Nem diz que negociava sua rendição com o AfroReggae há dois meses.” “Bandido revela ainda que faturava R$ 1milhão por mês” - O Globo, em 12.11.2011).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-OVzPvhXqJoQ/TvJC1vO-6UI/AAAAAAAABK0/-_ys8Fl_MeM/s1600/Rocinha%2B22.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 161px; FLOAT: left; HEIGHT: 118px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5688682770302167362" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-OVzPvhXqJoQ/TvJC1vO-6UI/AAAAAAAABK0/-_ys8Fl_MeM/s320/Rocinha%2B22.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Originária do grupo musical Banda AfroReggae, a ONG criada nos anos 1990 instalou suas primeiras oficinas de música e dança afro para os jovens da favela de Vigário Geral, na zona norte da cidade, e depois expandiu seu trabalho para outras comunidades pobres do Rio. Do objetivo inicial de resgatar, através da música e da arte, as crianças e adolescentes da influência dos traficantes, a instituição ampliou a sua área de atuação e em anos recentes tem trabalhado na ressocialização de presos e foragidos, contando com apoio jurídico de escritórios de advocacia. De acordo com matéria publicada em O Globo, em 29.11.2011, cinco fugitivos do sistema penitenciário voltaram à prisão depois de procurarem a ONG. Eles são acusados de assaltos, homicídios e tráfico de drogas (“Afro Reggae faz mediação e 5 bandidos se entregam”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O coordenador executivo da AfroReggae, José Junior, confirmou que a entidade negociava a rendição de Nem e que ele manteve contato com o traficante até algumas horas antes de sua prisão pela Polícia Militar. A informação, postada pelo próprio José Junior na rede de microblogs Twitter, foi veiculada um dia depois do subchefe operacional da Polícia Civil do Rio, delegado Fernando Velloso, anunciar que havia uma negociação em curso com o advogado de Nem para a rendição do bandido. “Venho a público esclarecer que os policiais civis estavam em uma missão legítima e legal, que foi autorizada por mim”, afirmou Velloso, justificando a ação dos três policiais que tentaram evitar que o traficante preso fosse levado para a sede da Polícia Federal, como acabou acontecendo. Porém, segundo os policiais federais, o traficante não citou qualquer policial civil na negociação (“Coordenador diz que Nem negociava rendição com AfroReggae” – Jornal do Brasil online, em 12.11.2011).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Sambista executado com oito tiros&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A prisão de Nem na madrugada de quinta-feira, 10 de novembro, foi seguida, horas depois, pelo seqüestro e assassinato de uma “mediadora de conflitos” do AfroReggae, levada de sua casa em Vigário Geral, na zona norte do Rio, e encontrada morta, com um tiro na cabeça, em um matagal no bairro Campos Elísios, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Tânia Cristina Moreira, 44 anos, trabalhava na ONG há sete anos e fazia parte de um grupo com cerca de 20 pessoas que atua junto a criminosos e traficantes de facções rivais no sentido de diminuir a violência e o confronto nas favelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um filho preso por envolvimento com o tráfico de drogas, a mediadora teve a casa – que fica a poucos metros da sede da ONG - invadida por três homens que a levaram em um Gol branco, de acordo com a mãe e uma amiga que estavam no local. Nenhum objeto foi roubado e os policiais da Divisão Anti-Sequestro (DAS) disseram acreditar na hipótese de vingança relacionada a algum dos casos em que a funcionária da ONG serviu como mediadora. Mas, a direção do AfroReggae negou que o assassinato tivesse algo a ver com o seu trabalho. Vizinhos contaram que veículos de policiais civis foram vistos nas imediações da casa de Tânia na noite do crime. (“Mediadora do AfroReggae é sequestrada e morta no Rio de Janeiro” – Estado de São Paulo, em 11.11.2011).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias depois desse assassinato, um outro crime com características de execução vem a público, desta vez ocupando as primeiras páginas dos jornais cariocas. A vítima, de 32 anos, é o músico e vocalista da banda “Samba Firme”, Carlos Eduardo Mendes de Jesus, o Dudu, filho do coreógrafo e dançarino Carlinhos de Jesus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assassinado com 8 tiros ao sair do “Boteko Carioca”, na zona oeste do Rio, local onde havia se apresentado com a banda, o músico foi atacado por dois homens em uma moto que fizeram os disparos e fugiram. Também nesse caso a polícia disse acreditar na hipótese de vingança, “pela ausência de subtração de pertences e pela ausência de anúncio” (“Polícia investiga se filho de Carlinhos de Jesus foi executado” – O Globo, em 21.11.2011). Um policial militar que teria se envolvido em uma discussão com integrantes do grupo, uma semana antes, seria o principal suspeito de ter assassinado o músico (“PM é o principal suspeito de matar filho de Carlinhos de Jesus, diz polícia” – JB online, em 22.11.2011).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Atentado à bomba&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-5GbqlbeYQ3A/TvJBvEKEHaI/AAAAAAAABKQ/Hx2w0MZzZQA/s1600/Rocinha%2B33.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 106px; FLOAT: left; HEIGHT: 135px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5688681556147969442" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-5GbqlbeYQ3A/TvJBvEKEHaI/AAAAAAAABKQ/Hx2w0MZzZQA/s320/Rocinha%2B33.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Observa-se que, assim como o AfroReggae está presente na Rocinha e em várias comunidades pobres através de suas oficinas de música e arte, o coreógrafo Carlinhos de Jesus também é padrinho de um grupo da comunidade da Rocinha, que atende 60 jovens de 13 a 26 anos. Eles recebem aulas de dança na academia do artista, no bairro de Botafogo, e aprendem todos os ritmos para se apresentarem em festas de debutantes e outro eventos (“Grupo de Valsa Noite de Encantos e Carlinhos de Jesus”- site Rocinha.org). Por sua vez, a banda de Dudu de Jesus tinha entre seus convidados o cantor e compositor Renato da Rocinha, nascido e criado naquela favela, e que foi durante muitos anos a voz dos “Acadêmicos da Rocinha”, a escola de samba da comunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criação de grupos musicais, de dança e de arte nas favelas como tentativa de afastar as crianças e os jovens do vício e da possibilidade de envolvimento com o ilícito e a marginalidade que, infelizmente, muitas vezes fazem parte do cotidiano desses adolescentes, tem tido o apoio e a participação de artistas de renome e de ativistas sociais. Em 2008, em reconhecimento ao trabalho desenvolvido nas áreas artística e social, Carlinhos de Jesus e o grupo cultural AfroReggae (José Junior) foram condecorados pela Assembléia Legislativa do Rio (ALERJ): o primeiro com o título de Benemérito do Estado do Rio de Janeiro, e o segundo, com a Medalha Tiradentes, a mais alta condecoração da Casa. Em 2009, a revista Época incluiu José Junior na sua lista anual das 100 pessoas mais influentes do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma semana após o assassinato do músico, dois homens em uma moto lançaram um explosivo contra carros estacionados em uma via importante da Tijuca, bairro de classe média da zona norte. O atentado ocorreu na madrugada de domingo, 29 de novembro, a 200 metros do batalhão da Polícia Militar e destruiu cinco veículos. No dia seguinte, a polícia prendeu em Bangu, zona oeste da cidade, a 40 quilômetros do ocorrido, dois homens suspeitos de chefiar o tráfico no Morro do Andaraí, comunidade de 13 mil habitantes que fica nos arredores da Tijuca. De acordo com as investigações, os traficantes perderam R$ 6 mil reais mensais com a entrada dos policiais naquela favela, em 2010. (“Incêndio a carros:suspeitos presos” – O Dia, em 01.12.2011).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Rocinha cresceu 23%&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A migração dos bandidos das favelas da zona sul da cidade para outras mais distantes do foco prioritário da polícia é um fato que tem sido denunciado por moradores das comunidades das zonas norte e oeste, da Baixada Fluminense e da área metropolitana, que abrange municípios como Niterói e São Gonçalo. do outro lado da Baía de Guanabara. O desembarque de criminosos, traficantes e armamentos em favelas distantes 50 a 100 quilômetros do centro do Rio, muitas delas filiais menores das grandes facções criminosas dominantes no cenário carioca, tem elevado ainda mais os altos índices de criminalidade nessas regiões que contam com um efetivo policial insuficiente observando-se a extensão territorial dessas localidades (“Moradores:dois caminhões-baú levaram traficantes da Rocinha para Belford Roxo” – JB online, em 21.22.2011).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, a distância não tem sido obstáculo para as ações de intimidação e violência dos criminosos que comumente se valem da mobilidade das motos e de mototaxistas ligados ao ilícito para a prática de assaltos e assassinatos em qualquer ponto do estado. Desde a ocupação policial da Rocinha, em novembro, aumentaram os assaltos no local e moradores estão reclamando que cresceu a sensação de insegurança. “O clima é de muito medo, segundo relato de uma moradora, empregada da zona sul do Rio de Janeiro. Moradores estão fechados a sete chaves e apavorados dentro de suas casas.” (“Casas estão sendo assaltadas na Rocinha” -JB online, em 13.12.2011). Uma conhecida rede de eletrodomésticos que instalou uma filial na favela, em outubro, teve suas dependências invadidas por assaltantes. O imóvel de três andares foi inaugurado após um investimento de R$ 1 milhão (“Loja de eletrodomésticos é assaltada na Rocinha” – O Dia online, em 13.12.2011).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É importante lembrar que a cidade do Rio de Janeiro, de acordo com os mais recentes dados do Instituto Pereira Passos, órgão da prefeitura, tem 152 complexos de favela e 467 favelas isoladas (em 2009, o mesmo instituto somou 968 favelas), onde vivem perto de 1,1 milhão de pessoas, cerca de 18º da população carioca. Desse total de favelas, 28 estão ocupadas pela polícia que mantém 3,3 mil homens nesses locais. Há poucos meses, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou um estudo onde mostra que algumas das maiores favelas do Rio, na última década, tiveram um aumento de população acima da média da cidade, que foi de 7,9. Somente a favela da Rocinha cresceu 23% (“População das favelas cresceu acima d&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-OwH-Wax6GoA/TvJCF2-uyrI/AAAAAAAABKc/iwwnhsevI1s/s1600/Rocinha%2B44.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 155px; FLOAT: left; HEIGHT: 108px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5688681947747764914" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-OwH-Wax6GoA/TvJCF2-uyrI/AAAAAAAABKc/iwwnhsevI1s/s320/Rocinha%2B44.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;a média carioca” - Estado de São Paulo, em 01.07.2011).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Mundo do faz de conta&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Três semanas após a prisão de Nem, um festejado líder comunitário da Rocinha, agraciado em 2004 pela ONG Sou da Paz pelos seus esforços no desarmamento na favela, é preso acusado de negociar armas para o traficante. William de Oliveira, 41 anos, que foi presidente da Associação de Moradores da Rocinha, tinha bom trânsito nas esferas política e social por sua popularidade entre os moradores - tornando-o uma cobiçada base eleitoral para os candidatos a cargos eletivos- e também pela sua proximidade com os traficantes, um detalhe recorrente “que costuma marcar a atuação de organizações sociais em favelas subjugadas pelo crime” (“O bom moço vendia fuzil” – Revista Veja, em 04.12.2011).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Funcionário da Câmara Municipal do Rio, William estava lotado no gabinete da vereadora Andréa Gouvêa Vieira, e ganhava como assessor parlamentar um salário de 5.300 reais. Um vídeo mostrando a negociação de um fuzil de fabricação russa para o traficante Nem, com a participação de William e do ex-vice-presidente da Associação de Moradores da Rocinha, Alexandre Leopoldino da Silva, o Peninha, também exercendo cargo na administração pública, colocou ambos na prisão, ao mesmo tempo em que foram sumariamente exonerados. De acordo com a polícia, o vídeo foi feito por uma moradora , em setembro, e entregue ao titular da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), Marcio Mendonça (“Vídeo com Nem leva líder comunitário à cadeia” –O Dia, em 03.12.2011).&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;Em artigo publicado em O Globo, o antropólogo Roberto DaMatta analisa as nuances e as inovações dos papéis sociais, sua falta de coerência institucional, e do mundo de faz de conta presente no comportamento de governantes e figuras públicas: “No teatro, mente-se quando se representa um papel, mas um ministro mentir, um presidente abusar de seu cargo ou um delegado mandar matar não ocorre num palco onde a peça se repete todo o dia e na qual os mortos (que fingem morrer) voltam a viver porque aquilo não é coisa de verdade, mas uma novela” (“Papéis e atores”, em 07.12.2011).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O traficante Nem, confinado desde 19 de novembro em um presídio federal, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul (assim como os três homens de sua escolta), tornou-se figurante de um obscuro “enredo” onde os “atores” dificilmente “morrem”, porque são titulares de papéis sociais “corporativos e outorgados através de uma investidura, ou obtidos por nomeação ou eleição competitiva e liberal”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobra então, para os que estão atrás das grades e para os demais figurantes da bandidagem sob a mira da polícia, a consciência do peso da “vida real”, integralmente assumida no seu dia-a-dia pelos viventes comuns que, ao contrário do que ocorre no teatro, morrem de verdade. Muitos prematuramente, vitimados pela violência e pelo “poder que brutaliza”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7322191688736794078-3823465715886113032?l=sheilasacks.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/3823465715886113032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/3823465715886113032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sheilasacks.blogspot.com/2011/12/prisao-de-nemo-jornalismo-entre-o-real.html' title='O jornalismo entre o real e o aparente'/><author><name>Sheila Sacks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16806038529181436948</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/Se47EqDHGzI/AAAAAAAAACE/PTl8wAnMnv4/S220/sheila+4.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-8HtkY87iidw/TvJEW5h7d_I/AAAAAAAABLM/UfHrjMORPvo/s72-c/Rocinha%2B88.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7322191688736794078.post-8371519970999920804</id><published>2011-11-01T16:49:00.000-07:00</published><updated>2011-11-28T12:36:08.264-08:00</updated><title type='text'>Troca de prisioneiros: quando um é muito</title><content type='html'>&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 92px; FLOAT: left; HEIGHT: 88px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5670181615973176114" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-jRcaRY-EbjY/TrCII0gIEzI/AAAAAAAABJI/X-MB4hqaA1E/s320/Holocausto%2Bshalit%2B2.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;por Sheila Sacks&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;publicado no "Observatório da Imprensa"&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_troca_de_prisioneiros__quando_um_e_muito"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_troca_de_prisioneiros__quando_um_e_muito&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;“Não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito.”&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;span style="color:#990000;"&gt;(William Shakespeare)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Em maio deste ano, por ocasião das homenagens às vítimas holandesas da II Grande Guerra, pediu-se aos moradores de Amsterdã para sinalizarem com cartazes as casas onde residiam os judeus que foram deportados para os campos de concentração nazistas. Para isso, os atuais proprietários dessas casas receberam um cartaz com o seguinte texto: “Esta é uma das 21.662 casas em que viveram judeus antes de serem mortos durante a Segunda Guerra Mundial.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o apoio do Arquivo Nacional da Holanda, procurou-se dar uma conotação mais emotiva e educativa ao evento, lembrando às gerações futuras os acontecimentos trágicos ocorridos há pouco mais de 70 anos. Em um artigo para a Radio Nederland Internacional (RNW), a jornalista Myrtille van Bommel constatou a boa receptividade dos moradores à ideia e lembrou que, em 1941, viviam cerca de 80 mil judeus em Amsterdã – 10% do total da população da cidade. “A maioria dos judeus de Amsterdã, 61.700 homens, mulheres e crianças, não sobreviveu à guerra. Morreram em campos de extermínio” (“Amsterdã sinaliza casas de judeus deportados”, em 2/5/2011).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, também como parte da programação em homenagem às vítimas, o canal NCRV da televisão pública holandesa exibiu um documentário sobre os chamados “soldados negros” (Zwarte Soldaten), oficiais holandeses da Gestapo ligados ao extinto partido pró-germânico NSB (Netherlands Socialistic Union) que atuaram nas forças de repressão durante a ocupação alemã. Dias antes, dada a expectativa gerada pela veiculação da fita, a imprensa holandesa adiantou alguns extratos do filme que, ao contrário do que seria o esperado, mostrou que “as feridas da II Guerra Mundial seguem abertas na Holanda”. No documentário, os seis entrevistados – o mais novo, com 85 anos – não demonstravam nenhum sinal de arrependimento ou remorso em relação à matança dos judeus e se negaram a pedir perdão a seus compatriotas por terem colaborado com os ocupantes nazistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Xk9uq2joQGo/TrCIddup99I/AAAAAAAABJU/_Krpsbwwu4U/s1600/Holocausto%2Bshalit.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 165px; FLOAT: left; HEIGHT: 142px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5670181970637354962" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-Xk9uq2joQGo/TrCIddup99I/AAAAAAAABJU/_Krpsbwwu4U/s320/Holocausto%2Bshalit.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;“Ausência de arrependimento”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Na reportagem publicada pelo jornal espanhol El Mundo (“Ex SS holandeses hablan en público: “Hitler hizo lo correcto!”, em 27/4/2011), o diretor do documentário, Joost Seelen, apontou a idade avançada dos entrevistados como justificativa para as “surpreendentes” declarações dos antigos membros das SS holandesas, colhidas em 2009 através de depoimentos individuais que duraram até três horas. “Eles nada tinham a perder, conscientes que estavam que lhes restavam poucos anos de vida”, ponderou o diretor. Contando originalmente com o testemunho de oito participantes, dois deles vieram a falecer antes da exibição do filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seus depoimentos, os entrevistados defenderam Hitler e a estratégia da “solução final” dos campos de extermínio. “Eles se ocuparam de manter a pureza da raça e não sinto nenhum remorso até os dias de hoje”, afirmou Kris Kol, um dos antigos SS. “Hitler conseguiu fazer uma boa limpeza”, reforçou o seu colega Klaas Overmars, recentemente falecido. Segundo a reportagem, o que sobressaiu nos polêmicos testemunhos foi um indisfarçável “ódio aos judeus”, expresso de forma direta e sem rodeios. “Hitler fez o correto,” reafirmou Kol, demonstrando orgulho de seu passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinco meses depois da exibição do documentário holandês, quando da troca do soldado israelense Gilad Shalit por 447 prisioneiros palestinos condenados por terrorismo (de um total de 1027 a serem libertados), novamente a questão da “ausência de arrependimento” veio à tona no artigo da jornalista Frimet Roth, que teve a filha de 15 anos morta em agosto de 2001 no ataque à pizzaria Sbarro, em Jerusalém. Publicada pelo jornal israelense Haaretz (16/10), a matéria apelava ao primeiro ministro Benjamim Netanyahu para que não libertasse a jordaniana Ahlam Tamimi, envolvida no ataque, face à frieza demonstrada pela terrorista todas às vezes que fora instada a falar sobre o ocorrido. Tamimi, então com 20 anos, foi a encarregada pelo Hamas da missão de transportar, de Ramalah, na Cisjordânia, até Jerusalém, os 10 quilos de dinamite usados pelo homem-bomba que explodiu a pizzaria matando 15 pessoas e ferindo mais de 100.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-EPg1_xAERgU/TrCJOza1iNI/AAAAAAAABJg/HIPvTIp7Hpo/s1600/Holocausto%2BShalit%2B3.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-G_F6XqDtqmY/TrCJwcPcOvI/AAAAAAAABJs/uV6nYKwm3c0/s1600/Holocausto%2Bshalit%2B5.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 141px; FLOAT: left; HEIGHT: 194px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5670183396167138034" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-G_F6XqDtqmY/TrCJwcPcOvI/AAAAAAAABJs/uV6nYKwm3c0/s320/Holocausto%2Bshalit%2B5.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Ações de Israel influenciam antissemitismo&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Em um vídeo apresentado pelo canal 2 de notícias da TV israelense, Tamimi reafirmou o que já havia dito em 2006 sobre a sua participação no ataque. Respondendo ao repórter da emissora, ela disse que não se sentia mal ou com pena das vítimas e se houvesse uma nova oportunidade ela faria novamente. “Não me arrependo do que fiz. Por que tenho que me arrepender? Não fiz nada de errado”, disse. Condenada a 16 prisões perpétuas, Tamimi foi libertada em 18 de outubro pelo governo israelense e retornou a Jordânia. Em Amã, em entrevista à rede de TV Al Jazira, ela expressou lealdade ao braço militar do Hamas: “Deus tem escolhido seus soldados nesta terra, e eles são os soldados das brigadas de Al-Qassam (braço armado do grupo que controla a Faixa de Gaza)”, declarou à rede. Tamimi também revelou, em uma das entrevistas, que a escolha de Jerusalém para alvo do ataque levou em conta o grande número de judeus ortodoxos residentes na cidade, os quais são considerados pelo Hamas os seus principais inimigos pela ferrenha posição de defesa do território bíblico de Israel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A declaração em si não traz nenhuma novidade mas intensifica o inquietante quadro político instalado, há décadas, no Oriente Médio, a partir da visível ascensão da sharia (leis islâmicas) e dos partidos islâmicos nos futuros governos dos países árabes sacudidos por rebeliões populares. A correspondente de O Globo, Graça Magalhães-Ruether, destacando a vitória dos islamistas na Tunísia, berço da chamada Primavera Árabe, chama a atenção para dois outros países, a Líbia e o Egito, ambos a caminho da islamização. “Na Líbia, o Conselho Nacional de Transição (CNT) já informou que a sharia (lei islâmica) será a fonte de inspiração legal do novo governo e no Egito a Irmandade Muçulmana desponta como força de peso no cenário pós-HosniMubarak.” Para o cientista político tunisiano Hammadi el-Aouni, da Universidade livre de Berlim, “há risco de se sair de uma ditadura para entrar em outra, a islâmica” (“Entre a sharia e a democracia”, 26/10/2011).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em recente pesquisa sobre antissemitismo realizada pela Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Buenos Aires (UBA) e divulgada pela Delegação das Associações Israelitas da Argentina (Daia), 25% dos argentinos consultados creditaram as ocorrências de violência contra judeus na diáspora a um sentimento anti-Israel. Mas a esmagadora maioria, cerca de 75% dos entrevistados, respondeu que o sentimento antijudaico (antissemitismo) ainda é o principal motor das manifestações contra os judeus que vivem fora do Oriente Médio. O sociólogo argentino Patrício Brodsky lembra que, em 2009, uma pesquisa semelhante realizada na Europa pela Anti-Defamation League - ADL (Liga Antidifamação) mostrou que uma percentagem maior de europeus, cerca de 39%, via correspondência entre os atos contra os judeus e o sentimento anti-Israel, sendo que 17% admitiam que medidas políticas adotadas pelo estado de Israel influenciavam sua opinião sobre os judeus. Outro dado importante dessa pesquisa analisado por Brodsky é a visão da atual crise mundial e a percepção de possíveis culpados. Segundo 48% dos argentinos entrevistados, os judeus têm algum grau de responsabilidade nesse quadro econômico, percentagem superior aos 31% dos europeus que em 2009 tinham a mesma opinião. A Argentina tem a maior comunidade judaica da América Latina, com 300 mil membros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Caminho certo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-yBK78DI1Ni4/TrCNFwDSm4I/AAAAAAAABKE/0TpeKIbtvlg/s1600/Holocausto%2Bshalit%2B7.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 150px; FLOAT: left; HEIGHT: 124px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5670187060797021058" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-yBK78DI1Ni4/TrCNFwDSm4I/AAAAAAAABKE/0TpeKIbtvlg/s320/Holocausto%2Bshalit%2B7.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;A pesquisa também abordou o Holocausto, um tema presente e recorrente nas consultas que incluem o antissemitismo na sua forma mais disseminada na diáspora: a de se constituir em um dispositivo sutil de preconceito e de embutir um mecanismo reticente de exclusão social. Ainda que o genocídio judaico seja uma das mais infames tragédias levadas a efeito pela mente humana conjugada com o poder do Estado – um marco aterrador na história do século 20 –, 49% dos argentinos e 44% dos europeus concordaram com a seguinte frase: “Os judeus falam demasiado sobre o que lhes aconteceu no Holocausto” (“El antisemitismo en Argentina”, publicado no site de notícias Aurora, em 18.10.2011).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante de situações controversas e de pesquisas que demonstram que o antissemitismo persiste, entende-se a preocupação dos líderes israelenses de preservar uma única vida, a do soldado Shalit, a despeito do desespero dos pais e parentes das vítimas dos ataques terroristas, inconformados com a decisão do governo de libertar mais de mil condenados por assassinatos. Sobre os pretensos dividendos políticos ganhos por Netanyahu nessa negociação com o Hamas, o inverso parece ser o mais lógico: mesmo sendo Israel uma das poucas democracias da região e o genocídio praticado pelo regime nazista apresentar uma inquestionável relevância histórica, o sentimento antijudaico não tem dado mostras de arrefecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-CJTNWz_By1I/TrCLTUZHn_I/AAAAAAAABJ4/gm4xoRlXezA/s1600/IsraelFlag.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 160px; FLOAT: left; HEIGHT: 121px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5670185094867296242" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-CJTNWz_By1I/TrCLTUZHn_I/AAAAAAAABJ4/gm4xoRlXezA/s320/IsraelFlag.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;E em tempo de desafios, com um planeta alcançando o incrível patamar de 7 bilhões de habitantes, o Estado de Israel e as comunidades judaicas instaladas em dezenas de países, que somam pouco mais de 13 milhões de pessoas, se rejubilaram pelo retorno do soldado israelense ao convívio de seus familiares. Para a maioria dos judeus, aplicou-se a máxima do Talmud (comentários e explicações das leis judaicas) que diz: “Quem salva uma vida é como se salvasse o mundo inteiro.” Para os 300 ex-prisioneiros palestinos que retornaram a Gaza, a jordaniana Ahlam Tamimi e a multidão que gritava “queremos um novo Shalit”, a troca estabeleceu a certeza de que o Hamas está no caminho certo, “sugerindo que o resultado prático da captura do soldado israelense pode incentivar a repetição da iniciativa para obter a liberdade de mais prisioneiros” (“Shalit tem feriado judaico em casa”, Correio Braziliense, 20/10/2011).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7322191688736794078-8371519970999920804?l=sheilasacks.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/8371519970999920804'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/8371519970999920804'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sheilasacks.blogspot.com/2011/11/troca-de-prisioneiros-quando-um-e-muito.html' title='Troca de prisioneiros: quando um é muito'/><author><name>Sheila Sacks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16806038529181436948</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/Se47EqDHGzI/AAAAAAAAACE/PTl8wAnMnv4/S220/sheila+4.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-jRcaRY-EbjY/TrCII0gIEzI/AAAAAAAABJI/X-MB4hqaA1E/s72-c/Holocausto%2Bshalit%2B2.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7322191688736794078.post-3374559067983072287</id><published>2011-10-17T15:38:00.000-07:00</published><updated>2011-10-19T02:11:46.319-07:00</updated><title type='text'>A face judaica-templária da Maçonaria</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-a2kXYX8JQUg/Tpy82kiDhKI/AAAAAAAABIw/kwUunkuYADo/s1600/Jerusal%25C3%25A9m%2B33.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; FLOAT: left; HEIGHT: 150px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5664610077030712482" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-a2kXYX8JQUg/Tpy82kiDhKI/AAAAAAAABIw/kwUunkuYADo/s320/Jerusal%25C3%25A9m%2B33.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;por Sheila Sacks&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Na obra “Antigas Letras”, o Grão-Mestre Leon Zeldis 33º, da Mçonaria de Israel ( The Grand Lodge of the State of Israel), chama a atenção para o fato de que os textos religiosos hebraicos onde aparecem os nomes divinos de D’us não são destruídos quando envelhecem, mas enterrados ou guardados em um lugar especial da sinagoga conhecido como guenizá. Diz a tradição judaica que qualquer fragmento de um texto sagrado que contiver o nome do Criador deve ser enterrado de acordo com determinados rituais. Entretanto, com o passar dos séculos e em função das perseguições sofridas pelos judeus, muitos documentos hebraicos foram apenas escondidos, daí o nome de guenizá (esconderijo), que corresponde em hebr&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-MxcyQH5txSQ/TpyxDRYXNWI/AAAAAAAABGU/lBz9N-H2ed0/s1600/Jerusal%25C3%25A9m-ma%25C3%25A7onaria.jpg"&gt;&lt;/a&gt;aico ao termo lignoz e significa guardar, manter secreto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Provavelmente, quando os primeiros templários chegaram à Terra Santa comandados por Hugues de Payen, em 1118, quase duas décadas após a conquista de Jerusalém pelos Cruzados (1099), o objetivo real de sua presença não ficaria apenas circunscrito a dar proteção aos peregrinos que se deslocassem a Jerusalém. O grupo de nove nobres franceses oriundos da região de Provença que se estabeleceu na ala leste do palácio do rei Balduíno II, patriarca de Jerusalém, sob o nome de Ordem dos Pobres Cavaleiros do Templo de Salomão, passou quase dez anos promovendo escavações na área da Mesquista de Al-Aqsa, erguida sobre o local onde existiram dois grandes templos judaicos: o primeiro Templo, construído em 960 antes da Era Comum pelo rei Salomão e destruído por Nabucodonosor, da Babilônia, em 586 a.E.C., e o segundo Templo, reconstruído cinquenta anos depois no mesmo local e que resistiu até 70 da E.C. quando foi arrasado pelas legiões romanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No livro “A Chave de Hiram”, os autores maçons Christopher Knight e Robert Lomas destacam que os clérigos que acompanhavam os cavaleiros templários eram “todos capazes de ler e escrever em muitas línguas e eram famosos por suas habilidades em criar e decifrar códigos”. E transcrevem um comentário do historiador francês Gaetan Delaforge sobre os reais motivos dos templários: “A verdadeira tarefa dos nove cavaleiros era realizar uma pesquisa na área para recuperar certas relíquias e manuscritos que continham a essência das tradições secretas do Judaísmo e do Antigo Egito, algumas das quais provavelmente datavam do tempo de Moisés” (The Templar Tradition in the Age of Aquarius).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Uma Ordem acima de reis e rainhas&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Legitimada pelo papa Honório II em 31 de janeiro de 1128, a Ordem do Templo ganhou estatuto, regras e um comandante: o Grão-Mestre Hugh de Payens. Havia mais de 600 artigos no estatuto dos templários, segundo o historiador inglês Piers Paul Read, autor de “Os Templários”, sendo que a regra 325 relacionava-se com o uso de luvas de couro, que era consentido apenas aos capelães e aos pedreiros construtores de santuários e fortalezas. Mas, “em nenhum lugar havia qualquer menção a peregrinos ou à sua proteção, aparentemente ignorando a única razão para a criação dessa Ordem” (A Chave de Hiram). O papa seguinte, Inocêncio II, através da bula “Omne datum optimum” (1139), estabelece privilégios que tornam a instituição independente de toda interferência de autoridades políticas e religiosas. Segundo a encíclica, os templários só deviam obediência ao Papa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante os próximos 200 anos a Ordem do Templo cresce e se expande em poder e riqueza, recebendo doações em dinheiro e propriedades na Europa. De acordo com os investigadores históricos ingleses, Michael Baigent e Richard Leigh, que pesquisaram a herança templária no surgimento da maçonaria, “em meados do século 12, a Ordem do Templo já tinha começado a se estabelecer como a mais poderosa e rica instituição isolada em toda a Cristandade, com exceção do Papado, com frotas de navios, territórios extensos e ligações secretas com líderes sarracenos” (O Templo e a Loja). Esses mesmos autores e mais Henry Lincoln ainda afirmam que coube aos templários criar e estabelecer a moderna instituição bancária. “Através de empréstimos de vastas somas a monarcas necessitados, tornaram-se os banqueiros de todos os tronos da Europa” (O Santo Graal e a Linhagem Sagrada).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a perda de Jerusalém para os muçulmanos em 1291, a Ordem do Templo se transfere para Chipre. A ilha tinha sido conquistada pelo rei Jayme I (Coração de Leão), da Inglaterra, em 1191, e vendida, anos depois, para os templários. Em 1312, a Ordem é oficialmente extinta por um decreto papal emitido por Clemente V, sem que um veredicto conclusivo de culpa tenha sido pronunciado. Através da bula Vox in excelso o Papa extingue a Ordem do Templo “proibindo estritamente qualquer um de conjeturar em entrar para a referida Ordem no futuro, ou de receber ou usar seu hábito, ou de agir como um templário” (Os Templários). Em bula subsequente, a Ad Providam, todos os bens e propriedade dos templários são transferidos para a Ordem dos Hospitalários, uma instituição similar a dos templários, que também funcionava na Terra Santa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na França, por ordem do rei Filipe IV, o Belo, os templários são perseguidos, presos e torturados. A Inquisição também se alastra por toda a Europa. As acusações concentram-se em supostas heresias e rituais praticados pelos membros da Ordem. O seu Grão-Mestre, Jacques de Molay, é queimado até a morte, na Ile de la Cité, no Sena, em 1314.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-d7z-DnCTkX0/Tpy0HPn6YLI/AAAAAAAABIA/s2jDe-3vi8c/s1600/Templo%2Bde%2BSalom%25C3%25A3o-ma%25C3%25A7onaria.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 220px; FLOAT: left; HEIGHT: 149px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5664600467871260850" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-d7z-DnCTkX0/Tpy0HPn6YLI/AAAAAAAABIA/s2jDe-3vi8c/s320/Templo%2Bde%2BSalom%25C3%25A3o-ma%25C3%25A7onaria.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Estado templário preocupava a Igreja&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Setecentos anos depois desses acontecimentos, dúvidas ainda persistem sobre a verdadeira natureza da Ordem e de seus cavaleiros. Seriam eles guardiões de um conhecimento secreto adquirido na Terra Santa em contato com outras culturas ou mesmo oriundo de documentos sobre as origens do Cristianismo descobertos nas escavações? Para Baigent e Leigh, o impacto de antigas formas de pensamento cristão, não Paulinas, podem ter influenciado as atividades da Ordem no seu projeto para a criação de um Estado Templário e na sua política de reconciliar o Cristianismo, o Judaísmo e o Islamismo. “Os templários não negociavam apenas dinheiro, mas pensamentos também. Através de seu contato com as culturas muçulmana e judaica, começaram a atuar como introdutores de novas ideias, novas dimensões do conhecimento, novas ciências” (O Santo Graal...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pesquisadora da Biblioteca do Vaticano, Bárbara Frale, em artigo publicado no “L’Osservatore Romano” (21.08.2008), jornal oficial da Santa Sé, afirma que os documentos originais do processo contra os templários, encontrados no Arquivo Secreto do Vaticano, demonstram que foram infundadas as acusações de que os cavaleiros praticavam em segredo ritos pagãos e haviam abandonado a fé cristã. De acordo com a autora, os templários não eram hereges e o que se descobriu nas atas conservadas no Vaticano é que “a disciplina primitiva do Templo e o seu espírito autêntico se haviam corrompido com o passar do tempo, deixando a porta aberta para a difusão de maus costumes” (Revelações do Arquivo Secreto do Vaticano: templários não foram hereges,no portal Zenit).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí caberia a indagação: quais seriam os “maus costumes”, segundo a avaliação da pesquisadora, adquiridos pelos templários? No mesmo artigo, Frale reconhece que “ainda há verdadeiramente muito que investigar” e adianta que o estudo da espiritualidade desta antiga ordem religiosa dará à cultura contemporânea novos motivos de discussão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-4MoifrgftCg/TpyyIHHp3_I/AAAAAAAABHE/w_kBKaH04F8/s1600/templ%25C3%25A1rios-ma%25C3%25A7onaria.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 151px; FLOAT: left; HEIGHT: 142px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5664598283745091570" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-4MoifrgftCg/TpyyIHHp3_I/AAAAAAAABHE/w_kBKaH04F8/s320/templ%25C3%25A1rios-ma%25C3%25A7onaria.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Escócia: refúgio dos templários e berço dos maçons&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Da extinção oficial da Ordem até a fundação da primeira grande Loja Maçônica em Londres (1717), a trinca de autores do “Santo Graal e a Linhagem Sagrada” registra que os templários ingleses e franceses encontraram refúgio na Escócia (país que ignorou a bula papal), e muitos deles também se integraram a outras Ordens e sociedades secretas na Alemanha, Espanha e Portugal. Conta-se que em 1689, na batalha de Killiecrankie, na Escócia, um dos aliados do rei Jayme II da Inglaterra, John Claverhouse, visconde de Dundee, estava usando uma antiga vestimenta da Ordem do Templo, de antes de 1307, quando foi morto na luta. A referência ao fato foi publicada no jornal da primeira Loja de Pesquisas Maçônicas do Reino Unido (Quatuor Coronati), em 1920: “Lorde Dundee perdeu sua vida como líder do Partido Escocês Stuart. Segundo o testemunho do abade Calmet, ele teria sido Grão-Mestre da Ordem do Templo na Escócia” (O Santo Graal...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, muito tempo antes, nos meados do século 16, um manuscrito já comprovava a existência dos chamados franco-maçons e a sua subordinação à monarquia dos Stuart, principalmente ao soberano escocês Jaime I (1566-1625), que também foi rei da Inglaterra e da Irlanda. O historiador maçônico, Robert F. Gould, em “The History of Freemasonry”, transcreve o que era exigido dos franco-maçons à época: “... que sejais homens leais ao rei, sem nenhuma traição ou falsidade e que não tolerais qualquer traição ou falsidade, tratando de combatê-las ou notificá-las ao rei”. Segundo definição de um ilustre estudioso maçom José Maria Ragon (1781-1866), o termo franco-maçom somente se aplicaria àqueles que efetivamente cooperassem na obra de instrução e regeneração da humanidade. Os demais membros de obreiros construtores e integrantes da corporação de pedreiros seriam denominados simplesmente maçons.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-zl7nPFH0NzI/TpyvrI3G9WI/AAAAAAAABF8/rZkwa23LwHw/s1600/rolos%2Bmar%2Bmorto-ma%25C3%25A7onaria%2B1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;Observa-se que a Grande Loja da Inglaterra, criada para centralizar a franco-maçonaria inglesa e que se constituiu no marco oficial da imagem pública da Maçonaria, foi instituída em 24 de junho de 1717, data emblemática para os templários e que lembra o nascimento de João, o Batista. A devoção a essa figura histórica é um dos elos que ligam os franco-maçons aos templários. Segundo o “Dicionário de Maçonaria”, de Joaquim Gervásio de Figueiredo 33.º, João Batista é o patrono da Maçonaria e todas as lojas maçônicas simbólicas são intituladas Lojas de São João.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-mvkcYV-C8AM/Tpyyuk9oeMI/AAAAAAAABHQ/t8vQLrdWPY8/s1600/estrela%2Bde%2Bdavid-ma%25C3%25A7onaria.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 156px; FLOAT: left; HEIGHT: 129px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5664598944591149250" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-mvkcYV-C8AM/Tpyyuk9oeMI/AAAAAAAABHQ/t8vQLrdWPY8/s320/estrela%2Bde%2Bdavid-ma%25C3%25A7onaria.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;A tradição judaica dos essênios&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Preso e decapitado em 32 da E.C. por ordem de Herodes Antipas, governador da Galiléia, Yochanan ben Ezequiel (nome hebraico de João Batista) provavelmente era membro da seita dos essênios, uma comunidade judaica que existiu durante os dois últimos séculos da era do Segundo Templo (150 antes da E.C. a 70 da E.C.). Historiadores judeus do século I, Flavio Josefo e Philo de Alexandria, registraram a presença desse grupo ascético, que praticava um Judaísmo ultra-ortodoxo, com jejuns frequentes e banhos rituais diários, e que habitava o deserto da Judéia, entre Jericó e Ein Guedi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir de 1947, e até 1956, com a descoberta dos pergaminhos nas cavernas de Qumran (os manuscritos do Mar Morto), a tese de que os essênios eram seus autores ganhou força entre estudiosos e peritos de várias nacionalidades. Segundo Leon Zeldis 33º, os iniciados da comunidade de Qumran, cujas idades variavam entre 25 e 50 anos, aprendiam a “amar a justiça e ter aversão à maldade”. Consideravam-se herdeiros dos reis sacerdotes, simbolizados por Salomão (do hebraico Shlomo, que deriva da palavra Shalom-paz) e Melquizedek (do hebraico Malki-Tzadik, rei justo), rei de Salem (a atual Jerusalém), à época de Abraão. Alguns de seus membros, como João, o Batista, faziam votos de nazareos - do hebraico “nazir” que corresponde a “separado” ou “consagrado”. Os autores do livro “A Chave de Hiram” acreditam que “a voz que clama no deserto” poderia ser a de João Batista “que viveu uma vida dura no deserto, de retidão qumraniana, comendo apenas os alimentos permitidos, usando um cinturão de couro e uma túnica de pelo de camelo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na obra “Os Manuscritos do Mar Morto”, o professor e doutor em teologia Geza Vermes destaca que os membros da seita se consideravam “o verdadeiro Israel”, fiéis representantes das autênticas tradições religiosas. Os sacerdotes, chamados de “filhos de ZadoK” (o sacerdote da Casa de David), se constituíam na autoridade máxima da comunidade. A hierarquia era rigorosa. Cada membro era inscrito na “ordem de seu grau”. O mais alto cargo recaía na pessoa do Guardião, conhecido também como “Mestre” (maskil, em hebraico). Eram também instruídos a reconhecer “um filho da Luz” de um “filho das Trevas”. Na lista de infrações e de suas penas correspondentes, o pecado mais grave que demandaria em imediata expulsão da congregação seria qualquer tipo de transgressão, por ato ou omissão, às diretrizes da Lei de Moisés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um dos manuscritos – o Preceito do Messianismo – é especificado que somente a partir dos 30 anos os homens eram tidos como maduros, podendo participar das assembleias, de casos em tribunais e tomar assento nos altos escalões da seita. O neófito vindo de fora que se arrependia de seu “caminho de corrupção”, iniciava-se “no juramento da Aliança” no dia em que conversava com o Guardião, mas nenhum estatuto da seita deveria ser divulgado a ele. Na avaliação do professor Geza Vermes, o retrato que assoma da leitura dos manuscritos em relação às ideias e aos ideais religiosos dos essênios é uma observância fanática à Lei de Moisés. No campo político, os essênios eram frontalmente contra a dinastia de Herodes e o domínio dos romanos sobre a Terra Santa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Os livros secretos de Moisés&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Dizimada pelos romanos em 66-70 da E.C., a comunidade de Qumram pode ter enterrado sua história, seus segredos e sua tradição secreta ligada a Moisés em algum lugar do templo de Jerusalém, seguindo a prática judaica de não destruir documentos sagrados (a cidade de Jerusalém fica a 40 minutos de carro de Qumram). Na obra “A Chave do Hiram”, os autores aventam a hipótese desses manuscritos terem sido descobertos pelos templários, no século 12, em função das sigilosas escavações realizadas no local por mais de uma década. No livro “A Odisséia dos Essênios”, o historiador britânico Hugh Schonfield faz referência aos livros secretos que Moises teria dado a Josué para que ele os mantivesse ocultos “até os dias de arrependimento”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No livro do escritor francê Michel Lamy - Os Templários. Esses senhores de Mantos Brancos/1997 – é lembrado o interesse do abade Estevão Harding, amigo e mentor de Bernardo de Clairvaux (incentivador da criação da Ordem dos Templários e autor de suas regras), por textos hebraicos. O abade procurava a ajuda de rabinos nas suas traduções do hebraico dos livros do Velho Testamento. Para Lamy, esse intenso interesse por textos hebraicos demonstram a crença na existência de um tesouro oculto enterrado sob o monte do Templo e algum tipo de relação com o lugar que mais tarde se tornou a moradia dos templários. O historiador Piers Paul Read também destaca que uma das primeiras traduções encomendadas pelos templários na Terra Santa foi a do “Livro dos Juízes”, do Velho Testamento. “Havia uma íntima e inquestionável identificação dos cristãos da Palestina com os israelitas de antigamente” (Os Templários).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Erguido pelo rei Salomão para abrigar a “Arca da Aliança” – relicário das palavras divinas a Moisés no deserto - , o grande Templo de Jerusalém concentrava nesse local toda a sua santidade. Construído sobre o Monte Moriá, o aposento onde ficava a arca sagrada era o lugar mais recôndito do Templo, chamado de “o Sagrados dos Sagrados” (Kodesh há-Kodashim), recinto cuja santidade era tal que somente o grande sacerdote (Cohen Gadol, em hebraico) tinha permissão de lá entrar, uma única vez durante o ano, no Dia do Perdão - Yom Kipur (Revista Morashá).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A adoção pelos templários e maçons dessa simbologia estruturada nos mistérios e segredos que se iniciam com Abraão, tem seu ápice em Moisés, se perpetua com a construção do Primeiro Templo por Salomão e sofre transmutações generalizadas a partir dos primórdios da Era Comum, após a destruição da comunidade de Qumram, ainda permanece envolta em véus em sua nascente e tem se mostrado um desafio para a Igreja Católica. De igual forma, a imensa quantidade de publicações, teorias e suposições a respeito do tema ainda não produziu uma resposta diferente daquela que anima e justifica o trabalho da maioria dos pesquisadores: a da “busca pela verdade” .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-0jKZFltd1Gk/TpywNNBO7tI/AAAAAAAABGI/eeNYjL9nHCE/s1600/rolos%2Bmar%2Bmorto-ma%25C3%25A7onaria%2B2.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 180px; FLOAT: left; HEIGHT: 134px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5664596172204863186" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-0jKZFltd1Gk/TpywNNBO7tI/AAAAAAAABGI/eeNYjL9nHCE/s320/rolos%2Bmar%2Bmorto-ma%25C3%25A7onaria%2B2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Os guardiões da Aliança&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em “As Intrigas em torno dos Manuscritos do Mar Morto”, o leitor acompanha a trajetória dos manuscritos, desde das primeiras descobertas no deserto da Judéia, em 1947, durante o mandato britânico na Palestina, até o início da década de 1990, quando o conteúdo de muitos documentos ainda não tinha sido divulgado. A batalha para o livre acesso e publicação de mais de 800 manuscritos por parte de inúmeros pesquisadores de renome mundial é relatada por Michael Baigent e Richard Leigh que culpam a chamada “equipe internacional” comandada pelo padre Roland de Vaux, da École Biblique de Jerusalém, de manter por longo tempo o monopólio sobre os manuscritos. A polêmica se estendeu até a imprensa através das páginas do influente jornal americano New York Times que em editorial publicado em 9 de julho de 1989 criticou a morosidade das pesquisas, observando que “passados 40 anos, um círculo de estudiosos indolentes continua esticando o trabalho, enquanto o mundo espera e as preciosas peças vão se desmanchando em pó”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje sabemos que os membros da comunidade de Qumram costumavam referir-se a si próprios como “os guardiões da Aliança”. Tal conceito se baseia essencialmente na grande importância da “Aliança”, que impunha um voto formal de obediência, total e eterna, à Lei de Moisés. Daí a expressão “Ossei ha-Torá”, encontrada em um dos pergaminhos, que pode ser traduzida por “Agentes da Lei”, expressão talvez que fosse a origem da palavra essênio (As intrigas em torno dos Manuscritos...). Mas, para o pesquisador Robert Eisenman, autor de vários livros sobre os Manuscritos, termos como essênios, zadoques, zanoreanos, zelotes, sicários, ebionitas (os pobres) apontam para um mesmo grupo ou movimento ortodoxo de rigoroso cumprimento da lei mosaica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu estudo “Paulo como herodiano”, apresentado na Sociedade de Literatura Bíblica (Society of Biblical Literature), em 1983, Eisenman credita a Paulo (Saulo de Tarso) o papel de agente secreto dos romanos, após ser ameaçado de morte pelos “zelosos da Lei”. A partir dos manuscritos e de referências encontradas no Novo Testamento, o pesquisador afirma que a entrada de Paulo em cena mudou o rumo da história. “O que começou como um movimento localizado dentro da estrutura do Judaísmo existente, e cuja influência se restringia aos limites da Terra Santa, se transformou em algo de uma escala e magnitude que ninguém na época poderia ter previsto. O movimento que estava nas mãos da comunidade de Qumran foi efetivamente convertido em algo que não tinha mais lugar para seus criadores” (As Intrigas em torno dos Manuscritos...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os autores ingleses de “A Chave de Hiram”, Saulo de Tarso não conhecia profundamente os ritos nazoreanos da comunidade de Qumram e a sua simbologia da “ressurreição em vida”, cerimônia adotada pela Maçonaria em seu ritual de 3º Grau. Em um dos manuscritos encontrados, denominado “Preceitos da Comunidade”, é explicado que ao entrar na comunidade o sectário era elevado a uma “altura eterna” e unido ao “Conselho Eterno” e à “Congregação dos Filhos do Céu” (Geza Vermes, em “Os Manuscritos do Mar Morto”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro importante estudioso dos manuscritos, o historiador John Allegro, em seu livro “The Treasure of the Copper Scroll” que traz a tradução completa do Manuscrito de Cobre, explica que “Qumram” é uma palavra árabe moderna e que no século I da E.C. o local era conhecido como Qimrôn, raiz da palavra hebraica que significa abóbada, arco, portal. O pesquisador também observou a utilização de códigos no Manuscrito de Cobre quando são citados os 64 esconderijos com metais preciosos e manuscritos pertencentes à Comunidade. Detalhe igualmente notado pelo padre J.T.Milik, que fazia parte da equipe internacional que analisou os manuscritos em Jerusalém. O religioso constatou a presença de técnicas de codificação críptica em alguns documentos secretos que continham informações sobre eventos futuros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7322191688736794078-3374559067983072287?l=sheilasacks.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/3374559067983072287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/3374559067983072287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sheilasacks.blogspot.com/2011/10/face-judaica-templaria-da-maconaria.html' title='A face judaica-templária da Maçonaria'/><author><name>Sheila Sacks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16806038529181436948</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/Se47EqDHGzI/AAAAAAAAACE/PTl8wAnMnv4/S220/sheila+4.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-a2kXYX8JQUg/Tpy82kiDhKI/AAAAAAAABIw/kwUunkuYADo/s72-c/Jerusal%25C3%25A9m%2B33.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7322191688736794078.post-3380385461748258628</id><published>2011-09-06T14:30:00.000-07:00</published><updated>2011-09-08T05:07:14.227-07:00</updated><title type='text'>A identidade oculta de Cristóvão Colombo ou a história não-oficial do descobridor do novo mundo</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-5FNAjRGZVEY/TmaVuKE1sdI/AAAAAAAABFI/LbHHpEZumNE/s1600/Colombo-est%25C3%25A1tua%2Bem%2BVila%2Bde%2BCuba%2B1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; FLOAT: left; HEIGHT: 133px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5649367402794037714" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-5FNAjRGZVEY/TmaVuKE1sdI/AAAAAAAABFI/LbHHpEZumNE/s320/Colombo-est%25C3%25A1tua%2Bem%2BVila%2Bde%2BCuba%2B1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;em&gt;"O irracional respeito à autoridade é o maior inimigo da verdade." (Albert Einstein)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#006600;"&gt;&lt;em&gt;por Sheila Sacks&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A pequena Vila de Cuba, situada na região de Alentejo, no sul de Portugal, pode guardar um segredo que ainda permanece submerso e parece estar longe de ser desvendado. Em meio a muita polêmica e até pesquisas de DNA de possíveis descendentes, passados mais de 500 anos da morte de Cristóvão Colombo, o mistério de sua origem continua. Para inúmeros historiadores portugueses, este pacato povoado de pouco mais de 3 mil habitantes, a 200 quilômetros de Lisboa, é o verdadeiro berço natal do descobridor das Américas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O engenheiro Carlos Calado, presidente do Núcleo dos Amigos da Cuba (NAC) e da Associação Cristóvan Colon (ACC), defende a tese de que o navegante que ficou conhecido na história pelo nome de Colombo, era na realidade o português Salvador Fernandes Zarco, natural da Vila de Cuba – povoado cujas origens remontam ao século 13 - e que usava o pseudônimo de Cristóvão Colon. Essa certeza é tamanha que a câmara municipal local já registrou o navegador no seu panteão de notáveis e inaugurou, em 28 de outubro de 2006, o primeiro monumento em território português homenageando o grande almirante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estátua de bronze pesando mais de uma tonelada e com 2 metros e meio de altura foi instalada na praça principal, em frente ao Palácio da Justiça. Com a concordância de inúmeros historiadores portugueses que há anos se dedicam às pesquisas sobre Colombo dito e consagrado como genovês pela história oficial. A data confere com a descoberta da ilha de Cuba, em 1492, depois de sua chegada às Antilhas. Assim não seria por mero acaso o fato das primeiras ilhas em continente americano serem batizadas por Colombo de San Salvador (o verdadeiro nome do descobridor) e Cuba, sua terra natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Uma história não oficial&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Dois anos antes da inauguração do monumento, atendendo ao convite do centro cultural da cidade, uma dupla de ilustres pesquisadores visitou a pequena Vila de Cuba, que abriu seu único teatro para um sarau muito especial. Lá estavam o médico e historiador português radicado nos Estados Unidos, dr. Manuel Luciano da Silva (fundador da Federação Luso-Americana e membro da Sociedade de Geografia de Lisboa), e o pesquisador Mascarenhas Barreto, autor do best-seller Cristóvão Colombo, Agente Secreto do Rei Dom João I (1988). Eles apresentaram um resumo de seus trabalhos sobre o que é hoje popularmente noticiado como o Enigma Colombo. Em comum, a convicção da origem luso-judaica do descobridor do continente americano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com Mascarenhas Barreto, Colombo trabalhava secretamente a favor do rei de Portugal, D.João II, quando foi a Castela no intuito de convencer a rainha da Espanha, dona Isabel, a financiar a sua expedição rumo às Índias, seguindo na direção do oeste ou pelo lado ocidental do Atlântico. O plano do soberano português era afastar os espanhóis das caravelas portuguesas e das rotas descobertas por Portugal que procuravam alcançar a Ásia através do Atlântico, pelo litoral africano. Tempos depois, já no reinado de D. Manuel I, essa alternativa se mostrou vitoriosa com Vasco da Gama que em 1498 alcançou o porto indiano de Calecute, estabelecendo pela primeira vez o caminho marítimo para as Índias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autor de “Columbus was 100% Portuguese” (1987), escrito originalmente em inglês e traduzido para a língua portuguesa somente 20 anos depois, o historiador Manuel da Silva conta que quando realizou a sua pesquisa na Biblioteca do Vaticano, em Roma, encontrou documentos relacionados com a descoberta da América em que aparece o nome de Colombo grafado em português antigo: Cristofõm Colon. “Devemos esclarecer”, alerta o pesquisador, “que o navegador fabricou o nome de Cristóvão Colon porque o seu nome verdadeiro era Salvador Fernandes Zarco.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-ZIaqQVH_6rY/TmaUbkVmnLI/AAAAAAAABEw/M0RDTm3ji40/s1600/Colombo-Vila%2Bde%2BCuba.png"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 119px; FLOAT: left; HEIGHT: 128px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5649365983914532018" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-ZIaqQVH_6rY/TmaUbkVmnLI/AAAAAAAABEw/M0RDTm3ji40/s320/Colombo-Vila%2Bde%2BCuba.png" /&gt;&lt;/a&gt;A família Zarco&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Mas, nacionalidades à parte, de onde viria o sobrenome Zarco, indaga o historiador, para responder em seguida: “Da mãe, Isabel Gonçalves Zarco, filha do navegador João Gonçalves Zarco, descobridor da Ilha da Madeira (1418), judeu sefaradita (originário da Península Ibérica), nascido na cidade de Tomar, onde ainda existe a sinagoga d’Arco ou do Zarco.” Fruto de um amor proibido, já que o pai de Colombo era o Infante D. Fernando, Duque de Beja, irmão do rei D. Afonso V, Isabel Zarco foi dar à luz na Vila de Cuba (Colba, em português antigo e que significa ‘torre’), uma aldeia que ficava a 18 quilômetros ao norte do distrito de Beja. Alguns anos depois, Colombo foi levado pela mãe para a Ilha da Madeira, onde esta se casou com um nobre português. Quanto a Colombo, sua primeira esposa, Filipa Moniz de Perestrelo, filha do governador da ilha, também era de ascendência sefaradita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abrindo um pequeno parêntese, observamos que cinco séculos depois deste intrincado enredo familiar, onde se misturam nobres e os chamados cristãos-novos (judeus convertidos à força pela Inquisição), um outro Zarco, igualmente judeu e português, surge em cena, agora como o personagem do festejado livro “O Último Cabalista de Lisboa”(1996). O autor Richard Zimler, norte-americano naturalizado português e radicado na cidade do Porto, revive os horrores de uma Lisboa de 1506 – data da morte de Colombo – assolada pela peste e pelo terrível pogrom (palavra russa para designar um ataque violento a pessoas, casas e lojas) que levou centenas de judeus às fogueiras. No centro da trama, o jovem Berequias Zarco, a cujo manuscrito datado de 1507 Zimler teve acesso quando de sua estadia em Istambul. Anos depois, Zymler retoma a saga da família Zarco nos livros “Meia-Noite ou o Princípio do Mundo” (2003), contando a história de John Zarco Stewart e “Goa ou o Guardião da Aurora” (2005), onde o protagonista é Tiago Zarco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma outra observação diz respeito à cidade de Tomar (no centro do país, a 140 quilômetros ao norte de Lisboa), onde nasceu o avô materno de Colombo, João Gonçalves Zarco. Conhecida como a Cidade dos Templários - porque as suas terras foram doadas à Ordem do Templo em 1159, que ali ergueram a sua sede - , especulações não faltam sobre o possível envolvimento de familiares de Colombo com os seguidores da Ordem e a participação de seus integrantes nos Descobrimentos. Em uma das cartas enviadas por Colombo à rainha Isabel, ele demonstra essa visão templária e profética ao anunciar que através das explorações marítimas seria possível libertar a cidade santa de Jerusalém do domínio do Islã, restaurar o Templo de Salomão e combater os muçulmanos na África e no Oriente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-pEdlI8nipR0/TmaVLWtDHWI/AAAAAAAABFA/u5UVVgoTwao/s1600/Colombo-sigla%2Bcabal%25C3%25ADstica.gif"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 165px; FLOAT: left; HEIGHT: 131px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5649366804888493410" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-pEdlI8nipR0/TmaVLWtDHWI/AAAAAAAABFA/u5UVVgoTwao/s320/Colombo-sigla%2Bcabal%25C3%25ADstica.gif" /&gt;&lt;/a&gt;Um detalhe que também aguça a curiosidade dos pesquisadores é a assinatura criptografada adotada por Colombo. Mascarenhas Barreto chegou a estudar por mais de 10 anos a Cabalá hebraica (tradição mística do Judaísmo) no intuito de decifrá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curiosamente, um descendente da família Zarco se fez presente na solenidade de inauguração do monumento a Colombo, na Vila de Cuba, alegando ser parente do navegador. Residindo em Lisboa, Henrique Zarco, acompanhado da esposa e filha, revelou que Cristóvão Colon era neto de seu 20° avô, João Gonçalves. “Somos parentes do lado da família de minha mãe”, afirmou orgulhoso. Ao jornal português Correio da Manhã, que reportou o evento, Zarco conclamou Portugal a lutar por esta verdade e mudar o curso da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;Letras hebraicas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Mas, voltando às pesquisas do dr. Manuel da Silva, outro fato importante sobre a origem de Colombo apontado pelo historiador está contido nas 12 últimas cartas que o navegador escreveu para o filho Diogo Colon, em 1504. No alto das páginas, as duas letras iniciais da frase hebraica Baruch Hashem,(B”H), Bendito seja D-us, não deixam dúvidas quanto a sua ascendência judaica. A descoberta foi feita por Simon Wiesenthal, em 1973, assinala dr. Silva. Conhecido como o caçador de nazistas pela sua busca incansável pelos genocidas remanescentes do III Reich, Wiesenthal também chama a atenção em seu livro “A missão secreta de Cristóvão Colombo:Velas da Esperança” sobre a data da partida da frota para as Índias: 03 de agosto. Na véspera expirava o prazo de expulsão dos judeus do território espanhol , segundo o decreto dos reis Fernando e Isabel. E, coincidentemente, Colombo exigiu que a tripulação estivesse a bordo antes da meia-noite do fatídico 02 de agosto de 1492. Entre os convocados estavam 40 “genoveses”, uma expressão que designava os judeus clandestinos que se refugiaram na Península Ibérica, um século antes, após sofrerem perseguições em Gênova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas essas revelações surgidas nos últimos anos em decorrência de exaustivas investigações históricas têm provocado controvérsias apaixonadas e estimulado a aparição de textos considerados fantasiosos, apesar de muitos deles serem fruto de um profundo trabalho de pesquisa. No livro “Cólon, El Almirante sin Rostro” (2005), o escritor espanhol Mariano Fernandez Urresti reafirma que Colombo ainda é um perfeito enigma histórico. “Não se conhece o lugar onde ele nasceu, nem tampouco o lugar em que foi enterrado. Em 2003, quando uma equipe de pesquisadores abriu a sua suposta tumba na Catedral de Sevilha para realizar estudos de DNA dos restos mortais que deveriam estar lá, deparou-se com apenas 20% de um cadáver. Onde estaria o restante de seus ossos?” pergunta Urresti. Para Manuel Silva os restos mortais de Colombo podem estar em Santo Domingo, na República Dominicana, a ilha do Caribe citada no testamento de Colombo. Já o italiano Gianni Granzotto, autor de “Cristobal Colon”, assegura que os restos mortais de Colombo jamais saíram da Espanha. Estão no Convento de São Francisco, em Valadolid.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Mais indícios judaicos&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ainda em 2005, uma nova versão da vida do navegador, misturando ficção e história, foi apresentada pelo jornalista José Rodrigues dos Santos, da Rádio Televisão Portuguesa (RTP). O romance Codex 632 segue a receita vitoriosa do Código da Vinci, onde uma mensagem codificada é o ponto de partida para um enredo de mistério e aventura em cenários de cidades emblemáticas como Gênova, Sevilha, Tomar, Jerusalém e Rio de Janeiro. Baseado nas teorias que dão conta de que Colombo era judeu e tinha sangue nobre português, o livro sai em busca da verdadeira identidade e da real missão de Cristóvão Colombo, que o autor define como “os mais bem guardados segredos dos Descobrimentos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros indícios da origem luso-judaica de Colombo são as tábuas de declinação do sol, escritas em hebraico, utilizadas por Colombo na travessia do Atlântico. A relíquia, de autoria do matemático judeu Abraão Zacuto, pode ser vista no Museu Judaico de Nova Iorque e foi dada a Colombo pelo rei D.João II.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Igreja conhecia a origem de Colombo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-bbsq14f1hag/TmaU4YLii5I/AAAAAAAABE4/O0uvU4h9-lQ/s1600/Colombo%2B-Zarco%2B1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 119px; FLOAT: left; HEIGHT: 217px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5649366478867303314" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-bbsq14f1hag/TmaU4YLii5I/AAAAAAAABE4/O0uvU4h9-lQ/s320/Colombo%2B-Zarco%2B1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;O pesquisador dr.Manuel da Silva lembra que em dezembro de 1999, no último “Te Deum” solene na Basílica de São Pedro, no limiar do novo século, o Papa João Paulo II revelou que a descoberta da América foi para ele o principal acontecimento dos últimos mil anos, porque abriu uma nova era para a história da humanidade. Porém, estranhamente, o Papa não mencionou o nome do descobridor daquilo que considerou “o acontecimento que marcou o milênio”. Um evento que está registrado em quatro Bulas Papais editadas pelo Papa Alexandre VI, em 1493, sendo que em duas delas destacando o nome do navegador, conforme é possível conferir na Biblioteca do Vaticano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este relacionamento nebuloso entre a Igreja Católica e Colombo resultou em mais uma polêmica, desta vez empurrada pela declaração bombástica do doutor em Ciências Náuticas e capitão do Comando Marítimo da província espanhola de Torrevieja, Oscar Villar Serrano. Autor de inúmeros livros sobre navegação, clima e geografia, Villar Serrano publicou, em 2005, uma obra intitulada "Cristóbal Colón: el secreto mejor guardado", onde assegura que a Igreja não canonizou Colombo (o processo de beatificação foi proposto em 1866) por saber que ele era judeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por ocasião do lançamento do livro, Villar assegurou que o mistério que envolve a origem de Colombo se deve basicamente à sua filiação judaica que ele procurou ocultar na busca de apoio dos reis católicos da Espanha ao seu empreendimento. Isso embora seus principais patrocinadores fossem judeus, desde o banqueiro da Coroa de Aragão, Luis Santángel, até a própria tripulação, majoritariamente judaica. Em entrevista à agência espanhola EFE, o autor cita as cartas de Colombo ao seu filho Fernando, onde o navegador recomenda comportamentos diferenciados, em público e na intimidade do lar (onde diz textualmente que entre nós, temos que conservar os nossos costumes). Villar também destacou que o irmão de Colombo morreu na fogueira em Valência (1493), justamente por ter ascendência judaica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Novo mundo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Diante de tais pontos de vista, o que o nosso continente tem a dizer? Bem... aqui na América do Sul, a Venezuela já se adiantou e deu o seu recado: em 2004, um grupo ligado ao presidente Hugo Chavez destruiu a centenária estátua de Colombo, instalada em uma das principais praças de Caracas, e a arrastou pelas ruas da capital. O que sobrou do monumento – uma escultura de bronze de 1904, do venezuelano Rafael de la Cova – foi posteriormente recolhido pelas autoridades. Manifestantes justificaram a depredação como sendo um protesto bolivariano contra o colonialismo e a imposição histórica de uma farsa chamada Colombo. Outros monumentos que homenageavam Colombo e os descobrimentos também foram varridos do território venezuelano em anos posteriores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Farsa ou ocultação de um segredo, a polêmica deve continuar. As continuadas investigações históricas sobre o navegante têm projetado um perfil surpreendente e diverso daquele disseminado pela história oficial. Assim, o descobridor do novo mundo teria nascido Salvador Gonçalves Zarco, natural de Portugal, judeu sefaradita, nobre e templário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, apesar de todo o mistério que cerca a identidade do grande almirante e a missão dos Descobrimentos, Colombo parece ter tentado enviar uma mensagem pessoal para a posteridade. Um ano antes de morrer, ele escreve “O Livro das Profecias”, um manuscrito que só foi dado a conhecer em 1984. Escondido até então na Biblioteca da Catedral de Sevilha, o documento foi apresentado com 14 páginas arrancadas. As profecias (que muitos julgam versar sobre o resgate de Jerusalém do controle muçulmano) sumiram com as páginas desaparecidas, permanecendo, porém, textos copiados do Velho Testamento, como os Salmos de David e as palavras de Isaías.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;Escrito originalmente em 2006 e atualizado em 06 de setembro de 2011&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7322191688736794078-3380385461748258628?l=sheilasacks.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/3380385461748258628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/3380385461748258628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sheilasacks.blogspot.com/2011/09/identidade-oculta-de-cristovao-colombo.html' title='A identidade oculta de Cristóvão Colombo ou a história não-oficial do descobridor do novo mundo'/><author><name>Sheila Sacks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16806038529181436948</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/Se47EqDHGzI/AAAAAAAAACE/PTl8wAnMnv4/S220/sheila+4.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-5FNAjRGZVEY/TmaVuKE1sdI/AAAAAAAABFI/LbHHpEZumNE/s72-c/Colombo-est%25C3%25A1tua%2Bem%2BVila%2Bde%2BCuba%2B1.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7322191688736794078.post-2358537170164947195</id><published>2011-08-03T14:28:00.000-07:00</published><updated>2011-08-05T12:56:33.004-07:00</updated><title type='text'>Em Israel não existe gente comum</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-j7psPLPQkfQ/Tjm_p7mL8GI/AAAAAAAABEY/GZWvEJeUiaY/s1600/jew-girl.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 131px; FLOAT: left; HEIGHT: 113px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5636747135724286050" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-j7psPLPQkfQ/Tjm_p7mL8GI/AAAAAAAABEY/GZWvEJeUiaY/s320/jew-girl.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:85%;color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;por Sheila Sacks&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O jornalista Clóvis Rossi, colunista da &lt;em&gt;Folha de São Paulo&lt;/em&gt;, conta que quando foi escalado pelo jornal para cobrir as eleições em Israel, nos idos de 1996, ele primeiro resolveu ter contato com as pessoas comuns, antes de procurar autoridades e políticos, para sentir o clima eleitoral no país. Na época já existia o que ele chamou de salas de conversações eletrônicas, no caso um desses chats frequentados somente por israelenses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao explicar que queria conversar com gente comum sobre as eleições, não demorou muito para receber uma resposta curta e grossa que deixou o jornalista pasmo: “Em Israel, não há pessoas comuns”. Rossi confessa que na hora chegou a ficar com raiva da arrogância de seu interlocutor virtual, mas depois entendeu que talvez aquela inusitada afirmação tivesse a sua razão de ser. Na visão do jornalista, Israel é realmente um país com características inéditas no planeta porque reúne a maior concentração de história e religiosidade do mundo cercada por uma das maiores concentrações de força militar. Segundo Rossi, uma das coisas que mais o fascina em Israel é justamente a presença de todas as religiões monoteístas que pregam a paz terem alguns de seus maiores símbolos sempre cercados pelos símbolos da guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa historinha está no prefácio de “&lt;em&gt;Israel, Terra em Transe: Democracia ou Teocracia&lt;/em&gt;”, da jornalista Guila Flint, correspondente da BBC Brasil em Israel, em parceria com a socióloga Bila Grin Sorj, professora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). O livro é um apanhado de 16 entrevistas realizadas com intelectuais, religiosos, laicos, judeus e árabes que vivem em Israel e aborda aspectos do fundamentalismo judaico que turbinam a vida política israelense. Publicado em 2000, os depoimentos contidos no livro, muitos deles surpreendentes e polêmicos, não perderam a sua contemporaneidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Sem uma Constituição escrita&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Conforme explicam as autoras, Israel é um país sem uma Constituição escrita, porque à época do primeiro Parlamento,em 1949, os partidos religiosos se opuseram à adoção de uma Constituição, argumentando que o povo judeu tem apenas uma lei suprema, a Torá (o Pentateuco, os cinco primeiros livros da Bíblia antiga). Dessa forma, o Parlamento (Knesset) tem poderes quase ilimitados e funciona, de fato, como uma assembleia constituinte permanente que edita leis que podem ser, contudo, facilmente modificadas. A bancada dos religiosos no Parlamento aumentou consideravelmente desde a fundação de Israel, passando de 16 para 30 representantes, 25% da totalidade dos parlamentares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-atD5koHTJg8/Tjm_MxE1gdI/AAAAAAAABEQ/knVIZWeSpos/s1600/Jews-Etiopia.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 206px; FLOAT: left; HEIGHT: 115px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5636746634683843026" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-atD5koHTJg8/Tjm_MxE1gdI/AAAAAAAABEQ/knVIZWeSpos/s320/Jews-Etiopia.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;A importância e a força da religião no estado judeu tem gerado situações de conflitos e impasses entre grupos ultraortodoxos e seculares, geralmente encaminhados à decisão da Suprema Corte, órgão que funciona como uma espécie de guardião dos valores democráticos, com ênfase na proteção dos direitos humanos. Conciliar os diversos interesses, posições e pensamentos da complexa sociedade israelense - moderna, participativa e tradicionalista – é sempre um grande desafio que, ao longo dos anos, tem sido enfrentado a contento face aos sólidos princípios de justiça e liberdade que norteiam as decisões judiciais. A complexidade das respostas dos entrevistados e a diversidade de seus pontos de vista expressos de maneira incisiva demonstram essa heterogeneidade de pensamentos que é, afinal, a marca da nação judaica: a controvérsia levada ao extremo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Afinidades com a população árabe&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Assim ficamos sabendo que Uri Avnery, 88 anos, jornalista que trabalhou nos jornais mais importantes do país, como o Haaretz e Maariv, ex-parlamentar, membro do mítico Irgun (resistência armada judaica que combateu os ingleses durante o Mandato Britânico na Palestina, de 1931 a 1948) e fundador do movimento “Gush Shalom” (Bloco da Paz), se declara muito mais próximo de um cidadão árabe de Israel (em seus ideais e nacionalismo, ainda que em campos diferentes) do que de um cidadão ultraortodoxo judeu (haredi), de Jerusalém. Ele é autor do livro "&lt;em&gt;Meu amigo, o inimigo"&lt;/em&gt; que narra seus encontros com Yasser Arafat e outros líderes da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em agosto de 2002, em entrevista à revista inglesa &lt;em&gt;New Internationalist (action for global&lt;/em&gt; &lt;em&gt;justice&lt;/em&gt;), Avnery lembrou de seu passado de luta armada para a instalação do estado de Israel. Quando questionado sobre a sua posição em relação aos ataques suicidas e os atentados à bomba praticados por grupos palestinos radicais contra civis israelenses, ele retrucou: “Você não precisa me dizer o que é terrorismo. Eu fui terrorista. E quando se está envolvido com movimentos de libertação se lida com a intransigência, a brutalidade e um diferente conjunto de valores", justificou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda atuando na vida pública israelense, o combativo jornalista, que já sofreu várias ameaças de morte e foi vítima de um atentado em 1975 que o deixou gravemente ferido, tem seus artigos traduzidos para o português e republicados pelo site "&lt;em&gt;Vermelho",&lt;/em&gt; do Partido Comunista do Brasil (PcdoB).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro entrevistado é Haim Hanegbi, 76 anos, antigo jornalista e ativista político (um dos líderes do extinto movimento comunista e antissionista Matzpen), oriundo de família ortodoxa, neto de rabino e cuja família emigrou da Espanha para Hebron, a Cidade dos Patriarcas, à época da Inquisição. Desde 1996 sob a administração da Autoridade Palestina, Hebron fica a 10 quilômetros de Jerusalém e abriga os túmulos de Abraão, Isaac e Jacó. Há três mil anos, David foi ungido rei de Israel nessa cidade e lá reinou por sete anos até estabelecer Jerusalém como capital do reino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito identificado com os costumes e o modo de viver dos árabes, Hanegbi culpa o sionismo pela extinção das antigas comunidades judaicas do mundo árabe, como as de Damasco, Cairo, Alexandria, Bagdá, Marrocos e Casablanca. A criação do estado de Israel e as guerras advindas deste fato histórico desencadearam uma onda de perseguições aos judeus nascidos e estabelecidos, há várias décadas, no mundo muçulmano, ocasionando o esfacelamento desses núcleos que viviam integrados e adaptados aos costumes e as culturais locais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Estado democrático e judaico&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-OkVl-wQe0jk/Tjm-03ZeRPI/AAAAAAAABEI/gdqhngnl7II/s1600/jew%2B-%2Barmy%2Bman.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 124px; FLOAT: left; HEIGHT: 120px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5636746224064152818" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-OkVl-wQe0jk/Tjm-03ZeRPI/AAAAAAAABEI/gdqhngnl7II/s320/jew%2B-%2Barmy%2Bman.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Para Avraham Burg, do Partido Trabalhista, por três vezes eleito parlamentar e presidente da Agência Judaica Mundial (1995-1999), é preciso separar a religião e o estado. “Pessoalmente, creio que seria necessário acabar com a participação que a religião tem na estrutura do governo de Israel e reposicionar a religião e o judaísmo, que passariam a fazer parte da cultura, parte da responsabilidade individual, em vez de estarem sujeitos a elementos coercitivos do estado.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sua vez, o professor de pensamento e filosofia judaica da Universidade Hebraica de Jerusalém, Moshe Halbertal, 54 anos, acredita que qualquer tentativa de definir o judaísmo através de uma legislação fará com que os judeus de várias partes do mundo sintam que esta não é sua casa. Isso porque, na sua concepção, existem diferenças profundas entre os judeus sobre o judaísmo. Para ele “Israel precisa decidir basicamente se deseja ser a casa dos judeus ou se pretende ser um estado judeu”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Defendendo a integração estado-religião, a jornalista Bambi Sheleg, 43 anos, de uma família de judeus religiosos e sionistas, acredita que a comunidade não-religiosa em Israel perdeu muitos de seus ideais. “O sionismo religioso considera o retorno a Sion a verdade histórica mais importante. Mas em função disso também será necessário aceitar os valores da modernidade? É essa a grande questão.” Participando de grupos que se reúnem para ler a Torá, Sheleg vê o estado de Israel democrático e judaico ao mesmo tempo. “O estado de Israel é uma anomalia histórica, deve incluir esses dois valores, caso contrário deixará de existir.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indo mais longe, ela insiste que os israelenses devem ter consciência de onde vieram e para onde estão se dirigindo "pois o estado de Israel não foi criado para fornecer empresas para desenvolver alta tecnologia para os EUA. Não foi esse o sonho de retorno a Sion". E conclui: - Em minha opinião, é muito importante que Israel seja um país que tenha compaixão, que tenha um comportamento digno em relação aos trabalhadores estrangeiros, aos árabes, e a todos aqueles que chegam de outras regiões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse aliás é o cerne da questão, segundo Clovis Rossi: “Na batalha entre religiosos e laicos, as armas são os argumentos e argumentos não se medem em calibres, não atingem o corpo, visam a alma – e aí tudo fica muito mais complexo.” Daí que ao término das 357 páginas do livro e diante do monumental “desfile” de personagens e argumentos, Rossi dá a mão à palmatória e se rende à afirmação julgada pretensiosa, em um primeiro momento: - Em Israel, não há pessoas comuns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-LERidCr91-4/Tjm-WvqyfZI/AAAAAAAABEA/cDtSDK-eTM4/s1600/jews-children.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 144px; FLOAT: left; HEIGHT: 117px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5636745706593222034" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-LERidCr91-4/Tjm-WvqyfZI/AAAAAAAABEA/cDtSDK-eTM4/s320/jews-children.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Observação:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;Atualmente vivem em Israel mais de 120 mil judeus negros da Etiópia. Também existem outras comunidades de judeus negros, como os &lt;em&gt;Black Hebrews,&lt;/em&gt; que vieram dos Estados Unidos. Judeus asiáticos, principalmente chineses, têm emigrado para Israel.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7322191688736794078-2358537170164947195?l=sheilasacks.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/2358537170164947195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/2358537170164947195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sheilasacks.blogspot.com/2011/08/em-israel-nao-existe-gente-comum.html' title='Em Israel não existe gente comum'/><author><name>Sheila Sacks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16806038529181436948</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/Se47EqDHGzI/AAAAAAAAACE/PTl8wAnMnv4/S220/sheila+4.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-j7psPLPQkfQ/Tjm_p7mL8GI/AAAAAAAABEY/GZWvEJeUiaY/s72-c/jew-girl.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7322191688736794078.post-8943894843993660811</id><published>2011-07-26T14:26:00.000-07:00</published><updated>2011-08-04T16:39:03.718-07:00</updated><title type='text'>Lição de cidadania:portal do governo publica matérias desfavoráveis (ao governo)</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-vZYylZ-8Gzw/Ti9LW5PpS5I/AAAAAAAABD4/G_xO22VJvcY/s1600/Servi%25C3%25A7o%2Bp%25C3%25BAblico%2B88.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 105px; FLOAT: left; HEIGHT: 99px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5633804515559426962" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-vZYylZ-8Gzw/Ti9LW5PpS5I/AAAAAAAABD4/G_xO22VJvcY/s320/Servi%25C3%25A7o%2Bp%25C3%25BAblico%2B88.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;por Sheila Sacks&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;publicado no "Observatório da Imprensa"&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/authors/all_author/5007/news"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;http://www.observatoriodaimprensa.com.br/authors/all_author/5007/news&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notícia alvissareira: o site governamental Portal ClippingMP (do Ministério do Planejamento), implantado na era Lula, tem se mantido intacto em sua saudável originalidade nesses primeiros seis meses do governo de Dilma Rousseff. Exemplo singular de um espaço institucional livre e democrático que expõe com uma generosidade inusitada as notícias desfavoráveis e as opiniões críticas mais relevantes registradas pelos mais influentes jornais e revistas do país (muitas delas só possíveis de serem lidas mediante a compra das publicações), o portal se constitui em uma pujante lição de democracia ao alcance de todos os brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A disponibilização diária de uma qualificada listagem de textos, incluindo matérias de capa, economia, colunas, artigos e editoriais das mais variadas tendências políticas, eximida das omissões e exclusões intencionais tão a gosto de 99% dos sites oficiais de estatais, prefeituras e governos estaduais, é um balde de água fria sobre os jornalões que insistem em apregoar a suposta ojeriza do ex-presidente Lula e do Partido dos Trabalhadores (PT) pela imprensa em geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-U5ennw57geI/Ti9K3rfmIzI/AAAAAAAABDw/OeaxGgHG45I/s1600/JORNAL%2B33.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 120px; FLOAT: left; HEIGHT: 115px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5633803979292287794" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-U5ennw57geI/Ti9K3rfmIzI/AAAAAAAABDw/OeaxGgHG45I/s320/JORNAL%2B33.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;A facilidade no acesso à leitura e a praticidade na impressão das matérias são itens a destacar em face da lerdeza de muitos sites jornalísticos tomados por grandes imagens que demoram a se materializar, interferindo e atrasando a apresentação do texto que vem a reboque. Um exercício de paciência que não combina com a estreita margem de tempo que a maioria das pessoas tem, no seu dia-a-dia, para se manter atualizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Fatiar reportagens em capítulos&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A suposta falta de interesse da imprensa em divulgar as iniciativas e eventos considerados positivos pelos governos e entidades públicas municipal, estadual e federal, costuma levar seus dirigentes a elaborar mecanismos próprios de irradiação de notícias, valendo-se de múltiplos expedientes como a inserção de publicidade institucional nos veículos de comunicação, a inclusão de “notinhas” em colunas, o adiantamento de pautas exclusivas para editores e articulistas e a criação de sites que abrigam os incansáveis releases em sua função básica de detalhar as diversas atividades desenvolvidas pela administração pública e os serviços disponíveis para a população.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É voz corrente que a atenção e o interesse da imprensa passam longe dessas informações oficiais, sempre focados em repercutir denúncias de falcatruas, obras superfaturadas, nepotismo, tráfico de influências e outras mazelas recorrentes na esfera pública. Filho dileto das redações, o jornalismo investigativo, com a sua tática cruel de fatiar as reportagens em capítulos estarrecedores, é hoje uma das armas mais eficientes e letais na missão de expor, à luz dos holofotes e às vistas da sociedade distraída, as maracutaias e os crimes de lesa pátria acertados no bar da esquina, à beira da piscina ou via celular (se bem que, em muitos casos, assim como as denúncias surgem e se ampliam no correr dos dias, elas se evaporam, repentinamente, e nas semanas e meses subsequentes o tema em questão sequer volta a ser ventilado).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Jogando por terra preconceitos&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-YNcLsIaU99A/Ti9KkF7ATJI/AAAAAAAABDo/9l9p4ujURSc/s1600/brasil.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 95px; FLOAT: left; HEIGHT: 155px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5633803642789186706" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-YNcLsIaU99A/Ti9KkF7ATJI/AAAAAAAABDo/9l9p4ujURSc/s320/brasil.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;No Portal ClippinMP o cidadão brasileiro tem a oportunidade de acompanhar as reportagens investigativas que sacodem, de tempos em tempos, a letargia reinante e descobrir o que pensam e dizem os mais importantes formadores de opinião acerca do governo de Dilma e do ex-presidente Lula. Retrato da grande imprensa nacional, o site apresenta uma maior quantidade de matérias críticas e desfavoráveis às ações e às personalidades públicas que habitam a capital federal. O que espanta, tratando-se de um site oficial, é a correção e a transparência na exibição de artigos e editoriais contundentemente contrários à presidente Dilma e sua equipe de governo, algo pouco provável de ocorrer até em nações com uma larga tradição democrática. Descartados países do Cone Sul como Venezuela e Equador, onde jornais de oposição são fechados e jornalistas impedidos de trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, enquanto os brasileiros puderem dispor de um site oficial de notícias de tamanha qualidade e integridade – que joga por terra os preconceitos que ainda animam grande parte da mídia em se tratando do núcleo governamental e suas relações com a imprensa – não será demais nem exagerado ou estapafúrdio proclamar, parafraseando Lula em seus rompantes juvenis, que nunca, jamais, em tempo algum, na história do Brasil se viu coisa assim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;este artigo foi reproduzido no site da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (SECOM), em 27.07.2011, no link Sala de Imprensa-clipping&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7322191688736794078-8943894843993660811?l=sheilasacks.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/8943894843993660811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/8943894843993660811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sheilasacks.blogspot.com/2011/07/licao-de-cidadaniaportal-do-governo.html' title='Lição de cidadania:portal do governo publica matérias desfavoráveis (ao governo)'/><author><name>Sheila Sacks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16806038529181436948</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/Se47EqDHGzI/AAAAAAAAACE/PTl8wAnMnv4/S220/sheila+4.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-vZYylZ-8Gzw/Ti9LW5PpS5I/AAAAAAAABD4/G_xO22VJvcY/s72-c/Servi%25C3%25A7o%2Bp%25C3%25BAblico%2B88.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7322191688736794078.post-5883600944482906254</id><published>2011-06-28T16:38:00.000-07:00</published><updated>2011-06-28T17:49:24.596-07:00</updated><title type='text'>Primavera Árabe: As ambiguidades do governo brasileiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-R8hLADq3lC0/Tgpxs02B41I/AAAAAAAABDA/8NZ5ttcefIc/s1600/Oriente%2BM%25C3%25A9dio%2B1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 151px; FLOAT: left; HEIGHT: 119px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5623432099638928210" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-R8hLADq3lC0/Tgpxs02B41I/AAAAAAAABDA/8NZ5ttcefIc/s320/Oriente%2BM%25C3%25A9dio%2B1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;por Sheila Sacks&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#006600;"&gt;&lt;strong&gt;publicado no site "Observatório da Imprensa" &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/as-ambiguidades-do-governo-brasiliero"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/as-ambiguidades-do-governo-brasiliero&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ao se declarar contra o apedrejamento de mulheres no Irã, logo após assumir a presidência em janeiro, e se alinhar a favor do envio de um relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) àquele país para apurar denúncias de violações de direitos humanos, a presidenta Dilma Rousseff ouriçou os comentaristas políticos e editorialistas dos grandes jornais, que imediatamente enxergaram uma mudança de rumo na política externa brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ducha de água fria veio com a posição do Planalto em negar à ativista iraniana Shirin Ebadi, Prêmio Nobel da Paz em 2003, uma audiência pessoal com a presidente Dilma. Uma das principais vozes de oposição ao regime de Mahmoud Ahmadinejad, a advogada e ex-juíza, de 63 anos, que vive exilada na Inglaterra desde 2005, esteve em Brasília, no início de junho e, diante da impossibilidade de ser recebida pela presidente brasileira, se absteve de se encontrar com o assessor para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, indicado para atendê-la. Ainda em Brasília, no plenário da Câmara dos Deputados, Shirin passou por novo constrangimento ao falar sobre os maus tratos, perseguições religiosas e prisões arbitrárias no Irã para uma pífia plateia de menos de dez parlamentares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias depois, em Genebra, durante a conferência mundial da Organização Internacional do Trabalho (OIT), os ministros do Trabalho do Brasil, Carlos Lupi, e do Irã, Abdolreza Sheikholeslami, anunciaram um plano de cooperação visando à implementação no país persa de projetos de capacitação de trabalhadores e de programas similares ao Bolsa Família e Brasil sem Miséria. O objetivo seria evitar a repetição do cenário de crise social – com milhões de pessoas sem trabalho – que fermentou a derrubada dos governos da Tunísia e do Egito. A pedido do Irã, o governo brasileiro irá desenvolver iniciativas que possibilitem a criação de mais de 2 milhões de empregos no Irã e promover ações sociais que aliviem o impacto do embargo econômico e comercial que lhe é imposto pela ONU. “Nós falamos com todos os países e vamos cooperar com quem nos peça cooperação, incluindo o Irã”, justificou Lupi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;“É o cumprimento de uma lei internacional”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-oD0w4ZYh8vQ/TgpqHWK8d5I/AAAAAAAABCo/vlS_Pfrk0yo/s1600/Bahrein%2B1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; FLOAT: left; HEIGHT: 111px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5623423759168599954" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-oD0w4ZYh8vQ/TgpqHWK8d5I/AAAAAAAABCo/vlS_Pfrk0yo/s320/Bahrein%2B1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Desde a eleição de 2009 que reelegeu Ahmadinejad, o regime islâmico tem perseguido e encarcerado dissidentes, ativistas de direitos humanos, líderes religiosos, advogados e jornalistas. Atualmente 26 profissionais da imprensa permanecem presos pelo regime de Ahmadinejad. Em abril, o jornalista e professor de Ciências Políticas Ahmad Zeidabadi, detido há dois anos, foi homenageado com o Prêmio Guillermo Cano World Press Freedom, concedido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), por sua “coragem excepcional, resistência e compromisso com a liberdade de expressão, democracia, direitos humanos, tolerância e humanidade”. Editor do jornal Azad e colaborador da BBC de Londres, Zeidabadi foi condenado a seis anos de prisão, mais cinco de “exílio interno” e proibido de exercer a profissão para o resto da vida, acusado de conspirar contra o governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em relação à Líbia, a decisão da diplomacia brasileira de se juntar aos demais membros do Conselho de Segurança da ONU – formado por 15 membros, sendo cinco permanentes e dez temporários – na aprovação de uma resolução votada em fevereiro que impunha sanções à Líbia de Kadafi, também contribuiu para fomentar editoriais e artigos sobre o novo posicionamento da presidente Dilma e do Itamaraty no cenário internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos se animaram com a publicação no Diário Oficial da União do decreto determinando as sanções da ONU à Líbia (embargo à venda de armas, congelamento de bens e proibição da entrada de parentes de Kadafi). Assinado em 15 de abril por Michel Temer, presidente em exercício, o documento não se constituiria em uma iniciativa isolada do Brasil, e sim, atenderia à Resolução nº 1.970, aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, dois meses antes. “É o mínimo de cumprimento de uma lei internacional”, afirmou na ocasião ao jornal Correio Braziliense o especialista em Oriente Médio Márcio Scalércio, professor de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Segundo ele, ao publicar a medida o Brasil simplesmente acatou a determinação do Conselho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;Minas brasileiras na Líbia&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;É importante observar que na votação da Resolução nº 1.973, desse mesmo Conselho, em 17 de março, o Brasil se absteve de votar contra a Líbia, posicionando-se ao lado da China, Rússia, Índia e Alemanha. A medida impôs uma zona de exclusão aérea sobre o país, autorizando o uso da força para suspender voos sobre o território líbio. A resolução foi aprovada por maioria (10 votos) e, três dias depois, o presidente americano Barack Obama, ainda em território brasileiro, autorizou os ataques das forças aliadas contra o regime de Kadafi. A reação diplomática brasileira veio logo depois em forma de um comunicado do Itamaraty lamentando as mortes ocorridas pelos bombardeios, reiterando sua solidariedade com o povo líbio, criticando o uso da força pela coalização internacional e pedindo “um cessar-fogo efetivo”. Posição reforçada na reunião de cúpula dos Brics – grupo de países formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – ocorrida em abril na China, com a presença da presidente Dilma Rousseff. A declaração conjunta divulgada ao final do encontro condenou o uso da força na Líbia e novamente apresentou propostas de reforma do Conselho de Segurança da ONU.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma semana depois da reunião dos Brics, a missão do Conselho de Direitos Humanos (CDH) da ONU enviada à Líbia concluiu que pelo menos 10 mil pessoas morreram no país desde o início da revolta contra Kadafi. O chefe da delegação, Cherif Bassioun, afirmou que foram encontrados indícios de crimes de guerra, com ataques a civis e a missões humanitárias. Por outro lado, Jacob Zuma, presidente da África do Sul e membro do Conselho da União Africana, em visita ao ditador líbio, em Trípoli, manifestou seu repúdio aos ataques da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) ao país. Em telefonema posterior à presidente Dilma, o sul-africano pediu apoio do Brasil para uma articulação no Conselho de Segurança da ONU no sentido de encontrar uma saída política para a crise na Líbia. Na conversa, que durou cerca de 10 minutos, de acordo com o porta-voz da Presidência Rodrigo Baena, os dois presidentes se mostraram preocupados com os ataques aéreos contra a Líbia, que estariam indo além da resolução aprovada pela ONU, provocando “impactos negativos na população civil das ações das políticas ocidentais”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mesma época, a principal organização de combate ao uso das minas terrestres, a International Campaign to Ban Landmines (ICBL), prêmio Nobel da Paz de 1997, constatou a presença de minas de fabricação brasileira sendo utilizadas pelo regime de Kadafi contra os rebeldes. Em carta ao ministro Antônio Patriota, a diretora da ONG Kasia Derlicka pediu explicações sobre o fato, lembrando a condição do Brasil de signatário do Tratado de Ottawa, posto em vigor em 1999, que proibiu a fabricação, uso e venda de minas “antipessoal”. A instituição pediu ainda que o Brasil condene o uso de minas e exija a sua suspensão (segundo a assessoria do ministro, o Brasil não exporta mais esse tipo de artefato, em respeito ao tratado, mas mantém estoque do armamento, parte dele usado pelo Exército em exercícios militares).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Missão para investigar tortura e execuções&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O emprego de métodos cruéis para calar vozes discordantes é comportamento-padrão no regime Kadafi. Em 1996, o ditador foi responsável por um dos crimes mais brutais que atingiram a sociedade líbia. Trata-se do massacre na prisão de Abu Salim, onde 1.167 pessoas supostamente opositoras do governo foram assassinadas em poucas horas pelos soldados do regime. Com depoimentos e provas suficientes para condenar Kadafi em uma corte internacional por crime contra a humanidade, o ativista de direitos humanos e advogado das famílias das vítimas Fathi Terbil conta que os corpos das vítimas foram jogados em buracos e cobertos com cimento. Um dos poucos sobreviventes da chacina, o engenheiro Issa el-Bira, revelou que centenas de presos foram forçados a sair para o pátio enquanto atiradores os matavam de cima dos telhados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-rR1I9VVLr2E/TgpowtIJlHI/AAAAAAAABCY/S90mN8VLIP4/s1600/S%25C3%25ADria%2B1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 132px; FLOAT: left; HEIGHT: 109px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5623422270682272882" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-rR1I9VVLr2E/TgpowtIJlHI/AAAAAAAABCY/S90mN8VLIP4/s320/S%25C3%25ADria%2B1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Iniciada em março, a revolta popular na Síria contra o regime de Bashar Assad já contabiliza 1.200 mortes e 10 mil presos qualificados pelo governo como “sabotadores”. O presidente da Assembleia-Geral das Nações Unidas, Joseph Deiss, frente a sinais de que o Brasil não estaria disposto a apoiar uma resolução de condenação no Conselho de Segurança contra a repressão e atrocidades cometidas contra civis e as mais de mil mortes promovidas pelas forças sírias, deslocou-se até Brasília para uma reunião com a presidente Dilma e o chanceler Patriota. Na visita, ocorrida em 20 de junho, Deiss tentou sensibilizar o governo brasileiro a votar a favor da resolução que prevê, entre outros tópicos, a implantação de reformas políticas no país, a libertação de prisioneiros e o fim da violência contra os opositores. Entretanto, a posição brasileira – que coincide com as da Rússia e China – é de que possíveis ações militares tenderiam a piorar ainda mais a situação. “ASíria é um país central, quando se leva em conta a estabilidade no Oriente Médio”, afirmou Patriota em entrevista na ONU. “A última coisa que gostaríamos é contribuir para exacerbar as tensões no que pode ser considerada uma das regiões mais tensas de todo o mundo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse posicionamento do Brasil tem intrigado diplomatas dos Estados Unidos, Reino Unido e França, países membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. Um deles se mostrou decepcionado e explicou: “Tivemos até mesmo a preocupação de não colocar nenhum trecho que pudesse dar chance para uma intervenção externa na Síria. Mas parece não ter sido suficiente para convencer os brasileiros”, disse. Em abril, o Brasil votou favoravelmente no CDH pelo envio a Damasco de uma missão para investigar violações de direitos humanos no país, principalmente tortura e execuções. Dois meses depois, observadores da ONU foram impedidos de entrar na Síria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-oWUq-xEYDj8/TgpqjxPVlAI/AAAAAAAABCw/giSHEKWp2y0/s1600/Irmandade%2BMu%25C3%25A7ulmana%2B1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 140px; FLOAT: left; HEIGHT: 59px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5623424247471117314" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-oWUq-xEYDj8/TgpqjxPVlAI/AAAAAAAABCw/giSHEKWp2y0/s320/Irmandade%2BMu%25C3%25A7ulmana%2B1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Exportações para o Egito cresceram 135,7%&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, o governo de Assad pediu o apoio do Brasil para a sua pretensão de concorrer a uma vaga no CDH. Diplomatas sírios acreditavam na influência do voto brasileiro para mudar a posição de outros países. Mas, uma semana antes da votação a Síria retirou a sua candidatura. Membro da entidade desde 2008, o Brasil encerrou seu mandato em maio, quando 15 das 47 cadeiras do Conselho foram renovadas. Em março, a Assembleia-Geral da ONU já havia decidido pela suspensão da Líbia no CDH, com voto favorável do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das mais significativas áreas de comércio do Brasil no norte da África e principal destino das exportações brasileiras para aquele continente, o Egito pós-Mubarak foi alvo de uma visita do ministro Antônio Patriota em maio. Parceiro extra-regional do Mercosul, assim como Israel, o país de 80 milhões de habitantes abriga a sede da Liga dos Países Árabes e é considerado pelo Itamaraty como um interlocutor de grande influência no mundo árabe. Segundo a nota nº 179, divulgada no site do Itamaraty em 6 de maio, o Egito “tem envolvimento crescente nas negociações relativas à questão israelo-palestina, do que é demonstração a assinatura, no Cairo, no último dia 4/6, do acordo de reconciliação entre o Fatah e o Hamas, além de outros 11 grupos políticos palestinos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar das revoltas populares e da derrubada do governo de Mubarak, as exportações para o Egito cresceram 135,7% nos três primeiros meses de 2011 em relação a igual período de 2010, alcançando a média diária de 8,5 milhões de dólares. Para a Tunísia, país que inaugurou os confrontos de rua contra os regimes autoritários árabes, culminando com a queda do ditador Zine Ben Ali, as exportações brasileiras aumentaram ainda mais, cerca de 408,2%, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Na Argélia, país árabe que também enfrenta distúrbios, a compra de mercadorias do Brasil teve um crescimento de 218,81%.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Liderança geopolítica&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-NUC_vCyUvyY/TgppXjtRstI/AAAAAAAABCg/FNJphBE2F44/s1600/Egito%2B1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 180px; FLOAT: left; HEIGHT: 123px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5623422938168537810" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-NUC_vCyUvyY/TgppXjtRstI/AAAAAAAABCg/FNJphBE2F44/s320/Egito%2B1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Em setembro, quando a primavera se anunciar no Cone Sul, Dilma estará em Nova York para a abertura da Assembleia Geral da ONU. O secretário-geral, Ban Ki-Moon (reeleito para o cargo por mais quatro anos), no encontro que teve com a presidente brasileira no Palácio do Planalto, em 16 de junho, lembrou que Dilma será a primeira mulher a abrir o debate geral daquela entidade. Em nota, ao cumprimentar o sul-coreano pela votação, o Itamaraty ressaltou algumas prioridades do governo brasileiro no campo político internacional: a reforma do Conselho de Segurança da ONU, a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) e a busca de uma solução política para as crises que atingem o Norte da África e o Oriente Médio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabendo-se que líderes palestinos apoiados por países árabes já preparam um plano de mobilização para pedir o reconhecimento da ONU na sessão anual de sua Assembleia Geral de um estado palestino delimitado pelas fronteiras de 1967, e que o Brasil, compartilhando espaço com países que incitam o ódio ao Estado de Israel, já reconheceu essas fronteiras em dezembro de 2010, é pouco provável que haja qualquer alteração, por parte da presidente brasileira, das diretrizes já assumidas acerca desse e demais temas que envolvem os conflitos no mundo árabe e o terrorismo praticado por grupos político-religiosos da região. Ainda que a grande imprensa distingue o compromisso da presidente com a questão dos direitos humanos, a visão ideológica e as aspirações brasileiras por uma liderança geopolítica regional e terceiro-mundista – sinalizadas pelo partido a qual está ligada – acabam por estreitar e dogmatizar seu campo de ação. Para desalento das editorias e dos articulistas políticos que insistem em repaginar o perfil de Dilma, creditando supostos pontos de vista e opiniões que mais adiante não se confirmam.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#990000;"&gt;As fotos mostram manifestações de rua em Bahrein, Síria e Egito, no que a imprensa mundial chamou de Arab Spring - Primavera árabe, ou a luta desses povos pela democracia. Contudo, tanto na praça Tahir quanto em outras ruas e praças do mundo árabe, bandeiras de Israel foram queimadas, justamente de um país que é uma das poucas democracias da região.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7322191688736794078-5883600944482906254?l=sheilasacks.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/5883600944482906254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/5883600944482906254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sheilasacks.blogspot.com/2011/06/primavera-arabe-as-ambiguidades-do.html' title='Primavera Árabe: As ambiguidades do governo brasileiro'/><author><name>Sheila Sacks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16806038529181436948</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/Se47EqDHGzI/AAAAAAAAACE/PTl8wAnMnv4/S220/sheila+4.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-R8hLADq3lC0/Tgpxs02B41I/AAAAAAAABDA/8NZ5ttcefIc/s72-c/Oriente%2BM%25C3%25A9dio%2B1.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7322191688736794078.post-547383108179761820</id><published>2011-06-05T07:06:00.000-07:00</published><updated>2011-06-12T08:44:43.826-07:00</updated><title type='text'>Os super-heróis do Serviço Público</title><content type='html'>&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 148px; FLOAT: left; HEIGHT: 118px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5614742021434181426" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-Q0jlI951D5o/TeuSHs0LBzI/AAAAAAAABCQ/6v870IIt0jM/s320/super-her%25C3%25B3i%2B1.jpg" /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;Os desafios diários dos jornalistas que trabalham em Assessorias de Comunicação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#990000;"&gt;por Sheila Sacks&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;publicado no site Observatório da Imprensa,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000099;"&gt;&lt;a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/os-superherois-do-servico-publico--10426"&gt;http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/os-superherois-do-servico-publico--10426&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;no portal do Servidor Público.net,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000099;"&gt;&lt;a href="http://www.servidorpublico.net/noticias/2008/05/04/os-super-herois-do-servico-publico"&gt;http://www.servidorpublico.net/noticias/2008/05/04/os-super-herois-do-servico-publico&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000099;"&gt;e nos portais da Associação dos Servidores do Tribunal de Justiça(Assestjsp) e da Federação das Entidades de Servidores Públicos de São Paulo(FESPESP).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Já há alguns anos, as páginas dos jornais que estampam as reclamações de leitores sobre os mais variados assuntos têm público certo e cativo, que tende a crescer. Da mesma forma, o rádio, a TV e a internet somam espaços particularizados para as denúncias de serviços não executados ou malfeitos, promessas descumpridas, produtos danificados, deslizes no atendimento e omissão danosa de regras, prazos e acordos. Ciente e consciente de sua respeitável posição de cliente, usuário, consumidor, comprador e pagante, o cidadão brasileiro encontra na mídia – entendida como os meios de comunicação de massa – um eficiente canal para dragar e escoar, a céu aberto, as solicitações, reclamações e relatos dessas pendengas que aborrecem e tumultuam o cotidiano de qualquer ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é na área do serviço público que o cidadão brasileiro está tendo a oportunidade de recorrer, mais assiduamente, aos préstimos da mídia, sempre atenta aos problemas urbanos das cidades. Ainda que uma escola com goteiras, localizada em um bairro da periferia, não tenha o mesmo peso editorial de um cano que se rompe e inunda uma rua da Zona Sul do Rio de Janeiro, o reclamante sempre encontrará um espaço na rede midiática para expor, veicular, sensibilizar e transmutar um fato isolado e distante em um problema próximo e de interesse comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-DF9jz57oRus/TeuQ7y4_J9I/AAAAAAAABCA/t4HkIZ8CYOU/s1600/Centro.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 150px; FLOAT: left; HEIGHT: 111px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5614740717394929618" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-DF9jz57oRus/TeuQ7y4_J9I/AAAAAAAABCA/t4HkIZ8CYOU/s320/Centro.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Fogo cruzado&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É nessa hora que as assessorias de comunicação dos órgãos públicos afetados pelas ocorrências são instadas a desfazer ou deter o possível dano causado à imagem dos mesmos. O registro da imprensa, rádio e TV de crianças estudando em uma sala de aula com água escorrendo pelas paredes ou carteiras escolares molhadas tem um forte impacto emocional na população. Assim com o de uma importante via alagada e interditada ao trânsito; do desespero de moradores de baixa renda diante da demolição de seus casebres, ainda que erguidos irregularmente nas encostas; ou de idosos e crianças doentes enfileirados, durante horas, frente à entrada de postos de saúde e hospitais, aguardando atendimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-6eb8GnFCSao/TeuQZRNtz6I/AAAAAAAABB4/mlLHUPr8ylY/s1600/centro%2Bescola.jpg"&gt;&lt;/a&gt;A simples exposição do fato, que naturalmente incorpora o poder público como culpado da situação, muitas vezes estimula a mídia a se acercar do assunto, ampliando o seu foco com desdobramentos em matérias correlatas. Em sequência, as assessorias de comunicação são imediatamente bombardeadas pelos repórteres que urgem dar uma resposta, firme e precisa, aos seus leitores, telespectadores e ouvintes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-kkHPIT-ZnD8/TeuQEeDrbdI/AAAAAAAABBw/R6LkwSgIrx8/s1600/centro%2Bfavela.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 150px; FLOAT: left; HEIGHT: 102px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5614739766909824466" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-kkHPIT-ZnD8/TeuQEeDrbdI/AAAAAAAABBw/R6LkwSgIrx8/s320/centro%2Bfavela.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Às assessorias não basta se reportar e responder tecnicamente ao jornal que publicou o fato. Necessitam ir muito além da informação. Faz-se necessário, basicamente, corresponder positivamente às expectativas da comunidade escolar afetada (que se mobilizou para tornar o fato público), dos funcionários do órgão (engenheiros e técnicos que trabalham incansavelmente nessa área), da direção do órgão público atingido (profissionais capacitados nomeados para cargos de confiança), da sociedade atingida pela notícia e da própria mídia, que a cada dia torna-se mais competitiva e investigativa. Enfim, é preciso que os jornalistas que trabalham nessas assessorias se descubram portadores de habilidades muito especiais, tais quais os super-heróis das cultuadas HQs, para saírem totalmente ilesos desse fogo cruzado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Informar é desestabilizar&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O cuidado com o uso dos termos a serem inseridos nos releases é outra preocupação a rondar as assessorias. Um exemplo sobre o estrago que uma palavra pode causar a um profissional da comunicação é a polêmica que se instalou em torno do jornalista Luiz Lobo, da TV Brasil. Demitido da emissora, no início de abril de 2008, o profissional alegou que existia uma ordem do governo federal para que a palavra "dossiê" não fosse usada nos noticiários. Segundo Luiz Lobo, haveria na TV Brasil o que ele classifica de "um cuidado que vai além do jornalístico", interferindo na independência da emissora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-HII3BpKRoWw/TeuRxiL8zCI/AAAAAAAABCI/PNF7aO7F-S8/s1600/centro%2Bengarrafamento.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 127px; FLOAT: left; HEIGHT: 118px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5614741640624000034" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-HII3BpKRoWw/TeuRxiL8zCI/AAAAAAAABCI/PNF7aO7F-S8/s320/centro%2Bengarrafamento.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Na mesma época, em sua coluna diária em &lt;em&gt;O Globo&lt;/em&gt; (20/4/2008), o jornalista Merval Pereira abordou essa questão da independência na transmissão das mensagens, dando voz e espaço a Régis Debray – amigo pessoal de Fidel Castro e Che Chevara nos anos 1960 –, hoje um especialista em "midialogia" (estudo das mídias). Para o filósofo, jornalista e professor francês, de formação marxista (passou três anos preso na Bolívia), existe uma diferença entre a comunicação e a informação. Para ele, os sistemas de comunicação trabalham mais com a comunicação do que a informação, já que a comunicação vive de seduzir o leitor ou o ouvinte. Essa sedução seria traduzida por uma espécie de mimetismo, onde as mídias em suas mensagens imitariam o pensar e o falar dos que recebem as notícias e vice-versa. Daí que a mídia, como um todo, seria sempre um reflexo de uma sociedade, repercutindo "os que os escutam e os que os lêem".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em contrapartida, o ofício de informar seria bem mais difícil: "Informar alguém é sempre desestabilizá-lo, deixá-lo desconfortável, mexer com suas ideias já fixadas", explica Debray. Logo, caberia à informação o ônus de ser o diferencial, de se compor como uma mensagem dissociada a termos e expressões estigmatizantes, tendo como premissa os fatores da imparcialidade e da independência em relação ao público leitor. Essa, aliás, seria a função precípua das assessorias de comunicação da área pública: a de informar objetivamente, mantendo-se imune à tentação de repetir a lingüística utilizada pela grande mídia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Múltiplas habilidades&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;De 1950, quando os primeiros cursos de Comunicação Social foram implantados no país, aos dias atuais, com as redes de comunicação transformadas em conglomerados poderosos e atuantes em todos os setores da vida humana, aumentou bastante a percepção, entre os profissionais e aqueles que estudam e pesquisam o fenômeno das mídias, da importância de se conhecer e entender o funcionamento dessa multifacetada engrenagem de massa, capaz de criar e destruir mitos e governos, fomentar idéias e teorias e até mudar o curso da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Q9Q4j8BIruU/TeuPABUMByI/AAAAAAAABBo/tOy79lUyaYE/s1600/Servi%25C3%25A7o%2Bp%25C3%25BAblico%2B13.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 148px; FLOAT: left; HEIGHT: 97px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5614738590963336994" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-Q9Q4j8BIruU/TeuPABUMByI/AAAAAAAABBo/tOy79lUyaYE/s320/Servi%25C3%25A7o%2Bp%25C3%25BAblico%2B13.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Profissionais formados na tradição das escolas de Jornalismo mais convencionais procuram se adaptar ao aparato e a tecnologia que as novas mídias impõem. Nas assessorias, o repasse de releases via e-mail já não é novidade. Folders e cartazes são elaborados utilizando-se da computação gráfica. A solicitação de vídeos ou CDs, com animação, sobre serviços realizados pelos órgãos e empresas (projetos, obras etc.) também está virando rotina, juntamente com o acompanhamento eletrônico diário do noticiário dos jornais, revistas, rádio e TV e a permanente atenção à mídia e à análise da temperatura social de suas mensagens, embutidas em notas, colunas e reportagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atentas a essa perspectiva transformadora da comunicação, universidades como a Federal Fluminense (UFF), do Rio de Janeiro, e a de Campinas (Unicamp), em São Paulo, abriram cursos de estudos de mídia ou Midialogia, que visam à análise e discussão das diversas mídias, em seus contextos, códigos, linguagens e campos conceituais. Segundo o professor Adilson Ruiz, da Unicamp, "o midiólogo, na sua expressão mais pura, deverá ser um grande consultor de mídia para empresas de qualquer natureza, sejam elas da esfera pública ou privada". Estará preparado para opinar sobre som, fotografia, cinema, vídeo e computação gráfica, atuando na produção, realização e recepção desses produtos. Sem deixar de lado a formação no campo humanístico, estético e sociológico, base instrumental e técnica da expressão e item imprescindível para a construção de cada mídia específica (escrita ou audiovisual).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, para esse novo super-herói que já desponta no horizonte, vale indicar um proveitoso estágio em uma assessoria de comunicação social de um órgão público. Ainda o melhor lugar para um profissional exercitar suas múltiplas habilidades.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7322191688736794078-547383108179761820?l=sheilasacks.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/547383108179761820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/547383108179761820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sheilasacks.blogspot.com/2011/06/os-super-herois-do-servico-publico.html' title='Os super-heróis do Serviço Público'/><author><name>Sheila Sacks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16806038529181436948</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/Se47EqDHGzI/AAAAAAAAACE/PTl8wAnMnv4/S220/sheila+4.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Q0jlI951D5o/TeuSHs0LBzI/AAAAAAAABCQ/6v870IIt0jM/s72-c/super-her%25C3%25B3i%2B1.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7322191688736794078.post-5479952354258154284</id><published>2011-05-24T18:30:00.000-07:00</published><updated>2011-05-24T19:43:47.342-07:00</updated><title type='text'>Estado, religião e mídia</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-JqMo8Ptt7uM/Tdxco-S_DuI/AAAAAAAABA0/dl_x3yPLCx4/s1600/m%25C3%25ADdia%2B20.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 126px; FLOAT: left; HEIGHT: 109px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5610461094783946466" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-JqMo8Ptt7uM/Tdxco-S_DuI/AAAAAAAABA0/dl_x3yPLCx4/s320/m%25C3%25ADdia%2B20.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="color:#333399;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;por Sheila Sacks&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#660000;"&gt;Artigo publicado no site "Observatório da Imprensa" &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=643CID005"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=643CID005&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;e no site do CNJ (Conselho Nacional de Justiça)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://cnj.myclipp.inf.br/default.asp?smenu=ultimas&amp;amp;dtlh=171064&amp;amp;iABA=Not%EDcias&amp;amp;exp"&gt;&lt;span style="font-size:100%;color:#006600;"&gt;http://cnj.myclipp.inf.br/default.asp?smenu=ultimas&amp;amp;dtlh=171064&amp;amp;iABA=Not%EDcias&amp;amp;exp&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;color:#006600;"&gt;=&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;Trecho da matéria:&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; "&lt;/span&gt;Nos regimes democráticos todos são livres para a prática de sua religiosidade, um direito constitucional que muitas vezes se confunde com outras formas de levar adiante o exercício da liberdade e da cidadania. Muitos resvalam nesse terreno escorregadio e pouco iluminado onde nem sempre é fácil manter uma autonomia que propicie conciliar a liberdade individual com a igualdade social, distinguir conceitos de pessoa e de comunidades, separar os valores éticos pessoais dos princípios públicos aceitáveis, compatibilizar os direitos individuais com o bem da sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dadas as sutilezas que rondam o tema e a existência de uma legislação severa no que possa ser entendido como manifestação preconceituosa ou intolerância religiosa, raros são os profissionais da mídia que se animam em emitir algum tipo de opinião sobre o assunto, limitando-se ao registro das notícias e às declarações dos envolvidos. A lei nº 9.459, de 13 de maio de 1997, estipulou pena de reclusão de um a três anos, acrescida de multa, para quem “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E frente à possibilidade de ferir suscetibilidades e dessa forma correr o risco de infringir, muitas vezes de forma incauta e ingênua, a delicada fronteira que separa o admissível do não aceitável, jornalistas e empresas de comunicação, sem abdicarem da liberdade de informação, se rendem à prudência e ao cuidado no trato das palavras e da composição das frases – incluso o uso providencial das aspas - quando a notícia combina vida pública e religiosidade."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7322191688736794078-5479952354258154284?l=sheilasacks.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/5479952354258154284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/5479952354258154284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sheilasacks.blogspot.com/2011/05/estado-religiao-e-midia.html' title='Estado, religião e mídia'/><author><name>Sheila Sacks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16806038529181436948</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/Se47EqDHGzI/AAAAAAAAACE/PTl8wAnMnv4/S220/sheila+4.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-JqMo8Ptt7uM/Tdxco-S_DuI/AAAAAAAABA0/dl_x3yPLCx4/s72-c/m%25C3%25ADdia%2B20.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7322191688736794078.post-8291842344711933867</id><published>2011-05-08T08:02:00.000-07:00</published><updated>2011-05-10T11:25:33.358-07:00</updated><title type='text'>Vida pública,religiosidade e derivativos</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-zXiHkdZPw5o/TcaxJAVgkcI/AAAAAAAABAM/6IGPuU60suw/s1600/Cria%25C3%25A7%25C3%25A3o%2B2.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 150px; FLOAT: left; HEIGHT: 113px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5604361554576314818" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-zXiHkdZPw5o/TcaxJAVgkcI/AAAAAAAABAM/6IGPuU60suw/s320/Cria%25C3%25A7%25C3%25A3o%2B2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#990000;"&gt;“A guerra é contra o terror, e não contra o islamismo” (Barack Obama, ao anunciar a morte de Osama bin Laden, líder da al-Qaeda, em 01.05.2011)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#006600;"&gt;por Sheila Sacks&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Padres, pastores, rabinos e clérigos muçulmanos são os representantes naturais das incontáveis comunidades religiosas, maiores ou menores, instaladas em mais de uma centena e meia de países do globo terrestre. Pouco ou muito influentes, de acordo com a quantidade de seus seguidores, essas coletividades se inserem basicamente no contexto de regras e de leis emanadas e exercidas pelo poder do Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos regimes democráticos todos são livres para a prática de sua religiosidade, um direito constitucional que muitas vezes se confunde com outras formas de levar adiante o exercício da liberdade e da cidadania. Muitos resvalam nesse terreno escorregadio e pouco iluminado onde nem sempre é fácil manter uma autonomia que propicie conciliar a liberdade individual com a igualdade social, distinguir conceitos de pessoa e de comunidades, separar os valores éticos pessoais dos princípios públicos aceitáveis, compatibilizar os direitos individuais com o bem da sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Imparcialidade sem renunciar as convicções religiosas&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-cp6FVdx-uYs/Tcax56siM4I/AAAAAAAABAU/MTBKFdiEHu0/s1600/prece%2B2.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 133px; FLOAT: left; HEIGHT: 101px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5604362394875868034" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-cp6FVdx-uYs/Tcax56siM4I/AAAAAAAABAU/MTBKFdiEHu0/s320/prece%2B2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;O Estado laico e pluralista não impõe nenhuma religião, respeita todas e se mantém imparcial diante de cada uma delas. A afirmação é do teólogo Leonardo Boff, 73 anos, doutor honoris causa em Política pela Universidade de Turim, na Itália. Para o ex-franciscano que vive em Petrópolis, professor emérito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), essa imparcialidade não significa desconhecer o valor espiritual e ético de uma confissão religiosa. – Ao entrar no campo político e ao assumir cargos no aparelho de Estado, não se pede aos cidadãos religiosos que renunciem as suas convicções religiosas. O único que se cobra deles é que não pretendam impor a sua visão a todos os demais nem traduzir em leis gerais seus próprios pontos de vista particulares, escreve Boff no site da Fundação Lauro Campos, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). A laicidade, continua ele, obriga a todos a exercer a razão comunicativa, a superar dogmatismos em favor de uma convivência pacífica e diante dos conflitos buscar pontos de convergência comuns. Nesse sentido, conclui, a laicidade é um princípio da organização jurídica e social do Estado moderno (&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;O Estado laico e pluralista e as igrejas, em 05.11.2010).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;No caso de exposição de imagens e símbolos religiosos em repartições públicas brasileiras, fato observado principalmente nos fóruns e tribunais de Justiça, o Ministério Público Federal, seção São Paulo, ajuizou uma ação civil pública, em 2009, no sentido de retirar todos os símbolos religiosos afixados em locais de atendimento ao público nas repartições federais localizadas no estado. Na justificativa protocolada pelo procurador regional dos Direitos do Cidadão, Jefferson Aparecido Dias, é lembrado o princípio da laicidade estatal, a liberdade de crença e da isonomia, destacando que o símbolo religioso ostentado em local público demonstra uma “predisposição” para a religião que tal símbolo representa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Tradição religiosa ainda é um fator influente nos julgamentos&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Um ano depois, em agosto de 2010, essa ação foi indeferida pela juíza federal Maria Lúcia Lencastre Ursaia que decidiu, em caráter liminar, que a presença de símbolos religiosos em prédios públicos não ofende os princípios constitucionais da laicidade do estado nem da liberdade religiosa. Em seu despacho, a juíza considerou natural a presença de crucifixos em espaços públicos nacionais, dada a formação histórico-cultural cristã do povo brasileiro. Segundo ela, para os agnósticos ou pessoas de crenças diferenciadas, esses símbolos nada representam, “assemelhando-se a um quadro, escultura, adereços decorativos”. A magistrada ainda destacou, em sua exposição de motivos, um dado dos mais importantes: a de que não há, no ordenamento jurídico brasileiro, qualquer proibição para o uso de qualquer símbolo religioso em qualquer ambiente de órgão do Poder Judiciário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em março de 2011, em prosseguimento a esse processo da Procuradoria Geral dos Direito dos Cidadãos, foi a vez do cardeal arcebispo de São Paulo, Dom Odílio Scherer, testemunhar a favor da manutenção dos símbolos religiosos nas repartições públicas. Em depoimento no Tribunal Regional Federal, ele disse não acreditar que um determinado símbolo religioso possa ser ofensivo a quem não professa aquela fé, conforme alegação do autor do pedido da ação, o engenheiro Daniel Sottomaior Pereira, que se declara ateu: – O fato de a maioria da população ser católica (73%, de acordo com o censo de 2000), culturalmente justifica a presença desses símbolos cristãos, afirmou o cardeal. O religioso também considera legítimo o Estado custear a manutenção dos símbolos religiosos em suas repartições “em respeito aos anseios dos representados”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/--XeEvtlXUTk/TcaydyHEYFI/AAAAAAAABAk/79xuqnzBlyA/s1600/prece%2Bisl%25C3%25A3%2B1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 108px; FLOAT: left; HEIGHT: 89px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5604363011046531154" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/--XeEvtlXUTk/TcaydyHEYFI/AAAAAAAABAk/79xuqnzBlyA/s320/prece%2Bisl%25C3%25A3%2B1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Segundo a reportagem de Keila Cândido, publicada na revista &lt;span style="color:#990000;"&gt;Época,&lt;/span&gt; em 15.03.2011 (&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;em&gt;Dom Odilo depõe na Justiça Federal a favor dos crucifixos nas repartições públicas&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;), apesar de o cardeal defender a exposição de crucifixos em locais nobres, como plenários, ou em áreas de atendimento ao público, como salas de espera e saguões de entrada, ele reconheceu que a presença de um símbolo muçulmano em um hipotético julgamento “poderia causar preocupação em virtude da inexistência de uma tradição muçulmana no Brasil”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Pluralismo religioso no Tribunal do Rio&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;No Rio de Janeiro, o atual presidente do Tribunal Regional Eleitoral, o desembargador Luiz Zveiter, também provocou polêmica quando no exercício da presidência do Tribunal da Justiça do estado (2009/20010) mandou retirar o crucifixo que estava na sala principal do órgão e transformou a capela existente em um espaço de culto ecumênico. De ascendência judaica e Grão-mestre da Grande Loja Maçônica do Estado do Rio de Janeiro por dois mandatos (seu pai, Waldemar Zveiter é o atual Grão–Mestre pela terceira vez e foi ministro do Superior Tribunal de Justiça, de 1989 a 2001), a atitude de Zveiter agradou a maioria dos 25 desembargadores do Tribunal, muitos deles evangélicos e espíritas. A medida não atingiu os juízes dos tribunais que continuaram com autonomia para manter ou retirar as imagens referentes à sua religião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No discurso de posse, Zveiter foi incisivo quanto a sua disposição de atender a um consenso geral: “A toga do Juiz deve ter o talhe da sociedade. Deve seguir o modelo querido pelo povo, de modo a expressar, em seus procedimentos, a justiça social.” Na ocasião a Arquidiocese do Rio se manifestou desfavoravelmente à providência adotada, dizendo que as medidas deveriam ser vistas com cautela para que não contribuíssem para a intolerância religiosa (&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;em&gt;revista Consultor Jurídico, de 03.02.2009&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois anos depois, uma outra situação do gênero passou despercebida pela grande imprensa, mas foi bastante noticiada pelos sites judaicos. Indicado pela presidente Dilma Rousseff, em fevereiro de 2011, para ministro do Supremo Tribunal Federal, o carioca de ascendência judaica, Luiz Fux, instalou um símbolo religioso judaico, a mezuzá (umbral, em hebraico), na porta de seu gabinete, em Brasília. Constituindo-se em um pequeno estojo que abriga em seu interior um pergaminho que contém duas passagens bíblicas manuscritas em hebraico, o artefato é colocado no umbral direito da porta com a função de proteger as pessoas que habitam aquele local e evitar infortúnios. Usado principalmente nas portas de entrada dos lares das famílias judaicas e em alguns estabelecimentos comerciais, a colocação desse símbolo religioso em uma dependência da mais alta Corte Jurídica do país provocou controvérsia entre os leitores da “&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Rua Judaica&lt;/span&gt;”,&lt;/em&gt; newsletter de Osias Wurman, jornalista e cônsul honorário de Israel no Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-756FloQ_q-I/TcayGNUcEWI/AAAAAAAABAc/JuyOJbLI5aQ/s1600/prece%2Bisrael%2B1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 95px; FLOAT: left; HEIGHT: 135px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5604362606033506658" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-756FloQ_q-I/TcayGNUcEWI/AAAAAAAABAc/JuyOJbLI5aQ/s320/prece%2Bisrael%2B1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Com uma visão humanista do Direito e da Justiça, Fux reiterou seu posicionamento ao ser sabatinado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal. Aprovado por unanimidade pelos 23 senadores integrantes da CCJ, o novo ministro destacou que a Constituição Federal é a fonte de todas as leis, mas que “a Justiça é algo que não está só na lei”, porque “também depende da sensibilidade, da humanidade do magistrado”. Segundo Fux, “o Direito vive para o homem, e não o homem para o Direito” e que as soluções devem ser humanas. “A justiça tem que ser caridosa e a caridade tem que ser justa”, afirmou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;Bento XVI vê a religião marginalizada da vida pública&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Em 2010, em visita a Londres, o Papa demonstrou preocupação com o que classificou de “crescente marginalização da religião, especialmente do cristianismo, em alguns lugares, inclusive em nações que outorgam uma grande ênfase à tolerância”. Falando no Westminster Hall do Parlamento britânico, Bento XVI afirmou que “há alguns que desejam que a voz da religião se silencie ou pelo menos que se relegue à esfera meramente privada”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pontífice disse ainda que os cristãos que desempenham um papel público não deveriam agir contra a sua consciência, ainda que muitos sustentem que às vezes, com a intenção de suprimir a discriminação, lancem mão do uso da razão prática. O Papa lembrou que os princípios éticos nos processos democráticos não devem ser regidos apenas por meros consensos sociais, pois resultarão em estruturas frágeis. - Sem a ajuda corretiva da religião, a razão pode ser também presa de distorções, como quando é manipulada por ideologias, sublinhou. “O papel da religião consiste justamente em ajudar a purificar e iluminar a aplicação da razão à descoberta de princípios morais objetivos” (&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;agência Zenit, em 17.09.2010).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Pensadores contemporâneos defendem neutralidade religiosa&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;De acordo com os mais recentes estudos de contextos sociais, nas sociedades modernas as pessoas têm de assumir e cumprir diferentes papéis em diferentes domínios da vida (família, cidade, classe, nação ou povo) que podem entrar em conflito uns com outros. A questão que se apresenta é de como a pessoa que se sente pertencendo a uma comunidade familiar e religiosa pode permanecer sendo a mesma e única pessoa diante de visões e exigências contrárias. De que maneira é possível conciliar a “identidade do eu” - que está vinculada de maneiras diversas a várias comunidades e associações constituídas - com a pessoa “sujeito de direito” de uma comunidade política de normas jurídicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-jwhKc9W5ILM/TcayozD-P8I/AAAAAAAABAs/Kq-OGK4cdEY/s1600/Justi%25C3%25A7a%2B1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 93px; FLOAT: left; HEIGHT: 132px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5604363200280543170" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-jwhKc9W5ILM/TcayozD-P8I/AAAAAAAABAs/Kq-OGK4cdEY/s320/Justi%25C3%25A7a%2B1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;A separação entre os princípios universais e as concepções éticas privadas, com a priorização do justo e imparcial, é defendida pelo filósofo norte-americano Thomas Nagel (&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;The Possibility of Altruism/1970&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;). Professor de Filosofia e Direito na Universidade de Nova York, Nagel, de 73 anos, julga imoral forçar alguém a compartilhar um fim sobre o qual não está convencido, mesmo quando a pessoa que exerce essa imposição esteja convicta de que isso seria vantajoso para o outro. “É ilegítimo recorrer à verdade de uma concepção ética para justificar uma coerção jurídica.” Nagel defende que as pessoas tenham um padrão elevado de objetividade ao assumirem um ponto de vista “universal” e “impessoal”, e que procurem distinguir o que é “crença pessoal” e “verdade”, mesmo diante de suas próprias convicções éticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A respeito, o alemão Rainer Forst, 47, doutor em Teoria Política e professor na Universidade Goethe, em Frankfurt, ressalta que existe uma diferenciação entre a pessoa ética e a pessoa de direito. “Preceitos jurídicos e normas morais têm a pretensão de serem válidos para todos, não importando as concepções éticas que as pessoas adotem. Em contraposição, os valores éticos são válidos apenas para os indivíduos que se identificam com esses valores como parte de suas identidades e de sua história pessoal.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na obra “&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Contextos da Justiça” (1994),&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; Forst assinala que o Direito deve ser eticamente “neutro” em seu modo de validação, a fim de que ele mesmo não prescreva determinados “valores” como bens superiores que não podem ser justificados de modo recíproco e universal. Ele chama a atenção ainda para o fato de que uma comunidade política somente pode ser integrativa num sentido abrangente quando ela não absolutiza política e juridicamente uma determinada tradição ético-cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A neutralidade ética do Direito também é defendida pelo norte-americano Bruce Akerman, 67, conceituado professor de Direito Constitucional e Ciências Políticas da Universidade de Yale (Connecticut-EUA). No livro “&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;em&gt;Social Justice in the Liberal State” (1980&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;), ele assinala: “Nenhuma razão é uma boa razão quando exige que o dono do poder afirme que sua concepção do bem é melhor ou superior do que qualquer outra afirmada por seus concidadãos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;Em tempo&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;: A presidente brasileira Dilma Rousseff – que estudou em escola de freira e assume que é católica -, em sua primeira semana no Palácio do Planalto também foi motivo de polêmica ao retirar de seu gabinete o crucifixo e a bíblia. No dia seguinte à notícia, a Secretaria de Comunicação da Presidência informou que o crucifixo pertencia ao ex-presidente Lula, que havia recebido de um artista português, logo no início de seu mandato. Em relação à bíblia, a nota à imprensa afirmava que o livro permanecia em uma sala contígua ao gabinete, sobre uma mesa, onde a presidente encontrou ao chegar ao palácio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7322191688736794078-8291842344711933867?l=sheilasacks.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/8291842344711933867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/8291842344711933867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sheilasacks.blogspot.com/2011/05/vida-publicareligiosidade-e-derivativos.html' title='Vida pública,religiosidade e derivativos'/><author><name>Sheila Sacks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16806038529181436948</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/Se47EqDHGzI/AAAAAAAAACE/PTl8wAnMnv4/S220/sheila+4.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-zXiHkdZPw5o/TcaxJAVgkcI/AAAAAAAABAM/6IGPuU60suw/s72-c/Cria%25C3%25A7%25C3%25A3o%2B2.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7322191688736794078.post-1310744328527972951</id><published>2011-04-05T17:52:00.000-07:00</published><updated>2011-04-18T11:53:23.467-07:00</updated><title type='text'>Houve um tempo...no Egito                               (A vida de Henri Curiel)</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/--L4BcymDXyg/TZu78VXCHEI/AAAAAAAAA_M/gf_aZbuRpSo/s1600/Henri%2BCuriel%2B-%2Bcasa%2Bno%2BEgito%2B1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 166px; FLOAT: left; HEIGHT: 116px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5592270007510899778" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/--L4BcymDXyg/TZu78VXCHEI/AAAAAAAAA_M/gf_aZbuRpSo/s320/Henri%2BCuriel%2B-%2Bcasa%2Bno%2BEgito%2B1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#990000;"&gt;por Sheila Sacks&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A menos de dois quilômetros da Praça Thair (libertação, em árabe), principal palco dos protestos que resultaram na queda do presidente Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro, a ilha verde de Zamalek, com vista sobre os dois afluentes do Nilo, ainda é uma das regiões mais elegantes e aprazíveis do Cairo. Em suas ruas arborizadas se alinham confortáveis residências de classes a&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-MLUNCM7jPCc/TZu9evDBIqI/AAAAAAAAA_k/uKnEcW2wcTQ/s1600/Henri%2BCuriel.jpg"&gt;&lt;/a&gt;bastadas, modernos hotéis cinco estrelas, suntuosas embaixadas e movimentados cafés, livrarias, teatros e museus. Esse oásis turístico que passou ao largo dos conflitos que sacudiram o Egito nos primeiros meses de 2011, guarda histórias centenárias por trás das imponentes fachadas das poucas mansões remanescentes das primeiras décadas do século 20. Época em que a nobreza egípcia e a oficialidade britânica frequentavam os salões restritos do Turf Club, jogavam tênis e golf no elitista Sporting Club, e eventualmente eram encontradas em esticadas noturnas no Casino Badia. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Hoje cercado por grades de ferro, o majestoso palacete de 17 quartos construído pelo banqueiro judeu Daniel Nessim Curiel, em meados de 1930, abriga a embaixada da República da Argélia no endereço Brazil Street nº 14. Entretanto, há mais de 70 anos, quando a Villa Curiel foi projetada na então Hassam Sabry`s Street, suas espaçosas dependências eram ocupadas pela jovem Zefira, esposa de Daniel – que ficou cego aos três anos- e seus dois filhos, Raoul e Henri. Havia um salão de música, outro salão para a coleção de moedas raras do dono da casa e um segundo pavimento de onde se podia contemplar o esplendor do Nilo. A residência servida por uma dezena de empregados estava sempre repleta de convidados, mas raramente oriundos da comunidade judaica. E em 1937 viviam 63.500 judeus no Cairo e Alexandria. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Miséria “sem limites” dos egípcios ainda impressiona&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A família Curiel havia sido expulsa da Espanha pela Inquisição e alcançado o Egito no final do século 19, via Portugal e depois Itália. O caçula Henri, nascido em 1914, apesar de pertencer a segunda geração dos Curiel no Egito, tinha a nacionalidade italiana e foi educado em um colégio jesuíta francês. Ele cresceu em um Egito ocupado pelos britânicos e tiranizado por uma monarquia feudal, e ainda jovem voltou-se para o marxismo. Porém, coube a ele suceder o pai na direção do banco, enquanto o irmão Raoul seguia para estudar em uma universidade na França. Por sua vez, a mãe de Henri era dona de uma livraria que divulgava autores socialistas, ponto de reunião da intelectualidade egípcia antifascista. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No livro “Um homme à part” (1984), o jornalista e escritor Gilles Perrault, 80, conta que Henri conheceu a tragédia dos camponeses egípcios ao visitar as propriedades de sua família, no delta do Nilo. “Foi na companhia de Rosette Aladjem, que mais tarde se tornaria a sua esposa, que Henri Curiel descobriu a miséria sem limites do povo egípcio. O trabalho de um homem valia menos do que o serviço de uma mula. Crianças de 7 a 13 anos trabalhavam nas fábricas de algodão, em meio à poeira sufocante, sob o jugo de feitores. A esperança de vida girava em torno dos 27 anos e doenças como a tracoma e a malária devastavam a população.” &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Situação de extrema pobreza que lamentavelmente ainda persiste no século 21, conforme descrição do jornalista Samy Adghirni, em reportagem para a &lt;em&gt;Folha de São Paulo&lt;/em&gt; (01.02.2011). Destacando que parte dos egípcios mais pobres se manteve alheia aos recentes protestos “preocupada só em sobreviver”, o enviado do jornal ao Cairo visitou uma favela assentada em meio a um cemitério, com milhares de pessoas se amontoando em barracos erguidos nos vãos dos túmulos. Sem dinheiro para pagar aluguel, famílias inteiras foram transformando, ao longo do século 20, o cemitério de Majauirun em um labirinto de ruelas onde cada quarteirão é composto por túmulos coletivos. Uma tragédia social que pune um país em que 40% da população ganha menos que 2 dólares ao dia. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-sLG4qW6uDD0/TZu8olY9weI/AAAAAAAAA_U/yMNZTMbLZSc/s1600/Henri%2BCuriel%2BCairo%2B1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 162px; FLOAT: left; HEIGHT: 153px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5592270767728214498" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-sLG4qW6uDD0/TZu8olY9weI/AAAAAAAAA_U/yMNZTMbLZSc/s320/Henri%2BCuriel%2BCairo%2B1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;A luta por um Egito independente&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em 1943, vivendo sob a monarquia do rei Farouk, Henri Curiel funda o Movimento Egípcio de Libertação Nacional – depois Movimento Democrático de Libertação Nacional (Hadetu) – que vem a se tornar a maior organização comunista do Egito. Os acontecimentos no país durante a 2ª Grande Guerra, com parte da sociedade egípcia se aproximando dos nazistas em reação ao domínio britânico, mostram a Curiel que o anseio por uma pátria independente muitas vezes conduzem as pessoas por caminhos tortuosos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Decide permanecer no Cairo, apesar de uma grande fatia da comunidade judaica lotar os trens rumo a Jerusalém, atemorizada com a possível invasão dos áfricakorps do general Rommel (a força expedicionária nazista que combatia no Norte da África). Ele adquire a nacionalidade egípcia e começa a aprender o árabe. Mas a derrota egípcia na primeira guerra árabe-israelense, em 1948, muda o seu destino. Centenas de comunistas são presos e Curiel vai para a prisão de Huckstep, onde cumpre pena por 18 meses. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Para o seu companheiro de partido, Raymond Stambouli (1923-2004), a guerra de independência de Israel forçou os comunistas judeus egípcios a se confrontar com a sua identidade e a arcar com as conseqüências políticas desse fato. “A guerra na Palestina pôs fim ao sonho. Nós nos considerávamos egípcios, ainda que muitos nos vissem como estrangeiros. Porém, agora, não éramos estrangeiros, mas judeus, o inimigo, uma potencial quinta coluna. Nenhum de nós havia previsto isso.” &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em 26 de agosto de 1950, Curiel perde a cidadania egípcia e é colocado à força em um navio rumo à Europa. Expulso do país, ele se transforma em um exilado político para o resto da vida. “Ele foi o pai do comunismo egípcio”, escreveu Mohamed Sid-Ahmed, em 1998, no diário de maior circulação do país – &lt;em&gt;Al-Ahram&lt;/em&gt;. Escritor, jornalista e por muitos anos editor de política do jornal, Sid-Ahmed (falecido em 2006) lembrou que apesar de Curiel ter sido expulso do Egito, “ele sempre esteve envolvido com os problemas egípcios, sua política interna e o conflito árabe-israelense.” &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;Ao lado dos argelinos, na Guerra da Independência&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Deportado para a Itália com outros militantes expulsos do país, Curiel acaba por se instalar em Paris e reúne em uma associação – o Grupo de Roma - os judeus egípcios comunistas exilados. Tempos depois, se torna um dos homens-chave da Frente Nacional de Libertação da Argélia (FLN), movimento fundado em 1954, no Cairo, por Ahmed Ben Bella, líder da revolução e primeiro presidente da República da Argélia. No Egito, o coronel Gamal Abdel Nasser (1918-1970), que havia deposto Farouk em 1952, fecha as portas a Curiel, não obstante manifestar apoio ao FLN. Impedido de retornar ao Egito, Curiel doa a mansão de Zamalek para sede provisória do governo argelino no Cairo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Entre 1954 e 1962, no decurso da guerra de independência argelina contra a França, cabe a ele disponibilizar recursos, documentos, cobertura e treinamento aos oficiais e estudantes anticolonialistas, apoiado por um esquema subterrâneo onde se misturam grandes somas não identificadas provenientes da Suíça, a rede árabe do Kremlin, os partidos comunistas europeus, intelectuais socialistas e sacerdotes cristãos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em 1960, após interrogatório sobre as suas atividades na FLN, é preso pelo serviço de segurança interno francês (DST) e permanece dois anos encarcerado na prisão de Fresnes, na periferia de Paris. Com o fim da guerra da Argélia é solto e funda a organização Solidarité, de apoio aos movimentos de libertação nacional em países antidemocráticos do Terceiro Mundo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O militante político de esquerda e jornalista israelense Uri Avnery, de 87 anos, fundador do movimento Gush Shalom (Bloco da Paz) e que na Guerra da Independência de Israel, em 1948, foi membro da organização paramilitar Irgun, conheceu Curiel em Paris, no final da década de 1950, quando a guerra na Argélia estava no auge. Curiel sonhava em estabelecer uma conexão argelina-israelense que Avnery considerou totalmente utópica, já que os judeus argelinos portavam identidade francesa e se identificavam completamente com o regime colonialista francês. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No artigo “The silent idealist”, publicado na revista &lt;em&gt;Le Monde Diplomatique&lt;/em&gt; (1998), Avnery observa que Curiel era um idealista que jamais se deixou render. “Ele era determinado, jamais levantou a voz e nunca se desesperou. Apesar das inúmeras decepções, ele não desistia. Não se deixava levar pelas emoções e nem permitia que problemas pessoais interferissem em suas decisões. Para mim, Curiel foi um modelo de político idealista. Através de seu exemplo pessoal, ele me ensinou determinação, paciência e perseverança.” &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um dos companheiros de Curiel no “grupo de Roma”, Joseph Hazan, lembra que o fato de ambos terem nascido em um país com um sistema de produção extremamente cínico, em que a exploração do homem pelo homem atingira uma situação degradante, provocou em Curiel uma reação instintiva que permeou sua forma de ser e sua consciência para sempre. “Ele nunca se esqueceu que foi a miséria do povo egípcio que o levou à política.” &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Hazan que militava no partido de Curiel tinha nacionalidade francesa e acolheu o amigo quando este procurou abrigo em Paris. Infelizmente, a onda de nacionalismo que se implantou na Argélia, após a saída dos franceses, atingiu em cheio a comunidade judaica, com a edição de decretos discriminatórios, confiscos e perseguições. Mais de 130 mil judeus nascidos na Argélia e portadores de cidadania francesa imigraram para a França e Israel, reduzindo a pó a tradicional comunidade sefardita (judeus originários de Portugal e Espanha) que veio a se formar, a partir do século XIV, em Argel. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-5kYMw3-evXY/TZu9zYBslsI/AAAAAAAAA_s/e1CZKA41dIA/s1600/Henri%2BCuriel%2B1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 208px; FLOAT: left; HEIGHT: 122px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5592272052631148226" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-5kYMw3-evXY/TZu9zYBslsI/AAAAAAAAA_s/e1CZKA41dIA/s320/Henri%2BCuriel%2B1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;Pedindo dinheiro e armas para derrubar o regime de Nasser&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;De acordo com André Marty (1886-1956), político francês que foi secretário do Partido Comunista na França e chefe das Brigadas Internacionais na Guerra Civil Espanhola (1936-39), Curiel fez o possível para derrubar Nasser na década de 1950. “Em repetidos encontros com líderes de partidos comunistas europeus, Curiel insistia em solicitar armas e dinheiro para destituir Nasser”, relatou. A crise do Canal de Suez (1956-1957) que envolveu o Egito, Inglaterra, França e Israel havia resultado em mais um traumático êxodo para os judeus egípcios. Vinte e cinco mil foram expulsos, centenas tiveram a prisão decretada e bens e propriedades foram confiscados. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No livro “The Jews of Egypt, 1920-1970”, o professor Michael M.Laskier, do Departamento de História do Oriente Médio da Universidade Bar-Ilan, de Tel Aviv, descreve a dolorosa situação: “A expulsão e fuga tiveram início em larga escala com centenas de pessoas aglomerando-se nos escritórios do rabinato, consulados e embaixadas, procurando conselho, assistência e meios de escapar. O porto de Alexandria e o aeroporto do Cairo ficaram abarrotados de refugiados deixando o país. As dificuldades nos pontos de embarque, com os funcionários do governo confiscando arbitrariamente qualquer coisa que julgassem valiosas, fizeram com que muitas pessoas, diante da confusão, partissem com apenas algumas roupas nas bagagens.” Para o American Jewish Congress (AJC), a atitude de Nasser, em certo sentido, é comparável a de Hitler, pois o intento do coronel egípcio foi destruir a antiga comunidade judaica existente no país, privando-a de seus direitos e de meios de subsistência. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Uma central de ajuda a refugiados e revolucionários&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em 1962, aos 48 anos e após sair da prisão de Frasnes, Curiel amplia suas atividades até então centradas no Egito e na independência da Argélia. Através da organização &lt;em&gt;Solidarité&lt;/em&gt; ele promove ajuda financeira e estratégica aos movimentos anticolonialistas de países da África e aos grupos que lutavam contra a Grécia dos coronéis e as ditaduras na Espanha (do general Francisco Franco), Portugal (Oliveira Salazar) e Chile (Augusto Pinochet). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A rede baseada em Paris contava com militantes de origens e filiações diversas, clérigos protestantes, padres católicos, sindicalistas, intelectuais, professores, socialistas e membros do partido comunista. Os seus filiados davam abrigo e proteção aos revolucionários de outras partes do mundo que, em fuga, chegavam a Paris. A organização também funcionava como uma central de prestação de serviços voltada para os ensinamentos das múltiplas técnicas de sobrevivência e clandestinidade, os quais os militantes, expostos à repressão violenta e sofisticada de estados opressores como a África do Sul do aparthaid, necessitavam dominar para permanecerem vivos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/--gEqMGmwZBk/TZu9B0IIJcI/AAAAAAAAA_c/qkm2THUyqpA/s1600/Henri%2BCuriel%2BZamalek.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 178px; FLOAT: left; HEIGHT: 120px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5592271201180853698" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/--gEqMGmwZBk/TZu9B0IIJcI/AAAAAAAAA_c/qkm2THUyqpA/s320/Henri%2BCuriel%2BZamalek.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Outro foco de atenção no curso político de Henri Curiel estava direcionado para o conflito árabe-israelense. Ele manteve contato com figuras proeminentes do Partido Trabalhista de Israel e com os membros do “Israeli Council for Israeli-Palestinian Peace” (ICIPP), em busca de um caminho de entendimento que chegasse à Organização para a Libertação da Palestina (OLP). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Perrault afirma que Curiel estava convencido de que era possível promover um diálogo entre as duas partes. “Em 1976, ele organiza com seus amigos judeus de origem egípcia, exilados na França, um encontro clandestino entre o general da reserva israelense e pacifista Matti Peled (1923-1995), e Issam Sartawi (assassinado em Portugal, quando participava do encontro da Internacional Socialista, em 1983), antigo terrorista convertido ao processo de paz e amigo de Yasser Arafat.” Entretanto, na mesma época, uma reportagem no semanário &lt;em&gt;Le Point&lt;/em&gt; acusa Curiel de ser o cabeça de uma rede terrorista conectada com a KGB (serviço secreto da antiga União Soviética). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A matéria assinada por Georges Suffert equivale a uma condenação capital. “Curiel abominava o terrorismo, considerava uma falta de bom senso político e uma monstruosidade humana. A acusação foi frívola, mas mortal”, revela Perrault. “Uma campanha na imprensa o fulminou e medidas administrativas baixadas pelo governo francês incluíram prisão domiciliar na cidade de Digne, nos Alpes franceses. Três meses depois, quando as acusações se mostraram infundadas, as restrições foram suspensas, mas o caminho estava aberto para os inimigos de Curiel.” (Henri Curiel, citizen of the third world, de Gilles Perrault - 1998) &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;Assassinato não esclarecido na Rive Gauche &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Curiel foi assassinado com três tiros por dois pistoleiros de mãos enluvadas no elevador de seu apartamento, na Rive Gauche de Paris, em 4 de maio de 1978. No dia seguinte, a organização Delta, uma rede da extrema direita francesa composta de nostálgicos da Argélia francesa, reivindicou a autoria do crime. Mas a “Delta”, esquadrão de extermínio dos extremistas de direita francesa durante a guerra da Argélia estava extinta há mais de 15 anos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Contudo até hoje, passados mais de 30 anos de sua morte, as autoridades francesas não conseguiram elucidar o caso. Existem suspeitas que levam a radicais argelinos, donos de terra que perderam suas propriedades na Argélia; ao serviço secreto da África do Sul, que considerava Curiel um perigoso inimigo; ou mesmo ao terrorista palestino da al Fatah e assassino profissional Abu Nidal, mercenário a soldo da Síria e da Líbia e responsável por centenas de atentados a alvos israelenses e árabes (morto no Iraque em 2002). Quatro meses antes da execução de Curiel, o representante em Londres da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Sa’id Hammami, que participava com Curiel das iniciativas em prol de uma coexistência pacífica entre árabes e judeus, também fora assassinado. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O mistério da morte de Curiel foi tema de um documentário apresentado na TV francesa, em setembro de 2008. “Henri Curiel; un crime politique” explora a pista que imputa às autoridades francesas a responsabilidade direta pelo assassinato de Curiel. Isso porque seus passos eram monitorados pelos serviços secretos da França e nem a polícia ou a justiça francesa levaram adiante a investigação. Ninguém foi interrogado ou detido. É o que reclama Alain Gresh, diretor adjunto de &lt;em&gt;Le Monde Diplomatique&lt;/em&gt; (revista mensal publicada em 25 idiomas, inclusive português, com tiragem de 2,4 milhões de exemplares), no artigo “Henri Curiel:la piste française”. Especialista em assuntos ligados ao Oriente Médio e filho natural de Curiel, Gresh nasceu no Egito, em 1948, de mãe judia de origem russa. Educado por um egípcio copta (cristão), só soube da existência de seu verdadeiro pai aos 28 anos, quando já vivia em Paris. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Apesar do assassinato de Curiel já somar mais de três décadas, sua figura carismática e seu trabalho solidário a favor da emancipação dos povos continuam a despertar interesse e admiração. Livros, filmes e artigos sobre o curso de suas atividades ainda confundem estudiosos e leitores pela diversidade de opiniões e pontos de vista. “A estranha carreira de Henri Curiel” , assim definida por Claire Sterling (1919-1995), em seu livro a “A rede do terror” (1981), também mereceu um longo e polêmico capítulo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Segundo a jornalista norte-americana que foi correspondente na Europa das revistas &lt;em&gt;Life&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;The New York Times Magazine&lt;/em&gt;, nos 27 anos em que viveu na França, Henri Curiel constou nos arquivos do serviço secreto francês como o agente estrangeiro S531916, ligado à KGB. Todos os principais serviços ocidentais de contra-espionagem tinham um dossiê a seu respeito, assegurava Sterling, e a confirmação veio em março de 1979 quando a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) registrou em seu relatório anual, de distribuição interna, na página 3, o seguinte obituário: “Revolucionários do mundo inteiro, inclusive terroristas, lamentam o assassinato de Henri Curiel, líder de uma organização de apoio sediada em Paris que fornecia dinheiro, armas, documentos, treinamento e outros serviços a dezenas de grupos esquerdistas.” &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7322191688736794078-1310744328527972951?l=sheilasacks.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/1310744328527972951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/1310744328527972951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sheilasacks.blogspot.com/2011/04/houve-um-tempono-egito.html' title='Houve um tempo...no Egito                               (A vida de Henri Curiel)'/><author><name>Sheila Sacks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16806038529181436948</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/Se47EqDHGzI/AAAAAAAAACE/PTl8wAnMnv4/S220/sheila+4.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/--L4BcymDXyg/TZu78VXCHEI/AAAAAAAAA_M/gf_aZbuRpSo/s72-c/Henri%2BCuriel%2B-%2Bcasa%2Bno%2BEgito%2B1.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7322191688736794078.post-3111900508959519021</id><published>2011-03-08T10:58:00.000-08:00</published><updated>2011-04-05T20:15:45.223-07:00</updated><title type='text'>Xerifes urbanos contra os senhores do crime</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-IZR0AHxL2qY/TXZ-PBIV1EI/AAAAAAAAA98/e2xsrX9u1PQ/s1600/Xerife%2B30.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 155px; FLOAT: left; HEIGHT: 175px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5581787584638866498" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-IZR0AHxL2qY/TXZ-PBIV1EI/AAAAAAAAA98/e2xsrX9u1PQ/s320/Xerife%2B30.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:85%;color:#006600;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por Sheila Sacks &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Publicado no portal "Observatório da Imprensa" &lt;/span&gt;&lt;a href="http://observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=632JDB003"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=632JDB003&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;e no Portal da Federação Nacional dos Policiais Federais - FENAPEF&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://fenapef.org.br/fenapef/noticia/index/32411"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;http://fenapef.org.br/fenapef/noticia/index/32411&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;De tempos em tempos chegam à superfície ecos de supostas lambanças ocorridas nos subterrâneos da área da segurança pública em sua permanente batalha contra o crime organizado. Transitando por uma complexa rede de conexões que se interligam em voltagens diversas, se isso é possível, agentes públicos responsáveis por manter a ordem e a lei muitas vezes são levados a percorrer um intrincado e ambíguo sistema de alta tensão povoado de peças à margem da esfera oficial, mas nem por isso menos capazes de provocar curto-circuitos e panes avassaladoras à estrutura e hierarquia organizacionais estabelecidas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;As inevitáveis notícias que dali surgem, em um primeiro momento, e que a mídia transfere ao público, tendem a ganhar novas conotações e desdobramentos com o passar dos dias, muito deles contraditórios em relação aos primeiros publicados, em razão da entrada de outros dados vindos de fontes diferentes. Entretanto, o imediatismo e a dinâmica que regem o jornalismo diário muitas vezes interferem e precipitam decisões no âmbito administrativo do Estado, preocupado em dar por encerrado o episódio. Mas aí o estrago está feito e, com verdades reveladas ou não, sobram chamuscados a instituição e os personagens envolvidos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Muito antes do fenômeno Tropa de Elite, filme brasileiro de 2007 construído a partir do livro Elite da Tropa (escrito por ex-policiais e um ex-secretário de Segurança), que enfoca as contradições morais e éticas que permeiam as ações de um batalhão de operações especiais no Rio de Janeiro, um seriado de TV de temática semelhante alcançava picos de audiência e arrebatava os mais importantes prêmios da televisão norte-americana. Isso, nos idos de 2002, quando o canal a cabo FX, da Fox Entertainment Group, lançou sua primeira série original, The Shield (O distintivo, em tradução livre), um trabalho audacioso assinado pelo jovem roteirista Shawn Ryan (no Brasil, o seriado foi apresentado no canal pago AXN). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Pressão da mídia e interesses políticos &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;À época com 36 anos, Ryan se inspirou em uma divisão do Departamento de Polícia da cidade de Los Angeles para mostrar, de forma intensa e incisiva, o dia-a-dia de cão de uma delegacia policial e de um eficiente e seleto grupo de profissionais que se utiliza de métodos violentos e pouco convencionais no combate ao crime e ao tráfico de drogas. Por sete anos e ao longo de 88 episódios, os telespectadores puderam acompanhar o périplo tenso e angustiante de policiais em mortificantes conflitos com os princípios morais e os valores éticos representados por suas insígnias e a realidade cruel e impiedosa que embrutece seus atos, congela seus sentimentos e conspurca de fel suas vidas nos âmbitos profissionais e familiares. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O fictício distrito de Farmington constituiu-se no perfeito microcosmo de centenas de centros urbanos existentes no planeta onde traficantes, viciados, aliciadores, informantes, denunciantes, desempregados, prostitutas e degenerados convivem em bolsões de pobreza ao lado de crianças e jovens provenientes de famílias desestruturadas pelo consumo de drogas e pelo subemprego que avilta e corrompe. Em outro patamar, atuando sobre esses conglomerados humanos, profissionais pagos pelo Estado para gerenciar a aplicação das leis e assegurar a ordem social se veem às voltas com situações em que o bom senso e o padrão regular de ações se revelam insuficientes ou inócuos. Fustigados por interferências de fatores díspares, que vão desde a pressão da mídia até ao assédio de interesses políticos e econômicos, os chamados homens da lei travam uma dura e dúbia batalha interior e que, no cômputo final, se revela, na maioria das vezes, desesperada e solitária. &lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-cdPQjGJF7bY/TXZ-8-xLEgI/AAAAAAAAA-M/m41f91gX42E/s1600/Xerife%2B20.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 111px; FLOAT: left; HEIGHT: 129px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5581788374278803970" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-cdPQjGJF7bY/TXZ-8-xLEgI/AAAAAAAAA-M/m41f91gX42E/s320/Xerife%2B20.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;A influência das redes ilícitas &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No livro Ilícito (2005), o analista político Moisés Naim, 59, editor-chefe por mais de 10 anos da conceituada revista Foreign Policy, identifica as transformações tecnológicas e a abertura de mercados ocorridas nos anos 90 como fatos marcantes que propiciaram o advento de um tipo de crime mais evasivo e poderoso, que entrelaça "intimamente" redes ilícitas a atividades lícitas do setor privado, da área pública e do sistema político. "Eventos políticos como a queda do muro de Berlim, a derrocada da União Soviética, a multiplicação de nações que se democratizaram, a política liberal e o livre mercado, tudo isso associado à introdução de novas tecnologias, favoreceram não só a expansão do crime global como, graças à sua capacidade de acumular lucros colossais, torná-lo também uma poderosa força política." &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nascido em Caracas, Naím foi ministro da Indústria e de Comércio da Venezuela, diretor do Banco Central e diretor-executivo do Banco Mundial na década de 1990, antes de fixar residência nos Estados Unidos. Doutor em Ciências Econômicas pelo Massachusetts Institute of Technology, ele é autor de 10 livros sobre economia e política internacional e atualmente mantém uma coluna semanal no jornal espanhol El País, reproduzida em diversas mídias da América Latina, inclusive no site Observatório da Imprensa. Best-seller traduzido para 18 idiomas, o livro, que apresenta um longo subtítulo – "O ataque da pirataria, da lavagem de dinheiro e do tráfico à economia global" – serviu de base para o documentário Illicit: The Dark Trade, produzido pelo canal National Geographic e premiado com o Emmy Award de 2009. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Entre outras constatações, Naím observa que os criminosos globais mudaram o mundo, ainda que os governos custassem a perceber o teor dessas transformações. Ele alerta para o fenômeno: "À medida que as redes ilícitas se expandem em direção a empresas privadas lícitas, partidos políticos, parlamentares, governos locais, grupos de comunicação, tribunais, exército e setores beneficentes, elas assumem uma influência poderosa – e, em certos países, sem igual – nas questões de Estado." &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;Uma máquina gigantesca &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tudo começou no início dos anos 1990, quando o comércio ilícito global criou os mesmos mecanismos que as organizações terroristas internacionais – como a Al-Qaida e a Jihad Islâmica – já utilizavam. As hierarquias fixas foram substituídas por redes descentralizadas; líderes autoritários, por agentes e células múltiplas relacionados e dispersos; linhas rígidas de controle, por transações em constante transformação, de acordo com as oportunidades. Segundo Naím, em países em desenvolvimento e naqueles que fizeram a transição do comunismo, as redes criminosas frequentemente constituem o capital investido mais poderoso que confronta o governo. E, em alguns países, os traficantes e seus sócios controlam os partidos políticos, dominam importantes meios de comunicação, são os maiores filantropos por trás das organizações não-governamentais (ONGs) e tornam-se "o grande empresariado" nacional. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Há ainda a internet. Para o crime organizado, um presente do céu. Naím ressalta que essa tecnologia é de um valor "imenso" para os traficantes e o comércio ilegal. "Aqueles que se envolvem em transações ilícitas, comunicam-se uns com os outros fazendo uso da privacidade e do anonimato de contas de e-mail, alteradas com frequência e acessadas de cibercafés e outros lugares impenetráveis. A internet permite que os traficantes se comuniquem reservada e eficientemente a fim de operar quantas transações sejam possíveis, tanto no espaço virtual quanto no real, e cria novas formas de movimentar e ocultar bens." &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Maior mercado mundial de cocaína, correspondendo a quase 40% do total de consumidores da droga, os Estados Unidos há duas décadas vêm combatendo esse tipo de ilícito dentro e fora de suas fronteiras. Naím cita Washington como o centro da guerra contra as drogas, com milhares de funcionários federais contratados exclusivamente para combater o tráfico e impor a lei. São agentes da DEA (Drug Enforcement Administration, agência antidrogas dos Estados Unidos), funcionários da secretaria antidrogas da Casa Branca, especialistas em drogas do ICE (Immigration and Customs Enforcement – Departamento de Imigração e Alfândega), policiais federais, serviço secreto, FBI e a Guarda Costeira, para citar alguns. Uma máquina gigantesca que consome 20 bilhões de dólares anuais apenas em nível federal, na luta contra o uso e o comércio das drogas. No entanto, ressalta o analista, a poucos minutos desses escritórios estão os 60 pontos de venda de drogas que Washington abriga a céu aberto e que atendem os moradores de classe média, além de revendedores e intermediários que levam o produto para bairros ainda mais abastados. &lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-FK51EIsuHmY/TXZ-tEl5jVI/AAAAAAAAA-E/JQKV2BV4i8o/s1600/Xerife%2B70.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 111px; FLOAT: left; HEIGHT: 98px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5581788100964224338" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-FK51EIsuHmY/TXZ-tEl5jVI/AAAAAAAAA-E/JQKV2BV4i8o/s320/Xerife%2B70.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;O lucro ilícito gerando atividades legais &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em abril de 2009, poucos meses após a sua eleição, Barack Obama visitou o México para conversar com o presidente Felipe Calderón sobre a intensificação no combate ao comércio das drogas e à venda ilegal de armas vindas dos EUA que abastecem os cartéis mexicanos. Dois anos depois, amargando mais de 34 mil mortes na guerra contra o narcotráfico, sendo 15 mil somente em 2010, Calderón criticou as agências do governo norte-americano, como CIA e DEA, por sua suposta incapacidade de colaborar na guerra contra o narcotráfico. "A realidade é que eles não se coordenam. São rivais", disse Calderón (agência Reuters, em 03/03/2011). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Cerca de 30 mil agentes são disponibilizados pelo governo dos EUA para patrulhar os 3.169 quilômetros que separam os dois países. Mas tal aparato não inibe os fora da lei. A respeito, o sociólogo e político suíço Jean Ziegler reproduz, em seu livro Les Seigneurs du Crime (1999), o comentário de um procurador de Justiça de Berlim: "Os senhores do crime organizado são hoje em dia os únicos autênticos cosmopolitas. São cidadãos do mundo. Isso porque as fronteiras detêm a ação de juízes, mas não a dos criminosos." &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ziegler, de 77 anos, ganhou notoriedade com a obra A Suíça, o Ouro e os Mortos – Como os Banqueiros Suíços Ajudaram a financiar a Máquina de Guerra Nazista, publicado em 1997. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;As Nações Unidas calculam que existem mais de 200 milhões de consumidores de drogas no mundo, o que gera um negócio de mais de 270 bilhões de euros por ano. Em entrevista ao jornal El País, o ex-primeiro-ministro espanhol Felipe Gonzáles analisa o tema: "Se você liga a droga aos negócios associados com o tráfico de armas e de pessoas, aumenta esse volume de negócio. E não falamos do que se pode fazer com esse dinheiro: uma pizzaria, um hotel..., legais. A lavagem de dinheiro negro entra no aparato de circulação do sistema e proporciona emprego e gera atividades econômicas que não são ilegais." &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-reIOAuhBUZk/TXZ_lf9vFdI/AAAAAAAAA-c/Rd3jZHiz3hY/s1600/Xerife%2B90.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 114px; FLOAT: left; HEIGHT: 122px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5581789070384633298" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-reIOAuhBUZk/TXZ_lf9vFdI/AAAAAAAAA-c/Rd3jZHiz3hY/s320/Xerife%2B90.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Costa brasileira favorece tráfico &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Moisés Naím denomina de "buracos negros geopolíticos" os lugares onde as redes de tráfico "vivem" e prosperam, lembrando que na astrofísica essas regiões do universo estão fora das tradicionais leis da física newtoniana. Ou seja, nesses locais não se aplicariam as formas tradicionais de pensamento sobre política mundial e relações internacionais. Um exemplo seria a cidade de Málaga, na Costa do Sol da Espanha, conhecida região turística. De 2000 a 2005 houve um aumento de 1.600% na construção de casas particulares, apesar da localidade ter uma das mais altas taxas de desemprego e um dos mais baixos índices de renda da Espanha. O motivo se encaixaria na explicação dada por um chefe de polícia espanhol ao jornal inglês Financial Times: "Os criminosos são os empresários de hoje... Eles querem boas escalas para suas viagens, um sistema bancário eficiente, um clima ameno e anonimato. Conseguem tudo isso em Málaga." &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A reportagem de Leslie Crawford ("Hot money pays for boom on Spain´s Costa del Crime") revela os resultados de uma ação policial, realizada em 2005, que envolveu agentes de sete países e que constatou a presença de 550 grupos criminosos operando na Espanha. No caso de Málaga, o crime organizado lavava o dinheiro ilegal através da indústria da construção civil, que teve uma expansão extraordinária. "É talvez a mais importante força motriz por trás da indústria da construção", afirmou Per Stangeland, responsável pela cadeira de Criminologia da Universidade de Málaga. Em relação ao Brasil, documento elaborado pelo Departamento de Estado norte-americano e divulgado pela mídia em 3 de março de 2011 aponta o país como o maior consumidor de drogas da América do Sul (900 mil de usuários de cocaína) e com o consumo em crescimento. O Paraguai continua sendo o maior fornecedor de maconha para o Brasil, cujo cultivo local da droga está concentrado na região Nordeste. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O relatório anual "Estratégia para o Controle Internacional de Narcóticos" indica que o Brasil está aberto ao trânsito de pequenos aviões da Colômbia (maior produtor mundial de cocaína) e Peru (maior produtor mundial de coca, matéria-prima da cocaína), com destino à Venezuela e Suriname (principais áreas de saída da América do Sul com carregamentos de drogas ilícitas para Europa) e começa a se mostrar como uma fonte importante no fornecimento de compostos químicos para a produção de cocaína. "O Brasil não só é o maior consumidor de drogas da América do Sul, mas também tem a costa mais extensa do continente e isto o transforma em uma rota de passagem inevitável para o contrabando de narcóticos rumo à Europa, África e em menor quantidade aos Estados Unidos", conclui o estudo. A costa brasileira tem 7.367 quilômetros de extensão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-kXDJkJwFAEs/TXZ_4LQhGeI/AAAAAAAAA-k/EujHwQa-MbA/s1600/Xerife%2B80.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 150px; FLOAT: left; HEIGHT: 116px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5581789391243778530" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-kXDJkJwFAEs/TXZ_4LQhGeI/AAAAAAAAA-k/EujHwQa-MbA/s320/Xerife%2B80.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Um submundo capaz de controlar nações inteiras &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O Brasil também apresenta números significativos na venda ilegal de armas. Pesquisa divulgada pela Subcomissão de Armas do Congresso Nacional, em novembro de 2010, revela que quase a metade das armas que circulam no país é ilegal – 7,6 milhões de um total de 16 milhões de armas. Em seu livro sobre os cartéis do crime organizado, Jean Ziegler procura demonstrar que a progressiva institucionalização desse exército de criminosos representa o estágio supremo e a própria essência do modo de produção capitalista. Ele explica: as redes criminosas realizam a "maximização" do lucro, acumulam sua mais-valia a uma velocidade vertiginosa, criam oligopólios, a noção de contrato social lhes é estranha, agem no imediato e numa liberdade quase total e seus capitais atravessam as fronteiras cibernéticas do planeta sem qualquer obstáculo. Qual capitalista, pergunta Ziegler, em seu foro íntimo, não sonharia com tamanha liberdade, uma tal rapidez de acumulação, semelhante ausência de transparência e lucros dessa ordem? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Doutor em Direito e Ciências Econômicas, escritor, professor de Sociologia nas Universidades de Genebra e Sorbonne, em Paris, e membro do parlamento suíço por quase 20 anos, Jean Ziegler dedica a parte final do livro aos policiais e magistrados que em diversos países estão engajados no combate às redes criminosas. Segundo ele, nessa "guerra da liberdade", dentre todos os policiais que lutam contra o crime organizado, a figura do undercover agent (agente infiltrado), agindo sob identidade falsa e participando das atividades criminosas, é a mais ambígua e a mais difícil. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Entrevistando fontes policiais da Europa, Ásia e Estados Unidos, peritos, juízes, procuradores e diretores de serviços secretos, Ziegler chegou à conclusão de que esse tipo específico de policial é "um herói de nossa época". "Ele não é nem um delator nem um informante da polícia, explica. É um agente encoberto. Age sob identidade falsa e mantém as autoridades informadas sobre uma infração que está sendo cometida ou um projeto, enquanto se encontra ele mesmo infiltrado entre os delinquentes visados. Constitui-se uma arma decisiva na guerra contra os senhores sanguinários." &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Enfim, na batalha crucial contra o tráfico global e as perversas variantes do comércio ilícito, ainda são os policiais que permanecem na linha de frente, sujeitos a sofrerem incalculáveis reveses e pesadas baixas, físicas e morais, em ações potencialmente arriscadas e limitadas pela hierarquia e a burocracia de Estado. "Frequentemente os agentes policiais fazem parte da engrenagem da máquina, mas não são o seu motor", atesta o venezuelano Moisés Naím, para quem o crime organizado é o outro lado da moeda da globalização. Um submundo com poder político e econômico capaz de controlar nações inteiras. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7322191688736794078-3111900508959519021?l=sheilasacks.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/3111900508959519021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/3111900508959519021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sheilasacks.blogspot.com/2011/03/xerifes-urbanos-contra-os-senhores-do.html' title='Xerifes urbanos contra os senhores do crime'/><author><name>Sheila Sacks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16806038529181436948</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/Se47EqDHGzI/AAAAAAAAACE/PTl8wAnMnv4/S220/sheila+4.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-IZR0AHxL2qY/TXZ-PBIV1EI/AAAAAAAAA98/e2xsrX9u1PQ/s72-c/Xerife%2B30.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7322191688736794078.post-4275116981327512966</id><published>2011-02-03T16:06:00.000-08:00</published><updated>2011-04-05T20:18:45.806-07:00</updated><title type='text'>Nosso amigo Kadafi</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-DfiPWqUg1hc/TZvWvkKAhQI/AAAAAAAAA_0/C-RdKbwKTXw/s1600/A%2Brede%2Bde%2Bterror%2B2.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 131px; FLOAT: left; HEIGHT: 162px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5592299474958451970" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-DfiPWqUg1hc/TZvWvkKAhQI/AAAAAAAAA_0/C-RdKbwKTXw/s320/A%2Brede%2Bde%2Bterror%2B2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#990000;"&gt;&lt;em&gt;por Sheila Sacks &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Entre tantas figurações bizarras registradas pela mídia associadas ao desastre climático que devastou grande área da região serrana do Rio de Janeiro (com destaque para as performances dos ilustres tagarelas de plantão, sempre dispostos a palpitar sobre qualquer assunto), uma delas focalizou a aprazível conversa telefônica entre a presidente Dilma Rousseff e o ditador líbio Muammar Kadafi, ocorrida uma semana depois do horrendo cataclismo da madrugada de 12 de janeiro de 2011, que vitimou mais de 850 pessoas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por dez minutos Kadafi papeou com Dilma sobre assuntos variados, inclusive sobre a tragédia que foi o motivo que ensejou o oportuno contato entre os dois. Depois de prestar solidariedade às vítimas dos deslizamentos e oferecer ajuda ao governo brasileiro, Kadafi parabenizou Dilma pela vitória nas urnas. A presidente agradeceu o envio de uma delegação da Líbia à posse e disse que “se necessário, recorreria à Líbia” (O Globo online de 20.01.2011). Vale lembrar que o governo brasileiro, dois dias depois da tragédia, recusou a ajuda oferecida pelo Escritório das Nações Unidas para Assuntos Humanitários, sediado em Genebra, que se colocou à disposição para auxiliar no resgate e atendimento à população. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Segundo a agência Estado, a instituição estava pronta para entrar em ação na região serrana. A porta-voz da ONU, Elisabeth Byrs, confirmou que o pedido de ajuda “não foi transmitido” pelo governo brasileiro, uma maneira diplomática para dizer que a oferta de participação da ONU não foi aceita pelo governo brasileiro (Brasil recusa ajuda da ONU no resgate e auxílio a vítimas da chuva, em 15.01.2011). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Reunião em Lima deve juntar Dilma e Kadafi &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas, voltando ao bate-papo amigo de Dilma e Kadafi, o colóquio telefônico também serviu para a brasileira cobrar do líbio a sua honorável presença na 3ª Cúpula América do Sul-Países Árabes (Aspa), que até então seria realizada de 13 a 16 de fevereiro de 2011, em Lima, no Peru (posteriormente adiada para o mês de abril, por conta da onda de protestos no Cairo). O encontro pretende reunir os 12 líderes sul-americanos, incluindo a nova presidente do Brasil, e os 22 chefes de Estado da liga árabe que integram o conclave. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Segundo o Portal Terra, a presidente finalizou a ligação afirmando que “terá prazer em encontrar Kadafi na Cúpula”. A troca de gentilezas se justificaria porque Kadafi é tratado pelo Palácio do Planalto como “líder da revolução líbia” (O Estado de São Paulo, de 21.01.2011). Imagem reforçada pela agência de notícias “Jana”, da Líbia, que dias antes já tinha informado que Dilma “manifestou-se disponível para trabalhar com Kadafi para o êxito de um outro evento: o da próxima “Cimeira África-América Latina”, prevista para ser realizada no segundo trimestre de 2011, no país líbio. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A agência também divulgou que logo depois da posse, em reunião com a delegação da Líbia, a presidente brasileira salientou o papel pioneiro de Kadafi a favor das questões de liberdade, justiça e de promoção da mulher. Dilma falou das relações históricas entre o Brasil e a Líbia e de sua vontade em incrementar ainda mais esse relacionamento entre os dois países. A Líbia possui as maiores reservas comprovadas de petróleo da África. Em Brasília, a delegação líbia também manteve contato com Hugo Chávez, da Venezuela, Fernando Logo (Paraguai), Sebástian Piñera (Chile) e Allan Garcia, do Peru (Dilma Rousseff trabalha com Kadafi - Jornal de Angola de 07.01.2011). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Fhp_HrAPMDQ/TZvW5X-e0dI/AAAAAAAAA_8/wQSbLYryYrA/s1600/A%2Brede%2Bdo%2Bterror%2B4.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 130px; FLOAT: left; HEIGHT: 172px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5592299643487572434" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-Fhp_HrAPMDQ/TZvW5X-e0dI/AAAAAAAAA_8/wQSbLYryYrA/s320/A%2Brede%2Bdo%2Bterror%2B4.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Kadafi subvencionava a OLP com 40 milhões de dólares anuais &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Apontado pela jornalista norte-americana Claire Sterling (1919-1995) como “o papai rico do terrorismo”, Muammar Kadafi proveu de fundos, armas e treinamento o terrorismo palestino responsável pelo massacre nos Jogos Olímpicos de 1972, em Munique, que matou 11 atletas israelenses. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em seu livro “A rede do terror” (The Terror Network - 1981), publicado em 22 países, a autora revela que Kadafi, de 69 anos, nascido numa tenda de nômade no deserto e educado no Alcorão, subvencionava as atividades terroristas da Organização Para a Libertação da Palestina (OLP) com uma verba anual de 40 milhões de dólares retirada de um fundo especial de 580 milhões de dólares para obras terroristas em todo o mundo. “A lista ia dos sandinistas da Nicarágua, Monteneros da Argentina e Tupamaros do Uruguai aos Provos do IRA, bascos espanhois, bretões e franceses e separatistas corsos, sardos e sicilianos, turcos, iraquianos, japoneses e rebeldes muçulmanos da Tailândia, Indonésia, Malásia e Filipinas”, escreve Sterling. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O ditador libio também gastou somas milionárias para derrubar governantes árabes “conservadores”. Manteve de pé uma oferta de um milhão de dólares a qualquer pessoa disposta e capaz de matar o presidente egípcio Anwar Sadat, (assassinado no Cairo em 1981) e gastou uma quantia seis vezes superior para tentar derrubar o primeiro presidente da Tunísia, Habib Bourguiba (1903-2000), destituído do cargo em 1987. Ambos os dirigentes procuraram se aproximar do Ocidente e de Israel. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Vivendo na Itália desde o fim da 2ª Grande Guerra, Sterling foi correspondente de importantes jornais e revistas, incluindo “The New York Times” e “Washington Post”. Compilando fatos e desvendando ligações, ela foi capaz de traçar um surpreendente mapa do terror que emergiu na Europa, entre 1970 e 1980, na forma de uma vasta rede internacional, com campos de treinamento, arsenais poderosos, pontos de apoio para fugas, enfim, como um exército moderno, bem equipado e pronto para atacar em qualquer lugar do planeta. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Campos de treinamento na Líbia exportavam o terror &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A Líbia de Kadafi era o centro logístico do terrorismo internacional, afirmava Sterling. O país se pôs a serviço da criminalidade do terror e em seus campos de treinamento havia mais de 20 mil estrangeiros recrutados no Egito, Sudão, Tunísia, Mali, Nigéria, Etiópia, Mauritânia, Camarões, Chade, Senegal, Costa do Marfim, entre outros da África. “Os campos de guerrilheiros de Kadafi também fervilhavam de europeus e os instrutores eram tanto soviéticos como cubanos.”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Para Sterling, os países ocidentais dependentes do petróleo líbio gostavam de pensar que o coronel só desejava a libertação da Palestina. “Ele insistia em afirmar que todos os judeus que se haviam instalado na Palestina desde 1948 deveriam voltar aos locais de origem. Certa vez, ao enviar uma equipe de palestinos para metralhar o aeroporto de Istambul, suas ordens foram: - Matem o máximo possível de judeus.” A jornalista e pesquisadora assinala que, em 1978, dois anos após fechar um contrato de 12 bilhões de dólares para a compra de armamentos russos, Kadafi disse ao New York Times que o marxismo estava mais próximo dos muçulmanos que o cristianismo e o judaísmo: “São os cristãos e os judeus que cometem genocídios e são o ateus que clamam pela paz e pela causa da liberdade.” &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nessa época, o “queridinho” do ditador líbio era um ex-capitão do exército sírio, guerrilheiro profissional, marxista, um dos fundadores da Frente Popular para a Libertação da Palestina-FPLP. Tratava-se de Ahmed Jibril (atualmente com 72 anos e secretário-geral da FPLP), que gozando da plena confiança de Kadafi e de seu principesco patrocínio, tinha prestígio suficiente, conforme observava Sterling, de convocar a imprensa e anunciar numa entrevista coletiva que recebera dos soviéticos “pesados mísseis de longo alcance”, capazes de penetrarem “bem fundo em território israelense”. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Vivendo hoje em Damasco, Ahmed Jibril continua ativo e em dezembro de 2010 se encontrou com o iraniano Ali Baqeri, secretário-adjunto do Supremo Conselho de Segurança iraniano, que em visita à Síria exortou o chefe da FPLP a fortalecer a “resistência” no Oriente Médio. Jibril, por sua vez, fez um agradecimento público ao Irã pelo apoio à causa palestina, segundo a Press TV, rede iraniana de notícias. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Armas nucleares para os palestinos, diz Kadafi &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em abril de 1986, depois de um punhado de anos aterrorizando a Europa com atentados a bomba e sequestros de aviões, Kadafi enfim recebe o troco dos Estados Unidos. Trípoli é bombardeada e a Organização das Nações Unidas (ONU) impõe sanções econômicas ao país. Passada uma década de “suposto” ostracismo, o ditador sanguinário aceita pagar as indenizações às famílias das vítimas no atentado ao boeing da Pan Am - que explodiu quando sobrevoava a cidade escocesa de Lockerbie, matando 270 pessoas de 21 nacionalidades (dezembro de 1988) – e anuncia que desistiu do terrorismo e de seu programa de armas nucleares. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em 2003, o Ocidente acolhe um Kadafi “arrependido” e carimba o nada consta em sua ficha criminal. Entretanto, o coronel líbio que afirma praticar um “socialismo islâmico” jamais desistiu de falar o que pensa em suas viagens pelas capitais europeias. Em 2010, em Roma, Kadafi propôs o islamismo como religião de toda a Europa. A declaração feita em um país majoritariamente católico foi considerada provocativa e ofensiva ao Papa. “As palavras de Kadafi mostram seu perigoso projeto de islamização para a Europa”, afirmou o parlamentar europeu Mario Borghezio ao jornal “Il Messaggero” (30.8.2010). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um ano antes, em Londres, o coronel líbio tinha afirmado aos jornalistas britânicos que os palestinos deveriam ter o direito de possuir armas nucleares, assim como o Egito, a Síria e a Arábia Saudita. As declarações foram feitas durante uma entrevista em que Kadafi foi cobrado pela participação da Líbia no atentado de Lockerbie e sobre as alegadas atividades terroristas do país, centradas em suas embaixadas em todo o mundo (Palestina tem direito a bomba!, matéria veiculada no site “área militar”, de Portugal ). Em agosto de 2009, com o apoio da Inglaterra, Kadafi consegue que a Escócia liberte o líbio condenado à prisão perpétua pela explosão do boeing da Pan Am. O autor do atentado segue para Trípoli onde é recebido com honras de herói. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Ditador líbio propõe um terrorismo justificável &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um mês depois da libertação do terrorista, o ditador que governa a Líbia há mais de 40 anos, faz sua primeira visita à América Latina para participar da Cúpula de líderes da África e países do continente. No encontro com Hugo Chávez, na Venezuela, assina uma declaração sugerindo a realização de uma conferência global para redefinir o conceito de terrorismo. Os dois disseram rejeitar “as tentativas de vincular a luta legítima do povo pela liberdade e autodeterminação” ao terrorismo (Hugo Chávez e Kadafi propõem nova definição para o terrorismo no mundo - Correio do Brasil, em 29.9.2009). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um comportamento público leviano beirando ao deboche, considerando que países como os Estados Unidos e Israel estão na linha de fogo dos atentados das organizações terroristas palestinas, justamente os grupos radicais armados que ambos os políticos pretendem redimir. Uma atitude, porém, que faz sentido, levando-se em conta que em 2008, mesmo dando por “definitivamente arquivado” o conflito entre a Líbia e os Estados Unidos, Kadafi não se furtou em declarar que seu país descartava qualquer amizade com os norte-americanos. “Tudo o que queremos é que nos deixem em paz”, avisava em tom teatral o chefão líbio que foi eleito, em 2009, a personalidade africana do ano por mais de 200 ONGs da África. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Resultado que decerto não contaria com o beneplácito do prêmio Nobel da Paz, Andrei Sakharov (1921-1989). O físico russo que recebeu o Nobel em 1975 pela sua luta em defesa dos direitos humanos na antiga União Soviética, considerava o terrorismo, em todas as suas manifestações, a mais degradada forma de linguagem. Dizia ele: “&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Não importa o quanto sejam elevados os objetivos pregados pelos terroristas, suas atividades são sempre criminosas, sempre destrutivas, lançando a humanidade de volta a uma era de ilegalidade e caos, contradizendo os objetivos de paz e progresso. Espero que os povos de todo o mundo compreendam a natureza mortífera do terrorismo, quaisquer que sejam seus objetivos e lhes neguem&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;qualquer espécie de apoio, mesmo o mais passivo, circundando-os com um muro de condenação.”&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; (Washington Post, em 1980).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;O terror por trás da Guerra Santa &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Os tumultos nos países muçulmanos que já provocaram a queda do governante da Tunísia, Zine al-Abidine Ben Ali, em 14 de janeiro, e mudanças nos rumos da política egípcia dominada pelo regime de Hosni Mubarak, levaram o aiatolá Ahmad Khatami, do Irã, a comparar os conflitos do mundo árabe à revolução iraniana que em 1970 derrubou a monarquia no Irã e passou o poder para os aiatolás. ”Um Oriente Médio Islâmico está tomando forma, emergindo com base no Islã e na democracia religiosa”, comemorou em seu sermão semanal (O Globo de 29.01.2011). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-SnEU-llbTcc/TZvXAAekfNI/AAAAAAAABAE/pWrdYRiQPPs/s1600/A%2Brede%2Bde%2Bterror.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 148px; FLOAT: left; HEIGHT: 191px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5592299757438794962" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-SnEU-llbTcc/TZvXAAekfNI/AAAAAAAABAE/pWrdYRiQPPs/s320/A%2Brede%2Bde%2Bterror.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Motivada pela ebulição dos acontecimentos, a facção iraquiana da Al-Qaeda (Islamic State of Iraq – ISI) também se pronunciou, convocando os manifestantes egípcios anti-Mubarak a promoverem uma guerra santa, estabelecendo no país um Estado baseado em leis islâmicas. A mensagem divulgada na Internet afirma que a missão da guerra santa é defender os fracos e oprimidos no Egito e na região da faixa de Gaza. “Cada muçulmano que foi afetado pela opressão do tirano do Egito e de seus patrões de Washington e Tel Aviv deve reagir”, diz o texto (Agência Lusa, de 09.02.2011). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por sua vez, o nosso amigo Kadafi, mantendo-se fiel ao que sempre advogou, desde o tempo em que era conhecido como “o papai rico do terrorismo”, culpou Israel pelos protestos violentos no Egito. Atribuindo tudo a uma conspiração de Israel – “O que acontece hoje no Egito é obra dos serviços secretos de Israel” - Kadafi afirmou ao jornal Libya al-Youm que “é errado ficar culpando Mubarak, pois ele é um homem pobre, não tem dinheiro nem para comprar roupas novas e a quem ajudou muitas vezes”. Fontes internacionais estimam em 40 a 60 bilhões de dólares a fortuna pessoal de Mubarak e seus familiares. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E as conseqüências desse clima de animosidade e de incitamento ao ódio já começam a aflorar: na noite de 31 de janeiro, a sinagoga de El Hamma, perto da cidade de Gabes, no sul da Tunísia, foi incendiada por desconhecidos. O representante da comunidade judaica de Djerba, Trabelsi Pérez, disse por telefone que os rolos da Torá foram queimados. Ele ainda contou que na semana anterior, vários carros tinham sido destruídos no bairro judeu de Houmt-Souk, a capital da ilha de Djerba, e que a pequena comunidade judaica, de 1.600 membros, estava com muito medo. (Diário de Notícias de Portugal, em 01.02.2011). &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7322191688736794078-4275116981327512966?l=sheilasacks.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/4275116981327512966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/4275116981327512966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sheilasacks.blogspot.com/2011/02/nosso-amigo-kadafi.html' title='Nosso amigo Kadafi'/><author><name>Sheila Sacks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16806038529181436948</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/Se47EqDHGzI/AAAAAAAAACE/PTl8wAnMnv4/S220/sheila+4.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-DfiPWqUg1hc/TZvWvkKAhQI/AAAAAAAAA_0/C-RdKbwKTXw/s72-c/A%2Brede%2Bde%2Bterror%2B2.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7322191688736794078.post-1479415494901123895</id><published>2011-01-18T15:28:00.000-08:00</published><updated>2011-01-18T15:55:52.452-08:00</updated><title type='text'>A prática da democracia inocente</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TTYkjfqPiPI/AAAAAAAAA8g/0BvkljcPlW8/s1600/Lula%2Bcrian%25C3%25A7a%2B2.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 168px; FLOAT: left; HEIGHT: 108px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5563674581875525874" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TTYkjfqPiPI/AAAAAAAAA8g/0BvkljcPlW8/s320/Lula%2Bcrian%25C3%25A7a%2B2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#006600;"&gt;&lt;strong&gt;por Sheila Sacks&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#663366;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;publicado no "Observatório da Imprensa" &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=625JDB002"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=625JDB002&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#663366;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;"Uma das vantagens deste mundo é que podemos odiar e ser odiados sem sequer nos conhecermos." (Alessandro Manzoni, poeta italiano do século 19)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Os vários comentários feitos pelo ex-presidente Lula no decorrer de seus dois mandatos sobre a ação da imprensa proporcionaram uma farta e prodigiosa munição aos articulistas e editorialistas de jornais influentes, mestres consagrados na exímia arte da esgrima linguística. A palavra escrita tem um poder de fogo que os profissionais do vernáculo, cientes dessa prerrogativa, buscam aperfeiçoar em diários e suados exercícios de arquitetura mental. Protegidos por estandes de vidro e armados com um teclado de laptop, eles têm a seu favor uma arena majestosa e ensolarada para a prática do tiro ao alvo. Afinal, a democracia é um campo aberto que favorece a exposição pública de pensamentos e opiniões e, por conseguinte, as réplicas e tréplicas de variados matizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas vésperas do pleito presidencial de 2010, uma reportagem de Lucas Abreu Maia publicada no jornal &lt;em&gt;O Estado de S. Paulo&lt;/em&gt; e reproduzida pelo &lt;span style="color:#990000;"&gt;Observatório da Imprensa&lt;/span&gt;, em 21/9, revelava o grau de irritação de instituições representativas como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), a ANJ (Associação Nacional dos Jornais) e a Abert (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão), diante das declarações do então presidente Lula sobre o papel da imprensa. Sob o título "Entidades reagem a ataques de Lula", a matéria colocava na mesa a bazófia dita em tom magoado por um presidente empenhado em uma campanha de tudo ou nada, e emocionalmente arisco em suas colocações, resultado talvez do confronto diário com uma mídia beligerante em seu poder magnificente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;A gramática do óbvio&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TTYlNMAhtzI/AAAAAAAAA9A/SRdO0a2p7Cw/s1600/Lula%2Bmultid%25C3%25A3o.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 163px; FLOAT: left; HEIGHT: 94px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5563675298154788658" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TTYlNMAhtzI/AAAAAAAAA9A/SRdO0a2p7Cw/s320/Lula%2Bmultid%25C3%25A3o.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Desde a época de líder sindical, nos idos da década de 1970, Lula deu mostras de se sentir mais em casa e desbragadamente à vontade exorcizando os demônios em praça pública e em mangas de camisa. A tal da compostura que um cargo presidencial costuma exigir de seus ocupantes jamais inibiu o ex-presidente de soltar a voz em concorridos comícios eleitorais e soletrar o óbvio que habita no inconsciente coletivo. "Lula presidente surpreenderá a nação, pois adotará outra gramática do poder", escreveu o amigo e coordenador inicial do Programa Fome Zero, o frade dominicano, escritor e militante dos movimentos de Direitos Humanos Frei Betto, logo após a confirmação da vitória de Lula nas eleições de 2002.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oito anos depois, em uma inauguração em Brasília com representantes da comunidade científica, Lula creditou o sucesso de seu governo à coragem de ter feito "o óbvio". Anteriormente, em um evento no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, o ex-presidente já havia sublinhado que "o óbvio é a única coisa que um governante tem que fazer". Uma deixa providencial para os caçadores de bordões sempre atentos e ávidos em desossar uma presa linguística de fácil digestão. Imediatamente, o &lt;em&gt;Estadão &lt;/em&gt;pôs em campo o eficiente Rolf Kuntz para ministrar lições de "óbvio", convenientemente traduzido como sinônimo de bom senso, qualidade esta que, segundo o jornalista, faltou a Lula em muitas de suas realizações políticas. "Se o óbvio é o sensato, Lula fez o oposto do óbvio em parte de sua gestão" ("Lula e a política do óbvio", 29/12/2010).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Sem papas na língua&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ressuscitando os palanques e os comícios a céu aberto de sua militância sindicalista, Lula introduziu um novo estilo de impor sua presença na mídia, menos como primeiro mandatário e muito mais como porta-voz dos brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa disposição de encarnar o protótipo do cidadão comum na correlação de alguns de seus pontos mais sensíveis, como o trabalho, a família e a paixão pelo futebol, alçou o ex-presidente a um inquestionável e extraordinário patamar de liderança e popularidade pessoais, criando-se um fenômeno surpreendente e, de certa forma, perturbador, aferido imediatamente pela sensível ótica da mídia e de outros setores elitistas do país, dadas as inevitáveis implicações que um possível culto à personalidade tende a introduzir em uma sociedade democrática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desabafos do tipo "Vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como se fossem um partido político" ou "Nós somos a opinião pública e nós mesmos nos formamos", expelidos de maneira atabalhoada em exacerbados comícios eleitorais durante a campanha da candidata do PT, Dilma Rousseff, foram prontamente revidados de forma coesa e emparelhada, no melhor estilo de artilharia pesada, visando à neutralização das declarações do então presidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TTYksSGw-qI/AAAAAAAAA8o/fxwNyhcUDaQ/s1600/Lula%2Bcrian%25C3%25A7a.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 99px; FLOAT: left; HEIGHT: 142px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5563674732855884450" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TTYksSGw-qI/AAAAAAAAA8o/fxwNyhcUDaQ/s320/Lula%2Bcrian%25C3%25A7a.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Em editorial, &lt;em&gt;O Globo&lt;/em&gt; deduziu das palavras de Lula um provável plano de cerceamento da liberdade da imprensa e "um entendimento autoritário da função dos meios de comunicação". Valendo-se de palavras afetadas e de sentenças pedantes de difícil compreensão, o jornal creditou os desabafos pessoais de Lula a uma espécie de complô da "vulgata ideológica dos intelectuais orgânicos do lulopetismo" e à "percepção lulista" de considerar a imprensa "um instrumento de manipulação da sociedade". No mesmo editorial ("Lula e a visão autoritária da imprensa", 21/9/2010), o ex-presidente foi apontado como déspota ("como se tomado pelo espírito do Rei Sol, um Luís 14 tropicalizado"), desequilibrado ("o presidente foi jogando às favas o equilíbrio"), insensato ("Lula radicaliza na insensatez") e burro ("tosca engenharia de raciocínio").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já na reportagem do &lt;em&gt;Estadão&lt;/em&gt;, o ex-presidente foi taxado de intolerante pelo presidente da OAB, Ophir Cavalcanti, que viu na atitude de Lula um ato "contra a liberdade de imprensa" e "um desserviço à Constituição e ao Brasil". Declarações essas que receberam considerável reforço, alguns dias depois, na entrevista do mesmo Cavalcanti veiculada pela Folha de S.Paulo ("Presidente da OAB condena ataques à imprensa", 25/9/2010). Avaliando o "clima de acirramento" pré-eleitoral da campanha, o presidente da OAB tocou no ponto nevrálgico da questão, responsável por todo o arsenal bélico arremessado sobre Lula. Disse ele: "Homens e pessoas não devem ter a mesma força que as instituições." Pensamento compartilhado pela Abert, que conclamou "as entidades representativas da liberdade de imprensa a ficarem sempre atentas". Indo mais fundo na reação conjugada da imprensa, a Anaj detectou em Lula um lamentável e preocupante desconhecimento em relação ao papel da imprensa nas sociedades democráticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Um "culto despropositado"&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TTYk40zuR1I/AAAAAAAAA8w/tVf17yi-tlY/s1600/Lula%2Bdiscurso.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 180px; FLOAT: left; HEIGHT: 105px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5563674948329686866" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TTYk40zuR1I/AAAAAAAAA8w/tVf17yi-tlY/s320/Lula%2Bdiscurso.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Passados alguns meses dessa contenda de viés mercadológico, a imprensa retornou ao tema, dias após a posse de Dilma Rousseff, desta vez utilizando-se do aguerrido esgrimista linguístico Demétrio Magnoli. Tendo como pretexto a análise dos discursos proferidos pela nova presidente, o articulista se sentiu a cavaleiro para desacatar o dirigente que se despedia, a quem chamou de "chefe de facção", pouco merecedor da "louvação desmedida" de Dilma. Repetindo o argumento-padrão adotado pelas empresas de comunicação – "Democracia é o regime das instituições, não dos líderes" –, Magnoli afunilou o conceito desse regime político, reduzindo-o a um embate maniqueista e interesseiro entre dois polos antagônicos: instituições e empresas, que seriam o lado bom da história, versus líderes populares, o aspecto negativo e de risco. Uma metáfora ardilosa, já que a democracia não exclui a presença carismática de autoridades políticas legalmente constituídas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desmerecer autênticas qualidades positivas, tais como a simplicidade, simpatia e o discurso caloroso – para citar alguns atributos pessoais que parecem acompanhar o ex-presidente –, pela possibilidade de as mesmas favorecerem "o culto despropositado" a um dirigente ou político na vida pública, é um ponto de vista que chega a ser ofensivo ao eleitor brasileiro que avança no caminho de sua maturidade política. A democracia não é um sistema frágil que possa ruir por conta de um presidente sem papas na língua que falou o que devia e o que não devia em discursos desaforados no decorrer de uma campanha eleitoral. A afirmação de que "o culto a Lula é uma ferida na alma da democracia" ("Dilma, interrompida", 06/01/2011, no &lt;em&gt;Globo&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Estadão&lt;/em&gt;) soa como artificial e forçada, já que a admiração por um político não se configura, no significado exemplar do termo, em adoração, veneração ou "culto".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;Poder econômico e imprensa&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TTYlGm48eKI/AAAAAAAAA84/r7z2H_qyCzE/s1600/Lula%2Bdespedida.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 150px; FLOAT: left; HEIGHT: 120px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5563675185111660706" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TTYlGm48eKI/AAAAAAAAA84/r7z2H_qyCzE/s320/Lula%2Bdespedida.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Mas qual seria de fato o papel da imprensa nas sociedades democráticas do século 21? Retornando ao editorial de &lt;em&gt;O Globo&lt;/em&gt;, a resposta do jornal a essa questão brigaria com "a visão maniqueista lulopetista da imprensa" para a qual a mídia precisa estar subordinada ao Estado. "É inconcebível para esses (lulopetistas) que a imprensa profissional – que precisa ser rentável para se manter independente, e o mais distante possível de verbas administradas pelos poderosos do momento – cumpra uma função pública, e disto têm consciência profissionais e acionistas das empresas de comunicação", assinalava o editorial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o jornalista e sociólogo espanhol Ignacio Ramonet, autor do livro "A Tirania da Comunicação" (1999), com o avanço da globalização as grandes empresas de mídia juntaram todas as formas de comunicação em um mesmo saco, da cultura de massa à publicidade e informação. Um exemplo perceptível é a mudança ocorrida nos suplementos literários dos jornais, hoje travestidos em desembaraçados balcões de venda das editoras e livrarias, tornando difícil o leitor distinguir o que é processo de persuasão, marketing ou utilidade cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Constituindo-se em grandes grupos que englobam a imprensa, rádio e TV (com suas linguagens e mensagens, antes distintas, agora misturadas e mercantilizadas), essas megaempresas acabam exercendo pressão sobre os governos no sentido de que não sejam cerceadas ou limitadas em seus negócios. Ramonet afirma que a mídia no Ocidente sobrepujou o poder do Estado, representado pelo Executivo, Legislativo e Judiciário, ficando abaixo apenas do poder econômico. Lembra ainda que, há algumas décadas, os meios de comunicação representaram no contexto democrático um recurso dos cidadãos contra os abusos desses três poderes, daí serem mencionados como um quarto poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diretor da edição espanhola do jornal "Le Monde Diplomatique", Ramonet, de 67 anos, observa também que, à medida que a globalização se acelerou, a imprensa perdeu a sua função de reagir e resistir, de se impor como um "contrapoder", de ser, enfim, "a voz dos sem-voz". De acordo com o sociólogo, hoje a mídia seria de fato o segundo poder pela sua ação e influência, funcionando como um aparato ideológico da globalização. "O mais difícil de perceber não é a informação distorcida, mas a informação oculta", alerta. "Na atual fase de globalização assiste-se a um confronto brutal entre o mercado e o Estado, entre o setor privado e os serviços públicos, dando a impressão de que grupos econômicos planetários ou conglomerados de comunicação de dimensão continental são mais importantes, pelo peso de seus negócios, do que os governos e Estados."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Discursando na cidade de Barcelona, em agosto de 2010, depois de receber o Prêmio Antonio Asensio de Jornalismo, Ignacio Ramonet surpreendeu a plateia ao afirmar que o jornalismo atravessa uma "grave crise de identidade". Ao sentenciar que a imprensa escrita vive um dos momentos mais difíceis, Ramonet desmentiu aqueles que proclamam que "a informação circula mais livre, mais abundante e mais transparente do que nunca". Ao contrário do que muitos pensam, disse, "a massa de informação oculta supera o imaginável em muitos temas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Deslizamentos na região serrana&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nem bem 2011 se iniciou e já se pôs em marcha o processo de desestruturação daquilo que muitos entendem como o "mito" Lula. Na recente tragédia na região serrana do Rio de Janeiro – um dos dez maiores deslizamentos do mundo nos últimos 111 anos, pela avaliação da ONU – achou-se imediatamente um culpado na figura do governo federal (gestão Lula), que somente liberou 39% dos R$ 425 milhões previstos para 2010 para prevenção de desastres, sendo que a região serrana nada recebeu ("Verba para prevenção fica no papel", &lt;em&gt;O Globo&lt;/em&gt;, 13/01/2011). No final da matéria fica-se sabendo que foram destinados R$ 377 milhões ao Rio de Janeiro pelo Programa de Resposta aos Desastres e Reconstrução, o segundo maior volume de recursos federais, ficando apenas atrás de Pernambuco (R$ 380 milhões).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, o que faltou dizer em meio a tantos números é que um presidente da República não tem a função de monitorar as mais de 5 mil prefeituras brasileiras em seus variados projetos, inclusive de contenção de encostas, nos procedimentos técnicos adequados para se habilitarem a pleitear verbas federais necessárias à execução das obras. Por incapacidade e falta de conhecimento, muitas prefeituras perdem a oportunidade de manter profícuas e permanentes parcerias técnicas com o governo federal e somente após alguma tragédia climática, sob o regime de calamidade pública, se lançam ao encalço das verbas emergenciais para remediar o irremediável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outra reportagem, também em tom acusatório, a administração Lula é culpabilizada pelo "inchaço" de funcionários públicos na esfera federal ("No governo Lula, mais 82 mil servidores" – &lt;em&gt;O Globo,&lt;/em&gt; 16/01/2011). Segundo os números apresentados, "pelo menos 82.749 funcionários civis foram incorporados à máquina do governo federal nos últimos oito anos". Dito isso e lendo um pouco mais, topa-se com os seguintes dados: "Os funcionários civis do Executivo na ativa passaram de 485.741 em dezembro de 2002 para 568.490 em novembro de 2010 (...) Em números absolutos, a maioria das contratações foi feita na área de educação: 49.286. Isso decorre da criação de universidades públicas e escolas técnicas." Enfim, dos 82,7 mil novos servidores contratados quase 50 mil foram professores e pessoal auxiliar. Um percentual que faz sentido, em se tratando de um país que vem sendo estimulado por todos os setores da sociedade a investir maciçamente em educação e treinamento.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7322191688736794078-1479415494901123895?l=sheilasacks.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/1479415494901123895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/1479415494901123895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sheilasacks.blogspot.com/2011/01/pratica-da-democracia-inocente.html' title='A prática da democracia inocente'/><author><name>Sheila Sacks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16806038529181436948</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/Se47EqDHGzI/AAAAAAAAACE/PTl8wAnMnv4/S220/sheila+4.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TTYkjfqPiPI/AAAAAAAAA8g/0BvkljcPlW8/s72-c/Lula%2Bcrian%25C3%25A7a%2B2.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7322191688736794078.post-3408753606261316358</id><published>2011-01-06T11:22:00.000-08:00</published><updated>2011-01-18T16:18:18.592-08:00</updated><title type='text'>Mahmoud Abbas vira estrela na posse de Dilma</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TSYXalnbK1I/AAAAAAAAA7I/qtHotbbn35s/s1600/posse%2Bdilma%2B4.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 158px; FLOAT: left; HEIGHT: 110px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5559156535576963922" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TSYXalnbK1I/AAAAAAAAA7I/qtHotbbn35s/s320/posse%2Bdilma%2B4.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TSYX--wlyWI/AAAAAAAAA7g/RGIs3NozkOI/s1600/posse%2Bdilma%2B2.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;por Sheila Sacks&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;strong&gt;publicado no Portal dos Brasileiros em Israel &lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;a href="http://www.brasil.org.il/index.php/opiniao/358-mahmoud-abbas-vira-estrela-na-posse-de-brasileira"&gt;http://www.brasil.org.il/index.php/opiniao/358-mahmoud-abbas-vira-estrela-na-posse-de-brasileira&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#006600;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;A presença do presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas na posse da presidente Dilma Rousseff, em Brasília, no primeiro dia de 2011, recebeu tratamento vip da mídia brasileira. Fotos de ambos em caloroso aperto de mãos ganharam as primeiras páginas dos principais jornais do país (&lt;em&gt;O Globo, Estado de São Paulo, Estado de Minas&lt;/em&gt;), superando a atenção dada a outras personalidades presentes ao evento, a saber: a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, o primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, o príncipe de Astúrias, Felipe de Borbón, herdeiro da coroa espanhola, o primeiro-ministro da Coreia do Sul, Kim Hwang-Sik, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez e o primeiro-ministro da Bulgária, Boyco Borissov (Dilma é filha de búlgaro).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A foto também serviu de chamariz para uma ampla entrevista de quase uma página que &lt;em&gt;O Globo&lt;/em&gt; fez publicar, encimada por um título provocador – &lt;span style="color:#990000;"&gt;“&lt;em&gt;Israel não acredita na paz”&lt;/em&gt; –&lt;/span&gt; pinçado de uma das respostas do dirigente palestino acerca dos assentamentos judaicos em Jerusalém Oriental. Diante da insinuação do repórter Roberto Maltchik de que o governo de Israel não dava mostras de querer “congelar os assentamentos”, Abbas foi incisivo: “&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Esse não é meu problema. É problema deles. Se eles não se importam com nada, se eles não escutam ninguém, isso significa que eles não querem a paz. Eles não acreditam na paz. Então, quem pode pôr pressão neles? Só os Estados Unidos. Paralelamente, a comunidade internacional. Então, o governo Israel vai ficar isolado.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Governo brasileiro doou terreno para a embaixada palestina&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TSYXmgah0qI/AAAAAAAAA7Q/cVOGNIvVnXk/s1600/posse%2Bdilma%2B1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 138px; FLOAT: left; HEIGHT: 111px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5559156740339126946" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TSYXmgah0qI/AAAAAAAAA7Q/cVOGNIvVnXk/s320/posse%2Bdilma%2B1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Mahmoud Abbas ficou 4 dias no Brasil e antes da posse de Dilma ele inaugurou a pedra fundamental da futura embaixada palestina em Brasília, a ser construída em um terreno de 15 mil metros quadrados doado pelo governo brasileiro. No início de dezembro de 2010, ainda no governo Lula, o Brasil reconheceu o Estado palestino “com as fronteiras de 1967” (antes da Guerra dos Seis Dias), que incluem a Cisjordância, Jerusalém Oriental e a faixa de Gaza. A decisão foi seguida pelos vizinhos Argentina, Paraguai e Uruguai, e outros países da região, como a Bolívia, Equador e Peru, já se manifestaram a favor desse reconhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Brasília, Abbas aproveitou para agradecer de viva voz o gesto do presidente uruguaio e ex-guerrilheiro tupamaro, José Mujica, e iniciou as negociações com o chileno Sebástian Piñera para que o Chile se junte ao grupo. Na entrevista ao &lt;em&gt;Globo,&lt;/em&gt; um dia depois dos festejos da posse e minutos antes de ser recebido em audiência por Dilma Roussef, ele revelou que iria demonstrar a sua gratidão ao governo brasileiro, “que foi o primeiro no continente a reconhecer o Estado palestino”. Abbas ainda adiantou que o ex-presidente Lula visitará Ramallah nos próximos meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acompanhando o encontro de Abbas com Dilma, o novo ministro brasileiro de Relações Exteriores, Antônio Patriota, contou aos jornalistas que o dirigente palestino convidou a presidente para uma visita à Cisjordânia. Segundo o ministro, o tom da reunião entre os dois líderes foi de “congraçamento”. Patriota, de 56 anos, que substitui o chanceler Celso Amorim (o ministro do Exterior que mais tempo ficou no cargo, cerca de 8 anos), foi embaixador em Washington e é casado com uma norte-americana naturalizada brasileira. De perfil discreto e disciplinado, caracteriza-se, segundo analistas, por ser um eficiente executor das diretrizes da diplomacia palaciana que deverão se manter inalteradas no quesito ideológico, em função da permanência do assessor internacional da Presidência do governo Lula, o gaúcho Marco Aurélio Garcia, 70 anos, ex-militante do partido comunista e um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores(PT).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Críticas à diplomacia brasileira são reveladas pelo Wikileaks&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TSYYVzjSS9I/AAAAAAAAA7o/uSPu4LaDZWU/s1600/posse%2Bdilma%2B3.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 150px; FLOAT: left; HEIGHT: 107px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5559157552929983442" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TSYYVzjSS9I/AAAAAAAAA7o/uSPu4LaDZWU/s320/posse%2Bdilma%2B3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Formado em Filosofia e Direito, Marco Aurélio é professor licenciado de História da Universidade de Campinas (SP) desde que se instalou no Planalto, em 2003, como uma espécie de guru da Presidência para assuntos internacionais. Em 2007, em entrevista à revista política-literária &lt;em&gt;Piauí,&lt;/em&gt; o assessor de Lula atacou Israel, classificando as ações de defesa do país contra atos terroristas de “crimes de guerra”, porque atingiam civis. Jactando-se de seus conhecimentos históricos, ele continuou no mesmo tom: "&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Se querem reconstituir a história, estou disposto a reconstituir. É a minha profissão. Israel apoiou durante todo o tempo o regime do apartheid na África do Sul. Apoiou todo o tempo a ditadura de Somoza, na Nicarágua, e a de Salazar, em Portugal. Não venham agora querer bancar os bacanas para o meu lado."&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, Marco Aurélio foi citado como simpatizante das Farcs (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) em documentos revelados pelo Wikileaks. A afirmação foi feita em 2009, pelo então embaixador colombiano em Brasília, Tony Jozame, em referência às reações contrárias do Brasil ao Acordo Militar de Cooperação de Defesa EUA-Colômbia. Em conversa com diplomatas americanos, Jozame disse ainda que “&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;o Ministério de Relações Exteriores brasileiro é esquerdista, anti-ianque e ciumento da liderança de qualquer país da região&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Enviado do Irã diz que aliança com o Brasil vai se ampliar&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Outra figura que ficou na berlinda foi Mohammad Abbasi, assessor especial para assuntos da América Latina do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Apontado como um dos homens de confiança do líder iraniano, Abbasi esteve na posse de Dilma e veio com a missão de fortalecer e consolidar as boas relações entre o Brasil e o Irã. Falando ao jornal &lt;em&gt;Folha de São Paulo&lt;/em&gt;, na véspera da posse, ele se mostrou otimista em relação à ampliação dos vínculos com o governo brasileiro, inclusive na área nuclear. Na entrevista realizada na Embaixada do Irã, em Brasília, o enviado de Ahmadinejad declarou que a sua presença na cerimônia da posse foi “&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;uma maneira de enviar ao mundo a mensagem de que nossa aliança continua, e que haverá mais acordos entre nós”.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; Abbasi destacou o interesse do Irã em desenvolver uma cooperação bilateral com o Brasil no campo nuclear, já que ambos os países “conseguiram desenvolver cientificamente a capacidade do uso da energia nuclear de forma autônoma, para fins pacíficos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É importante assinalar que o comércio entre Brasil e Irã duplicou nos últimos sete anos, de US$ 500 milhões para US$ 1,23 bilhão. O Irã é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil no Oriente Médio, principalmente quando o assunto é o setor alimentício. Na visita que fez a Teerã, em maio de 2010, Lula anunciou uma linha de financiamento de 1 bilhão de euros, nos próximos cinco anos, para importadores iranianos de produtos brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Países árabes são o terceiro maior parceiro comercial do Brasil&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TSYXz7HsiTI/AAAAAAAAA7Y/7g27uKIhnOM/s1600/posse%2Bdilma%2B2.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 150px; FLOAT: left; HEIGHT: 112px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5559156970846193970" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TSYXz7HsiTI/AAAAAAAAA7Y/7g27uKIhnOM/s320/posse%2Bdilma%2B2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Em artigo publicado no jornal &lt;em&gt;Valor Econômico &lt;/em&gt;(30.12.2010), o professor de economia Javier Santiso observa que em 2010 os países árabes foram o terceiro principal parceiro comercial do Brasil (depois da China e dos Estados Unidos), absorvendo mais de US$ 10 bilhões de exportações brasileiras,cerca de 11º do total exportado pelo Brasil. Ele lembra que a estimativa é de que existem cerca de 20 milhões de latino-americanos de origem árabe na América Latina, sendo sete milhões no Brasil (alguns calculam em 10 milhões). Países como Catar e Emirados Árabes Unidos, através de seus bilionários fundos de investimentos, estão adquirindo participações em bancos, ativos comerciais, hotéis, petróleo, gás, construção civil e particularmente no setor agroindustrial que esteja ligado à água, um bem escasso na península arábica. Santiso lembra que a América Latina concentra cerca de 30% do total das reservas mundiais de água, sendo 13% no Brasil. “Esse ouro azul esta se tornando tão precioso quanto o ouro negro.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;América do Sul e países árabes na nova geografia de poder&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;No balanço final sobre os seus oito anos à frente do Itamaraty, o chanceler Celso Amorim também destacou a intensificação dos laços comerciais com os países árabes. Convidado a falar na Comissão de Relações Exteriores do Senado, em dezembro último, ele anunciou para breve o fechamento de Acordo de Livre Comércio (ALC) do Mercosul com o Egito e adiantou que outros acordos serão feitos com a Síria e a Autoridade Palestina. Dentre as suas realizações ele citou a realização das “Três cúpulas América do Sul-Países Árabes (ASPA)” – um fórum de coordenação política e cooperação bi-regional implantado em 2005 por iniciativa do presidente Lula, reunindo 22 países árabes e 12 sul-americanos - , salientando que as relações do Brasil com o mundo árabe, no campo dos negócios, quadruplicaram nesse período.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sua vez, o novo ministro do Exterior, Antônio Patriota, no discurso de posse, defendeu “o acerto das opções dos últimos anos” em política externa, mas deu a entender que haverá “reconsiderações de certas ênfases”. Cuidadoso na escolha das palavras e meticuloso na adoção de mensagens cifradas endereçadas à Casa Branca e seus aliados, ele disse que o Brasil superou “o acúmulo de vulnerabilidades” econômicas e sociais que limitavam a sua ação internacional e hoje esta entre os novos pólos globais. Afirmando que “&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;consensos de outras eras são cada vez mais questionados e os antigos formadores de opinião encontram dificuldade crescente para prevalecer suas ideias”,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; o Patriota de Dilma promete ser o clone melhor acabado do homem que de fato vem dando as cartas, há quase uma década, na política internacional brasileira. De seu pequeno e discreto gabinete em Brasília, Marco Aurélio, um ex-exilado político, definido como “idealista da esquerda” pela Wikipédia, continuará no seu afã de recriar um novo mapa geográfico de poder onde o Brasil teria reais condições de cutucar, nem que fosse com vara curta, o gigante do Ocidente. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7322191688736794078-3408753606261316358?l=sheilasacks.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/3408753606261316358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/3408753606261316358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sheilasacks.blogspot.com/2011/01/mahmoud-abbas-vira-estrela-na-posse-de.html' title='Mahmoud Abbas vira estrela na posse de Dilma'/><author><name>Sheila Sacks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16806038529181436948</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/Se47EqDHGzI/AAAAAAAAACE/PTl8wAnMnv4/S220/sheila+4.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TSYXalnbK1I/AAAAAAAAA7I/qtHotbbn35s/s72-c/posse%2Bdilma%2B4.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7322191688736794078.post-3116942168657251065</id><published>2010-12-14T14:24:00.000-08:00</published><updated>2010-12-14T14:56:53.904-08:00</updated><title type='text'>Até onde a memória alcança</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TQfyVO_FkEI/AAAAAAAAA6c/RW9wtor0WLg/s1600/Port%25C3%25A3o%2Bde%2BBrandemburgo%2B1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 150px; FLOAT: left; HEIGHT: 116px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5550671512371302466" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TQfyVO_FkEI/AAAAAAAAA6c/RW9wtor0WLg/s320/Port%25C3%25A3o%2Bde%2BBrandemburgo%2B1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#003300;"&gt;Judeus retornam à Alemanha. Quem se importa?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;por Sheila Sacks&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;publicado no portal "Observatório da Imprensa" &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#990000;"&gt;&lt;a href="http://observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=620JDB003"&gt;http://observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=620JDB003&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;Por ocasião das festividades do ano novo judaico, em setembro último, os leitores de um dos mais influentes jornais brasileiros foram surpreendidos com uma informação aparentemente surreal, mas nem por isso fora da realidade. A matéria made in Germany da correspondente de &lt;em&gt;O Globo&lt;/em&gt;, Graça Magalhães Ruether, intitulava o país de "o novo eldorado dos judeus" e mostrava o estupendo "florescer" da comunidade judaica na Alemanha que lotou as sinagogas de Berlim durante as cerimônias religiosas desse evento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palco de um dos mais cruéis e violentos genocídios em massa produzidos por um regime político, a Alemanha tem recebido de braços abertos os judeus originários principalmente da antiga União Soviética que para lá acorreram (cerca de 220 mil), a partir da queda do Muro de Berlim, em 1989.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente, a comunidade judaica acomodada na Alemanha tem se movimentando em busca de suas tradições nas 16 sinagogas existentes em Berlim e Munique. Para muitos, uma espécie de desforra sobre aqueles que há pouco mais de seis décadas quase lograram varrer do planeta seus compatriotas judeus. "O judaísmo voltou a florescer não só em Berlim, mas em toda a Alemanha", celebra a porta-voz da comunidade judaica em Berlim, Maja Zeder. Hoje, 85 cidades alemãs dispõem de sinagogas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;Jovens não querem "remoer o passado"&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TQfydiC6cwI/AAAAAAAAA6k/nT07Ka0GHgU/s1600/plakat.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 115px; FLOAT: left; HEIGHT: 148px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5550671654926578434" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TQfydiC6cwI/AAAAAAAAA6k/nT07Ka0GHgU/s320/plakat.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Em outra reportagem, dessa vez do jornalista alemão Thorsten Schmitz, Berlim é comparada a Tel Aviv pela quantidade de israelenses que tomam conta da cidade durante todo o ano. "Há cinco anos, só havia uma ligação direta entre Tel Aviv e Berlim; atualmente pode haver três voos por dia. A Lufthansa oferece quatro voos diários para a Alemanha."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o jornalista, que escreve para o jornal &lt;em&gt;Südeutsche Zeitung,&lt;/em&gt; de Munique, a cidade é o destino preferido dos israelenses, antes mesmo de Barcelona e Praga. Quarenta e oito mil israelenses visitaram Berlim, em 2009, e dentre os turistas não europeus, os nascidos em Israel só perdem para os norte-americanos, ainda o principal contingente turístico em terra alemã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também cresceu a quantidade de israelenses que escolhe Berlim para residir ou para investir no seu mercado imobiliário. Entre 1999 e 2009, o número de israelenses que imigrou para a Alemanha aumentou em 50% e já existem bairros, como os de Kreuzberg e Friedrichshain, onde a presença de israelenses é considerável. O resultado é que duplicou a presença de estudantes israelenses nas universidades berlinenses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os agentes de turismo de Berlim, os judeus mais jovens que visitam a cidade querem descobrir o novo rosto da capital alemã. Todos conhecem a história do Holocausto, já viram alguém com um número tatuado no antebraço e foram a Auschwitz, na Polônia, em excursão escolar, mas "não querem ficar remoendo o passado". É comum encontrar turistas israelenses no antigo campo de concentração de Sachsenhausen carregados de sacolas de compras das lojas Zara e Bikenstock. Esse campo, situado a 35 quilômetros de Berlim, foi um dos mais ativos do regime nazista e lá foram executados cerca de 50 mil prisioneiros por fuzilamento, câmaras de gás e experimentos médicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;"Olhem para nós, nós não somos maus"&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A diretora de programação do Museu Judaico de Berlim, Cilly Kugelmann, de 63 anos, avalia que o judaísmo da geração das testemunhas pertence à história. "A definição dos judeus pelo extermínio em massa está acabando", afirma. Formada em história da arte pela Universidade Hebraica de Jerusalém, Kugelmann nasceu em Frankfurt e estudou cinco anos em Israel. Apesar de reconhecer que a sociedade alemã, nesses 62 anos pós-Holocausto, desenvolveu um relacionamento com o período nazista no qual o assassinato em massa tornou-se o único paradigma, ela acha que o judaísmo não se beneficiou com o fato. Ao contrário. Em sua opinião, os seguidos e continuados alertas de representantes judaicos contra o antissemitismo, o neonazismo e o antissionismo subtraíram, em parte, uma imagem positiva do judaísmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TQfytNYtozI/AAAAAAAAA6s/dGtglc0UuTg/s1600/Campo%2Bde%2Bconcentra%25C3%25A7%25C3%25A3o%2BBuchenwald%2B-24April1945.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 130px; FLOAT: left; HEIGHT: 114px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5550671924258775858" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TQfytNYtozI/AAAAAAAAA6s/dGtglc0UuTg/s320/Campo%2Bde%2Bconcentra%25C3%25A7%25C3%25A3o%2BBuchenwald%2B-24April1945.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Em entrevista ao portal de notícias da Alemanha Deutsche Welle, o diretor-geral do Museu Judaico de Berlim, W. Michael Blumenthal, de 84 anos, reconheceu que com a morte das testemunhas a qualidade da memória do Holocausto também vai mudar, já que a transmissão dos fatos se fará em segunda mão. Nascido na Alemanha, Blumenthal deixou o país em 1939, estudou nos Estados Unidos e chegou a secretário do Tesouro norte-americano na gestão do presidente Jimmy Carter, de 1977 a 79. Segundo ele, o Holocausto vai continuar sendo uma parte importante da história alemã, um acontecimento histórico que implica em responsabilidade. Blumenthal chama a atenção para a diferença entre culpa e responsabilidade. "As novas gerações não são culpadas pelos atos de seus antepassados, mas têm responsabilidade nacional que acredito que vai continuar sendo assumida."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nova geração de judeus da Alemanha almeja mudar esse modelo de relacionamento. "Eu quero me libertar dessa sensação de que, quando o assunto é minha religião, as pessoas sempre pensam: `Ah, você é judia.´ E imediatamente começam a prestar atenção no que falam como se estivessem pisando em ovos", dizia a estudante de Ciências Políticas, Katharina Goos, em 2005. A jovem propunha uma maior abertura no convívio diário. "Nós podemos nos abrir para as pessoas de outras religiões e dizer: olhem para nós, nós não somos maus."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;O suicídio de um apátrida&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Na mesma reportagem, o jovem Daniel Iranyl explicava os seus motivos para residir na Alemanha. "Aqui é um bom lugar para se viver, mesmo que alguns discordem. Eu me vejo como um judeu europeu e acho importante que as pessoas entendam que o judaísmo não esta limitado à tristeza. Somos pessoas felizes e eu amo Berlim."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando no tempo, em 1938 centenas de casas, lojas e sinagogas foram apedrejadas e incendiadas em várias cidades da Alemanha. Começava efetivamente o processo de extermínio em massa da comunidade judaica alemã naquele 9 de novembro que passou para a história como a noite das vidraças quebradas ou a Noite dos Cristais. Na época, mais de meio milhão de judeus vivia na Alemanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o fim da Segunda Grande Guerra, sobraram 15 mil judeus e nos 62 anos posteriores esse número foi se multiplicando até atingir a marca oficial de 110 mil. Quantidade respeitável de membros que, somada à onda de turismo específico, estimulou a mídia internacional, no decorrer de 2010, a enfocar a Alemanha sob um bizarro ângulo de cartão postal do Holocausto, aplicando-se ainda em propalar o tal renascimento judaico em um país salpicado de monumentos, memoriais, mausoléus e museus de lembranças e de mea culpa. Uma realidade que pouco surpreenderia o filósofo e pensador judeu Walter Benjamim (1892-1940), figura cultuada pela intelectualidade brasileira. É dele a frase-slogan : &lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;"Não há um documento de cultura que não seja ao mesmo tempo um documento da barbárie."&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Em 1939, Benjamim foi destituído de sua cidadania alemã, enquanto vivia na França, e passou a ser um "estrangeiro de nacionalidade indeterminada de origem alemã". Nascido em Berlim, o autor de &lt;em&gt;Teses sobre o conceito da História&lt;/em&gt; tentou em vão obter a cidadania francesa. Quando só restava a fuga para escapar à Gestapo, ele se viu impossibilitado de alcançar a liberdade pela falta de documentos legais. Deprimido, na noite de 25 de setembro de 1940, em um quarto de hotel na fronteira com a Espanha, cometeu suicídio ingerindo uma dose letal de morfina. Tinha 48 anos e embora somasse uma história pessoal enraizada na Alemanha e uma reconhecida bagagem literária, era um apátrida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;Uma missão quase impossível&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TQfzIMeimGI/AAAAAAAAA60/Hx4mUVOCXls/s1600/nazista.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 109px; FLOAT: left; HEIGHT: 86px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5550672387871250530" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TQfzIMeimGI/AAAAAAAAA60/Hx4mUVOCXls/s320/nazista.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Em 1989, o livro "Modernidade e Holocausto", de um sociólogo judeu de origem polonesa, ganhou o prestigioso prêmio Almafi, concedido pela Associação Italiana de Sociologia à melhor obra do ramo publicada na Europa. Seu autor, Zigmunt Bauman, atualmente com 85 anos, atribuía à modernidade e suas técnicas de planejamento, organização e produção, um papel decisivo na consecução do Holocausto. Observava Bauman que "o Holocausto nasceu e foi executado na nossa sociedade moderna e racional, em nosso alto estágio de civilização e no auge do desenvolvimento cultural humano". Radicado na Inglaterra desde da década de 1970, o sociólogo criticava o afrouxamento dos mecanismos de lembrança em relação ao genocídio. "A autocura da memória histórica que se processa na consciência da sociedade moderna é mais do que uma indiferença ofensiva às vítimas do Holocausto. É também um sinal de perigosa cegueira, potencialmente suicida."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Custa-me acreditar que meu pai tenha sido deportado daqui para o campo de Sachsenhausen", afirma o israelense Amit Sonnenfeld, de 56 anos, em sua primeira visita à Alemanha, em setembro de 2010. Sua mulher Eynat acrescenta: "Berlim é completamente multicolor, e não tem nada que ver com as imagens da Alemanha que me acompanham desde a infância." Ambos, segundo a reportagem do jornal de Munique, se movimentavam esbaforidos e felizes pelas ruas de Berlim, carregados de sacolas de compras e animados com o circuito gastronômico que a cidade oferece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Bauman, redimir o passado implicaria em atualizar o seu significado no tempo presente. Entretanto, a memória da história oficial é sempre percebida de forma linear, enfileirando fatos,datas e as diversas formas de poder que atuaram no contexto. No caso do Holocausto, os testemunhos dos sobreviventes acrescentaram uma segunda dimensão à história. Mas, no estágio atual – onde os campos de horror foram transformados em bem cuidados museus a céu aberto e o genocídio se recria em projetos arquitetônicos monumentais –, a globalização já aspirou e centrifugou os inevitáveis espantos e discordâncias, transformando-os em resíduos ou pó. Com os seus (aparentemente) ilimitados recursos de pasteurização sobre as sociedades midiáticas e marquetizadas, a globalização viabilizou o encontro mágico entre a mais alta tecnologia e as táticas de convencimento, tornando a busca de um sentido singular e contemporâneo ao significado do Holocausto, uma missão quase impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;O prognóstico de Orwell&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TQfzhowQavI/AAAAAAAAA68/IZzPmydttj4/s1600/1984.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 120px; FLOAT: left; HEIGHT: 107px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5550672824958479090" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TQfzhowQavI/AAAAAAAAA68/IZzPmydttj4/s320/1984.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;O pensamento globalizado é uma das características do século 21 e aqueles cujas ideias possam de alguma forma desregular uma azeitada ordem midiática, construída sobre sólidas estruturas de poder, certamente terão grandes dificuldades em concretizá-las com algum êxito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso específico do Holocausto, o aspecto ideológico e a sua vigorosa instrumentalização que permitiu, com sucesso, a implantação de um sistema industrial de matança dentro de uma sociedade civil informada e evoluída, caminha para ganhar ares de ficção, cercado dos cintilantes penduricalhos que a imaginação e a criatividade associadas à arte e a tecnologia do marketing são capazes de produzir. Sobrando disso tudo, talvez, em um futuro não muito distante, um shopping virtual de imagens – símbolo de uma época perdida no tempo – a ser acessado por alguns curiosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa complexa relação entre o presente, a percepção do passado e o poder, em suas formas manifestas ou subterrâneas, já tinha sido admiravelmente prenunciada pelo jornalista britânico Eric Arthur Blair (1903-1950), ferido no pescoço na Guerra Civil espanhola enquanto lutava contra o ditador Francisco Franco e seus aliados Mussolini e Hitler. Ele sabiamente prognosticou: &lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;em&gt;"Quem controla o passado, controla o futuro; e quem controla o presente controla o passado".&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; Sob o pseudônimo de George Orwell, na novela 1984, o autor, que foi correspondente da BBC de Londres na 2ª Grande Guerra, delineou um axioma que em 1949, data da publicação do livro, poderia parecer delirante. Um livro que ainda fascina milhões de pessoas e que, de acordo com a pesquisa da revista &lt;em&gt;Newsweek,&lt;/em&gt; publicada em 2009, foi apontado como segundo melhor livro de todos os tempos, perdendo apenas para o romance "Guerra e Paz", de Leon Tolstoi. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7322191688736794078-3116942168657251065?l=sheilasacks.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/3116942168657251065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/3116942168657251065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sheilasacks.blogspot.com/2010/12/ate-onde-memoria-alcanca.html' title='Até onde a memória alcança'/><author><name>Sheila Sacks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16806038529181436948</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/Se47EqDHGzI/AAAAAAAAACE/PTl8wAnMnv4/S220/sheila+4.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TQfyVO_FkEI/AAAAAAAAA6c/RW9wtor0WLg/s72-c/Port%25C3%25A3o%2Bde%2BBrandemburgo%2B1.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7322191688736794078.post-5140518190785458728</id><published>2010-11-15T07:11:00.000-08:00</published><updated>2011-01-18T16:11:54.706-08:00</updated><title type='text'>Carisma de Lula vence eleição</title><content type='html'>&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 152px; FLOAT: left; HEIGHT: 116px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5539795341775243426" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TOFOgyLgiKI/AAAAAAAAA5M/SZpnYgIq4TA/s320/Dilma%2Be%2BLula%2B1.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#006600;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;por Sheila Sacks&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;publicado no Portal dos Brasileiros em Israel&lt;/span&gt; &lt;a href="http://www.brasil.org.il/index.php"&gt;http://www.brasil.org.il/index.php&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;Pelo terceiro pleito consecutivo para a escolha de quem vai governar o Brasil, a comunidade judaica aposta contra o Partido dos Trabalhadores (PT) e perde. Desde a primeira vitória do PT, em 2002, as federações israelitas e a mídia judaica online procuram dissociar a figura de Luiz Inácio Lula da Silva, líder máximo do PT, da cartilha básica de compromissos ideológicos do partido. Para isso se valem, periodicamente das declarações polidas da assessora pessoal do presidente, Clara Ant, ativista política e ex-integrante do movimento estudantil trotskista “Liberdade e Luta”, dos anos 1970.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Longe das esferas oficiais&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TOFPghrBDjI/AAAAAAAAA5k/CvKtXsg7-yU/s1600/Lula%2Be%2BClara%2BAnt.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 130px; FLOAT: left; HEIGHT: 84px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5539796436855623218" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TOFPghrBDjI/AAAAAAAAA5k/CvKtXsg7-yU/s320/Lula%2Be%2BClara%2BAnt.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Principal interlocutora do governo federal com a comunidade judaica, Clara Levin Ant, de 62 anos, tem a delicada função de prover de explicações plausíveis e baixar o nível da fervura todas as vezes que membros e representantes mais radicais do PT assumem posições ou adotam iniciativas mais contundentes - inclusive com a publicação de artigos na mídia - que possam, de alguma forma, repercutir negativamente sobre a comunidade de 120 mil brasileiros judeus, principalmente em relação à contenda entre Israel e seus vizinhos palestinos. Os esclarecimentos solicitados são feitos longe dos círculos oficiais e raramente ganham às páginas da grande imprensa, cabendo então aos informativos comunitários online veicularem de forma “equilibrada”, sem atiçar os ânimos, as inevitáveis justificativas. De preferência acrescidas de fotos exibindo os visitantes nos gabinetes palacianos. Uma visão que enche os olhos da comunidade judaica e reforça a impressão de que o governo esta sempre disposto a escutá-los, ainda que mantenha sua posição ideológica inalterável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascida na Bolívia, filha de um imigrante judeu que se transferiu para São Paulo na década de 1950, Clara Ant formou-se arquiteta e depois optou pela política. Participou da fundação da CUT (Central Única dos Trabalhadores) – é de sua autoria o logotipo da organização -, elegendo-se deputada estadual pelo PT paulista em 1986. Acompanhando Lula desde 1998, quando o então ex-sindicalista concorreu pela terceira vez à presidência da República, Clara Ant tem sido bastante inteligente em sua blindagem à figura do presidente que apesar de não se desviar das diretrizes do partido, tanto na política interna como na externa, é visto pela comunidade judaica como um petista mais aberto e acessível. Ela poderá integrar o staff da presidente eleita Dilma Roussef para quem trabalhou ativamente na campanha, provavelmente exercendo idêntico papel de mediadora. Outras fontes apostam que a assessora poderá acompanhar o presidente Lula na criação de uma fundação voltada para ações sociais, como a de ajudar a combater a fome e a pobreza no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Vantagem de votos em Minas Gerais e Rio de Janeiro&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Mas, mesmo contando com um espaço razoável nas agendas do Planalto, a comunidade judaica nesta eleição presidencial de 2010 - realizada em dois turnos, o primeiro em 3 de outubro e o segundo no dia 31 - votou no candidato da oposição representada pelo governador paulista José Serra. Maior colégio eleitoral do país, com 30 milhões de eleitores, São Paulo ficou nos meses que antecederam as eleições sob a batuta do vice-governador Alberto Goldman, judeu e ex-militante do Partido Comunista Brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confiante em uma vitória expressiva em seu estado, Serra e seus correligionários foram surpreendidos pelo desempenho eleitoral da candidata lulista. Sua vantagem nas urnas foi bem discreta com um placar de 54% contra 45% obtidos por Dilma. Já no segundo e terceiro maiores colégios eleitorais, Minas Gerais (15 milhões de eleitores) e Rio de Janeiro (11 milhões), Dilma alcançou 60% dos votos. Somando com as vitórias obtidas na maioria dos estados das regiões Norte e Nordeste, incluindo a Bahia (70% dos votos) e mais o Rio Grande do Sul (ambos os estados elegendo governadores petistas, Jacques Wagner – de mãe judia - e Tarso Genro – de avó judia), a indicada de Lula conquistou a posição única de se tornar a primeira mulher e ex-combatente (lutou contra a ditadura e permaneceu presa de 1970 a 1972) a se tornar presidente do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez por isso ou pela alegada simpatia do PT pelas FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), grupo gerrilheiro marxista-leninista classificado de narco-terrorista pela própria Colômbia, Estados Unidos, Canadá e União Européia, a organização tenha publicado mensagem de felicitações à Dilma, com “aplausos e reconhecimento” a sua vitória. No comunicado, eles afirmam que estão seguros de que a nova presidente do Brasil terá papel determinante “para alcançar a paz regional na irmandade dos povos do continente”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Pela defesa da liberdade de religião e expressão&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TOFO-ooBETI/AAAAAAAAA5U/lCjWMplH9WE/s1600/Dilma%2Be%2BClara.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 130px; FLOAT: left; HEIGHT: 104px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5539795854606537010" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TOFO-ooBETI/AAAAAAAAA5U/lCjWMplH9WE/s320/Dilma%2Be%2BClara.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Em seu primeiro discurso, após os resultados das urnas, Dilma Roussef tratou de apaziguar os ânimos, comprometendo-se a zelar pela total liberdade de religião e de expressão. “Prefiro o barulho de uma imprensa livre ao silêncio das ditaduras” enfatizou em seu pronunciamento à nação, em 1 de novembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, durante os meses que antecederam a eleição, o presidente Lula várias vezes se queixou das insistentes abordagens negativas sobre o seu governo por parte dos gigantes da mídia brasileira. Os jornais “O Globo”, “Estado de São Paulo”, “Folha de São Paulo”, “Estado de Minas”; as revista “Veja” e ‘Época”; e, principalmente, a rede Globo de rádio e TV, abriram amplos espaços para a veiculação de acusações contra assessores do governo, ligando-os às práticas de tráfico de influências e de malversação de dinheiro público. Os ataques continuados nos meios de comunicação ao seu governo e a sua candidata, apontada como inexperiente em gestão política, levaram o presidente Lula, em um comício na cidade paulista de Campinas, a comparar os veículos da imprensa a partidos políticos: “Nós vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como fossem partido político e não têm coragem de dizer que são partido político e têm candidato”, falou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Críticas ao “Antiamericanismo primitivo”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Apesar do apoio dos grandes empresários por conta das centenas de obras nas áreas da construção civil e de infraestrutura (energia, estradas, saneamento, moradias, portos e aeroportos) que se espalham pelo país através da implantação do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), e que somente no Rio de Janeiro vêm injetando bilhões de dólares na urbanização das favelas e nas obras de modernização da cidade para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, uma outra parcela da elite empresarial brasileira tem dado mostras de sua insatisfação diante do que chamam de “antiamericanismo primitivo” praticado pelo governo comandado por Lula, incluindo aí a sua aproximação com a ditadura militar-religiosa do Irã que nega o Holocausto e com os governos de esquerda dos vizinhos Equador, Bolívia e Venezuela (os dois últimos romperam relações diplomáticas com Israel, no início de 2009, devido ao conflito em Gaza).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em resposta às críticas dos descontentes, Lula gosta de assinalar que as pessoas ricas foram as que mais ganharam dinheiro no seu governo. O empresariado lucrou na área da construção civil, na indústria, no comércio em geral e em todas as áreas de negócios e investimentos que tiveram forte crescimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em contrapartida, no rastro desse cenário econômico mais favorável, foram criados mais de 10 milhões de empregos formais e cerca de 20 milhões de pessoas saíram da linha da fome e da extrema miséria ajudadas principalmente por programas sociais como o Bolsa Família, que atende 12 milhões de famílias com a transferência direta de até 130 dólares mensais para cada uma, beneficiando um total de 46 milhões de pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também o salário mínimo mensal cresceu mais de 50% e hoje equivale a 280 dólares, com a perspectiva de que em janeiro de 2011 chegue aos 300 dólares. O aumento nas oportunidades de emprego e a oferta de maior crédio possibilitaram a entrada de 30 milhões de pessoas na classe C. Já as classes A e B, as mais ricas, tiveram um acréscimo de 6 milhões de pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Diplomacia brasileira é o ponto de discórdia&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TOFPJvgyKlI/AAAAAAAAA5c/lv9Mmfyko1c/s1600/Dilma%2Bcarreata.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 120px; FLOAT: left; HEIGHT: 104px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5539796045433809490" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TOFPJvgyKlI/AAAAAAAAA5c/lv9Mmfyko1c/s320/Dilma%2Bcarreata.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Contudo, apesar do louvável e meritório trabalho de erradicação da miséria e inclusão social que tem favorecido milhões de brasileiros, associado às efetivas melhorias que as demais classes sociais também alcançaram no governo Lula, os judeus brasileiros, em sua maioria, sentem-se incomodados com a política externa brasileira que em anos recentes intensificou a aproximação com governos árabes totalitários que pregam a eliminação do estado de Israel. Adotando a causa palestina de um ponto de vista ideológico, a diplomacia brasileira tem ignorado o real contexto do Oriente Médio que obriga os israelenses a manter um contínuo estado de alerta e de defesa de sua integridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em entrevista coletiva concedida a alguns jornalistas brasileiros que visitaram recentemente Israel, o presidente Shimon Peres afirmou que o Brasil precisa se decidir se é pró-Irã ou pró-EUA.“ É preciso fazer uma escolha”, acentuou. Ele exortou o Brasil a levar a sério as ameaças do líder iraniano Mahmoud Ahmadinejad a Israel, assim como sua pregação contra o Holocausto. Elogiando o presidente brasileiro, Peres disse que “a voz do Brasil deve ser ouvida” mas que a diplomacia brasileira deve se pautar por valores e não apenas pelo “puro poder”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na reportagem publicada em 10 de novembro no jornal &lt;em&gt;Estado de São Paulo&lt;/em&gt;, Peres destacou que a convivência harmoniosa de árabes e judeus no Brasil é um exemplo para o mundo. Contou que ele e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, ficaram impressionados ao se reunirem com o Comitê Olímpico brasileiro que prepara as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro. “Eu vi que havia judeus e árabes trabalhando junto. Então eu disse a Abbas: Se eles conseguem, porque nós não?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em março de 2010, um dos mais importantes jornais de Israel, o &lt;em&gt;Haaretz&lt;/em&gt;, já havia chamado Lula de “o profeta do diálogo” por suas intermediações em busca da paz no Oriente Médio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;A mulher que vai comandar um gigante econômico&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O fato é que Dilma Vana Rousseff, uma economista de 62 anos, de pai nascido na Bulgária, e o seu vice, o deputado federal Michel Elias Temer Lulia, de 69 anos, filho de um imigrante libanês, assumem a partir de 1º de janeiro as rédeas de um país que de acordo com analistas estrangeiros caminha para ser a 5ª maior potência econômica mundial. Atualmente, o Brasil é a 8ª economia do mundo, com um PIB – Produto Interno Bruto (conjunto de todos os bens e serviços produzidos no país) de U$ 1,8 trilhão, sendo superado apenas pela Itália, Reino Unido, França, Alemanha e pelos líderes Estados Unidos, China e Japão. Daí que mesmo antes de ser empossada, a recém-eleita presidente do Brasil já figura na lista das pessoas mais influentes do mundo de acordo com a revista norte-americana Forbes. Das 68 personalidades mais poderosas entre 6,8 bilhões de habitantes do planeta, Dilma ocupa a 16ª posição, à frente de políticos como o presidente da França, Nicolas Sarkozy (19ª) e a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton (20ª).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o aval incondicional do presidente Lula que após oito anos governando o país ainda desfruta de uma espantosa popularidade advinda da aprovação e da avaliação positiva de seu governo por 83% da população, a nova presidente também terá a seu favor um Congresso formado, em sua maioria (3/5 dos congressistas) por deputados e senadores eleitos pelos partidos de coalizão que apoiam o governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Em tempo e para refletir&lt;/span&gt;: dos 135 milhões de brasileiros aptos a votar (o país tem 190 milhões de habitantes), 29 milhões se abstiveram de votar (21% do eleitorado) e 7 milhões anularam o voto. Oitenta e cinco mil eleitores votaram no exterior.&lt;br /&gt;Na apuração final, Dilma obteve um total de 55,7 milhões de votos (56% do eleitorado) contra 43,7 milhões (44%) de Serra, ganhando por uma diferença de 12 milhões de votos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7322191688736794078-5140518190785458728?l=sheilasacks.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/5140518190785458728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/5140518190785458728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sheilasacks.blogspot.com/2010/11/carisma-de-lula-vence-eleicao.html' title='Carisma de Lula vence eleição'/><author><name>Sheila Sacks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16806038529181436948</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/Se47EqDHGzI/AAAAAAAAACE/PTl8wAnMnv4/S220/sheila+4.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TOFOgyLgiKI/AAAAAAAAA5M/SZpnYgIq4TA/s72-c/Dilma%2Be%2BLula%2B1.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7322191688736794078.post-4537261323233060409</id><published>2010-11-05T14:53:00.000-07:00</published><updated>2010-11-05T15:37:18.437-07:00</updated><title type='text'>Os órfãos da Inquisição</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TNR_GzmVioI/AAAAAAAAA4M/tKbpHaN8W4I/s1600/Shavei+israel-rezando.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 120px; FLOAT: left; HEIGHT: 149px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5536189596852128386" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TNR_GzmVioI/AAAAAAAAA4M/tKbpHaN8W4I/s320/Shavei+israel-rezando.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#990000;"&gt;por Sheila Sacks&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;São milhares de cidadãos com sobrenomes familiares aos brasileiros: Pereira, Araújo, Almeida, Albuquerque, Bezerra, Caldeira, Cabral, Carneiro, Dias, Cardoso, Coimbra, Melo, Lopes, Salgado, Oliveira, Mendes, Saldanha, Moreno, Pinto, Costa etc. Entretanto, há 500 anos, nas terras da Península Ibérica, os antepassados desses milhões de brasileiros portavam nomes e identidades diferentes: Aboab, Cohen, Abravanel, Aruch, Obadia, Abulafia, Danon, Eskenazi, Hakim, Finzi, Gabirol, Gabbai etc. A mudança drástica ocorrida em suas raízes familiares, culturais e religiosas e a ruptura radical com um passado milenar peculiar e único, resultaram em uma inimaginável legião de órfãos de pais biológicos vivos. Afinal, o que significa um estreito lapso de cinco séculos frente à imensidão de um cenário macro formado por mais de três milênios de história e tradição?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A procura pela identidade primeira, representada pela ancestralidade original, tem mobilizado milhares de pessoas em várias partes do mundo interessadas em encontrar respostas a uma série de sentimentos reprimidos e a incontáveis dúvidas existenciais. Com o intuito de ajudar a essas pessoas especiais a encontrar as suas raízes, foi fundada em 2004 a organização SHAVEI ISRAEL (Retorno a Israel), com sede em Jerusalém. A instituição está presente em vários países, inclusive no Brasil. Seu dirigente, Michel Freund, acredita que existam 13 milhões de descendentes de judeus que ainda guardam alguma prática judaica de seus antepassados, 500 anos depois da tragédia e das fogueiras da Inquisição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Pelo retorno de um povo: A missão mais que possível.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Michael Freund, 42 anos, é um novaiorquino formado em Finanças pela Columbia University e Política Internacional pela de Princenton. Vivendo em Israel há mais de de uma década, ele também percorre meio mundo para descobrir e ajudar os “judeus perdidos” a reencontrarem a sua herança milenar. Fundador da Organização SHAVEI ISRAEL, Freund mantém contato com as várias comunidades de descendentes dos chamados “falsos cristãos” ou “bnei anussim” (filhos dos forçados – descendentes daqueles que foram convertidos à força ao catolicismo, durante a Inquisição), na Europa, América do Sul, África e Ásia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Organizando seminários e instalando centros de estudos e de apoio para atender a todos que têm um real interesse em recuperar as suas origens, o SHAVEI ISRAEL conta com um grupo de prestigiados educadores e rabinos que realizam as conversões sempre de acordo e com a aprovação do Rabinato de Israel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TNR--HHWdVI/AAAAAAAAA4E/zvoDxeWdWfY/s1600/shavei+israel+China.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 120px; FLOAT: left; HEIGHT: 104px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5536189447472051538" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TNR--HHWdVI/AAAAAAAAA4E/zvoDxeWdWfY/s320/shavei+israel+China.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Em 2005, Freund se encontrou com pessoas de Burma, Espanha, Peru, Índia, Colômbia e Japão que tinham feito o “monumental passo de formalmente se unir ao povo judeu”. Eram biólogos, tradutores, professores e até mesmo um ex-padre católico. “Nesta época em que tantos jovens judeus abandonam as suas raízes judaicas, ver este despertar sem precedentes acontecendo sob os nossos olhos, com pessoas batendo a nossa porta, com sinceridade, suplicando para entrar, é emocionante e inspirador”, enfatiza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Os judeus perdidos do Nordeste&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;No Brasil, os emissários do SHAVEI já criaram um núcleo em Recife. Historiadores acreditam que o nordeste do Brasil abriga uma das maiores concentrações de bnei anussim do mundo. Em 2008, 45 famílias que descobriram as suas raízes judaicas (30 de Pernambuco e 15 da Paraíba) estudavam as leis, os costumes religiosos, as festas, o calendário e o significado do retorno. Segundo o rabino Eliezer Sabba que ministrava o curso, os bnei anussim podem ser encontrados principalmente nos estados de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também existem judeus perdidos no Ceará, sertão da Bahia e norte de Minas Gerais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na reportagem para o Jornal do Comércio de Recife, o rabino explicou que muitos dos chamados cristãos-novos (judeu convertido à fé cristã) fugiram de Portugal para o sertão brasileiro porque era mais fácil manter as práticas judaicas. Embora a Inquisição também tenha chegado ao Brasil, a perseguição era menor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre as diversas maneiras de se reconhecer as raízes judaicas das pessoas, as mais importantes são os sobrenomes e os hábitos familiares. Os sobrenomes estão geralmente associados a árvores, animais ou aos locais onde viviam. Por exemplo, Matos e Selva, no interior do estado, e da Costa, no litoral. Bezerra é outro nome que identifica um cristão-novo. Quanto aos costumes, o rabino disse que conversou com pessoas que não comiam carne de porco, mas não sabiam explicar o motivo. Outras tinham aprendido com a família a acender velas todas as sextas-feiras para o anjo da guarda, sem fazer vinculação com o sábado dos judeus. Outro costume mantido no interior semelhante ao ritual judaico seria a forma de enterrar os mortos, enrolados numa mortalha e direto na terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Da selva peruana à China pessoas regressam ao Judaísmo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TNR-t_4RwWI/AAAAAAAAA38/FvarQOPlxic/s1600/Shavei+israel+bnei+menash%C3%A9.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 90px; FLOAT: left; HEIGHT: 127px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5536189170651873634" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TNR-t_4RwWI/AAAAAAAAA38/FvarQOPlxic/s320/Shavei+israel+bnei+menash%C3%A9.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Ainda na América do Sul, Freund enviou, em 2006, um rabino para uma cidade na selva amazônica peruana, a pedido da comunidade de Tarapoto, a 600 quilômetros ao norte de Lima, capital do Peru. Conhecida como a cidade dos Salmos, ela possui algumas centenas de descendentes de judeus marroquinos que conservam sobrenomes como Ben-Zaken, Ben-Shimon e Cohen.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro grupo que o SHAVEI tem dado assistência é aquele formado pelos descendentes da tribo perdida de Menashé (7.200 membros) que vive no noroeste da Índia, nas cidades de Mizoran e Manipur. Mil e quatrocentos deles já imigraram para Israel e outros 700 esperam fazer o mesmo. Eles se declaram descendentes dos judeus exilados da terra de Israel, pelos assírios, há 2.700 anos. Quatro dos cinco livro da Torá já foram traduzidos diretamente do hebreu para a língua local – Mizo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na China, os judeus da cidade de Kaifeng foram descobertos no século 17, e apesar da assimilação e da pobreza da comunidade, alguns ainda conservam a sua identidade. Também os judeus da Polônia e da Rússia, devido as guerras e ao regime comunista esconderam as suas identidades judaicas e agora participam de um movimento de retorno às suas origens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Espanha e Portugal, os países mais afetados pela Inquisição, muitos desses bnei anussim conservaram a sua identidade judaica secretamente, por 500 anos, como foi o caso dos judeus de Palma de Mallorca e de Belmonte. Nesta última cidade, no norte de Portugal, 150 desses cristãos-novos que se mantiveram leais às práticas do Judaísmo já foram formalmente reconhecidos por uma Corte Rabínica de Jerusalém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;De braços abertos para os que retornam&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em 2007, fiz algumas perguntas via email ao Sr. Freund que antes de se dedicar à causa dos “judeus perdidos” trabalhou com o Primeiro Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, no cargo de vice-diretor de Comunicações e Planejamento Político do Governo (1996-1998). Freund também escreve periodicamente para o jornal “Jerusalém Post” e o seu blog – Fundamentally Freund – foi escolhido entre os três melhores de Israel, em 2005, na categoria de política e negócios e de defesa dos interesses do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;O que levou o senhor a fundar, em 2004, uma instituição como o SHAVEI ISRAEL?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Eu decidi lançar o Shavei Israel porque percebi que o povo judeu encontrava dificuldades em ajudar mais efetivamente os descendentes dos judeus ao redor do mundo que desejassem investigar as suas origens judaicas. Em anos recentes, o fenômeno da globalização surgiu e alcançou aqueles indivíduos e comunidades que tinham uma conexão histórica com o povo judaico, e que começaram a manifestar um crescente interesse em se reconectarem à sua herança judaica. Eu acredito que é nossa responsabilidade, como judeus, adotar essas pessoas, estender-lhes a mão e dar as boas-vindas em seu retorno ao lar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Através dos séculos, como conseqüência de uma cruel perseguição e exílio, muitos judeus foram forçados a se converterem a outras religiões ou deixar de lado a sua identidade judaica. Tomemos, por exemplo, Espanha e Portugal no século XV, quando centenas de milhares de judeus foram obrigados a se converterem ao Catolicismo contra a sua vontade. Apesar disso, muitos continuaram a seguir o Judaísmo em segredo preservando a sua identidade judaica, mesmo conscientes do grande risco que esta prática envolvia. Eles eram conhecidos como marranos ou bnei anussim, na língua hebraica, que significa “aqueles que foram forçados”. Eles mantiveram a sua identidade judaica secretamente, de geração em geração, e, atualmente, seus descendentes podem ser encontrados em toda a parte do mundo onde se fala espanhol e português, incluindo, logicamente, o Brasil, onde, talvez, esteja localizado o maior número de descendentes de judeus, possivelmente uma cifra que chega a milhões de pessoas. São exatamente estas pessoas que nós desejamos alcançar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, eu precisaria acrescentar que o Judaísmo não é uma religião missionária e nós não somos uma organização missionária. Em vez disso, nós trabalhamos com pessoas que não apenas têm uma ligação biológica com o Judaísmo e os judeus, mas também uma natural identificação e que estejam interessadas em fortalecer esta conexão mais adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Israel e o povo judeu defrontam-se com um imenso desafio demográfico. Nós somos um pequeno povo – apenas 13,5 milhões de judeus em todo o planeta! – e nossos números não crescem como seria desejável. Por conseguinte, indo ao encontro de nossos irmãos e irmãs perdidos e trazendo-os de volta para a congregação, nós poderemos nos fortalecer, tanto espiritualmente como numericamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;Quais são as grandes vitórias do SHAVEI ?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;- A instituição tem se expandido de forma extraordinária nesses anos, e nós estamos presentes, agora, em oito países ao redor do mundo, incluindo Espanha, Portugal, Brasil, Índia, Peru, Rússia, Polônia e China. Na Índia, nós temos dois centros educacionais para os “bnei Menashé”, um grupo de descendentes de uma Tribo Perdida de Israel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em março de 2005, o Rabino Chefe Sefaradit de Israel, Rabbi Shlomo Amar, reconheceu formalmente os bnei Menashé como descendentes de Israel, e então nós organizamos a ida de uma Corte Rabínica (Beit Din) à Índia, em setembro do mesmo ano, onde foi possível converter 200 membros da comunidade que retornaram ao Judaísmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Espanha, Portugal e Brasil, nós temos emissários atuando em Palma de Mallorca, na cidade do Porto e Recife, onde trabalham com os rabinos para a comunidade local e ao mesmo tempo realizam serviço voluntário com os bnei anussim em diversas áreas. Nós organizamos seminários e simpósios, várias vezes ao ano, e temos publicado um bom número de livros e folhetos em espanhol sobre a história judaica, sua cultura e tradições. Também em Jerusalém nós mantemos o Instituto “Machon Miriam”, de língua espanhola, para conversão e “retorno”, onde estudantes se preparam para submeter-se à conversão formal ao Judaísmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós trabalhamos, ainda, com os descendentes dos judeus da comunidade de Kaifeng, na China, com os judeus de Subbotnik, na Rússia, e com os “judeus secretos” da Polônia. Igualmente patrocinamos uma variedade de cursos profissionalizantes para os novos imigrantes que chegam a Israel, providenciando bolsas de estudo e computadores para os estudantes carentes e fornecendo ajuda de custo nos primeiros meses de sua chegada ao país. Todo o nosso trabalho é conduzido de acordo com a Lei Judaica e sob a supervisão contínua da Chefia do Rabinato de Israel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;De que forma as pessoas podem ajudar o SHAVEI ISRAEL?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TNR-RFBQBhI/AAAAAAAAA30/tZxNE5xBNQ4/s1600/judeus+et%C3%ADopes.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 180px; FLOAT: left; HEIGHT: 119px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5536188673815479826" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TNR-RFBQBhI/AAAAAAAAA30/tZxNE5xBNQ4/s320/judeus+et%C3%ADopes.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;- Um de nossos objetivos também é formar uma consciência entre a comunidade Judaica acerca da existência de grupos como os do bnei Menashe e do bnei anussim. As pessoas precisam entender que estes grupos não existem apenas em livros de história – eles estão bem vivos e estão clamando ao povo judeu para que os ajudem e apoiem. Pessoas interessadas em conhecer um pouco mais sobre o nosso trabalho podem visitar o nosso site http:www.shavei.org/ onde encontrarão informações em inglês, espanhol, português e catalão. Também podem enviar e-mail , no endereço spanhish@shavei.or .Todos serão muito bem-vindos. O Shavei Israel também está no facebook.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Nota:&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;Em 2010 já emigraram para Israel 1.320 judeus da Etiópia. Da América do Sul e Central foram 1.360 judeus, sendo 330 da Argentina, 240 do Brasil, 160 do México, 140 do Peru, 120 da Venezuela e 90 do Uruguai. Ao todo escolheram residir em Israel, nos últimos doze meses, quase 18 mil judeus de várias partes do mundo, sendo 7.400 da ex-União Soviética e mais de 5 mil de países como Estados Unidos, África do Sul, França, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e outros. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7322191688736794078-4537261323233060409?l=sheilasacks.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/4537261323233060409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/4537261323233060409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sheilasacks.blogspot.com/2010/11/os-orfaos-da-inquisicao_05.html' title='Os órfãos da Inquisição'/><author><name>Sheila Sacks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16806038529181436948</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/Se47EqDHGzI/AAAAAAAAACE/PTl8wAnMnv4/S220/sheila+4.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TNR_GzmVioI/AAAAAAAAA4M/tKbpHaN8W4I/s72-c/Shavei+israel-rezando.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7322191688736794078.post-1495983250978458295</id><published>2010-10-07T11:06:00.000-07:00</published><updated>2010-10-07T12:28:08.245-07:00</updated><title type='text'>A Bíblia hebraica dos Açores</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TK4Qi5lUtvI/AAAAAAAAA0E/m3qN6MM31ZE/s1600/B%C3%ADblia+hebraica+em+A%C3%A7ores.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 171px; FLOAT: left; HEIGHT: 128px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5525371984589141746" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TK4Qi5lUtvI/AAAAAAAAA0E/m3qN6MM31ZE/s320/B%C3%ADblia+hebraica+em+A%C3%A7ores.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#990000;"&gt;por Sheila Sacks&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Em 1997, os jornais do arquipélago português dos Açores divulgaram um fato inusitado: dois garotos de uma aldeia de pescadores da região haviam achado em uma gruta, por acaso, um velho pergaminho enrolado escrito em hebraico ou aramaico.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na ocasião, quem leu a notícia e logo percebeu que se tratava de uma Torá (Velho Testamento- Pentateuco) foi o jornalista e pesquisador Inacio Steinhardt, português de nascimento e radicado em Israel. A partir de então e durante seis anos ele seguiu os passos da misteriosa Bíblia hebraica, na tentativa de desvendar e ordenar a história que acompanharia aquele documento religioso escondido em uma ilha do oceano Atlântico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascido em Lisboa, em 1933, e vivendo em Israel desde 1976, Steinhardt foi correspondente de jornais portugueses e da agência de notícias Lusa. É presidente honorário da Liga de Amizade Israel – Portugal, em Tel Aviv, e Comendador da Ordem de Mérito da República Portuguesa.&lt;br /&gt;O jornalista também é co-autor do livro “Ben-Rosh- Biografia do Capitão Barros Basto, o Apóstolo dos Marranos”, que conta a história de um oficial do exército português que retornou às suas origens judaicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A entrevista abaixo foi realizada via email em 2008:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Em que data e de que forma o senhor teve conhecimento da existência de uma Torá do século 18 no arquipélago de Açores?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TK4RcV_YVCI/AAAAAAAAA0k/fmksP-VgaLQ/s1600/mapa+A%C3%A7ores.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 192px; FLOAT: left; HEIGHT: 120px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5525372971467166754" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TK4RcV_YVCI/AAAAAAAAA0k/fmksP-VgaLQ/s320/mapa+A%C3%A7ores.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;- Na nossa profissão não é raro acontecer que as histórias chegam até nós e não nos largam enquanto não as contamos. Foi o que me aconteceu também desta vez.&lt;br /&gt;No dia 8 de Maio de 1997 abri na Internet uma página que listava os jornais portugueses. Nesse dia o mouse parou sobre O Açoreano Oriental. Eu nunca tinha lido um jornal do arquipélago dos Açores. Não resisti e cliquei para ver como era.&lt;br /&gt;Logo na primeira página, em manchete, vinha a notícia sobre dois alunos da escola primária de Rabo de Peixe, uma aldeia de pescadores ao norte da Ilha de São Miguel, que, na véspera haviam achado, dentro de uma gruta, dois rolos de pergaminho, escritos com caracteres estranhos, e enrolados em volta de dois rolos de madeira. Suspeitei logo tratar-se de uma Torá (Velho Testamento).&lt;br /&gt;Nos dias seguintes todos os jornais dos Açores repetiam a história, acrescentando que se tratava de um rolo só, que os pequenos tinham cortado ao meio, levando alguns fragmentos consigo, um dos quais tinha sido identificado pelo professor de Religião e Moral da sua escola como sendo hebraico ou aramaico.&lt;br /&gt;A partir daí a imaginação não teve limites, atribuindo-se ao manuscrito a uma profecia papal e o local como lugar de culto secreto dos marranos (cristãos-novos, aqueles que foram convertidos à força no século XV). Um jornal americano chegou a noticiar a existência de inscrições nas paredes da gruta, nada menos do que em iídiche (idioma ainda usado por judeus, corruptela do alemão), imagine!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;De que maneira a Torá chegou até lá?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;- Conheço suficientemente a existência dos cripto-judeus (marranos) em Portugal para excluir a possibilidade daquela Torá lhes ter pertencido. A hipótese que me parecia mais lógica era de que a Torá seria de uma das cinco sinagogas que funcionaram nos Açores, no século XIX, dos judeus de origem marroquina que lá viveram. A minha suspeita confirmou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Existia na época comunidade judaica em Açores?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;- Em 1997 já não existia nenhuma comunidade judaica nos Açores. Durante o século XIX, até em torno de 1880, havia ali uma comunidade de judeus marroquinos que chegou a ter quase 250 pessoas e que vivia em diversas ilhas do arquipélago. As suas sinagogas funcionavam em casas particulares, com exceção da sinagoga Shaar Shamaim (Portas do Céu), na cidade de Ponta Delgada, na Ilha São Miguel, que tinha edifício próprio e ainda hoje lá está, embora esteja fechada há muitos anos&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;**&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Todas as Torás dessas sinagogas foram gradualmente sendo transferidas para a sinagoga Shaare Tikvá, de Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;O senhor poderia detalhar as aventuras e as desventuras desse pergaminho?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TK4RIsPZYVI/AAAAAAAAA0c/WfVL05aTJOw/s1600/Porto+Judeu.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 156px; FLOAT: left; HEIGHT: 108px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5525372633842540882" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TK4RIsPZYVI/AAAAAAAAA0c/WfVL05aTJOw/s320/Porto+Judeu.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;- Bom, é uma longa história que levei seis anos para desvendar. Em poucas palavras, a Torá foi escrita nos primeiros anos de 1700, na cidade marroquina de Mogador, que hoje se chama Essaouyra, na costa atlântica de Marrocos. Um judeu de Mogador, Mimon Abohbot, comerciante, mas pessoa muito letrada em judaísmo, trouxe ao Açores duas Torás para a sinagoga que funcionava em sua casa, na cidade de Angra de Heroísmo, na Ilha Terceira, onde ele servia de rabino. Em seu testamento ele deixou escrito que, após a sua morte, e não havendo mais judeus na cidade, uma Torá deveria ser enviada para a sinagoga da cidade de Ponta Delgada (Ilha São Miguel) e a outra levada de volta para Mogador, em Marrocos. Há informações da época que confirmam que a Torá foi encaixotada para o embarque, mas, por razões que ignoro, o caixote teria ficado nos Açores. Cem anos mais tarde, numa taberna da aldeia de Porto Judeu (um nome que também tem a sua história, para contar outro dia), na Ilha Terceira, o caixote foi entregue a um jovem capitão judeu, da base aérea americana das Lajes, também na Ilha Terceira. O capitão Marvin Feldman teve receio de abrir o caixote, pensando que se tratava de um caixão contendo os ossos de alguém. Mas, quando finalmente teve coragem para abrir, encontrou a Torá. Ele mandou vir dos Estados Unidos um manto para a Torá e começou a usá-la no serviço religioso improvisado, na capela da base, para os militares judeus. Um fato curioso, que não resisto em relatar, é que nenhum dos judeus da base tinha conhecimentos para ler o texto da Torá sem os sinais diacríticos. Quem resolveu o problema foi o capelão católico, padre Don Hunter, que havia aprendido hebraico e a leitura da Bíblia no original, e que vinha todos os sábados à capela ler a Parashá (capítulo semanal) para os judeus. Em 1973, quando regressou aos Estados Unidos, o capitão Feldman (hoje coronel aposentado), deixou a Torá na base, dentro de um bonito armário de madeira (Aron HaKodesh) que mandou construir. Durante muito tempo ninguém soube na base onde se encontrava a Torá do capitão Feldman. Hoje eu sei que entre 1994 e 1997 ela esteve com uma senhora que exercia as funções de líder laico judeu. Essa senhora, antes de regressar aos Estados Unidos, teve a intenção de mandar a Torá para a sinagoga de Lisboa. Por motivos que ainda desconheço, ela a teria mandado para alguém, em Ponta Delgada, que, por sua vez, deveria embarcar a Torá para Lisboa. E foi precisamente em maio de 1997 que alguém a escondeu dentro da gruta onde foi encontrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Qual era o estado de conservação da Torá quando foi encontrada?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;- Em perfeito estado de conservação, o que revela que não estava naquele local há muito tempo. O ar salgado do mar teria pelo menos corroído a tinta das letras e desfeito as costuras do pergaminho. A Torá encontrava-se dentro de um grande saco de plástico, como que pronta para o embarque. Identificado por especialistas da Universidade de Jerusalém como um pergaminho escrito em Marrocos nos anos de 1700, estava coberto por um manto de características ashkenazis (origem européia) e até costurado à máquina, portanto um manto que teria, quanto muito, 150 anos. Pelas fotografias, o capitão Feldman confirmou-me que era igual ao que ele mandara vir dos Estados Unidos. Esse foi o primeiro fio da meada que me serviu para desvendar o mistério: uma Torá sefaradita (de origem oriental) do século XVIII, com um manto ashkenazi moderno. Encontrava-se em perfeito estado de conservação quando os meninos a encontraram. Eles porém a destruíram, cortando-a em pedaços para vender na aldeia a pessoas que imaginavam obter grandes lucros com a antiguidade. Além disso, quando a notícia foi divulgada, eles tinham deixado o remanescente na gruta. Logo no dia seguinte alguém foi lá (talvez a mesma pessoa que a escondeu) e tirando os dois rolos remanescentes para fora, desenrolou um dos lados para tirar o eixo de madeira (ets haim) e arrancar os punhos e pontas que eram de marfim. Por alguma razão só conseguiu tirar o eixo de um lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Foi feita alguma restauração? Quem fez?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TK4Q0Yyc1UI/AAAAAAAAA0M/TlV8gdS392c/s1600/Biblioteca+de+A%C3%A7ores.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 158px; FLOAT: left; HEIGHT: 112px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5525372285023475010" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TK4Q0Yyc1UI/AAAAAAAAA0M/TlV8gdS392c/s320/Biblioteca+de+A%C3%A7ores.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;- O remanescente do achado foi entregue à Biblioteca e Arquivo Regional da cidade de Ponta Delgada. Depois foi enviada para o Departamento de Restauros da Biblioteca Nacional de Lisboa, onde fizeram um magnífico trabalho de restauração, com a ajuda do então rabino da Comunidade Israelita de Lisboa. Apenas ficaram vazios os lugares dos fragmentos que nunca foram devolvidos. Foi feita também uma bonita caixa-estojo, da mesma cor do manto de veludo. Agora a Torá encontra-se novamente exposta na Biblioteca de Ponta Delgada, nos Açores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Sua pesquisa durou seis anos. Foi difícil seguir os caminhos percorridos pela Torá?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Foi necessária muita persistência e muita sorte. Seguindo o fio da meada fui encontrar, entre os meus papéis, um artigo de uma revista hebraica citando um jornal judeu de Kansas City, Estados Unidos, que se referia ao achado de Marvin Feldman. Qualquer coisa me fez guardar esse artigo (não calcula quantas toneladas de recortes tem o meu arquivo pessoal). Depois foi uma missão impossível contatar tantos Marvin Feldman nos Estados Unidos, até localizar, ao cabo de seis anos, o homem certo, na Austrália! Hoje ele vive na Flórida. Marvin foi extremamente simpático, gravando para mim o relato exato da sua parte na história. O interessante é que em 1973, ano em que o capitão encontrou a Torá em Porto Judeu, eu tinha comprado num sebo em Lisboa um sidur (livro de rezas) manuscrito pelo mesmo Mimon Abohbot, em 1874, em Angra do Heroísmo. Copiou-o manualmente na intenção de que seus netos rezassem por ele em sua memória. Esse fato despertou a minha curiosidade e investiguei a biografia desse judeu piedoso, publicada em diversas fontes. Quando ouvi a gravação do capitão Feldman e a história do caixote, lembrei-me das duas Torás de Abohbot e do seu testamento. Fui consultar essas fontes e lá estava o episódio da caixa de madeira que deveria ser embarcada para Mogador. Em abril de 2005 estive pela primeira vez nos Açores, nas ilhas de São Miguel e da Terceira, para proferir duas palestras, a convite do Governo Regional. Aí eu contei a história da Torá, que por duas vezes se recusou a abandonar os Açores. Foi então que, novamente por acaso fortuito, soube do envio da Torá, da base das Lajes para Ponta Delgada. E pude assim acrescentar nas minhas palestras que foram três vezes que a Torá se recusou a sair dos Açores. Na mesma oportunidade visitei o cemitério judaico da cidade de Angra do Heroísmo, e, perante a sepultura de Mimon Abohbot e na presença do único judeu que mora na ilha, li, no livro piedosamente manuscrito por ele, a oração pelos mortos (Hashkará) na versão sefaradita em que Mimon listou os mortos de sua família. Foi um momento muito emocionante para mim. Como vê, o quebra-cabeça ainda não está terminado. Falta ainda saber duas coisas: onde esteve o caixote durante quase 100 anos, até aparecer na taberna da aldeia de Porto Judeu? Estive no local onde fui recebido de forma calorosa pela autoridade regional e com a sua ajuda entrevistei muitas pessoas idosas, mas ninguém se lembrava do que sucedera 30 anos atrás. A outra peça da charada que ainda falta desvendar, é saber quem recebeu a Torá em Ponta Delgada e quem, e por que, a escondeu na gruta em Rabo de Peixe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;A exposição do pergaminho é aberta ao público?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TK4VowPk76I/AAAAAAAAA1M/yDm0huyUO44/s1600/A%C3%A7ores+2.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 165px; FLOAT: left; HEIGHT: 120px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5525377582719365026" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TK4VowPk76I/AAAAAAAAA1M/yDm0huyUO44/s320/A%C3%A7ores+2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Sim. Recentemente o pergaminho foi disponibilizado aos visitantes na Biblioteca e Arquivo Regional de Ponta Delgada. Foi outro momento emocionante conhecer a Torá, que de alguma forma me procurou para eu escrever a sua história, e ler nela um capítulo. Mais: o Diretor Regional da Cultura afirmou-me que, se a sinagoga de Ponta Delgada for restaurada e conservada como museu judaico, sendo simultaneamente um lugar de orações para turistas judeus que visitam os Açores, e havendo segurança contra roubos no local, ele encararia a possibilidade de mandar transferir para lá a Torá de Rabo de Peixe. O pergaminho ficaria em exposição, visto que não pode ser utilizado para o culto, segundo a Halachá (lei judaica). Hoje já não existe comunidade judaica nos Açores. Apenas um judeu inglês vive na Ilha Terceira e alguns descendentes de judeus, que hoje já são católicos. Entre estes tenho o dever de destacar a obra meritória dos membros da família Bensaúde, que já não sendo judeus têm conservado, por conta própria, os cemitérios judeus ainda existentes no arquipélago e parte das obras de conservação da sinagoga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;A Torá já foi apresentada em outros locais?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. Aliás ela nada tem de extraordinária, além de sua história fantástica. Houve a sugestão de levá-la para Angra do Heroísmo, para estar presente quando da minha conferência, mas a ideia foi abandonada por problemas logísticos e de segurança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Mudando de tema: em 1997 o senhor publicou um livro sobre o Capitão Barros Basto, conhecido como o Dreyfus Português (foi afastado pelo exército em 1943). Qual é a importância deste personagem na moderna história judaica-portuguesa?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Eu não concordo muito com a designação de Dreyfus Português, porque as circunstâncias foram bem diferentes. Barros Basto não foi destituído da sua patente militar. Foi sim exonerado do exército e viveu seus últimos anos ferido no mais íntimo da sua alma, e em condições econômicas muito difíceis. Não foi acusado de traição, foi castigado com o intuito de aniquilar a obra que havia iniciado. Ele começou a sua vida rejeitando, instintivamente, a religião católica em que foi educado pela mãe, e buscando a verdadeira religião com todas as forças da sua alma. Passou por várias fases até que seu avô paterno, antes de falecer, o escolheu para transmitir o grande segredo da família: eles eram descendentes dos judeus convertidos pela força, em 1497. A Obra do Resgate, que ele criou para convencer os outros "anussim" (convertidos à força) de que já havia liberdade religiosa em Portugal, foi um trabalho gigantesco que encontrou eco em todo o mundo judaico. E conseguiu construir uma imponente sinagoga na cidade do Porto. Mas foi uma obra que durou apenas enquanto durou essa liberdade religiosa, e enquanto o espírito de discordância entre os judeus não foi aproveitado pelo clero, que não via com bons olhos o regresso dos marranos ao judaísmo. Em nossos dias a sinagoga Mekor Haim, que ele construiu, voltou a ser um pólo de atração para um número crescente de bnei-anussim (descendentes dos ‘forçados’) que procuram regressar ao Judaísmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Existe curiosidade nas famílias portuguesas em investigar possíveis raízes de ascendência judaica?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Imensa. E não só curiosidade como grande perseverança na investigação, quase sempre tão difícil quanto serem aceitos no seio do judaísmo institucional. É um movimento que se alastra rapidamente, não só dentro de Portugal, como nas comunidades de descendentes de imigrantes portugueses em vários países. Soube que no Brasil o seu número já excede a um milhão, o que é bem possível devido às raízes históricas. Mas também nos Estados Unidos, no México, na África do Sul e em alguns países europeus. Eles estão agrupados em diversos fóruns da Internet, principalmente no "Saudades", heroicamente dirigido por Rufina Bernardette da Silva Mausembaum, em Johannesburgo, África do Sul, ela própria uma retornada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;**&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Localizada na Rua do Brum nº 16, a Sinagoga de Ponta Delgada (1836) – a mais antiga sinagoga portuguesa construída depois da expulsão dos judeus do país - vai ser recuperada com o apoio da Comunidade Israelita de Lisboa. O prédio encontra-se em precárias condições físicas e em 2009 abriu as portas pela primeira vez, depois de mais de 50 anos fechada, para visitas guiadas pelo historiador José de Almeida e Mello, responsável pela sinagoga e autor do livro “Sinagoga Sahar Hassamain de Ponta Delgada – História, Recuperação e Conservação".&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#003300;"&gt;&lt;strong&gt;A respeito do tema, o colega Alfredo Maia, presidente do Sindicato de Jornalistas de Portugal, escreveu um pequeno e sensível texto em seu blog “Nave dos Dias”, que reproduzimos abaixo: &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;Domingo, 3 de outubro de 2010&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TK4dDT3TDcI/AAAAAAAAA1c/WIBwEhEcKKk/s1600/Sinagoga+Ponte+Delgada.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 137px; FLOAT: left; HEIGHT: 155px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5525385735539199426" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TK4dDT3TDcI/AAAAAAAAA1c/WIBwEhEcKKk/s320/Sinagoga+Ponte+Delgada.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Rua do Brum, n.º 16, Ponta Delgada: o futuro da memória hebraica&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Rua do Brum, n.º 16, Ponta Delgada. A casa pouco difere das demais - rés-do-chão, dois andares, fachada rebocada pintada de branco, janelas ornamentadas por faixas amarelas, a porta com faixa ocre prolongando a faixa de meio metro ao longo do alçado principal, duas varandas em ferro forjado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No interior, uma impressionante amostra de um passado guardado na cápsula do tempo. Algures, discretamente protegido pela envolvência doméstica de uma casa de habitação, um belo salão de culto – um solene cadeiral em U voltado para as Tábuas da Lei, o armário que guardava a Tora e a cadeira (raríssima!) destinada à circuncisão; um púlpito pejado de livros vetustos e ruídos pelas térmitas e pelos ratos; nas costas, um relógio parado nas 2:15 de um dia – sabe-se lá qual – muitas décadas atrás, muito poucas mais chegarão para perfazer um século, quando emudeceram as orações no rito hebraico e o sarcófago do tempo foi envolvendo a Sinagoga de Ponta Delgada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abateu-se a ruína sobre a cobertura da casa e os sobrados; a vegetação invadiu a casa; salvaram-se à pressa livros sagrados e apetrechos de culto; outros pereceram na humidade inapelável e na voragem de insectos e roedores. Salvou-se a sala de culto – uma das mais belas (ou a mais?...) de Portugal e a mais antiga das sinagogas da Europa (e também em Portugal, depois da expulsão dos judeus, por D. Manuel I, fundada em 1836 e marcando o seu regresso em pleno Portugal liberal) – como se fosse quase intocável ao tempo e ao abandono (as outras, já se sabe, foram destruídas pela fúria nazi).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TK4chwnnzlI/AAAAAAAAA1U/5XyAh-IerA8/s1600/Sinagoga+Ponte+Delgada+-+interior.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 105px; FLOAT: left; HEIGHT: 123px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5525385159142526546" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TK4chwnnzlI/AAAAAAAAA1U/5XyAh-IerA8/s320/Sinagoga+Ponte+Delgada+-+interior.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Há dez anos, porém, que José de Almeida Mello peleja pela recuperação da Sinagoga Sahar Hassamani, procurando dar-lhe um rumo, restituir-lhe uma dignidade. Ouvi-o ontem, com muita satisfação, falar de um futuro (próximo, pois as obras decorrem no próximo ano) através do qual poderemos perscrutar o passado para compreendermos melhor o passado: deverá ser uma biblioteca-museu da identidade hebraica – com destaque para a sala de culto e para a biblioteca que há-de ser constituída pelo fundo próprio dado à guarda da Comunidade Israelita de Lisboa e por doações de particulares, integrada numa rota que inclui os cemitérios judeus de Ponta Delgada e Angra do Heroísmo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7322191688736794078-1495983250978458295?l=sheilasacks.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/1495983250978458295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/1495983250978458295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sheilasacks.blogspot.com/2010/10/biblia-hebraica-dos-acores.html' title='A Bíblia hebraica dos Açores'/><author><name>Sheila Sacks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16806038529181436948</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/Se47EqDHGzI/AAAAAAAAACE/PTl8wAnMnv4/S220/sheila+4.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TK4Qi5lUtvI/AAAAAAAAA0E/m3qN6MM31ZE/s72-c/B%C3%ADblia+hebraica+em+A%C3%A7ores.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7322191688736794078.post-2901172127646622203</id><published>2010-09-17T15:01:00.000-07:00</published><updated>2010-09-21T04:07:25.965-07:00</updated><title type='text'>Obama e o 11/9</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TJPl0YT0G_I/AAAAAAAAAyE/pSyaR-4nFfU/s1600/Obama.jpg"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 123px; FLOAT: left; HEIGHT: 119px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5518006656500505586" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TJPl0YT0G_I/AAAAAAAAAyE/pSyaR-4nFfU/s320/Obama.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;por Sheila Sacks&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passados nove anos dos atentados de 11 de setembro e dois anos do início da gestão de Barack Obama, continuam sem julgamento os cinco acusados de terem tramado o pior ataque terrorista da história dos Estados Unidos. Três mil pessoas foram mortas naquele fatídico dia de 2001 em três pontos diferentes - Nova York, Washington e Pensilvânia -, em um diabólico circuito de insanidade e horror cujas imagens ainda causam perplexidade e indignação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prisioneiros na base militar de Guantánamo, em Cuba, os terroristas muçulmanos da Al Qaeda, inclusive o autoproclamado mentor da catástrofe, o paquistanês Khalid Sheik Muhamad (que degolou o jornalista Daniel Pearl, um ano depois, e divulgou a execução em vídeo) ainda aguardam a definição do local (jurisdição) onde serão julgados. Uma demora que vem recebendo pesadas críticas dos principais segmentos da sociedade americana e que tem respingando sobre o presidente Obama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a popularidade em baixa (somente 43% aprovam seu governo), Obama já está sendo visto por 25% dos americanos como muçulmano ao invés de cristão como afirma (seu pai, nascido no Quênia, era muçulmano). Também o seu posicionamento a favor da construção de uma mesquita a ser erguida perto do local da tragédia do 11/9 tem provocado polêmica e um grande mal-estar principalmente entre os parentes das vítimas dos ataques.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TJPmUoaCCwI/AAAAAAAAAyM/wTzNC-4wnEE/s1600/Mosh%C3%A9+Sharon.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 100px; FLOAT: left; HEIGHT: 139px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5518007210577365762" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TJPmUoaCCwI/AAAAAAAAAyM/wTzNC-4wnEE/s320/Mosh%C3%A9+Sharon.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Para o professor emérito de História e Religião Islâmica da Universidade Hebraica de Jerusalém, Moshé Sharon, o importante não é o fato de que 1 em 5 norte-americanos já acredita que Obama é muçulmano. O principal na questão é saber o que os muçulmanos pensam de Obama. De que forma os seguidores do Islã veem um filho de pai muçulmano que nega publicamente seu vínculo com a religião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2009, quando Obama visitou o Egito, Sharou falou à rede de TV norte-americana &lt;em&gt;CBN News&lt;/em&gt; (The Christian Broadcasting Network) sobre esse aspecto da biografia de Obama. Segundo Sharon, o nome &lt;em&gt;Hussein &lt;/em&gt;que Obama carrega tem um peso histórico e religioso muito grande, porque esse nome remonta ao príncipe Hussein Ibn Ali (626-680), neto de Maomé, reverenciado como “Mártir dos Mártires”. Ele foi morto e decapitado na Batalha de Karbala e a data é uma das mais importantes do calendário islâmico, em especial para o ramo xiita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diferente da religião judaica que considera judeu quem é filho de mãe judia, pela lei islâmica da &lt;em&gt;sharia&lt;/em&gt; a religião passa de pai para o filho e aquele que a abjura comete um ato de apostasia. Dessa forma, pela religião do Islã, Obama é muçulmano, ainda que negue publicamente. Outro detalhe: somente meninos muçulmanos recebem o nome &lt;em&gt;Hussein.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;O Ocidente e a linguagem do Islã&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Autor de mais de 10 livros sobre a civilização árabe, Sharon, de 72 anos, também é especialista em inscrições antigas e profundo conhecedor da &lt;em&gt;Shia,&lt;/em&gt; a seita xiita predominante no Irã e no Iraque. No início de 2010, a mídia mundial divulgou um importante achado arqueológico na cidade velha de Jerusalém, coordenado pelo professor Sharon: a descoberta de uma placa de mármore, entre outras antiguidades, com uma inscrição rara em língua árabe do ano 910.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Integrante do movimento &lt;em&gt;Americans for a Safe Israel&lt;/em&gt; (AFSI), Sharon explica que "&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;as nações erram ao aplicar o pensamento judaico-cristão às ações políticas que envolvem os países árabes.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; A linguagem do ocidente não impressiona e nem repercute nos países islâmicos da forma que os ocidentais ingenuamente supõem, já que o Islã tem uma linguagem própria em que acreditam e da qual jamais se afastarão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O professor lembra que em agosto de 2005, quando da retirada de Israel da Faixa de Gaza, um dos líderes mais radicais do Hamas, posteriormente ministro palestino de Relações Exteriores e atual comandante do grupo na região, Mahmoud al-Zahar, em entrevista ao jornal italiano &lt;em&gt;Corriere della Sera,&lt;/em&gt; declarou que o Hamas jamais desistiria da Grande Palestina, que inclui a cidade de Jerusalém e a Cisjordânia. “Esta solução que está aí é temporária e pode durar de 5 a 10 anos. Mas, ao final, a Palestina voltará a ser muçulmana e Israel desaparecerá da face da terra.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outra apresentação, desta vez à &lt;em&gt;CBN News&lt;/em&gt;, Al-Zahar, declarou textualmente: “Nós estamos em meio a uma terceira Guerra Mundial. Eu digo isso o tempo todo. E mais: Por que o Hamas deveria abrir mão de suas armas? Para satisfazer Israel? Para satisfazer algum ser humano na terra? A resposta é não”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Profundo conhecedor da língua e do pensamento árabes, professor Sharon vem alertando, já há alguns anos, sobre a necessidade das nações prestarem mais atenção à linguagem usada pelo Hamas (que significa fervor) e por grupos como o Hezbollah e Al Qaeda. “O que Al-Zahar quis dizer quando falou em terceira Guerra Mundial é o seguinte”, explica Sharon: “ Nós, muçulmanos, queremos restabelecer o Califado – da Índia e China à Espanha”. Isso porque os árabes ainda consideram a Espanha como território islâmico (a Península Ibérica ficou sob o domínio dos árabes por 700 anos- do séc. VIII ao XV).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;strong&gt;Os cristãos-sionistas que acreditam no Salvador&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Em outra oportunidade, Al-Zahar chamou os norte-americanos de “cristãos-sionistas” que acreditam em ilusões como a de que o Salvador retornará a Jerusalém e que os judeus devem estar lá para esperá-Lo. “Os americanos incitam o mundo contra o Hamas e outros grupos muçulmanos”, acusou o líder palestino, “e portanto não há benefício em manter um diálogo com pessoas que convivem com o Satã.” Para o professor Sharon está patente que a briga com os chamados “cristãos-sionistas” dos Estados Unidos faz parte de uma guerra maior que o Islã trava contra o sistema de vida judaico-cristã do Ocidente. “Quando Al-Zahar diz que o poder de Israel e dos americanos não é eterno e que isso pode mudar, o que ele verdadeiramente expõe é que o objetivo do Hamas é o estabelecimento de um estado palestino muçulmano em Israel e também o domínio de toda a terra pelo Islã.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sharon adverte que o Ocidente está em perigo e deve enfrentar a situação de maneira séria. “Para muitos pode parecer uma piada esta história de dominar o mundo, mas para os muçulmanos são palavras de Deus. Desde os primórdios, a intenção do Islã sempre foi subjugar os povos e colocá-los sob as suas leis e regras. E hoje, este plano está a caminho e nós precisamos ter consciência do fato”. E lista alguns pontos que comprovam a sua tese:&lt;br /&gt;&lt;p&gt;1.Está escrito literalmente no Corão (Repetição) que “Alá enviou Maomé com a religião verdadeira para governar sobre todas as religiões”;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;2. Maomé afirmou que os judeus e os cristãos falsificaram os livros da Bíblia e que todos os profetas são muçulmanos, inclusive Abraão, Isaac, Jacob, David e Moisés;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;3.O Sistema Islâmico diz que é preciso lutar contra aqueles que não querem viver sob o domínio do Islã. A guerra contra os infiéis, sejam judeus ou cristãos, chama-se Jihad (esforço, empenho);&lt;/p&gt;&lt;p&gt;4. O Corão divide o planeta em duas Casas: uma se chama Dar al-Islam (Casa do Islã), onde o Islamismo governa, e a outra Dar al-Harb (Casa da Guerra), como é conhecido o restante do mundo. Esta Casa da Guerra será conquistada no final dos tempos e subjugada pelo Islã; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;5.Para a civilização islâmica, se uma terra, no passado, foi dominada pelo Islã, ela sempre será propriedade do Islã. Daí os árabes só se referirem a Israel como território;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;6.O propósito do Islã é de se constituir em uma força militar divina para impor a cultura islâmica. Cada muçulmano que entrega a sua vida na luta pela disseminação do Islã se constitui em um mártir (shaheed), não importando a maneira como essa morte possa vir a ocorrer. Ou seja, este é um conflito bélico eterno, uma guerra sem fim, entre duas civilizações: a da Bíblia versus a do Corão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TJPnB_gaV7I/AAAAAAAAAyc/2CnhKNwlaSM/s1600/Universidade+de+Jerusal%C3%A9m.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 199px; FLOAT: left; HEIGHT: 114px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5518007989872252850" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TJPnB_gaV7I/AAAAAAAAAyc/2CnhKNwlaSM/s320/Universidade+de+Jerusal%C3%A9m.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;A eterna guerra das civilizações&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#663366;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Na foto, a Universidade Hebraica de Jerusalém&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Além de professor, Sharon foi Consultor para Assuntos Árabes do Governo de Israel, no período do Primeiro-Ministro Menachem Begin (1977-1983). Ele é incisivo ao questionar a posição de políticos ocidentais que, sem conhecerem uma palavra do idioma árabe, se arvoram em vozes e intérpretes de uma cultura que não entendem. “Esses políticos criaram uma falácia denominada fundamentalismo islâmico. Algo como um Islã bom e um Islã mau. Isso não existe. Há apenas um Islã (significa submissão), aquele dos oradores das mesquitas que vociferam horríveis sermões contra os judeus e os cristãos. Daí que o uso de nossa terminologia e vocabulário para abordar temas como democracia ou fundamentalismo equivale a falar sobre futebol usando termos de beisebol. Para falar com o Islã, você precisa usar o idioma do Islã”, acentua o historiador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sharon lembra ainda que nestas guerras de civilizações são muito utilizados os artifícios do tipo cessar-fogo ou acordos de paz , como instruiu Maomé (570-632) que usou desta tática em Hudaybiya (em 628). Neste local ele firmou um tratado de paz de 10 anos com a tribo Quraish que vivia na cidade de Meca. Em dois anos quebrou a promessa e marchou com 10 mil soldados sobre a cidade. Tal fato histórico, aliás, foi mencionado por Yasser Arafat, quando semanas depois do Acordo de Oslo (1994) ele se justificou em uma mesquita na África do Sul. À época, o professor Sharon lecionava na universidade de Witwarestrand, em Joanesburgo, e gravou o discurso em que Arafat pedia desculpas pela sua assinatura no documento, dizendo: “Vocês acham que eu poderia assinar algo com os judeus contrário ao que dizem as regras do Islã? Não foi assim. Eu fiz exatamente o que o profeta Maomé fez”. Para Sharon, Arafat estava simplesmente falando: “Lembrem-se da história de Hudaybiya”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;Tratados não são permanentes&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O provérbio árabe - palavras não pagam impostos - define bem as características das negociações utilizadas pelos muçulmanos e que devem ser entendidas da seguinte forma: “tratados não são permanentes”. Sharon conta que aconselhou o ministro Begin a não ser o primeiro a falar sobre as propostas de Israel, em qualquer acordo ou tratado de paz com os árabes, porque eles seguem o exemplo do califa muçulmano Ali Ibn Abu Talib - primo e genro de Maomé e mártir dos xiitas - que, em uma contenda em Damasco, no século VII, fez o inimigo falar primeiro e assim conheceu os seus planos, dando a impressão de uma concordância que, mais adiante, não se concretizou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;Nem tudo é negociável&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;No artigo "&lt;em&gt;Doormat Policy" (2010) &lt;/em&gt;o professor Sharon qualifica de débil a política diplomática de Israel em relação aos árabes/palestinos porque não assegura plenas condições de segurança para a população do país. "É preciso parar de dizer que tudo é negociável, quando se sabe que é inconcebível libertar terrorristas assassinos assumidos". Segundo Sharon, &lt;span style="color:#990000;"&gt;" &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;se você se comporta como um capacho, considera a si mesmo um capacho, e deixa os outros o tratarem como um capacho, então você provavelmente deve ser um capacho."&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;A fé Bahá´í em Israel&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#336666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TJPm3ajX3AI/AAAAAAAAAyU/e0R3tfnFROQ/s1600/Templo+Baai.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 123px; FLOAT: left; HEIGHT: 156px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5518007808153869314" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TJPm3ajX3AI/AAAAAAAAAyU/e0R3tfnFROQ/s320/Templo+Baai.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Em conversa&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; pelo telefone, em 2007, Moshé Sharon contou que jamais foi convidado para realizar palestras no Brasil ou em outro país da América Latina. Desde 1999 ele preside o &lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Centro de Estudos Bahá’í&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;, na Universidade de Jerusalém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000066;"&gt;Na foto, o santuário Bahá´í, em Haifa, no Monte Carmel, declarado patrimônio da humanidade pela Unesco)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Nascido em Israel, Sharon é o primeiro judeu a dirigir a área de história e desenvolvimento desta crença oriental e pacifista (originária do Irã), que possui 5 milhões de seguidores em 200 países (somente na Índia são mais de 2 milhões). No Brasil estima-se que existem 57 mil adeptos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lamentavelmente, os seguidores da fé Bahá`í ( cerca de 300 mil ) estão sendo perseguidos pelo regime islâmico do Irã. Desde 2008, 7 líderes bahá´is, sendo duas mulheres, estão detidos e em agosto de 2010 eles foram condenados a 20 anos de encarceramento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;Linha de frente contra o terrorismo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Repetindo o que vem dizendo em seminários acadêmicos na Europa e nos Estados Unidos, Sharon destaca que Israel está na linha de frente nesta batalha de civilizações, mas também precisa da ajuda das nações do Ocidente, porque no momento em que o radicalismo muçulmano se apropriar do controle de armas de destruição em massa – químicas, biológicas e atômicas – estas serão implacavelmente usadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar dos alertas de Moshé Sharon projetarem um futuro inquietante para o nosso planeta, a &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TJPniH9E46I/AAAAAAAAAys/L-SYhXh8OqA/s1600/l%C3%ADderes+baais.jpg"&gt;&lt;/a&gt;grande mídia teima em se ater a fatos correntes sem se aprofundar no cerne da questão. Talvez pela sua condição de judeu-israelense, muitos jornalistas e intelectuais, instintivamente, façam um pré-julgamento de seus estudos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, alguns pesquisadores de religiões monoteístas e observadores da cultura islâmica já citam o especialista israelense como importante fonte de referência. É o caso do teólogo Samuele Bacchiocchi, doutor em História Cristã, com 15 livros publicados. Formado pela Pontifical Gregorian University, de Roma, e mestre de Teologia da Andrews University, em Michigan, Samuele introduziu os conceitos de Moshé Sharon em suas conferências e também no artigo “Reflexões sobre Terrorismo e Intolerância”. É dele a seguinte frase:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;“Lamentavelmente, os repórteres que cobrem o conflito entre Israel e os palestinos/árabes não oferecem quaisquer lampejos sobre quais são as forças ideológicas em ação por trás destas guerras”.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TJPnL-V3bgI/AAAAAAAAAyk/qouOyfqdWW0/s1600/albert+Einstein.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 113px; FLOAT: left; HEIGHT: 133px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5518008161358278146" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TJPnL-V3bgI/AAAAAAAAAyk/qouOyfqdWW0/s320/albert+Einstein.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000066;"&gt;Na foto, Albert Einstein no campus da Universidade Hebraica de Jerusalém. O cientista foi um dos fundadores da instituição, em 1925, e ministrou a sua aula inaugural. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7322191688736794078-2901172127646622203?l=sheilasacks.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/2901172127646622203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/2901172127646622203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sheilasacks.blogspot.com/2010/09/obama-e-os-muculmanos.html' title='Obama e o 11/9'/><author><name>Sheila Sacks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16806038529181436948</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/Se47EqDHGzI/AAAAAAAAACE/PTl8wAnMnv4/S220/sheila+4.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TJPl0YT0G_I/AAAAAAAAAyE/pSyaR-4nFfU/s72-c/Obama.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7322191688736794078.post-1539849978478674629</id><published>2010-09-11T12:50:00.000-07:00</published><updated>2010-09-11T13:49:10.778-07:00</updated><title type='text'>Lula de volta ao futuro</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TIviv4trc0I/AAAAAAAAAxs/c8heRt8gqLU/s1600/Pac+Lula+1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 150px; FLOAT: left; HEIGHT: 133px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5515751480951010114" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TIviv4trc0I/AAAAAAAAAxs/c8heRt8gqLU/s320/Pac+Lula+1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;por Sheila Sacks&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em fevereiro de 2009, mais de um ano e meio atrás, uma frase do presidente Lula na inauguração de uma obra do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) em uma favela do Rio de Janeiro desencadeou na mídia uma série de comentários ácidos. A inauguração da obra – uma escola na favela de Manguinhos – foi considerada eleitoreira devido ao ar festivo e ao entusiasmo dos discursos que naturalmente fazem parte desse tipo de evento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;De lá para cá, pouca coisa mudou em termos de popularidade do presidente apesar das percepções e análises desfavoráveis de colunistas e editorialistas. Quanto às obras do PAC nas favelas (urbanização e saneamento; ampliação das vias de acesso com planos inclinados, elevadores e teleférico; e a construção de moradias, escolas, creches, quadras de esportes, praças, áreas de lazer e postos de policiamento – as UPPs), o trabalho já começa a ser visto e entendido pela população como necessário para a implementação da paz e da segurança nas cidades. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Erroneamente, muitos julgam que a finalidade última das obras é a plena erradicação do tráfico de drogas, de armas e de outros ilícitos nesses redutos pobres. Mas o que o programa visa, efetivamente, é levar a cidadania aos seus moradores, abrindo espaço para o poder do Estado e as leis constituídas serem aplicados nas comunidades. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TIvp4V9IG2I/AAAAAAAAAx8/ti93aBMTOfM/s1600/Pac+Rocinha.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 162px; FLOAT: left; HEIGHT: 154px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5515759322820778850" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TIvp4V9IG2I/AAAAAAAAAx8/ti93aBMTOfM/s320/Pac+Rocinha.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Mal urbano que atinge as maiores cidades do mundo, o negócio das drogas deve, sim, ser enfrentado e combatido onde estiver, das favelas aos bairros das zonas sul, norte e oeste do Rio de Janeiro. Trabalhar com o objetivo de melhorar as condições gerais das favelas tem sido uma forma inteligente adotada pelo Estado no sentido de se promover a paz social, gerando um benéfico clima de satisfação e esperança naqueles que até então se sentiam ignorados pelos agentes públicos ( &lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc33cc;"&gt;na foto, o Complexo esportivo da Rocinha). &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc33cc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc33cc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc33cc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por outro lado, os moradores dos bairros adjacentes às favelas também logo irão sentir os resultados dessa política de inclusão social que fixa direitos e deveres a uma parcela da população descompromissada com certos aspectos básicos de uma sociedade. Com a instalação de serviços de coleta de lixo, água, luz, telefone, internet, tv a cabo e outras benfeitorias, serão cobradas taxas de pagamento ainda que inferiores às convencionais. Uma forma de aprendizado e de conscientização da cidadania que cria novos parâmetros de comportamento e de convivência social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse e outros aspectos da vida nacional levaram o correspondente do jornal &lt;em&gt;New York Times&lt;/em&gt;, Larry Rohter, que viveu oito anos no Brasil (1999 a 2007), a afirmar, em entrevista ao jornal &lt;em&gt;Estado de São Paulo&lt;/em&gt; (4/9/2010), do interesse crescente que o país desperta nos americanos. Autor do recém-lançado “&lt;span style="color:#993399;"&gt;Brazil on the Rise”&lt;/span&gt; (Brasil em ascenção), ele já se prepara para uma maratona de palestras sobre o nosso país em várias cidades norte-americanas. Segundo Rohter o país passou por um processo de profundas mudanças e há uma curiosidade em saber mais sobre o Brasil. “&lt;span style="color:#993399;"&gt;O livro visa ao futuro&lt;/span&gt;”, explica o jornalista para quem o presidente Lula é peça fundamental nesse cenário que irá se descortinar após as eleições de outubro, quaisquer que sejam os resultados das urnas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TIvgT-gR6VI/AAAAAAAAAxM/QeTTSEr7rUA/s1600/Pac+biblioteca+1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 145px; FLOAT: left; HEIGHT: 122px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5515748802445830482" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TIvgT-gR6VI/AAAAAAAAAxM/QeTTSEr7rUA/s320/Pac+biblioteca+1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Frente as inovadoras mudanças de foco que estavam ocorrendo em 2009 com as obras nas favelas, escrevi naquela ocasião o artigo “O PAC de todos nós”, publicado no site &lt;em&gt;Observatório da Imprensa&lt;/em&gt; (23.02.2009). No texto inseri o presidente Lula na máxima de Wittgenstein: &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;“As fronteiras de minha linguagem são as fronteiras do meu universo.”&lt;/span&gt; Porque tendo o Brasil e os brasileiros como o seu universo prioritário, Lula sempre esteve mais perto do futuro do que a grande maioria de seus colegas políticos ( &lt;em&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt;na foto, interior da biblioteca de Manguinhos).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;O PAC de todos nós (2009)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#009900;"&gt;&lt;a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=526FDS007"&gt;http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=526FDS007&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#009900;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TIvj6NpZuOI/AAAAAAAAAx0/7V26ARksT1c/s1600/Pac+Manguinhos.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 150px; FLOAT: left; HEIGHT: 108px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5515752757880535266" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TIvj6NpZuOI/AAAAAAAAAx0/7V26ARksT1c/s320/Pac+Manguinhos.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Embalado por uma aprovação que já atinge a notável marca de 84%, segundo pesquisa do instituto mineiro Sensus divulgada no início de fevereiro de 2009, o presidente Lula parece estar caminhando para uma impensável unanimidade, em se tratando de político brasileiro. Ancorado por um carisma pessoal que, indubitavelmente, agrada e seduz uma imensa parcela da população nacional, pela sua natural facilidade de enfocar e verbalizar, com simplicidade, pontos importantes do cotidiano e do imaginário da vida das pessoas, Lula superou-se, mais uma vez, em uma inauguração no Rio de Janeiro, ao traduzir, de forma idealista e sensível, a nobre missão dos líderes e do poder público. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Com o rosto suado e em mangas de camisa, o presidente empolgou a plateia, sob um forte sol de meio-dia, composta de operários do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), de jovens atendidos por programas sociais e de moradores da área da favela de Manguinhos, na zona norte da cidade, ao condicionar a diretriz e a prioridade do trabalho da administração pública para os mais carentes e necessitados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mesmo dia da publicação dos índices que atestavam a sua popularidade (3/02/2009) e acompanhado pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e pelo prefeito carioca, Eduardo Paes, Lula foi categórico: "A única razão para ser prefeito, governador ou presidente é governar para os mais pobres." A frase simples e, em certo sentido, óbvia, reverberou pelas redações de jornais e foi devidamente registrada pelas editorias nos títulos e leads de dezenas de matérias publicadas no day after do acontecimento.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt;&lt;strong&gt;Os ricos e o Estado&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TIvh3E-gCrI/AAAAAAAAAxk/ysZK18KjiAw/s1600/Pac+escola.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 145px; FLOAT: left; HEIGHT: 100px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5515750504990247602" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TIvh3E-gCrI/AAAAAAAAAxk/ysZK18KjiAw/s320/Pac+escola.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Ainda que não primasse pelo ineditismo, a mensagem esbanjou um vibrante entusiasmo, soando simultaneamente trivial e surpreendente, face às experiências negativas correntes e recorrentes no uso do dinheiro público. Dado o pano de fundo do evento – um antigo prédio de suprimentos do exército transformado em um garboso colégio público de ensino médio com capacidade para atender 1.500 alunos e grupos de adultos para alfabetização –, as palavras do presidente singularmente transcenderam o evidente aspecto social da obra, alcançando uma dimensão algo filosófica e muito bem-vinda. Como já havia percebido o austríaco Ludwig Wittgenstein (1889-1951), um dos mais instigantes filósofos do século 20, os aspectos das coisas que mais nos sensibilizam, ou que julgamos importantes, quase sempre ficam escondidos devido à sua simplicidade e familiaridade. Daí que enfocar o comum e o notório em um linguajar popular em praça pública pode ter lá as suas conseqüências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeira obra do PAC na comunidade de Manguinhos (40 mil moradores), a nova escola também provocou suspiros de prazer nos convidados e visitantes surpreendidos com o inesperado clima de montanha disseminado pelos potentes aparelhos de ar condicionado instalados nas salas de aula e laboratórios, um equipamento pouco usual em se tratando de colégio público. Chamando a atenção para o fato, Lula prosseguiu em seu discurso, defendendo esse tipo de investimento (uma escola "de primeiro mundo") como importante instrumento de combate à criminalidade nas comunidades carentes, recomendando ainda às autoridades presentes a intensificarem o foco e as ações nesse segmento da população, visto que, na sua avaliação, os ricos precisam pouco do Estado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt;"Precoce ânsia político-eleitoral"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Observa-se que o conteúdo das frases presidenciais exaladas no ardor do acontecimento incorpora uma espécie de racionalidade ética das mais elogiáveis e uma intencionalidade meritória que tenderia a conduzir à apreciação positiva de todos. Entretanto, aos analistas políticos, colunistas e editorialistas curtidos no impiedoso contexto da mídia do século 21 – reflexo pragmático de um mundo confuso, desconfiado e irascível –, essas mensagens foram absorvidas de forma reversa, compondo-se em ilusórios jogos de palavras vãs e de ardilosas encenações lingüísticas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Jornalistas conceituados e brilhantes em suas argumentações, como Merval Pereira e Miriam Leitão (O Globo), Dora Kramer (Estado de S. Paulo) e Villas-Bôas Corrêa (Jornal do Brasil), imediatamente analisaram com dureza o aparato daquele evento e de outros semelhantes ligados ao PAC, comparando as afirmações do presidente, sua confiança, otimismo e o conjunto de suas ações, a um espetáculo encenado com vistas às eleições de 2010 e, portando, eleitoreiro e desprovido de um valor genuíno.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Para Merval Pereira, "ao lado da retórica de palanque de Lula, há também os projetos de palanque que, se criam a falsa impressão de que muita coisa está sendo feita, podem acabar se revelando ineficientes para ajudar a sair da crise" ("Política de risco", em 5/2/2009). Já Miriam Leitão considerou que "o PAC não tem o tamanho que dizem, a maior parte do número é fumaça. E, no que tem de verdadeiro, ele é, em muitos casos, uma ameaça, por ser planejado e executado com uma visão retrógrada". ("Os Ilusionistas", em 5/2/2009). No artigo "Lula desconfia do esquema que armou" (7.2.2009), Villas-Bôas destaca a imagem de Lula na TV "transpirando por todos os poros, a camisa amarfanhada e com manchas de suor, cabelos desgrenhados e os exageros de indignação e da eloqüência, na safra de improvisos que assinala a retomada da campanha na hora certa ou precipitada, como a inauguração da primeira obra do PAC em Manguinhos, no Rio", passando a impressão de insegurança "de quem nunca erra e sabe tudo". E, por último, no editorial de O Globo intitulado "Mau Uso" (12/2/2009), critica-se "a precoce ânsia político-eleitoral do governo" e "o agressivo plano de marketing" em prol da "candidata oficial". "Nesse vale-tudo", alerta o jornal, "turbinam-se estatísticas do PAC, montam-se palanques em inaugurações – algumas risíveis..." &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt;O fetiche da palavra&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Embora na comunicação se pressuponha que as palavras possam ser compreendidas por todos da mesma maneira, estão aí exemplos que demonstram que o seu significado é variável e se refere menos aos objetos que representam e mais ao uso que se faz delas, como já deduzia Wittgenstein na obra Investigações Filosóficas (1953). Em face disso, o filósofo britânico George Edward Moore (1873-1958), mestre e amigo de Wittgenstein, tinha a preocupação de escrever longas introduções em vários de seus artigos, para deixar claro em que sentido não queria que fossem entendidos os principais termos usados e as principais teses defendidas em seus textos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TIvfiisYfVI/AAAAAAAAAw8/Y6rt9rNOiFw/s1600/Pac+Dona+Marta.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 129px; FLOAT: left; HEIGHT: 144px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5515747953166810450" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TIvfiisYfVI/AAAAAAAAAw8/Y6rt9rNOiFw/s320/Pac+Dona+Marta.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;No caso das frases entusiastas de Lula em relação às obras do PAC, preexiste uma vivência de ações, fatos e emoções positivas experimentadas e presenciadas pelo presidente que favorecem a sua empolgação verbal. Como assinala o aforismo de Wittgenstein "&lt;em&gt;as fronteiras da minha linguagem são as fronteiras do meu universo&lt;/em&gt;". E esse universo, tratando-se do Rio de Janeiro, representa, entre outras ações, a implantação de um sistema de teleférico com 4 quilômetros de extensão, no Complexo do Alemão – um conjunto de sete favelas na zona norte – que vai mudar a vida de 95 mil pessoas. Muitas delas, idosas, doentes e deficientes, incapacitadas de chegar até o asfalto para receber atendimento médico necessário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No morro Dona Marta, na zona sul, o chamado plano inclinado, o bondinho percorrendo cinco estações – desde o alto da comunidade até as ruas do bairro de Botafogo – já é uma realidade para os seus moradores. Uma obra que propiciou à menina Indiana, de 13 anos, portadora da síndrome de West (forma grave de epilepsia em crianças), a retomada do indispensável tratamento médico interrompido devido às difíceis condições de acesso existentes no local.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Vale, pois, o presidente comemorar com o fetiche da palavra essa e outras histórias de dificuldades (que a pobreza é pródiga em gerar) superadas pela intervenção de um poder público afinado com a realidade das grandes questões sociais. À revelia e sob a visão interpretativa de renomados cardeais da mídia. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7322191688736794078-1539849978478674629?l=sheilasacks.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/1539849978478674629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/1539849978478674629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sheilasacks.blogspot.com/2010/09/lula-de-volta-ao-futuro.html' title='Lula de volta ao futuro'/><author><name>Sheila Sacks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16806038529181436948</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/Se47EqDHGzI/AAAAAAAAACE/PTl8wAnMnv4/S220/sheila+4.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TIviv4trc0I/AAAAAAAAAxs/c8heRt8gqLU/s72-c/Pac+Lula+1.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7322191688736794078.post-6509779081528257829</id><published>2010-09-07T11:09:00.000-07:00</published><updated>2010-09-07T13:12:17.674-07:00</updated><title type='text'>A eterna primavera de Casimiro de Abreu</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TIaCDAf4SiI/AAAAAAAAAvo/OJZhCLoehIk/s1600/rio+s%C3%A3o+jo%C3%A3o.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 170px; FLOAT: left; HEIGHT: 128px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5514237781946681890" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TIaCDAf4SiI/AAAAAAAAAvo/OJZhCLoehIk/s320/rio+s%C3%A3o+jo%C3%A3o.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;por Sheila Sacks&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A uma hora e meia de carro do centro do Rio de Janeiro, na direção norte, existe um município que leva o nome de um poeta brasileiro. Trata-se de Casimiro de Abreu, uma pequena localidade na Baixada Litorânea, com 28 mil habitantes, e propícia para o ecoturismo e o esporte de aventura pelas suas belas e íngremes trilhas que atravessam a frondosa vegetação, as altas cachoeiras que deságuam nos vales floridos e os rios encrespados que correm em meio as rochas e as montanhas da Mata Atlântica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse cenário majestoso nasceu, há mais de 170 anos, aquele que seria o primeiro autor de um best-seller nacional no campo da poesia. &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;Lançado em&lt;/span&gt; 7 de setembro de 1859,&lt;/span&gt; o livro intitulado &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;“Primaveras&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;” ganhou uma tiragem de mil exemplares (incomum à época, quando as cópias não chegavam a trezentos) e rapidamente se esgotou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os poemas do garoto de 20 anos, nascido às margens do Rio São João, no município fluminense que hoje leva o seu nome, encantaram leitores e arregimentou centenas de admiradores nos saraus literários que reuniam intelectuais e amantes das letras. Também a imprensa brasileira derramou-se em elogios ao poeta. Até em Portugal foram lançadas duas edições sucessivas, na década de 1860. Mas, a tuberculose que o levou à morte antes de completar 21 anos, privou o poeta de usufruir a consagração e a popularidade advindas de seus versos delicados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Para toda a vida&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Figura literária incluída na grade escolar, Casimiro de Abreu (1839-1860) apresenta-se a grande maioria dos estudantes de forma acadêmica e ilustrativa como um item a mais na pauta de estudos curriculares. Entretanto, muitos jovens tocados pelo lirismo dos versos acabam abrindo uma imperceptível fresta em sua memória emocional, conduzindo consigo, em sua caminhada pela vida, o frescor daquelas rimas aprendidas na juventude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1985 coube ao festejado jornalista e escritor Rubem Braga (1913-1990) editar uma coletânea com a seleção dos melhores poemas de Casimiro de Abreu. Interessante notar é que ambos, o poeta romântico e o cronista capixaba, considerado por muitos o melhor no gênero desde Machado de Assis (1839-1908), escreviam de forma lírica, mas em linguagem acessível, sobre a aventura do cotidiano, os sons e as cores da natureza e principalmente as vertigens das emoções e dos sentimentos comuns a todas as pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Uma janela aberta&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TIaCMBBJikI/AAAAAAAAAvw/boMh4L32Cj8/s1600/casimiro+de+abreu+2.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 150px; FLOAT: left; HEIGHT: 112px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5514237936705047106" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TIaCMBBJikI/AAAAAAAAAvw/boMh4L32Cj8/s320/casimiro+de+abreu+2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Essa simplicidade de linguagem é realçada na apresentação do livro de Braga, para quem Casimiro foi um dos retratos mais perfeitos do estilo de uma época: “&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Era como uma janela aberta numa sala fechada havia muitos anos.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; O frescor e a espontaneidade dessa poesia, o lirismo simples, os namoricos ingênuos e levemente maliciosos, a melancolia e a certeza da morte prematura”. Aliás, o uso inspirado de palavras corriqueiras em temáticas simples e universais é recorrente em textos de ícones da literatura mundial, como Luís Vaz de Camões (1524-1580), aclamado o maior dos poetas da língua portuguesa. Rubem Braga cita o verso “&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;a grande dor das coisas que passaram&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;” como exemplo da genialidade poética do narrador de Os Lusíadas, a grande epopeia da navegação heroica do reino de Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gênero cálido e amoroso de Casimiro também foi abordado por outro grande nome de nossa literatura. Em seu primeiro livro de prosa, “Confissões de Minas” (1944), o poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) observa a capacidade do jovem autor romântico de se comunicar com o leitor de forma a atingir o âmago de seus mais profundos sentimentos. No ensaio intitulado “No Jardim Público de Casimiro”, Drummond usa um termo passível de interpretações em sua análise crítica. Diz ele: “&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;em&gt;O encanto de Casimiro de Abreu está em sua tocante vulgaridade. Nenhum sentimento nele se diferencia dos sentimentos gerais que visitam qualquer espécie de homem, de qualquer classe, em qualquer país. Em sua poesia tudo é comum a todos”&lt;/em&gt;.&lt;/span&gt; Mais adiante, Drummond completa: “&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;O segredo de dizer coisas tristes sem envenenar muito a vida faz de Casimiro um parente de todos nós”.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Momentos mais importantes&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TIaDHXD019I/AAAAAAAAAwA/OFFJvx0qBbY/s1600/esta%C3%A7%C3%A3o+ferrovi%C3%A1ria.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 128px; FLOAT: left; HEIGHT: 98px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5514238956234135506" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TIaDHXD019I/AAAAAAAAAwA/OFFJvx0qBbY/s320/esta%C3%A7%C3%A3o+ferrovi%C3%A1ria.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Ainda em “Confissões de Minas”, o poeta de Itabira (MG) faz um relevante paralelo entre a poesia e a prosa, exaltando a singularidade da primeira e a sua inegável predileção por essa forma literária. Para Drummond, apesar de a prosa ser a linguagem de todos os instantes, &lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;a linguagem da poesia marca os instantes “mais densos e importantes da existência”.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; Foi o que vez com pureza e doçura Casimiro de Abreu em sua curta vida. Nos quatro anos que passou em Portugal (1853 a 1857) ele eternizou os sítios de sua infância, o afeto filial e o cenário de um país de paisagens deslumbrantes e acolhedoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filho de um comerciante português, o poeta não teve uma esmerada formação cultural porque o pai o queria trabalhando em seus negócios. Mas, à revelia da vontade paterna, Casimiro mesmo na atividade comercial encontrava tempo para se dedicar à literatura. Em Lisboa, aos 17 anos, desenvolveu seus dons poéticos, exaltando as belezas de sua pátria distante. Em 1857, na volta ao Rio, publica textos na imprensa da época. Adoecendo, passa uma temporada em Nova Friburgo e, não tendo ocorrido melhora, retorna a São João da Barra, aonde vem a falecer prematuramente do chamado “mal dos poetas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Repetindo sentimentos&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TIaF-FzhFkI/AAAAAAAAAwY/rNskS81Pa6s/s1600/Casa+Casimiro+de+Abreu.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 141px; FLOAT: left; HEIGHT: 103px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5514242095518389826" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TIaF-FzhFkI/AAAAAAAAAwY/rNskS81Pa6s/s320/Casa+Casimiro+de+Abreu.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Entretanto, seus versos simples e sonoros se eternizam na memória e nas vozes de seus compatriotas, ainda que ao longo do tempo uma fatia da intelectualidade nativa mostre-se incomodada com uma possível falta de técnica e esmero lingüísticos de sua poesia imp&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TIaCqHKM_KI/AAAAAAAAAv4/jKUxo1JEksQ/s1600/cachoeira+1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;regnada de juventude e espontaneidade. Mas, relembrando G.K. Chesterton (1874-1936), o brilhante e profícuo escritor inglês, cuja obra influenciou líderes de movimentos sociais como Mahatma Gandhi (Índia) e Martin Luther King (Estados Unidos), “&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;toda a verdade é um lugar-comum&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;”. Dito que Carlos Drummond, em seu livro “A Retórica do Silêncio” (1979), confirma ao afirmar que “&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;o poeta trabalha sempre a mesma obra, repetindo sentimentos&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;”. Logo, o possível desmerecimento à obra de Casimiro advinda de sua capacidade de exprimir, de forma popular, as mesmas emoções primárias registradas em versões mais eruditas por outros poetas, seria uma visão preconceituosa, consequência direta da própria formação pessoal e cultural de cada indivíduo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao saudosismo e a recorrente ode ao passado encontrados nos versos de Casimiro, vale citar outro expoente da literatura brasileira, o escritor Guimarães Rosa (1908-1967), que na sua obra máxima “Grande Sertão-Veredas”, faz uma referência ao tempo “recordado” através de um dos personagens: “&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Tem horas antigas que ficam muito mais perto da gente do que outras, de recente data”. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;Trata-se do tempo psicológico, entendido como memória, um tempo sobre o qual o homem ainda é capaz de ordenar, diferentemente do tempo cronológico, que avança incontrolável às nossas vontades. Para o poeta Percy Shelley (1792-1822), romântico inglês que faleceu aos 29 anos, “&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;a poesia é o registro dos melhores e mais felizes momentos dos melhores e dos mais felizes espíritos”.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Via de acesso&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, o tempo também é a matéria-prima da poesia para o escritor mexicano Octavio Paz (1914-1998), prêmio Nobel de Literatura em 1990. Em seu ensaio “O Arco e a Lira” (1956), Paz afirma que “&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;a poesia nada é se não tempo, ritmo perpetuamente criador&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;". O poema seria “a via de acesso ao tempo puro”, ao momento imortalizado pela palavra. Paz também acredita que o poeta e o leitor são personagens de uma mesma trama, cabendo ao segundo decifrar e se encantar com o ritmo, a cadência e os sons da mensagem de seu criador. &lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;“Cada leitor procura algo no poema. E não é insólito que o encontre: já o trazia dentro de si”.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; Diante disso, explica-se a aceitação e a acessibilidade dos versos de Casimiro de Abreu, imersos em humana e comovente espiral de sentimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à releitura feita pela literatura modernista, na primeira metade do século XX, e, mais recentemente por estudiosos contemporâneos, no que concerne ao estilo algo ingênuo, simples, subjetivo, sentimental dos poetas ultra-românticos, e em especial de Casimiro de Abreu (cuja expressão “aurora da minha vida”, designando a infância, já faz parte do inventário popular), classificando-o de ultrapassado e seus poemas de “mero devaneio poético”, vale citar mais uma vez Octavio Paz: “&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Quando um poeta adquire um estilo, uma maneira, deixa de ser um poeta e se converte em construtor de artefatos literários. &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Os estilos nascem, crescem e morrem. Os poemas permanecem.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Versos imortais&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TIaFh6HO9MI/AAAAAAAAAwQ/_BtccNBKN7E/s1600/cachoeira+da+fuma%C3%A7a.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 128px; FLOAT: left; HEIGHT: 171px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5514241611343525058" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TIaFh6HO9MI/AAAAAAAAAwQ/_BtccNBKN7E/s320/cachoeira+da+fuma%C3%A7a.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Daí que a partir de algumas palavras encantadas, a poesia de Casimiro renasce a cada dia, através do tempo, reascendendo a chama das emoções básicas de todo o ser humano. Como, por exemplo, quando fala no amor filial, expresso nos versos &lt;em&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;“Eu choro e soluço por quem me chamava/ - Oh filho querido do meu coração!”;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; ou no primaveril entusiasmo da mocidade que canta “&lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;em&gt;Não era belo, Maria/ Aquele tempo de amores/ Quando o mundo nos sorria/ Quando a terra era só flores/ Da vida na primavera?”&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; ; ou mesmo na doce e melancólica saudade das paisagens natais, sussurradas em &lt;em&gt;“&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;em&gt;Eu nasci além dos mares/ Os meus lares/ Meus amores ficam&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;em&gt;lá &lt;/em&gt;&lt;em&gt;!&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;”; e na pura musicalidade lírica de "&lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;em&gt;Oh! Que saudades que tenho/ da aurora da minha vida,/ da minha infância querida/ que os anos não trazem mais!”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Na crônica “Salão dos Românticos”, publicada no jornal Folha de São Paulo, em 2001, o escritor, jornalista e imortal Carlos Heitor Cony, 84 anos, faz uma defesa bem-humorada dos poetas românticos, que possuem um sala especial na Academia Brasileira de Letras. Segundo Cony, “&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;não fosse o romantismo ficaríamos atrelados ao classicismo das arcádias, à pomposidade do verso burilado que tem o equivalente cinematográfico nos efeitos especiais&lt;/span&gt;. Sem falar nos poemas-piadas, a partir de 1922, tidos como vanguarda da vanguarda&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o autor de “A Casa do Poeta Trágico” (1997) “&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;o homem, qualquer homem, é uma casa habitada por um poeta &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;e foram os românticos, na prosa e no verso, que colocaram em nossas letras, as palmeiras, os índios, as praias selvagens, o sabiá, as borboletas de asas azuis, a juriti. Enfim, o cheiro e o gosto de nossa gente”.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;A casa de Casimiro &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TIaDi21b2HI/AAAAAAAAAwI/wOeu8Ox8e6E/s1600/rio+maca%C3%A9.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 130px; FLOAT: left; HEIGHT: 98px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5514239428620179570" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TIaDi21b2HI/AAAAAAAAAwI/wOeu8Ox8e6E/s320/rio+maca%C3%A9.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Em 2009, o governo estadual promoveu a restauração do imóvel onde o poeta viveu boa parte de sua breve vida. Situada na Praça das Primaveras, à margem do Rio São João, a casa do século 19 tinha sido transformada em museu em 1957 e tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, em 1974. Ponto de atração turística mais visitado do município, cuja identidade cultural está intimamente ligada à imagem do poeta e de sua poesia, a recuperação arquitetônica da casa e de seu entorno foi ansiosamente aguardada pela população local. Isso porque, à parte a exuberante paisagem e os atrativos dos esportes radicais praticados em seus rios e matas, a curiosidade e o interesse dos brasileiros, e em especial dos estudantes, em conhecer o berço natal de um dos maiores poetas brasileiros – estar na casa em que o poeta viveu e registrou as suas &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TIaHSiO_2JI/AAAAAAAAAwo/Xqxftvm7IAE/s1600/casimiro1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 130px; FLOAT: left; HEIGHT: 94px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5514243546258856082" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TIaHSiO_2JI/AAAAAAAAAwo/Xqxftvm7IAE/s320/casimiro1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;emoções, percorrendo os cenários imortalizados em seus poemas - ainda são os mais intensos motores a impulsionar o turismo na cidade. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Também em 2009, em homenagem aos 150 anos da publicação do livro “Primaveras”, o Correio Brasileiro emitiu um selo alusivo à data.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7322191688736794078-6509779081528257829?l=sheilasacks.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/6509779081528257829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/6509779081528257829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sheilasacks.blogspot.com/2010/09/eterna-primavera-de-casimiro-de-abreu.html' title='A eterna primavera de Casimiro de Abreu'/><author><name>Sheila Sacks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16806038529181436948</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/Se47EqDHGzI/AAAAAAAAACE/PTl8wAnMnv4/S220/sheila+4.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TIaCDAf4SiI/AAAAAAAAAvo/OJZhCLoehIk/s72-c/rio+s%C3%A3o+jo%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7322191688736794078.post-5403905120627884366</id><published>2010-08-19T17:27:00.000-07:00</published><updated>2010-08-19T18:59:03.611-07:00</updated><title type='text'>A Engenharia sem fronteiras do século 21</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TG3aDxuzMDI/AAAAAAAAAto/zIr-t-ZidCE/s1600/Elevador+Cantagalo+11.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 147px; FLOAT: left; HEIGHT: 114px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5507297677768077362" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TG3aDxuzMDI/AAAAAAAAAto/zIr-t-ZidCE/s320/Elevador+Cantagalo+11.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#660000;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#660000;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por Sheila Sacks&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="font-size:85%;color:#006600;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;na foto, o elevador do Cantagalo na favela Pavão-Pavãozinho que se conecta com o metrô de Ipanema&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Em 2008 a engenharia mundial escolheu o Brasil para realizar o seu maior encontro. A World Engineers Convention (WEC) reuniu em Brasília 5.200 engenheiros de 40 países para renovar os seus conhecimentos tecnológicos e também debater temas de relevância como a responsabilidade social, a ética, a inclusão e a inovação sem degradação ambiental. A convenção foi aberta pelo presidente Lula que na ocasião reafirmou a importância da engenharia na economia, no setor produtivo e no trabalho. O presidente destacou ainda o papel fundamental da profissão na implementação de projetos de transformação das cidades e da imensa capacidade do setor de inovar e criar novas realidades “mesmo sobre os escombros de modelos ultrapassados.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como seria natural, o presidente Lula citou o desafio do PAC – o Programa de Aceleração do Crescimento – com suas obras nas áreas de infraestrutura, energia, logística, social e urbana. Uma oportunidade valiosa, segundo ele, para os engenheiros que possuem “a inovação em seu DNA”. Para Lula, vitoriosa será a nação que melhor aproveitar a infinita capacidade humana de reinvenção da vida e de superação de cada problema que se apresenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TG3aSUN8mtI/AAAAAAAAAt4/5NnG95Kv40g/s1600/Apartamentos+1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 120px; FLOAT: left; HEIGHT: 76px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5507297927543691986" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TG3aSUN8mtI/AAAAAAAAAt4/5NnG95Kv40g/s320/Apartamentos+1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;No Rio de Janeiro, o trabalho de engenharia urbana que vem sendo executado nas favelas, através do PAC, introduziu novas diretrizes e padrões de comportamento social nos profissionais engajados no projeto. Engenheiros e arquitetos têm ao seu lado, participando e atuando no dia a dia, técnicos da área social que acompanham o desenrolar das obras nas comunidades. Há três anos o programa está promovendo uma inédita ponte de diálogo e entendimento com os moradores das favelas beneficiadas, estimulando os moradores a interagir e contribuir para que as melhorias introduzidas – acessos, novas moradias, escolas, equipamentos esportivos, áreas de lazer etc – sejam compartilhadas e mantidas de forma consciente e com cidadania. ( &lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#006600;"&gt;na foto, apartamentos construídos na favela de Manguinhos)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Esse tipo de abordagem mais humana e social por parte da engenharia, focalizada nos problemas das pessoas e das comunidades menos favorecidas, desabrochou de fato com o PAC das favelas. Seus objetivos se assemelham às propostas da organização internacional “Engenheiros sem Fronteiras” (Engineers Without Borders – EWB), criada em 2000 nos Estados Unidos, e que atualmente está presente em mais de 40 países, inclusive no Brasil. Com sede na Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, o núcleo brasileiro foi implantado em 2007 na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e transferido para a UFV em junho de 2010. Na visão da organização, a engenharia deve atuar como uma ferramenta a serviço da equidade e da construção da dignidade humana, conciliando o conhecimento acadêmico e as necessidades dos segmentos mais carentes da população. Missão que vem sendo cumprida pelos engenheiros e arquitetos dos órgãos públicos do governo estadual do Rio de Janeiro em relação às obras do PAC, em consonância com as diretrizes do governo federal.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TG3aK_BGFEI/AAAAAAAAAtw/dy4Z-Iv_9aA/s1600/favela+do+alem%C3%A3o.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 90px; FLOAT: left; HEIGHT: 122px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5507297801593558082" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TG3aK_BGFEI/AAAAAAAAAtw/dy4Z-Iv_9aA/s320/favela+do+alem%C3%A3o.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Portanto, já se afigura lógica a participação brasileira na próxima WEC, a ser realizada em 2011 em Genebra (Suíça), se reportar à experiência e aos resultados positivos da vertendo social e urbana do PAC que tem transformado as condições de vida dos habitantes das favelas. (&lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Na foto, construção do teleférico no Complexo de favelas do Alemão que vai se conectar com a via férrea.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;O bem coletivo como prioridade&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A Construção Civil, como tema expositivo, costumeiramente atrai abordagens tecnológicas associadas às inovações e ao aperfeiçoamento de itens técnicos tendo em vista a própria natureza científica e matemática do serviço e a formação específica e especializada de seus profissionais. No campo do trabalho aplicado, a prioridade está centrada na escolha dos materiais, equipamentos e maquinário a serem utilizados nas edificações e que devem, virtuosamente, se conjugarem com a qualidade e a funcionalidade desejáveis, adequando-se ainda a uma planilha de custos e prazos previamente calculada. A meta final é a entrega da obra de acordo com o planejamento e a expectativa iniciais, fatores que se preservados até o concluir dos serviços vão garantir o sucesso da empreitada em termos técnicos e contratuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semelhante ao que ocorre, há décadas, nos projetos endereçados à área privada, agora também no setor público agrega-se à responsabilidade técnica do gestor a variante do compromisso sócioeconômico da cidadania, um valor já percebido e que começa a ser cobrado pelas comunidades beneficiadas pelas obras. Se em tempos passados o responsável por uma obra de edificação pública tinha como única preocupação cumprir, basicamente, os requisitos técnicos e burocráticos que acompanham esse tipo de trabalho, alijando-se de qualquer ação participativa que pudesse ser interpretada como um comprometimento político, hoje essa visão de gestor público está superada face à percepção de que atender bem o propósito coletivo é atribuição básica de uma empresa que gerencia obras com recursos governamentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;Gestão com motivação e solidariedade&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TG3ejmSJlMI/AAAAAAAAAuA/AD40EIHaMQM/s1600/morro_favela_tarsila+1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 129px; FLOAT: left; HEIGHT: 114px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5507302622497445058" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TG3ejmSJlMI/AAAAAAAAAuA/AD40EIHaMQM/s320/morro_favela_tarsila+1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Essa mudança de ótica nas instituições públicas tem ocorrido sob a égide do núcleo governamental que, em anos recentes, vem promovendo a capacitação das gestões e dos gestores com a introdução de modelos contemporâneos de administração e o incremento de cursos e seminários voltados aos novos conceitos, normas, condutas e valores pró-ativos que combinem conhecimento e tecnologia com resultados que incluam a satisfação coletiva. É um novo paradigma de gestão organizacional, pautado no ícone da contínua aprendizagem e aprimoramento, que estimula a incorporação de padrões de cooperação, participação, confiança e de solidariedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Especialistas em gestão como Noel Tichy, professor de comportamento organizacional da Universidade de Michigan (EUA) e autor de dezenas de livros sobre o tema, considera de profunda importância motivar os funcionários com uma visão empolgante do trabalho que realizam. Exemplo desse modelo é relatado por Brian Dumaine, antigo editor da revista norte-americana “Fortune”, no artigo “Por que nós trabalhamos?”. O autor se vale de uma parábola para reafirmar a importância da noção de “missão” no cotidiano das tarefas. Citando três tipos de operários que executam o mesmo tipo de serviço – talhar uma pedra com um martelo e um cinzel – Dumaine conta que o primeiro se sente frustrado e irritado porque considera aviltante o trabalho que faz. O segundo, ao explicar que talha a pedra para um prédio, não parece nem zangado nem satisfeito. Já o terceiro cantarola feliz e, enquanto esculpe a pedra, responde com orgulho que está construindo uma catedral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;O aprendizado que evolui no cotidiano&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa forma, a tradicional noção de capacitação técnica não seria o valor preponderante a atuar na condução do trabalho em uma empresa. O engenheiro aeroespacial Peter Senge, Ph.D. em administração organizacional pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA) e autor do best-seller “A Quinta Disciplina” (1990), aponta o engajamento do profissional “em relação aos princípios, às diretrizes e ao futuro que a empresa pretende criar e alcançar”, como um fator decisivo na evolução sustentável e competitiva da organização. A essa disciplina apreendida pelo grupo funcional ele chama de “visão compartilhada”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em entrevista à revista norte-americana “HSM Management” em julho de 1998, Senge questiona alguns mitos corporativos como a excelência de programas de treinamento e a importância da tecnologia de informação. Para ele é preciso pensar no tipo de aprendizado que a tecnologia proporciona, já que uma pessoa pode até receber mais informações graças à tecnologia, mas, se não possuir as capacidades necessárias para aproveitá-las, de nada adiantará, visto que a informação não cria aprendizado. ”Esse é um enorme mal-entendido que afeta muitas pessoas. A informação só pode nos ajudar a aprender alguma coisa que já entendemos.” Quanto aos programas de treinamento, Senge considera que poucos profissionais aprendem as coisas que são realmente importantes nesses programas. “O aprendizado ocorre no dia-a-dia, ao longo do tempo e sempre acontece quando as pessoas estão às voltas com questões essenciais ou se veem diante de desafios.“&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;O desenvolvimento social como meta&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TG3e6--zHpI/AAAAAAAAAuI/YY-JJMp7fA4/s1600/favela_pipas.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 116px; FLOAT: left; HEIGHT: 109px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5507303024264158866" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TG3e6--zHpI/AAAAAAAAAuI/YY-JJMp7fA4/s320/favela_pipas.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Desde os anos de 1970, o tema da responsabilidade social das empresas em relação às comunidades onde estão inseridas tem sido foco de debates e de uma extensa literatura. Nota-se que a filosofia desse conceito é abrangente, englobando problemas sociais, econômicos e ambientais como pobreza, desemprego, segurança no trabalho, poluição e desmatamento, além de aspectos legais e jurídicos referentes a desapropriações e remoção de moradores, para citar alguns. Porém, o entendimento mais comum do termo é aquele que traduz a responsabilidade social empresarial como um comportamento socialmente responsável, do ponto de vista ético, praticado pelas organizações em suas atividades-fins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conhecidos teóricos da administração, como o filósofo e economista de origem austríaca Peter Drucker (1909-2005), e o americano Robert M. Grant, consultor e autor do livro “Análise da Estratégia Contemporânea” (1995), destacam a necessidade de uma gestão de empresas voltada para a evolução da sociedade moderna, já que as empresas são importantes e influentes agentes sociais, e seus gestores são percebidos como lideranças pelas comunidades onde atuam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na obra “O Líder do Futuro”, os autores Hesselbein, Goldsmith e Beckard enfocam o lado humanístico na condução empresarial. Para eles, o propósito de uma administração organizacional deve ser o de tornar eficazes os pontos fortes das pessoas e irrelevantes as suas fraquezas. O livro datado de 1996 advoga que as posturas serão mais úteis do que as habilidades e que as futuras lideranças vão flexibilizar as hierarquias, construindo um sistema de trabalho mais fluido: “O maior capital das empresas serão as pessoas que as compõem. Conseguir o comprometimento delas e colher o fruto de suas mentes criadoras deverá ser o grande desafio do século 21.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;A importância de fazer as coisas certas&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Esse novo conceito de liderança se afasta do primitivo modelo de liderança carismática, onde não havia espaço para a argumentação ou contestação. Um tipo de comando criticado pelo próprio Drucker - o cultuado guru “inventor da gestão” - que aos 95 anos e em sua última entrevista à imprensa norte-americana (reproduzida pela revista “Exame” em fevereiro de 2006, sob o título “Liderança é Conversa Fiada”) questiona a fixação dos gestores executivos pela formação de líderes: “É um erro afirmar que as escolas de negócios formam líderes. Sua tarefa consiste em formar medíocres competentes para que realizem um trabalho competente Permita-me dizer com toda a sinceridade: não acredito em líderes. Toda essa conversa sobre líderes é uma bobagem muito perigosa. É tudo conversa fiada. Entristece-me constatar que, encerrado o século 20, com líderes como Hitler, Stálin e Mao, as pessoas ainda estejam em busca de quem as comande, apesar de todo esse mau exemplo. Acho que tivemos carisma demais nos últimos 100 anos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autor de mais de 30 livros sobre práticas de administração de empresas, Drucker sempre acreditou que os bons resultados obtidos em uma gestão não advêm das soluções de problemas e sim de se saber explorar as novas oportunidades que se apresentam. Também alertava para a interpretação confusa dos gestores sobre os termos “eficácia – fazer a coisa certa – e eficiência – fazer certo as coisas. Segundo o teórico “é difícil achar algo tão inútil quanto fazer com grande eficiência algo que simplesmente não deveria ser feito”. Mas mesmo assim, assinalava Druker, as ferramentas utilizadas - sobretudo conceitos contábeis e dados - estavam todas voltadas à eficiência. “O que precisamos é de um jeito de identificar áreas de eficácia (de possíveis resultados relevantes) e de um método para nos concentrarmos nelas”, recomendava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;&lt;strong&gt;Aprender, desaprender e reaprender&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Em 1930, na obra “O Mal-Estar na Civilização”, o fundador da psicanálise, Sigmund Freud (1856-1939), já especificava as três grandes forças causadoras da infelicidade no ser humano: o próprio corpo “condenado à decadência e à dissolução”; o mundo exterior “repressivo” e “ameaçador”:; e os relacionamentos com os outros, essa última correspondendo à frustração mais difícil de se lidar e adequadamente rotulada de “a fonte social do sofrimento”. Reconhecendo-se a importância das relações pessoais no contexto das organizações, torna-se um desafio para qualquer gestor desenvolver um clima de harmonia, integração e satisfação em sua comunidade funcional, face à diversidade dos “modelos mentais” inerentes a cada indivíduo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No livro “A Força dos Modelos Mentais” (2005), os consultores norte-americanos Yoram Wind e Colin Crook explicam que esses processos cerebrais e emocionais - frutos de influências familiares, escolares, culturais e religiosas que se somam às experiências e vivências na fase adulta - moldam todos os aspectos da vida de uma pessoa e muitas vezes, no âmbito profissional, eles não acompanham ou não correspondem à realidade do momento, dificultando e limitando a evolução de uma carreira que poderia ser promissora. Caberia, pois, aos profissionais se reestruturarem, desfazendo-se de antigos referenciais e adaptando-se aos novos conceitos de competência e padrões de comportamento sinalizados pela empresa. “Daí a importância de aprender, desaprender e reaprender para construir nossos conhecimentos sob novos paradigmas”, desafiam Wind e Crook.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;O trabalho que gera satisfação&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Mas, para Freud a insatisfação humana é um fato imutável porque “nascemos com um programa inviável que é atender aos nossos instintos, mas o mundo não o permite”. Ou seja, o homem, faça o que fizer, estará condenado a conviver com a frustração na vida privada e profissional. Logo, gerenciar atividades e serviços da mais alta complexidade e tecnologia empresarial como grandes obras de engenharia também é administrar expectativas pessoais que não devem ser desconsideradas ou minimizadas pelos gestores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma pesquisa na cidade de Pittsburgh, na Pensilvânia (EUA), na década de 1950, quando a localidade ainda era um grande pólo siderúrgico e o maior produtor de aço do mundo, o professor e psicólogo Frederick Herzberg, falecido em 2000, realizou entrevistas com 200 engenheiros e contadores de onze indústrias da região para descobrir os fatores que geravam satisfação e insatisfação no ambiente de trabalho. Percebeu que elementos relacionados com o conteúdo do trabalho (motivação), tais como o desenvolvimento do potencial intelectual, a possibilidade de crescimento profissional e a autorrealização, eram fortes indutores para a criação de um clima de satisfação entre os funcionários. Por outro lado constatou que o contexto físico e as condições de trabalho e de remuneração, mesmo apresentando ótimos padrões, não aumentavam o grau de satisfação entre os empregados, apesar de funcionarem como barreiras de contenção contra a insatisfação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse estudo, compilado no livro “A Motivação para o Trabalho” (1959), serviu de base para outras centenas de observações e análises sobre modelos e teorias de administração produzidas ao longo do tempo que têm ajudado a redefinir o conceito de trabalho empresarial nas organizações públicas e privadas, incorporando às atividades econômicas e tecnológicas valores como o capital intelectual, o talento e a inovação, ferramentas insuperáveis na produção de ações que objetivem resultados promissores nos ambientes internos e externos em que atuam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#660000;"&gt;A singularidade do ser humano&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com essa opção pela gestão social, que se traduz por um gerenciamento mais participativo e solidário, priorizando o diálogo no desenvolvimento das pessoas e no interesse público das comunidades, as empresas vão se aproximando, pouco a pouco e de forma extraordinária, da filosofia política de Hannah Arendt (1906-1975) – uma das mais cultuadas pensadoras do século 20 –, algo impensável há alguns anos. Isso porque para Arendt, autora de “A Condição Humana” (1958), a suposição de que a identidade de uma pessoa transcenda, em grandeza e importância, tudo o que ela possa fazer ou produzir, seria um elemento indispensável da dignidade humana. Juntamente com a assombrosa capacidade de agir do ser humano, da qual, segundo a filósofa, “se pode esperar o inesperado e o infinitamente improvável, independentemente da produção de coisas, porque cada homem é singular, de sorte que, a cada nascimento, vem ao mundo algo singularmente novo”. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7322191688736794078-5403905120627884366?l=sheilasacks.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/5403905120627884366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/5403905120627884366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sheilasacks.blogspot.com/2010/08/engenharia-sem-fronteiras-do-seculo-21.html' title='A Engenharia sem fronteiras do século 21'/><author><name>Sheila Sacks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16806038529181436948</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/Se47EqDHGzI/AAAAAAAAACE/PTl8wAnMnv4/S220/sheila+4.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TG3aDxuzMDI/AAAAAAAAAto/zIr-t-ZidCE/s72-c/Elevador+Cantagalo+11.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7322191688736794078.post-705426869691662293</id><published>2010-08-04T17:22:00.000-07:00</published><updated>2010-08-04T18:20:16.517-07:00</updated><title type='text'>O PAC e a nova engenharia urbana</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TFoKRmOBfWI/AAAAAAAAAtA/PhnXs0ufkik/s1600/Rocinha.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 150px; FLOAT: left; HEIGHT: 192px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5501721192219901282" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TFoKRmOBfWI/AAAAAAAAAtA/PhnXs0ufkik/s320/Rocinha.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#006600;"&gt;&lt;em&gt;por Sheila Sacks&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três anos após o seu lançamento, o &lt;span style="color:#990000;"&gt;Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)&lt;/span&gt; do governo federal, focado nas favelas do Rio de Janeiro, chega a 2010 com um saldo de R$ 1,5 bilhão investidos na urbanização e melhorias das condições de habitação e mobilidade desses aglomerados humanos. Atuando principalmente nas favelas dos morros Dona Marta, Pavão-Pavãozinho, Manguinhos, Complexo do Alemão e Rocinha – um universo em torno de 250 mil habitantes - o programa construiu, nesse período, ruas, praças, passarela, escolas, biblioteca, quadras de esporte, elevadores e um teleférico em fase de conclusão. De mãos dadas com o governo do Estado, que elaborou os projetos e mobilizou engenheiros, arquitetos e técnicos de planejamento e desenvolvimento urbano para a execução das obras, o Pac das favelas tem a aprovação dos formadores de opinião, da população da cidade e dos habitantes das comunidades beneficiadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No &lt;span style="color:#990000;"&gt;5º Fórum Mundial de Urbanismo&lt;/span&gt; realizado no Rio de Janeiro (março/2010), o diretor geral da “Aliança das Cidades”, Willim Cobbett, um dos maiores especialistas em urbanização de favelas, parabenizou o Brasil por seu importante trabalho nessa área. Chefiando uma organização internacional que reúne 24 países com o objetivo de reduzir a pobreza nas áreas urbanas, Cobbett foi secretário de habitação na cidade do Cabo, na África do Sul, de 1996 a 1998, e advoga a inclusão das favelas às cidades. “Quando o Estado deixa um lugar, ele é ocupado pelo poder paralelo”, alerta. “ A urbanização é um meio eficaz de o Estado retomar o controle.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro participante do encontro que se mostrou admirado com as obras de urbanização nos morros cariocas foi o presidente da Associação Internacional de Moradores de Favela, o indiano Jockin Arputhan. “É um bom modelo para se adotar em todos os lugares do mundo”, afirmou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consciente da necessidade de prosseguir nos projetos de melhoria desses populosos núcleos informais e integrá-los ao cotidiano das cidades brasileiras, o governo federal ao lançar o &lt;span style="color:#990000;"&gt;PAC 2 ,&lt;/span&gt; em março de 2010, privilegiou recursos da ordem de 23 bilhões de reais para as ações a serem implementadas nos próximos quatro anos no eixo denominado “Comunidade Cidadã”. Os investimentos vão criar postos de Saúde (UPAs – Unidades de Pronto Atendimento – e UBS – Unidades Básicas de Saúde), creches e pré-escolas, quadras esportivas, “Praças do PAC” e postos de polícias comunitárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Cobbertt, apesar de ainda haver bastante trabalho pela frente, o Brasil mostra vontade política para transformar a vida dos moradores das favelas. “ O país inclusive fez alterações em seu Estatuto das Cidades para poder regularizar o acesso à terra, e acertou ao criar o Ministério das Cidades - existente em pouco países – para gerenciar a área de planejamento urbano.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em janeiro de 2008, diante do desafio que o PAC das favelas se apresentava para a engenharia brasileira – notadamente em termos de responsabilidade social – escrevi o artigo abaixo para o “Observatório da Imprensa”.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=467CID003"&gt;http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=467CID003&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;QUESTÃO URBANA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;PAC aciona engenharia-cidadã&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TFoKZKZKrfI/AAAAAAAAAtI/ez0nwv4P3ss/s1600/Favela.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 150px; FLOAT: left; HEIGHT: 112px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5501721322189401586" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TFoKZKZKrfI/AAAAAAAAAtI/ez0nwv4P3ss/s320/Favela.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Por conta do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado no início de 2007, a engenharia pública direcionada para as camadas mais pobres da população virou estrela na mídia. Pelo menos no estado do Rio de Janeiro, o anúncio de investimentos da ordem de 910 milhões de reais para as obras de urbanização em três grandes favelas do Rio – a de Manguinhos, Complexo do Alemão e da Rocinha –, onde vivem 245 mil pessoas, abriu espaço para a chamada "construção civil com responsabilidade social" ser apresentada ao grande público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As metas deste modelo de engenharia mais consciente, voltado para a inclusão e a justiça social, é um fator positivo a ser realçado no PAC. Segundo dados do governo federal, serão investidos na área de urbanização de favelas, até 2010, em todo o país, em torno de 40 bilhões de reais. Nas três favelas cariocas – uma espécie de vitrine do programa –, além da construção de novas residências, serão implantados centros culturais e esportivos, áreas de lazer, creches, escolas técnicas, postos de saúde, bibliotecas e sistemas de abastecimento de água, esgoto e iluminação pública. Para a integração com o transporte regular serão construídos teleféricos e planos inclinados, já que as favelas cariocas situam-se basicamente em morros, muitos deles de difícil acesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;O narcotráfico, uma dúvida&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Os projetos arquitetônicos que estão sendo desenvolvidos para atender a essa nova clientela, ainda pouco conhecida da engenharia brasileira, se configuram como um saudável desafio para os nossos profissionais. É bem verdade que os engenheiros e arquitetos que trabalham no serviço público estão acostumados a acompanhar projetos dirigidos às comunidades em geral, como a construção de escolas públicas, hospitais, delegacias, penitenciárias, fóruns, estádios, teatros etc. Mas, especificamente no PAC das favelas, o enfoque é diferente porque estes núcleos habitacionais nunca foram o centro de uma política abrangente de ocupação social que incluísse a engenharia como ponta de lança de uma estratégia governamental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A complexidade da missão fez com que os profissionais envolvidos com a tarefa se deslocassem até a cidade de Medellín, na Colômbia, para ver in loco as alternativas utilizadas nesse país no tocante à urbanização dessas comunidades pobres que, em comum com as nossas favelas, têm um referencial de peso: a cultura do narcotráfico. Semelhante ao Rio, Medellín tem mais de 1 milhão de pessoas que vivem em favelas e, de acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 70% das pessoas que moram nas favelas cariocas não querem se mudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o site oficial do governo do estado do Rio, as obras de urbanização das favelas começam em fevereiro próximo (2008) e vão durar três anos. Uma das iniciativas para engajar os moradores na empreitada foi abrir vagas de trabalho dentro das próprias comunidades (a previsão é de 20 mil empregos diretos) e contatar as diversas associações e movimentos sociais existentes nas favelas para ouvir e entender as suas reivindicações. Porém, nas margens de todo o amplo programa de engenharia que será implementado, uma dúvida persiste: como irão se comportar os grupos ligados ao narcotráfico – que têm uma atuação subterrânea, mas nem por isso menos atuante – no cotidiano dessas comunidades?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Contagem regressiva&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em Medellín, o programa de urbanização incluiu acordos de paz com as milícias armadas e pactos de convivência com jovens cooptados pelo narcotráfico que foram desmobilizados, paulatinamente. Esse processo se iniciou há quase 15 anos, quando o índice de homicídios assustava a sociedade colombiana. Na cidade do Rio, a violência, além de gerar um clima de contínua insegurança, tem mexido com os bolsos dos moradores do asfalto. Tanto nas zonas sul ou norte, os apartamentos vizinhos às favelas, muitas deles de alto luxo, estão se desvalorizando. Em contrapartida, depois da confirmação das obras do PAC, as moradias nas favelas já triplicaram de preço. Um quebra-cabeça para as autoridades estaduais, que procuram criar, na turma que reside nas chamadas áreas nobres e que paga altos impostos, uma disposição de boa vontade em relação ao projeto de urbanização das favelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sua vez, a geografia do Rio, privilegiada em belezas naturais, tornou-se, com o passar dos anos, um algoz insensível, cercando os bairros de trincheiras invisíveis e tornando os seus moradores reféns de sua topografia. As favelas abraçam a cidade com o peso e a força de um amigo urso, sem muita lógica, mas com poder suficiente para sufocá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consulta feita pelo O Dia OnLine aos internautas cariocas, na véspera de ano novo (2007), mostrou que 31,4% dos 3.500 que responderam à enquete não permaneceriam na cidade durante o feriadão, principalmente devido ao fator da violência. Sabendo-se que a orla de Copacabana é conhecida internacionalmente pelo grandioso espetáculo de luzes e som que oferece aos milhares de turistas que lotam suas areias, torna-se desalentador esse índice de fuga dos cariocas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É fato que, várias vezes durante o ano de 2007, o governador Sérgio Cabral mostrou-se incisivo quanto à sua determinação de seguir adiante neste projeto de engenharia de inclusão social, com o objetivo de pacificar, ordenar, interagir e proporcionar uma real cidadania a esse universo de pessoas que muitos ainda teimam em ignorar: "O Rio de Janeiro tem 6 milhões de habitantes e 1,4 milhão morando em favelas. Estamos em contagem regressiva para as obras. Ocuparemos as favelas com ruas, avenidas, bibliotecas e escolas". Decreto publicado no Diário Oficial do estado já considerou de "utilidade pública" todas as obras do PAC nas favelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Comércio bilionário&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;No final de novembro (2007), o presidente Lula subiu o morro do Pavão-Pavãozinho, na zona sul do Rio, para dar o pontapé inicial das obras do PAC naquela favela. As obras para ampliação do acesso ao local estavam paradas desde 2002 e o presidente garantiu R$ 35 milhões para o projeto e também para a implantação de sistemas de água e esgoto. A legalização dessas moradias também foi um dos pontos assinalados pelo presidente. Essas ações, independentemente de serem entendidas, por alguns, como iniciativas de caráter eleitoreiro ou populista, precisam ganhar o apoio da sociedade e a confiança das comunidades a serem beneficiadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Fundo de Populações das Nações Unidas (Unfpa), em relatório publicado em julho (2007), faz um doloroso prognóstico: em 2030, com a população urbana dobrada, seremos um planeta de favelas. No Brasil, onde 84% da população se concentra em centros urbanos, seria louvável que a grande mídia não descuidasse do tema e continuasse a mirar os seus holofotes no trabalho a ser desenvolvido pela engenharia pública brasileira, a quem caberá, nos próximos anos, repensar, redesenhar e construir as novas configurações das cidades. Segundo o urbanista Sérgio Magalhães, se somássemos as populações das cidades do Rio e de São Paulo que hoje vivem em favelas, já teríamos a 3ª maior cidade do país, com quase 5 milhões de habitantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade do Rio de Janeiro tem 752 favelas e estudos apontam que em 300 delas existe um forte tráfico de cocaína. Na Rocinha, a segunda maior favela da América do Sul, com 120 mil habitantes (a primeira é Petare, em Caracas, na Venezuela, com 1 milhão de moradores), o narcotráfico movimenta 10 milhões de reais por semana. Em contrapartida, a região tem o mais alto índice de tuberculose do estado. Já no Complexo do Alemão, onde vivem 80 mil pessoas, o tráfico de armas é um parceiro comercial lucrativo das drogas. Dados de organizações internacionais dão conta de que a venda de armamentos contrabandeados do Paraguai rende 88 milhões de reais, por ano, somente no Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos se utilizam dessas estatísticas de contravenção e criminalidade registradas nas favelas para sustentar a argumentação da impossibilidade de mudar a cultura social do tráfico nessas comunidades, vincada e sedimentada ao longo de mais de três décadas. Mas nunca é demais lembrar que o Brasil tem 7,8 mil quilômetros de fronteiras pouco guarnecidas e é vizinho dos três maiores produtores de cocaína do mundo (Colômbia, Peru e Bolívia) e do maior plantador de maconha do continente (Paraguai). Em termos globais, o narcotráfico internacional movimenta 500 bilhões de dólares anuais, mais que o comércio do petróleo e só perdendo para o tráfico de armas. Logo, demonizar as favelas como incontroláveis redutos de tráfico e negócios ilegais da cidade é ignorar a abrangência e o poderio de um bilionário comércio transnacional, que funciona e age como um governo paralelo, insubmisso às nações civilizadas, e com regras próprias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Uma bela jornada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A grande mídia, em 2008, tem uma grandiosa tarefa pela frente: acompanhar e cobrar o desdobrar das obras do PAC nas favelas, alistando-se nessa missão de resgate da cidadania de uma grande parcela de nossa sociedade, lado a lado com os arquitetos, engenheiros e operários que estarão engajados nesse trabalho. Revivendo o sonho da construção de Brasília, nos anos 60, quando a engenharia pública nacional mostrou ao mundo a sua capacidade e originalidade ao erguer uma capital moderna e funcional no meio do nada, o PAC das favelas surge, neste século 21, para consolidar os novos rumos da engenharia no Brasil. Transformar as favelas em bairros não é uma idéia nova e alguns melhoramentos já foram realizados pela prefeitura. A inovação do PAC é a onda de conscientização que já perpassa os vários setores da sociedade que vêm respondendo afirmativamente à necessidade das obras a serem realizadas nessas comunidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, e depois das obras prontas? Como se daria a conservação das mesmas? O modelo de privatização de nossas estradas é um bom exemplo a ser seguido. Às firmas envolvidas nas obras se cobraria um pedágio social: o de realizar a manutenção, por dez a 15 anos, das obras realizadas. Um motivo a mais para a execução do projeto, em termos de engenharia, primar pela utilização de material funcional e de boa qualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, estamos diante de uma bela jornada, ainda que trabalhosa e difícil, face aos indicadores sociais de pobreza e violência. Mas, as dificuldades, longe de desanimar, precisam ser encaradas e transpostas com entusiasmo e a certeza de que o melhor caminho é esse e cumpre trilhá-lo. Com o apoio e a atenção da mídia, ainda a voz mais livre e contundente a favor do cidadão brasileiro. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7322191688736794078-705426869691662293?l=sheilasacks.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/705426869691662293'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/705426869691662293'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sheilasacks.blogspot.com/2010/08/o-pac-e-nova-engenharia-urbana.html' title='O PAC e a nova engenharia urbana'/><author><name>Sheila Sacks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16806038529181436948</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/Se47EqDHGzI/AAAAAAAAACE/PTl8wAnMnv4/S220/sheila+4.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TFoKRmOBfWI/AAAAAAAAAtA/PhnXs0ufkik/s72-c/Rocinha.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7322191688736794078.post-5258217709428330420</id><published>2010-07-26T18:20:00.000-07:00</published><updated>2010-08-01T10:33:37.594-07:00</updated><title type='text'>Lula:" Quando fui preso não tive a solidariedade de todos"</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TE408BvLekI/AAAAAAAAAq8/SJNUWAUWSyU/s1600/Lula+sindicalista+22.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 130px; FLOAT: left; HEIGHT: 175px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5498390400929069634" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TE408BvLekI/AAAAAAAAAq8/SJNUWAUWSyU/s320/Lula+sindicalista+22.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#006600;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#006600;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;por Sheila Sacks&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;( Em abril de 1980, jornal anuncia a prisão de Lula)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#663366;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Perto de encerrar o mandato de oito anos (em 31 de dezembro), o presidente Lula está convicto de que o Brasil é hoje uma democracia consolidada. Respondendo às críticas à atual política externa de estreitar os laços econômicos com governos denunciados por entidades internacionais de violação de direitos humanos (Cuba, Venezuela, Irã, Líbia, Guiné Equatorial, Quênia, Tanzânia, Zâmbia e Gana, entre outros), o presidente brasileiro afirma que gostaria de que todos os países tivessem o mesmo grau de liberdade encontrado no Brasil. “Quem pode dizer que há país mais livre do que o Brasil? Duvido que exista.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na entrevista ao jornal “Brasil Econômico” ele defende a postura brasileira de buscar novos parceiros comerciais, ainda que não aprovando certas situações internas. “Uma coisa é apoiar Cuba, outra é concordar com prisões políticas, ressalta Lula. O presidente lembra também da época em que ficou preso (1980) em razão de sua militância sindical. “As pessoas que estão presas acham que podem contar com a defesa de todos que estão do lado de fora. Quando fui preso, não tive a solidariedade de todos. Mas é óbvio que gostaria que não houvesse preso político em nenhum lugar do mundo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Visita aos países árabes&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quanto aos resultados de sua política externa, Lula é enfático na avaliação positiva: “Tenho orgulho de ter sido o primeiro presidente brasileiro a visitar todos os países árabes. Fui a todos os da América Central e o primeiro chefe de Estado desde o imperador Pedro II a ir a países como o Líbano.” O presidente destaca que suas viagens ao continente africano elevaram a balança comercial de 3 bilhões de dólares para 26 bilhões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TE41s2ve--I/AAAAAAAAArM/bjHED0kRkaI/s1600/Lula+em+Jerusal%C3%A9m.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 161px; FLOAT: left; HEIGHT: 106px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5498391239791148002" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TE41s2ve--I/AAAAAAAAArM/bjHED0kRkaI/s320/Lula+em+Jerusal%C3%A9m.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Segundo Lula, a decisão de ampliar as relações diplomáticas, intensificando o convívio político e comercial com países de culturas, regimes e padrões diversos, foi enunciada ainda em 2003, no Fórum Econômico de Davos, na Suíça. Foi lá que ele disse para o chanceler Celso Amorim que o Brasil iria ter uma nova política externa. “Era preciso acabar com a mesmice do século 20, já que não fazia sentido olhar para a Europa sem enxergar a África, olhar para os Estados Unidos sem enxergar o Oriente Médio e o restante da América Latina”. Lula observa ainda que o Brasil é o gigante da América do Sul, com 16 mil quilômetros de fronteira seca e só não mantendo fronteira com Chile e Equador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;De volta às origens&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Prometendo que a partir de 1º de Janeiro de 2011 volta a ser um militante do PT (Partido dos Trabalhadores), Lula, de 64 anos, diz em tom de brincadeira que almeja ser o melhor ex-presidente que o Brasil já teve, ou seja, “não dando palpite”. Mas, como líder de seu partido vai trabalhar junto ao Congresso pelas reformas tributária e política que não conseguiu levar adiante. Também pretende transferir algumas experiências sociais bem sucedidas como o “Bolsa Família” para países da América Latina e da África.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confiante de que a exploração das megas reservas de petróleo do pré-sal vai proporcionar ao Brasil as condições e as oportunidades para um salto de qualidade em áreas como a educação, ciência e tecnologia, Lula também acredita que o país irá integrar o seleto grupo das cinco maiores economias do mundo já em 2016, ano dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. Em 2009 o quinteto era formado pelos Estados Unidos, Japão, China, Alemanha e França, tendo o Brasil na oitava colocação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;Um Brasil mais justo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TE41bZomYyI/AAAAAAAAArE/8nm42pj_LJc/s1600/Lula+sindicalista+33.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 180px; FLOAT: left; HEIGHT: 114px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5498390939919868706" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TE41bZomYyI/AAAAAAAAArE/8nm42pj_LJc/s320/Lula+sindicalista+33.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Apesar de reconhecer que ainda há muita coisa por fazer, o presidente Lula avalia que o Brasil nesses últimos oito anos mudou de cara e avançou em várias áreas. “Em 2003 havia 380 bilhões de reais em crédito bancário, agora chegamos a 1,5 trilhão. Por sua vez, a agricultura familiar saiu de 2,4 bilhões de reais de financiamento para 16 bilhões.” Lula destaca que a classe C reúne agora mais de 30 milhões de pessoas. “Na crise (2009) foram os pobres que saíram às compras quando as classe A e B ficaram com medo. Na véspera do Natal de 2008 ousei convocar o brasileiro em rede nacional de rádio e televisão a consumir, explicando que essa era a maneira de manter a roda da economia girando.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos que discordam da atual carga tributária de 34%, considerando-a muito elevada, Lula pondera que é dos impostos que sai o dinheiro para a execução das políticas públicas sociais. “Quando colocamos 100 bilhões de reais no BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) é porque quero que ele seja dez vezes maior que o Bird (Banco Mundial). Quero um BNDES internacional. Os empréstimos saltaram de 34 bilhões de reais em 2006 para 139 bilhões em 2009 e chegarão logo a 200 bilhões”, afirma Lula, garantindo que deixa ao seu sucessor um país infinitamente mais sólido, justo e democrático.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#990000;"&gt;(publicado no Rio Total ) &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;&lt;a href="http://www.riototal.com.br/coojornal/sheilasacks045.htm"&gt;http://www.riototal.com.br/coojornal/sheilasacks045.htm&lt;/a&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7322191688736794078-5258217709428330420?l=sheilasacks.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/5258217709428330420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/5258217709428330420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sheilasacks.blogspot.com/2010/07/lula-quando-fui-preso-nao-tive.html' title='Lula:&quot; Quando fui preso não tive a solidariedade de todos&quot;'/><author><name>Sheila Sacks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16806038529181436948</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/Se47EqDHGzI/AAAAAAAAACE/PTl8wAnMnv4/S220/sheila+4.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TE408BvLekI/AAAAAAAAAq8/SJNUWAUWSyU/s72-c/Lula+sindicalista+22.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7322191688736794078.post-4720450235364981358</id><published>2010-07-19T17:13:00.000-07:00</published><updated>2010-07-19T18:13:02.510-07:00</updated><title type='text'>Isaac Asimov e os vídeos da morte</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TETtSkPk74I/AAAAAAAAAq0/IEi6mDTzuW8/s1600/Isaac+Asimov+3.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 126px; FLOAT: left; HEIGHT: 167px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5495778348521287554" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TETtSkPk74I/AAAAAAAAAq0/IEi6mDTzuW8/s320/Isaac+Asimov+3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Livros do escritor de ficção científica teriam inspirado mídia usada por terroristas&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000099;"&gt;por Sheila Sacks&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#006600;"&gt;&lt;span style="color:#663366;"&gt;publicado no Observatório da Imprensa&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=408MON001"&gt;http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=408MON001&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#006600;"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Centro de Mídia Independente - CMI Brasil&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;a href="http://www.midiaindependente.org/pt/red/2008/04/418245.shtml"&gt;http://www.midiaindependente.org/pt/red/2008/04/418245.shtml&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#006600;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em maio de 2002, um vídeo de pouco mais de três minutos chocou o mundo. Suas imagens mostravam o correspondente norte-americano Daniel Pearl, do Wall Street Journal, inicialmente vivo, e depois, decapitado. A internet e a TV foram os veículos utilizados pelos terroristas para difundir a mensagem da barbárie. O jornalista, de 38 anos, estava no Paquistão realizando uma reportagem quando foi seqüestrado e, antes de ser executado, o obrigaram a falar de suas raízes judaicas que motivaram a sentença. No vídeo, as mãos que seguravam a cabeça decepada de Pearl eram do paquistanês Khalid Sheik Mohammed (conhecido como KSM), o arquiteto dos ataques de 11 de setembro de 2001, e responsável pela produção e distribuição do vídeo. Capturado e preso, em 2003, KSM era o homem-forte da al-Qaeda que liderava as ações terroristas no Paquistão e no Kuwait, e partiu dele a ordem de matar o jornalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois anos depois do assassinato de Pearl, um outro vídeo de igual teor era exibido pela internet. As imagens mostravam o técnico de comunicações Nicholas Berg, de 26 anos, sendo obrigado a dizer os nomes de seus familiares, dos pais Michael e Susan e dos irmãos David e Sarah, antes de ser degolado. Norte-americano de origem judaica, Berg estava trabalhando em Bagdá quando foi raptado. As pistas sobre sua execução levaram ao terrorista nascido na Jordânia, Abu Musab al-Zarqawi, comandante das ações da al-Qaeda no Iraque e morto em junho de 2006.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;Os grandes e o pequeno&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A estratégia de utilizar gravações em vídeo para difundir ameaças, execuções e ações de terror, tem sido empregada, há mais de uma década, pelo saudita Osama bin Laden, 51 anos, o chefe supremo da organização terrorista al-Qaeda. Desde 1995 ele tem enviado dezenas de mensagens gravadas, transmitidas preferencialmente pela internet e a TV árabe al-Jazeera, convocando os árabes a atacarem as forças norte-americanas e os seus aliados, elogiando os bombardeios a alvos ocidentais e incentivando os homens-bomba a realizarem mais atentados. O modo de agir do terrorista mais procurado do mundo tem sido comparado, por alguns especialistas, ao desenvolvido por um personagem bastante conhecido dos leitores de ficção científica (Sci-Fi). Trata-se do matemático Hari Seldon, da trilogia conhecida como A Fundação, escrita por Isaac Asimov.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concebida entre os anos de 1940 e 1950, a série de contos de Asimov, que depois se transformou na obra que é considerada um marco na literatura de Sci-Fi, tem como cenário um futuro distante (12000), habitado por Seldon, que cria uma ciência chamada psicohistória, capaz de prever comportamentos coletivos e, a partir daí, a queda do próprio Império Galáctico. Ele então despacha uma expedição para um lugar remoto onde estabelece um núcleo, A Fundação, do que seria o novo centro de poder. Face à força militar do Império, Seldon também grava mensagens de vídeo para serem transmitidas aos seus seguidores nos momentos críticos, mesmo depois de sua morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num trecho do livro, o matemático explica a estratégia de luta da Fundação: Tivemos de desenvolver técnicas e métodos novos que o Império não pode imitar(...). Com todos os seus escudos nucleares, gigantes o bastante para proteger uma nave, uma cidade ou um planeta inteiro, nunca haviam sido capazes de criar algo que pudesse proteger a um único indivíduo(...). Toda a guerra é uma batalha entre esses dois sistemas, entre o Império e a Fundação, entre os grandes e o pequeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;Modelos de estudo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TETr_5rOZJI/AAAAAAAAAqk/xr23FhvKhf8/s1600/Isaac+Asimov+4.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; FLOAT: left; HEIGHT: 126px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5495776928345253010" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TETr_5rOZJI/AAAAAAAAAqk/xr23FhvKhf8/s320/Isaac+Asimov+4.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Coincidentemente, o termo al-Qaeda significa A Base, em árabe, que tem conotação semelhante à palavra Fundação, na obra de Asimov. O sociólogo franco-iraniano Farhad Khosrokhavar, diretor da Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais (EHESS), em Paris, e autor de vários trabalhos sobre o terrorismo-suicida, dá sua interpretação sobre o significado do nome da organização: Al-Qaeda significa a base de dados que foi posta em um sistema de informática com os nomes dos que iam lutar contra os soviéticos, no Afeganistão. Para o sociólogo a motivação política dos atos terroristas da al-Qaeda é bem maior do que a dimensão religiosa que muitos acreditam existir: Bin Laden conhece muito bem os EUA, jogou lá na Bolsa de Valores e, durante muitos anos, colaborou com a CIA (Central Intelligence Agency). O número dois, Al-Zawairi, era cirurgião e não um muçulmano tradicional. Também os que atacaram o World Trade Center, em Nova York, 15 deles, de um total de 19, eram da Arábia Saudita e da alta classe média. E os que são convocados para o trabalho subalterno, estes são freqüentemente ocidentais, que viveram e muitas vezes nasceram no Ocidente, como na França, Inglaterra ou mesmo nos EUA. Não são árabes no sentido de terem nascido em um país árabe. A sua educação foi no Ocidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pesquisador que tem estudado as semelhanças entre a al-Qaeda e A Fundação é o físico espanhol Juan José Miralles Canals, professor da Universidade de Castilla-La Mancha, em Toledo. Ele escreveu extenso artigo publicado na revista de informática Mundo Linux, intitulado Internet, Redes Complexas, Guerras de Quarta Geração e al-Qaeda. De acordo com o professor, o 11 de setembro formalizou o início da 4ª Guerra Mundial. A identificação da al-Qaeda com A Fundação oferece um modelo de estudo sobre um projeto de poder para a conquista do planeta, a partir de um núcleo inicialmente muito débil frente a uma força mais poderosa, registra Miralles. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;Em surdina&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Para o físico, alguns paralelismos entre as duas organizações são bem aparentes: 1) A ação é global; 2) O objetivo é a conquista do poder mundial; 3) A base física da organização fica em lugar remoto; 4) A religião funciona como instrumento para alcançar os objetivos; 5) A cada crise surge um vídeo com mensagens; 6) A internet é usada como uma rede condutora para alterar a percepção da realidade, manipular a inteligência, incutir medo e provocar desastres. Sobre este último item, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos já informou que foram encontrados computadores no Afeganistão, provavelmente relacionados com a al-Qaeda, com informações sobre interruptores digitais utilizados para o controle de energia elétrica, água, transporte e telecomunicações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TETsjyMpm5I/AAAAAAAAAqs/j3vFfOCHwtY/s1600/Isaac+Asimov+5.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; FLOAT: left; HEIGHT: 112px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5495777544813255570" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TETsjyMpm5I/AAAAAAAAAqs/j3vFfOCHwtY/s320/Isaac+Asimov+5.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Segundo o diretor do Centro de Pesquisa de Informação da França (CF2R), Eric Dénéce, hoje é mais difícil de se penetrar nas estruturas da al-Qaeda do que no aparato soviético, à época da Cortina de Ferro. Especialista em Ciência Política e autor do livro al-Qaeda: a nova rede de terror, Dénéce revela que bin Laden formou a organização de maneira reticular, imitando os princípios da Internet, o que dá condições para melhor resistir aos ataques exteriores. A al-Qaeda não tem estrutura hierárquica, dispõe de menos elementos financeiros do que imaginamos e limita-se a comunicação de pessoas que estão sozinhas em um determinado momento. Os terroristas e os hackers (ciberpiratas) são recrutados pela internet para explodir alvos e provocar estragos nos sistemas. Em sua opinião, não há nada mais difícil do que lutar contra uma organização com um modelo deste tipo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o que a genialidade de Isaac Asimov, (1920-1992) já previa, há mais de cinqüenta anos. Ph.D em Bioquímica, Asimov nasceu na Rússia, de uma família judaica, e chegou aos Estados Unidos aos três anos. Aos 11 já escrevia contos e aos 15 ingressou na faculdade. Foi professor na Universidade de Boston e redigiu em torno de 500 obras sobre diversos temas. Mas, foi na ficção científica que ele conquistou a celebridade, inúmeros prêmios e milhões de leitores em todo o mundo. E no caso específico de A Fundação, Asimov se superou ao criar, de fato, duas Fundações: uma visível, que utilizava as ciências da física e atacava abertamente o Império, e a outra oculta e misteriosa, que trabalhava em surdina para exercer o domínio sobre as mentes de toda a Galáxia. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7322191688736794078-4720450235364981358?l=sheilasacks.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/4720450235364981358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7322191688736794078/posts/default/4720450235364981358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sheilasacks.blogspot.com/2010/07/isaac-asimov-e-os-videos-da-morte.html' title='Isaac Asimov e os vídeos da morte'/><author><name>Sheila Sacks</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16806038529181436948</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://2.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/Se47EqDHGzI/AAAAAAAAACE/PTl8wAnMnv4/S220/sheila+4.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TETtSkPk74I/AAAAAAAAAq0/IEi6mDTzuW8/s72-c/Isaac+Asimov+3.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7322191688736794078.post-884966665639080859</id><published>2010-07-04T10:33:00.000-07:00</published><updated>2010-11-14T10:19:30.329-08:00</updated><title type='text'>Terror: quem está a salvo?</title><content type='html'>&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 138px; FLOAT: left; HEIGHT: 148px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5539468132644606386" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TOAk6tLg0bI/AAAAAAAAA5E/CalsFQ5KWwI/s320/guerra%2Bao%2Bterror%2B1.jpg" /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;por Sheila Sacks&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#006600;"&gt;publicado no portal Rio Total&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#006600;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;a href="http://www.riototal.com.br/coojornal/sheilasacks044.htm"&gt;http://www.riototal.com.br/coojornal/sheilasacks044.htm&lt;/a&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#006600;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#006600;"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;no blog "Coisas Judaicas"&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://hebreu.blogspot.com/2010/07/terror-quem-esta-salvo.html"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;http://hebreu.blogspot.com/2010/07/terror-quem-esta-salvo.html&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#990000;"&gt;no Observatório da Imprensa : "As fronteiras que dão o que falar" &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#990000;"&gt;&lt;a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?"&gt;http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=597JDB009"&gt;cod=597JDB009&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mais uma vez a Tríplice Fronteira (Argentina, Paraguai e Brasil) ressurge na mídia como rota de fuga e abrigo de procurados da Justiça e de supostos integrantes de movimentos radicais islâmicos. Em 16 de junho de 2010 a agência espanhola &lt;em&gt;&lt;span style="color:#663366;"&gt;EFE&lt;/span&gt; &lt;/em&gt;divulgava a informação de que os EUA haviam requerido a extradição de um libanês naturalizado americano, preso pela Interpol (Internacional Criminal Police Organization) no dia anterior, em Ciudad del Este. Escondido no Paraguai, na zona da Tríplice Fronteira, o árabe Moussa Ali Hamdan, de 38 anos, é acusado pelo governo norte-americano de 31 delitos cometidos em 2007 e 2008, entre eles o de falsificar passaportes, roubar carros, traficar armas e arrecadar verbas para as atividades do grupo Hezbollah. O chefe da Interpol no Paraguai, José Chena, teve o apoio do Departamento de Prevenção e Investigação contra o Terrorismo daquele país para identificar o fugitivo que não portava nenhum documento que o identificasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A jornalista Marta Escurra, que acompanhou o caso em Assunção, informou que Hamdan foi indiciado pelas autoridades dos Estados Unidos em 2009 por sua conexão com a célula terrorista, na época em que residia em Nova Jersey. Em reportagem publicada no portal &lt;span style="color:#663366;"&gt;&lt;em&gt;Infosur hoy&lt;/em&gt;,&lt;/span&gt; ela conta que Hamdan foi a principal figura investigada nos quatro anos da operação encabeçada pela Força Tarefa Antiterrorismo do FBI. Diz ainda que não se sabe como o homem entrou no Paraguai. Segundo uma fonte policial que pediu anonimato, o árabe “provavelmente entrou por Ciudad del Este para poder transitar livremente pela Tríplice Fronteira onde se presume haver células do Hezbollah, que, por sua vez, têm conexões com células da Venezuela e (Hamdan) seria o líder de ambas as células”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#663366;"&gt;O responsável pelo atentado&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#663366;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TOAjW7lznrI/AAAAAAAAA40/0KdtqoLRmBA/s1600/triplice_fronteira.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 137px; FLOAT: left; HEIGHT: 115px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5539466418526068402" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TOAjW7lznrI/AAAAAAAAA40/0KdtqoLRmBA/s320/triplice_fronteira.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Já em 2007, no documentário “&lt;span style="color:#663366;"&gt;Hezbollah: ameaça terrorista na América Latina&lt;/span&gt;”, exibido pelo canal &lt;span style="color:#663366;"&gt;Telemundo&lt;/span&gt;, de língua espanhola, da rede de TV norte-americana &lt;span style="color:#663366;"&gt;NBC,&lt;/span&gt; a Tríplice Fronteira era apresentada como o lugar mais importante para o grupo extremista xiita libanês (fundado no Irã em 1979), depois do Líbano. Na reportagem do correspondente Pablo Gato, o local é descrito como a capital do contrabando, do narcotráfico e da lavagem de dinheiro da América Latina, com um movimento comercial que atinge de 2 a 3 bilhões de dólares anuais, parte dos quais canalizados para o financiamento do Hezbollah.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, para o jornalista e cientista político Segadas Vianna existem outros movimentos radicais atuando na região. No artigo “&lt;span style="color:#663366;"&gt;A Luta Armada no Brasil&lt;/span&gt;”, publicado no site &lt;em&gt;&lt;span style="color:#663366;"&gt;Vote Brasil&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;, ele afirma que “no Sul do país, na chamada Tríplice Fronteira, há fortíssimas evidências da existência de bases ativas da al-Qaeda e de grupos palestinos como o Hamas, sendo que a maioria dessas bases destina-se a abrigar militantes queimados em suas áreas de ação e à obtenção de fundos para as suas atividades.” Estudioso das políticas públicas de segurança, Segadas Vianna foi correspondente na Nicarágua e atuou em 1995 como observador e consultor de um grupo especial da Polícia Civil do Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#663366;"&gt;Uma possível conexão com o terror&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em maio deste ano, por ocasião da visita do presidente Lula ao Irã, o diretor do Centro judaico Simon Wiesenthal de Buenos Aires, Sergio Widder, lembrou que a pessoa assinalada como líder da conexão local do ataque terrorista ao prédio da associação israelita Amia, em Buenos Aires, está refugiado em Foz de Iguaçu. Para o procurador argentino Alberto Nisman, responsável pelas investigações, o colombiano Samuel Salman el Reda foi o responsável pela coordenação da entrada, estadia e partida do grupo operacional responsável pelo atentado, assim como das operações de logística e demais atividades que o grupo executou na fase final do ataque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há seis anos, a revelação de que dois atentados ocorridos em Buenos Aires foram organizados no Brasil, na região de Foz de Iguaçu, partiu de Carlos Alberto Costa, português naturalizado norte-americano (hoje com cidadania brasileira em razão da esposa e filho serem brasileiros) que chefiou a seção do FBI (Federal Bureau of Investigation) no Brasil por quatro anos. Destacado para agir no país em 1999, depois de servir em várias missões mundo afora, ele alcançou a qualificação nº 36 dentre os “top 50” da polícia federal norte-americana. Na entrevista à revista &lt;em&gt;&lt;span style="color:#663366;"&gt;Carta Capital&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; (edição 283, de 24.03.2004) Costa afirmou que as pessoas que tramaram e executaram os ataques não viviam no Brasil e nem eram brasileiros. Logo após a publicação da entrevista, o então presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, Eduardo Suplicy (PT-SP) considerou preocupante o conteúdo das declarações, solicitando a presença de ministros em uma reunião para esclarecer o assunto. Também a Superintendência da Polícia Federal, em nota divulgada na imprensa, disse que intimou o ex-adido policial dos Estados Unidos no Brasil a prestar depoimento formal sobre os temas abordados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#663366;"&gt;Via de acesso para militantes extremistas&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Vale lembrar que em 18 de Julho de 1994 a explosão de um carro-bomba com 300 quilos de nitrato de amônia conduzido por um suicida (Ibrahim Hussein Berro, de 21 anos) até a entrada do prédio de sete pavimentos da Amia e que provocou o seu desabamento, resultou em 85 mortes e 300 feridos. Nascido no Líbano e treinado no Irã, Hussein era militante do Hezbollah e ingressou na Argentina através da Tríplice Fronteira. O fato foi confirmado em 2005 por seus irmãos que residem em Detroit e prestaram depoimento ao promotor argentino do caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anteriormente, em 17 de março de 1992, outro ataque com carro-bomba já havia destruído a embaixada de Israel em Buenos Aires, causando a morte de 29 pessoas e ferindo 242. Em 2006, as investigações das autoridades argentinas apontaram a culpabilidade de integrantes do Hezbollah e do governo do Irã em ambos os atentados, e em 2009 o ex-presidente Carlos Menem, em cujas gestões foram cometidos os ataques, foi acusado de obstruir as investigações que envolviam um amigo empresário de origem síria. De família árabe muçulmana, Menem se converteu ao cristianismo para assumir a presidência da Argentina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#663366;"&gt;Filmes sobre a Tríplice Fronteira&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TOAkC-VJuTI/AAAAAAAAA48/nptj8HI9SWw/s1600/Foz%2BIgua%25C3%25A7u1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 130px; FLOAT: left; HEIGHT: 111px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5539467175175764274" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_XTeq2ojmXBU/TOAkC-VJuTI/AAAAAAAAA48/nptj8HI9SWw/s320/Foz%2BIgua%25C3%25A7u1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;No Brasil, uma reportagem de Bruno Rodhe publicada no jornal &lt;em&gt;&lt;span style="color:#663366;"&gt;Extra &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;do Rio de Janeiro, em 23 de setembro de 2009, dava conta de que um libanês suspeito de participar da explosão no prédio da Amia cumpre pena de onze anos em regime fechado no presídio federal de segurança máxima de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Preso em 2006 pela Polícia Federal por tráfico de drogas, Farouk Abdul Hay Omairi, de 63 anos, é acusado de financiar o Hezbollah e aliciar pessoas para o transporte de drogas de Foz do Iguaçu, onde morava, para a Europa, Amã e a Jordânia. De acordo com a matéria, ele usou durante sete anos a agência de viagens de sua propriedade para facilitar a remessa de entorpecentes para o exterior. Atuando na zona da Tríplice Fronteira, Farouk ajudava a financiar o grupo extremista com os lucros provenientes do tráfico de drogas e também auxiliava na obtenção ilegal da cidadania brasileira ou paraguaia. Seu filho, Kaled Omairi, de 33 anos, também foi condenado por tráfico de drogas e cumpre pena no mesmo presídio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As autoridades dos três países, porém, são veementes em suas negativas quanto ao fato da Tríplice Fronteira abrigar terroristas. Recentemente, os ânimos ficaram acirrados diante do fato da diretora Kathryn Bigelow (premiada com o Oscar 2010 pelo filme Guerra ao Terror) estar desenvolvendo um projeto cinematográfico que tem como foco a região, o contrabando, o narcotráfico e o financiamento do terrorismo islâmico. O filme “Triple Frontier”, do mesmo roteirista de Guerra ao Terror, Mark Boal, está previsto para se rodado nas Cataratas do Iguaçu, uma área considerada Patrimônio da Humanidade, na divisa do Brasil com a Argentina. Os governos do Paraguai e da Argentina já se posicionaram contrários à produção, argumentando que “a trama da película retrata de forma negativa os países da América do Sul, criminaliza a região e amendronta os turistas estrangeiros”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O financiamento às redes terroristas na Tríplice Fronteira também é tema de um outro filme norte-americano, em fase de produção, desta vez sob a direção do brasileiro José Padilha (Tropa de Elite). No filme “A Willing Patriot”, um agente federal dos EUA chega clandestinamente à Tríplice Fronteira para desarticular uma organização que arrecada fundos para atos terroristas.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#663366;"&gt;&lt;strong&gt;"Áreas de difícil fiscalização e controle"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;A esse respeito, em 2007 uma reportagem da revista &lt;em&gt;&lt;span style="color:#663366;"&gt;Época&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; (Os terroristas estão aqui?) informava: &lt;span style="color:#330033;"&gt;“Sabe-se que, em 1995, Khalid Shaikh Mohammed, um dos mentores dos ataques de 11 de setembro, passou cerca de 20 dias no Brasil para visitar integrantes da comunidade muçulmana de Foz do Iguaçu. Lá, teria ajudado a fundar uma entidade beneficente que seria financiadora da al-Qaeda. Capturado no Paquistão (2003) ele está preso na base americana de Guantánamo, vizinha a Cuba (deve ser julgado em 2010). Em 1996, a polícia brasileira descobriu que o libanês Marwan Al Safadi, perito em explosivos acusado de participar em 1993 do primeiro atentado ao World Trade Center, em Nova York, vivia em Foz do Iguaçu. De lá, Safadi fugiu para o Paraguai, onde foi preso e depois extraditado para os EUA.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Para o diretor do Centro de Coordenação das Atividades de Prevenção e Combate ao Terrorismo do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, Márcio Paulo Buzanelli, existem indícios da presença de conhecidas organizações criminosas transnacionais no Brasil. Na publicação de 2004 que reuniu os trabalhos sobre terrrorismo apresentados no 2º Encontro de Estudos promovido pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, Buzanelli admite que “&lt;span style="color:#330033;"&gt;&lt;em&gt;por abrigar uma comunidade de origem árabe e de confissão islâmica numericamente significativa em áreas de fronteira de difícil fiscalização e controle, talvez já estejam sendo aqui estabelecidas as condições propícias para o trânsito e homizio de suspeitos de colaborarem com o terrorismo internacional&lt;/em&gt;.”&lt;/span&gt; Oficial da Inteligência, ex-chefe das Divisões de Contraterrorismo e de Crime Organizado do Serviço de Inteligência Federal, Buzanelli foi diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), de 2005 a 2007, e está à frente do centro brasileiro de antiterrorismo desde a sua implantação, em junho de 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#663366;"&gt;Extremistas se utilizam de ONGs para suas ações&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Servindo-se de entidades sociais supostamente sem fins lucrativos e isentas de impostos como as ONGs (Organizações Não-Governamentais), criadas a título de benemerência social, observa-se que muitas delas funcionam como autênticos corredores subterrâneos para o escoamento do dinheiro que vai sustentar o radicalismo e a desobediência civil em nosso planeta. São dezenas de milhares dessas organizações (somente no Brasil existem em torno de 300 mil ONGs, um número espantoso tendo em vista que em 2002 estas instituições não alcançavam a marca de 20 mil), envolvidas em movimentos polarizados, cujas conotações políticas variam de acordo com as suas fontes de financiamento. Segundo o jornal &lt;em&gt;Estado de São Paulo&lt;/em&gt;, as instituições receberam do governo federal, somente em 2006, repasses no valor de R$ 2,92 bilhões e existem fortes indícios de que grande parte das verbas foi utilizada irregularmente para fins fora do objetivo e da alçada dessas organizações. Em 2007, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foi instalado no Senado Federal para investigar os repasses de verbas para as ONGs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O economista Gustavo Franco que presidiu o Banco Central (1997-1999) acredita que o poder das ONGs deriva de sua capacidade de captação de recursos e da intensidade de sua militância. Segundo o especialista, ONGs mais radicais podem perfeitamente dobrar países e o espectro de suas ações vão das ‘performances’ do Greenpeace às pancadarias de rua, passando pelas invasões do MST (Movimento dos Sem Terra) e chegando às guerrilhas, bombas, sequestros e armas químicas. Para ele houve um crescimento muito grande na movimentação e na petulância das ONGs e também uma grande dose de condescendência com relação à violência por parte desses agentes (&lt;em&gt;&lt;span style="color:#663366;"&gt;Terror e (anti)globalização/ 2001).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;Já Buzanelli vai mais longe em sua crítica a essas organizações, ao afirmar que “muitas ONGs poderiam responder por falsidade ideológica, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e biopirataria”. É fato incontestável que na última década multiplicaram-se as ONGs que funcionam como fachadas de movimentos radicais, muito deles antiamericanos e anti-Israel. Um exemplo recente é a atuação da ONG islâmica turca IHH (Fundação de Assistência Humanitária) no episódio do comboio de barcos que tentou desafiar à soberania de Israel, provocando mortes e feridos e, principalmente, um clima de incidente internacional desfavorável ao pais que reagiu, de alguma forma, à afronta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#663366;"&gt;Guerra ao terror deve ser prioridade para os países do continente&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em 2005, a cidade argentina de Mar Del Plata sediou a &lt;em&gt;IV Cúpula das Américas&lt;/em&gt;, com a participação de 34 países, inclusive o Brasil. Em uma decisão histórica, ao final do encontro foi emitida uma Declaração reconhecendo o combate ao terrorismo no continente como uma das prioridades que merecem a atenção dos governos. Quatro anos depois, com a presença de Barak Obama, a &lt;em&gt;V Cúpula das Américas&lt;/em&gt;, realizada em Trinidad e Tobago, pequeno país caribenho de língua inglesa, ratificava a disposição das nações do continente americano em lutar contra o terrorismo. Na “Declaração de Compromisso de Port of Spain” editada ao final do encontro, em 19 de abril de 2009, o item 69 registrava: “&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;em&gt;Reiteramos nossa mais enérgica condenação ao terrorismo em todas as suas formas e manifestações, por considerá-lo criminoso e injustificável sob quaisquer circunstâncias, em qualquer lugar e independentemente de quem o pratique, e porque representa grave ameaça à paz e à segurança internacionais, à democracia, à estabilidade&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;e à prosperidade dos países de nossa região. Comprometemo-nos a prevenir, punir e eliminar o terrorismo e a continuar a luta contra todas as atividades criminosas que o financiem e facilitem, respeitando plenamente o direito nacional e o direito internacional, aqui incluídos o Direito Internacional dos Direitos Humanos, o Direito Internacional Humanitário e o Direito Internacional dos Refugiados. Comprometemo-nos,&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#990000;"&gt;igualmente, a fortalecer a cooperação, inclusive a assistência jurídica recíproca e a extradição, na luta contra o terrorismo e o seu financiamento, de acordo com as legislações nacionais e as convenções internacionais&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;em&gt;estabelecidas. Instamos os Estados que ainda não o fizeram a que adiram às convenções internacionais sobre terrorismo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#663366;"&gt;Falta de legislação para combater o terror&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Em maio de 2009, por ocasião da divulgação da prisão em São Paulo de um homem acusado de divulgar mensagens racistas na Internet e suspeito de integrar a alta hierarquia da al-Qaeda, o presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, deputado federal Raul Jungmann, disse que já sabia da atuação de terroristas no Brasil. "Sabíamos já de algum tempo que membros da alta hierarquia de redes terroristas transitavam pelo Brasil. A região da tríplice fronteira é plataforma de envio de recursos para o Oriente Médio", afirmou o parlamentar ao jornal “Folha de São Paulo”.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;O deputado disse ainda temer que o Brasil se transforme numa espécie de "país hospedeiro" de organizaçõ
